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Comércio e ambiente

Mercosul-UE entra em vigor em 1º de maio e pressiona Mato Grosso sob a Lei 12.709

Pilar comercial do tratado Mercosul-UE entra em vigor em 1º de maio, oito meses antes da aplicação plena da EUDR, com Mato Grosso sob a Lei 12.709/2024, que provocou a saída de ADM, Bunge, Cargill, LDC, Cofco e Amaggi da Moratória da Soja.

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igência comercial do Mercosul-UE começa em 1º de maio e abre uma janela de oito meses para o agro brasileiro até a aplicação plena da EUDR. Foto: ilustrativa criada por IA com prompt de Rogério Florentino.

Pilar comercial do tratado antecede em oito meses a aplicação plena da EUDR, com o maior produtor brasileiro de soja já fora do pacto privado da Moratória

O pilar comercial do Acordo Mercosul-União Europeia entra em vigor provisório em 1º de maio, oito meses antes do prazo final para a aplicação plena da EUDR, regulamentação europeia que veda a entrada no bloco de commodities ligadas a áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020. A sobreposição entre o tratado comercial e o filtro ambiental alcança Mato Grosso em um ambiente jurídico alterado pela Lei Estadual nº 12.709/2024, que vedou benefícios fiscais a signatárias da Moratória da Soja e provocou a saída das seis maiores tradings do pacto privado.

Vigência comercial antes da EUDR

O tratado prevê 99 mil toneladas de carne bovina com tarifa intracota de 7,5%, 180 mil toneladas de açúcar com tarifa zero e 450 mil toneladas de etanol industrial com tarifa zero, conforme informações do Itamaraty. As tarifas do lado europeu caem sobre 95% dos produtos cobertos pelo acordo.

A vigência comercial antecede em quase oito meses a aplicação plena da EUDR, a lei europeia que exige rastreabilidade geolocalizada e comprovação de que a commodity não vem de áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020. As grandes empresas têm até 30 de dezembro para cumprir as obrigações; as micro e pequenas, até 30 de junho de 2027.

Lei 12.709 reconfigura o ambiente em Mato Grosso

A Lei Estadual nº 12.709/2024, em vigor desde 1º de janeiro de 2026, proíbe a concessão de incentivos fiscais e de terras públicas a companhias que assumam acordos, nacionais ou internacionais, com exigências além da legislação ambiental brasileira. A norma foi sancionada pelo governador Mauro Mendes em outubro de 2024.

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O ministro Flávio Dino suspendeu a eficácia da lei em dezembro de 2024. Em abril de 2025, o Supremo Tribunal Federal restabeleceu os efeitos do artigo 2º e fixou o início de sua vigência para janeiro de 2026. O decreto estadual nº 1.795, publicado em 30 de dezembro, detalhou os critérios e confirmou que os incentivos concedidos até 31 de dezembro de 2025 não seriam atingidos. Em 2 de janeiro, a Advocacia-Geral da União pediu ao STF nova suspensão da lei, sob o argumento de que ela fragiliza compromissos ambientais do país e o acesso a mercados que exigem rastreabilidade.

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Seis tradings fora do pacto

A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) comunicou em 5 de janeiro a saída da Moratória da Soja. Na mesma decisão, as seis maiores compradoras do país deixaram o pacto privado: ADM, Bunge, Cargill, Louis Dreyfus Company, Cofco International e Amaggi. ADM e Bunge foram as principais beneficiárias do ICMS estadual entre 2019 e 2024, com cerca de R$ 1,5 bilhão cada em incentivos.

Fora da Abiove, também tiveram os logotipos removidos do portal oficial da Moratória as tradings Agrex do Brasil, Selecta e Humberg Agribrasil. A Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), que reúne entre seus signatários Cargill, ADM, Cutrale, Bunge, Selecta e Amaggi, respeitou a decisão da Abiove mas manteve a adesão formal ao pacto, em razão das ações em tramitação no STF e da pressão de compradores europeus.

Redes do varejo europeu publicaram em 26 de janeiro um comunicado conjunto no qual afirmam que continuarão a bloquear qualquer soja da Amazônia produzida em áreas desmatadas depois de 2008, mesmo sem a Moratória, e cobraram das tradings uma posição individual até 16 de fevereiro. Assinaram a carta Tesco, Sainsbury’s, Asda, Aldi, Lidl, Marks & Spencer, Morrisons e Ocado.

Até o fechamento desta edição, as seis companhias signatárias não haviam divulgado resposta pública à carta. A Abiove declarou à imprensa que não comentaria o conteúdo do documento e remeteu ao comunicado de 5 de janeiro, no qual afirma que a Moratória “cumpriu seu papel histórico” e que as empresas migrariam para políticas individuais de compra, baseadas no Código Florestal e nas demais normas ambientais brasileiras. A Anec também não se manifestou sobre o ultimato dos varejistas.

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Números do maior produtor

A safra 2025/26 de soja em Mato Grosso deve atingir 51,56 milhões de toneladas em uma área de 13 milhões de hectares, segundo projeção do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), divulgada em abril. O número mantém o estado como maior produtor brasileiro, dentro de uma safra nacional de 178 milhões de toneladas calculada pela Conab.

Os dados mais recentes do Prodes/INPE mostram Mato Grosso como o único estado da Amazônia Legal com alta no desmatamento em 2025: aumento de 25,06% na área devastada em relação ao ciclo anterior. O resultado vai na direção oposta do movimento regional, que fechou o ano com queda de 11,08%.

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Setor pede salvaguardas

A Aprosoja-MT, que representa os produtores estaduais, avaliou o texto do acordo Mercosul-UE como negativo no curto prazo e encaminhou ao Instituto Pensar Agro (IPA), braço técnico da Frente Parlamentar Agropecuária, pedido por salvaguardas jurídicas durante o processo de incorporação do tratado à legislação brasileira. A preocupação central é o risco de judicialização e a possibilidade de interpretações amplas do texto gerarem disputas internas entre governo federal, Judiciário e produtores. O IPA confirmou o recebimento do ofício e informou que o pleito entrará na pauta técnica da FPA, mas ainda não divulgou posição formal sobre os pontos pedidos pela associação mato-grossense.

Para o presidente da entidade, Lucas Beber, o desenho do acordo pode produzir efeitos negativos para a pecuária e para a cadeia de laticínios estaduais, principalmente pelas condições sanitárias previstas pela União Europeia e pelos compromissos extracomerciais ligados à EUDR.

No âmbito judicial, o plenário virtual do STF encerrou em 13 de março o julgamento sobre a Lei 12.709/2024 com maioria de 4 votos a 1 a favor da decisão do ministro Flávio Dino que manteve em vigor o artigo 2º da norma a partir de 1º de janeiro de 2026. Acompanharam o relator os ministros Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Edson Fachin; Dias Toffoli divergiu. O resultado rejeita, na prática, o pedido da AGU de janeiro para nova suspensão da lei estadual. A Comissão Europeia tem até 30 de abril para publicar a classificação de risco dos países fornecedores na EUDR, indicador que vai definir o grau de exigência documental imposto às exportações brasileiras de soja e carne a partir da segunda metade do ano.

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AGRONEGÓCIO

Produção de suínos cresce 50% e abre espaço para novos investimentos

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A suinocultura de Mato Grosso do Sul cresceu aproximadamente 50% nos últimos três anos e já alcança cerca de 3,6 milhões de animais abatidos por ano. A expansão, que coloca o Estado entre os principais polos emergentes da atividade no País, estará no centro das discussões do VIII Fórum de Desenvolvimento da Suinocultura de Mato Grosso do Sul, marcado para 17 de setembro, em Dourados (a cerca de 240km da capital, Campo Grande).

O avanço ocorre em uma região que até poucos anos atrás tinha participação bem menor na produção nacional de carne suína. Mato Grosso do Sul passou a ocupar a quinta posição no ranking brasileiro de abates, atrás de Estados com tradição muito mais antiga na atividade, como Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul e Minas Gerais.

Parte dessa expansão está associada à disponibilidade de milho e soja, principais componentes da alimentação dos animais e responsáveis pela maior parcela do custo de produção. A proximidade entre as granjas e as regiões produtoras de grãos reduz distâncias no abastecimento de ração e cria condições para a instalação de novas unidades produtivas e industriais.

Outro fator é o crescimento do número de matrizes. Em 2026, mais de 111,5 mil matrizes já estavam cadastradas no Programa Leitão Vida, política estadual de incentivo à produção. Até o início de junho, 272 estabelecimentos participavam do programa.

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No mesmo período, 1,63 milhão de suínos haviam sido abatidos dentro do programa e os incentivos concedidos aos produtores superavam R$ 45 milhões. A atividade também acumulou aproximadamente R$ 1,7 bilhão em cartas-consulta aprovadas pelo Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO) nos últimos sete anos.

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A política de incentivo passou ainda por mudanças. O novo protocolo do Leitão Vida ampliou as exigências relacionadas à biossegurança, bem-estar animal, rastreabilidade, sustentabilidade e utilização de tecnologias nas propriedades.

Dos 272 estabelecimentos participantes neste ano, 239 já haviam migrado para o novo sistema de conformidade. A intenção é atrelar parte dos incentivos não apenas ao volume produzido, mas também ao cumprimento de padrões técnicos, sanitários e ambientais.

Para o produtor, essa mudança ganha importância porque a expansão da atividade depende cada vez mais do acesso a mercados exigentes. Sanidade, rastreabilidade e biossegurança deixaram de ser apenas questões internas das granjas e passaram a influenciar diretamente a capacidade de frigoríficos e produtores alcançarem novos compradores.

Mato Grosso do Sul também ampliou sua estrutura industrial. Unidades instaladas no Estado vêm aumentando a capacidade de abate, movimento necessário para acompanhar o crescimento das granjas e evitar um desequilíbrio entre a oferta de animais e a capacidade de processamento.

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A expansão da suinocultura cria ainda uma demanda adicional para a agricultura estadual. Cada aumento no alojamento de animais significa maior consumo de milho e farelo de soja, estabelecendo uma relação direta entre o crescimento das granjas e o mercado regional de grãos.

Esse movimento pode ser especialmente importante para regiões com grande produção de milho segunda safra. A instalação de unidades de produção animal permite transformar parte do grão dentro do próprio Estado em proteína de maior valor agregado, reduzindo a necessidade de transportar toda a produção agrícola por longas distâncias até outros centros consumidores.

O crescimento, entretanto, exige investimentos elevados. Construção e modernização de granjas, climatização, tratamento de dejetos, biossegurança, armazenagem de ração e adequações ambientais aumentam a necessidade de capital e tornam a expansão dependente de planejamento financeiro e acesso ao crédito.

Consolidado como um dos principais encontros da suinocultura no Centro-Oeste, o Fórum ocorre justamente quando Mato Grosso do Sul tenta transformar o forte crescimento dos últimos anos em uma cadeia maior, mais tecnificada e com maior participação nos mercados nacional e internacional.

Serviço

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VIII Fórum de Desenvolvimento da Suinocultura de Mato Grosso do Sul
Data: 17 de setembro de 2026
Horário: 7h às 18h
Local: Unigran – Dourados (MS)

Fonte: Pensar Agro

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