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Economia

Classe média brasileira tem renda entre R$ 2,5 mil e R$ 10,8 mil, segundo IBGE e FGV — números virais nas redes inflam os valores

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Faixas oficiais da FGV Social mostram onde cada família se encaixa

PNAD Contínua 2025 mostra rendimento per capita de R$ 2.316 no Brasil e R$ 2.335 em Mato Grosso; classificação da FGV Social, referência acadêmica no país, aponta que classe média alta começa em R$ 10.885 de renda domiciliar total mensal — sem multiplicadores nem ajustes por estado.

A renda da classe média brasileira tem faixas claras na metodologia oficial, e os valores estão abaixo do que peças gráficas viralizadas nas redes sociais vêm sugerindo. A FGV Social, em estudo divulgado em janeiro de 2026 pelo economista Marcelo Neri, situa a classe média (Classe C) em domicílios com renda total mensal entre R$ 2.525 e R$ 10.885. O IBGE, pela PNAD Contínua 2025 publicada em fevereiro deste ano, registrou rendimento domiciliar per capita médio de R$ 2.316 no Brasil. Em Mato Grosso, o valor foi de R$ 2.335 — décima posição entre as 27 unidades da federação.

Uma peça gráfica que circulou com força nas redes nas últimas semanas, atribuída à PNAD Contínua 2025, apresenta números bem superiores. Para Mato Grosso, indica R$ 10.500 como renda mensal necessária para uma família ser considerada classe média alta. O valor surge de aplicar um multiplicador de 1,5 sobre o per capita estadual divulgado pelo IBGE e, em seguida, multiplicar o resultado por três moradores. A fórmula não consta nas metodologias oficiais usadas para classificar famílias brasileiras e produz diferenças expressivas em relação às referências reconhecidas.

Pela classificação da FGV Social, classe média alta começa em R$ 10.885 de renda domiciliar total no Brasil inteiro, sem distinção por estado. Acima de R$ 14.191, entra-se na classe A. As faixas valem para a soma de tudo o que entra na casa — salários, aposentadorias, aluguéis, pensões e benefícios sociais — em valores médios de 2023, atualizados pelo IPCA.

Aplicado ao Mato Grosso, o critério oficial resulta em um número bem menor. Com per capita estadual de R$ 2.335 e tamanho médio de domicílio próximo de 2,7 pessoas (a PNAD Contínua 2024 mostra que 74,3% dos lares brasileiros têm até três moradores), a renda total mensal da família típica mato-grossense fica em torno de R$ 6.300. O valor está dentro da Classe C — a classe média padrão — e a meio caminho da Classe B, que começa em R$ 10.885.

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A peça que viralizou usa como rótulo “classe média alta” um patamar de renda que, na classificação acadêmica mais difundida, ainda é classe média comum. Há outro problema na fórmula: o pressuposto de três moradores por domicílio. Em DF e SP, o número cai abaixo da média nacional. No Norte e Nordeste, sobe. Aplicar 3 como constante uniforme para todas as 27 unidades da federação distorce a comparação interestadual e infla os valores em estados onde os domicílios são menores.

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Os dados mais recentes do IBGE descrevem um Brasil bem mais modesto do que essas inferências sugerem. A renda mensal real domiciliar per capita chegou a R$ 2.264 em 2025, recorde da série iniciada em 2012, conforme a PNAD Contínua – Rendimento de Todas as Fontes, divulgada em 8 de maio de 2026. Os 10% mais pobres da população viviam com R$ 268 ao mês — R$ 8,93 por dia. Os 10% mais ricos recebiam R$ 9.117 per capita. O 1% no topo chegava a R$ 24.973 por pessoa.

Pela leitura da FGV Social, o país terminou 2024 com a maior fatia da classe C já registrada: 60,97% da população. Somadas, as classes A, B e C representam 78,18% dos brasileiros — também recorde. Entre 2022 e 2024, cerca de 17,4 milhões de pessoas migraram para esses estratos, volume equivalente à população do Equador. As classes D e E ficaram em 15,05% e 6,77%, os menores percentuais da série histórica.

A nota técnica do Ipea publicada em novembro de 2025, assinada pelos pesquisadores Pedro Herculano Souza e Marcos Dantas Hecksher, confirma o quadro. A renda domiciliar per capita brasileira cresceu cerca de 70% desde 1995. O coeficiente de Gini caiu quase 18% no mesmo período. A taxa de extrema pobreza recuou de 25% para menos de 5%. Em 2024, 4,8% dos brasileiros estavam abaixo da linha de extrema pobreza (US$ 3 por dia) e 26,8% abaixo da linha de pobreza (US$ 8,30 por dia).

A confusão entre rendimento per capita e renda domiciliar total alimenta a circulação de peças com números frágeis. Estudos sérios sobre classes sociais brasileiras não aplicam multiplicadores arbitrários sobre médias estaduais. A referência é sempre a renda total efetiva do domicílio, comparada a faixas absolutas calibradas pela distribuição empírica da renda e corrigidas pela inflação oficial. O IBGE publica per capita e total separadamente, sem combiná-los em fórmulas próprias para classificação social.

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Para o leitor que quer saber em qual faixa se encaixa, o caminho é direto: somar tudo o que a família recebe no mês — salários, aposentadorias, pensões, aluguéis recebidos, benefícios sociais — e comparar com as faixas FGV. Não há multiplicação envolvida. Famílias com renda total entre R$ 6 mil e R$ 10 mil mensais em Mato Grosso, por exemplo, integram a classe C, vivem em situação financeira melhor do que a maioria do país, mas estão fora de qualquer faixa “alta”.

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O estudo completo da FGV Social, com as faixas atualizadas e a metodologia, está disponível no site do Centro de Políticas Sociais da FGV. Os dados do IBGE sobre rendimento domiciliar per capita por unidade da federação saem anualmente na Agência IBGE de Notícias, em cumprimento à Lei Complementar 143/2013. A nota técnica do Ipea sobre evolução da renda no Brasil entre 1995 e 2024 está no portal do instituto.

Metodologia

A apuração desta reportagem usou três fontes oficiais brasileiras: o estudo Evolução das Classes Econômicas Brasileiras: 1976 a 2024, do economista Marcelo Neri, da FGV Social, publicado em 12 de janeiro de 2026; os dados da PNAD Contínua 2025 divulgados pelo IBGE em 27 de fevereiro de 2026, referentes ao rendimento domiciliar per capita por unidade da federação para fins de rateio do Fundo de Participação dos Estados (Lei Complementar 143/2013); e o levantamento PNAD Contínua – Rendimento de Todas as Fontes 2025, do IBGE, divulgado em 8 de maio de 2026, com a distribuição da renda por décimos da população. Também foi usada como referência a nota técnica do Ipea publicada em 25 de novembro de 2025, assinada pelos pesquisadores Pedro Herculano Souza e Marcos Dantas Hecksher, sobre a evolução da renda, da desigualdade e da pobreza no Brasil entre 1995 e 2024.

 

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Nunes Marques assume TSE e aponta combate à IA como desafio central

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Nunes Marques TSE

Eleitor deve ser protagonista em pleito considerado um dos mais importantes desde a redemocratização

O ministro Kassio Nunes Marques tomou posse, nesta terça-feira (12), em Brasília, como presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), assumindo o comando das eleições de outubro sob o desafio da inteligência artificial. A cerimônia marcou a sucessão da ministra Cármen Lúcia, que encerrou mandato de dois anos, e colocou o combate ao uso inadequado de tecnologias no centro da agenda da Corte para o pleito que elegerá o presidente da República, governadores, senadores e deputados.

A troca de comando ocorre em um momento em que a Justiça Eleitoral tenta blindar o processo democrático da influência de algoritmos e desinformação tecnológica. Nunes Marques, que conduzirá as eleições gerais de 2026, afirmou que a disputa política migrou dos espaços tradicionais para o ambiente digital, exigindo vigilância rigorosa das instituições.

“Devemos estar atentos a tecnologias, que, quando mal utilizadas, podem representar ameaças ao nosso processo democrático. Vivemos em uma era em que as campanhas eleitorais não chegam às urnas sem atravessar algoritmos, em que a disputa política já não se desenvolve nas ruas e nos espaços tradicionais da vida pública, mas também no ambiente digital”, afirmou o novo presidente em seu discurso de posse.

Ameaça digital e regulação da tecnologia

O novo comando do TSE herda um arcabouço normativo aprovado em março de 2026, quando a Corte estabeleceu limitações severas para o uso de inteligência artificial (IA) nas campanhas. Por decisão unânime, o tribunal decidiu proibir postagens em redes sociais de conteúdos modificados no período de 72 horas antes do pleito e 24 horas após a votação. A restrição foca em alterações de imagem e voz de candidatos ou figuras públicas, visando evitar as chamadas “deepfakes” que possam confundir o eleitorado na véspera do voto.

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Além das restrições temporais, os ministros vetaram que provedores de IA ofereçam sugestões de candidatos aos usuários, mesmo sob solicitação direta. A medida busca neutralizar a interferência de algoritmos na livre escolha individual. Em outra frente, o tribunal endureceu o combate à misoginia digital, proibindo montagens envolvendo candidatas em situações de nudez ou pornografia.

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A responsabilidade das plataformas de tecnologia também foi reafirmada: provedores de internet poderão ser responsabilizados judicialmente caso não retirem perfis falsos e postagens ilegais de circulação de forma célere. Para Nunes Marques, o cumprimento desse papel fiscalizador é o que garantirá a transparência do pleito de outubro, que ele classifica como um dos mais importantes desde a redemocratização do país.

Defesa do patrimônio institucional e urnas

Durante a cerimônia, que reuniu cerca de 1,5 mil convidados, o ministro reforçou a confiança no sistema eletrônico de votação, classificando-o como “patrimônio da democracia”. Em sua fala, destacou que o mecanismo brasileiro é o mais avançado do mundo no que tange à recepção, apuração e divulgação de resultados. O posicionamento sinaliza uma continuidade institucional na defesa da integridade das urnas eletrônicas frente a questionamentos externos.

“O sistema eletrônico de votação brasileiro constitui patrimônio institucional da nossa democracia. No tocante à apuração, recepção e divulgação dos votos, o nosso sistema é o mais avançado do mundo”, declarou o ministro. Ele reiterou que o TSE cumprirá sua missão constitucional de organizar, orientar e fiscalizar a votação para assegurar que o eleitor seja o verdadeiro protagonista do processo.

A estrutura administrativa que dará suporte a essa gestão foi formalizada com a posse de André Mendonça na vice-presidência. A escolha segue o critério de antiguidade entre os ministros oriundos do Supremo Tribunal Federal (STF). Com as posses de hoje, a composição titular do TSE passa a contar com Nunes Marques, André Mendonça, Cármen Lúcia, os ministros do STJ Antonio Carlos Ferreira e Ricardo Villas Boas Cueva, além dos juristas Floriano Azevedo Marques e Estela Aranha.

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Perfis e articulação nos Três Poderes

A relevância política da posse foi evidenciada pela presença das cúpulas do Legislativo e Executivo. Compareceram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice Geraldo Alckmin, além dos presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). O evento antecedeu um coquetel restrito, custeado por uma associação de juízes federais, em uma casa de festas de Brasília.

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Nunes Marques, natural de Teresina (PI), tem 53 anos e chegou ao Supremo em 2020, indicado por Jair Bolsonaro. Sua trajetória inclui 15 anos na advocacia, passagens pelo Tribunal Regional Eleitoral do Piauí e o cargo de desembargador do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). Já o vice-presidente, André Mendonça, também de 53 anos, ingressou no STF em 2021. Doutor pela Universidade de Salamanca, Mendonça foi advogado-geral da União e ministro da Justiça antes da indicação à Suprema Corte.

A nova gestão assume com o compromisso de manter a liberdade de expressão, garantindo manifestações espontâneas em ambientes universitários e espaços de movimentos sociais durante a pré-campanha. O tribunal também assegurou o direito à panfletagem em locais públicos, desde que preservada a mobilidade. A partir de agora, o cronograma se volta para a fiscalização de pesquisas eleitorais, arrecadação de recursos e o cadastro de eleitores, conforme resoluções já aprovadas pela Corte.

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