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Justiça

Nunes Marques assume TSE e aponta combate à IA como desafio central

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Nunes Marques TSE

Eleitor deve ser protagonista em pleito considerado um dos mais importantes desde a redemocratização

O ministro Kassio Nunes Marques tomou posse, nesta terça-feira (12), em Brasília, como presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), assumindo o comando das eleições de outubro sob o desafio da inteligência artificial. A cerimônia marcou a sucessão da ministra Cármen Lúcia, que encerrou mandato de dois anos, e colocou o combate ao uso inadequado de tecnologias no centro da agenda da Corte para o pleito que elegerá o presidente da República, governadores, senadores e deputados.

A troca de comando ocorre em um momento em que a Justiça Eleitoral tenta blindar o processo democrático da influência de algoritmos e desinformação tecnológica. Nunes Marques, que conduzirá as eleições gerais de 2026, afirmou que a disputa política migrou dos espaços tradicionais para o ambiente digital, exigindo vigilância rigorosa das instituições.

“Devemos estar atentos a tecnologias, que, quando mal utilizadas, podem representar ameaças ao nosso processo democrático. Vivemos em uma era em que as campanhas eleitorais não chegam às urnas sem atravessar algoritmos, em que a disputa política já não se desenvolve nas ruas e nos espaços tradicionais da vida pública, mas também no ambiente digital”, afirmou o novo presidente em seu discurso de posse.

Ameaça digital e regulação da tecnologia

O novo comando do TSE herda um arcabouço normativo aprovado em março de 2026, quando a Corte estabeleceu limitações severas para o uso de inteligência artificial (IA) nas campanhas. Por decisão unânime, o tribunal decidiu proibir postagens em redes sociais de conteúdos modificados no período de 72 horas antes do pleito e 24 horas após a votação. A restrição foca em alterações de imagem e voz de candidatos ou figuras públicas, visando evitar as chamadas “deepfakes” que possam confundir o eleitorado na véspera do voto.

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Além das restrições temporais, os ministros vetaram que provedores de IA ofereçam sugestões de candidatos aos usuários, mesmo sob solicitação direta. A medida busca neutralizar a interferência de algoritmos na livre escolha individual. Em outra frente, o tribunal endureceu o combate à misoginia digital, proibindo montagens envolvendo candidatas em situações de nudez ou pornografia.

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A responsabilidade das plataformas de tecnologia também foi reafirmada: provedores de internet poderão ser responsabilizados judicialmente caso não retirem perfis falsos e postagens ilegais de circulação de forma célere. Para Nunes Marques, o cumprimento desse papel fiscalizador é o que garantirá a transparência do pleito de outubro, que ele classifica como um dos mais importantes desde a redemocratização do país.

Defesa do patrimônio institucional e urnas

Durante a cerimônia, que reuniu cerca de 1,5 mil convidados, o ministro reforçou a confiança no sistema eletrônico de votação, classificando-o como “patrimônio da democracia”. Em sua fala, destacou que o mecanismo brasileiro é o mais avançado do mundo no que tange à recepção, apuração e divulgação de resultados. O posicionamento sinaliza uma continuidade institucional na defesa da integridade das urnas eletrônicas frente a questionamentos externos.

“O sistema eletrônico de votação brasileiro constitui patrimônio institucional da nossa democracia. No tocante à apuração, recepção e divulgação dos votos, o nosso sistema é o mais avançado do mundo”, declarou o ministro. Ele reiterou que o TSE cumprirá sua missão constitucional de organizar, orientar e fiscalizar a votação para assegurar que o eleitor seja o verdadeiro protagonista do processo.

A estrutura administrativa que dará suporte a essa gestão foi formalizada com a posse de André Mendonça na vice-presidência. A escolha segue o critério de antiguidade entre os ministros oriundos do Supremo Tribunal Federal (STF). Com as posses de hoje, a composição titular do TSE passa a contar com Nunes Marques, André Mendonça, Cármen Lúcia, os ministros do STJ Antonio Carlos Ferreira e Ricardo Villas Boas Cueva, além dos juristas Floriano Azevedo Marques e Estela Aranha.

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Perfis e articulação nos Três Poderes

A relevância política da posse foi evidenciada pela presença das cúpulas do Legislativo e Executivo. Compareceram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice Geraldo Alckmin, além dos presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). O evento antecedeu um coquetel restrito, custeado por uma associação de juízes federais, em uma casa de festas de Brasília.

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Nunes Marques, natural de Teresina (PI), tem 53 anos e chegou ao Supremo em 2020, indicado por Jair Bolsonaro. Sua trajetória inclui 15 anos na advocacia, passagens pelo Tribunal Regional Eleitoral do Piauí e o cargo de desembargador do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). Já o vice-presidente, André Mendonça, também de 53 anos, ingressou no STF em 2021. Doutor pela Universidade de Salamanca, Mendonça foi advogado-geral da União e ministro da Justiça antes da indicação à Suprema Corte.

A nova gestão assume com o compromisso de manter a liberdade de expressão, garantindo manifestações espontâneas em ambientes universitários e espaços de movimentos sociais durante a pré-campanha. O tribunal também assegurou o direito à panfletagem em locais públicos, desde que preservada a mobilidade. A partir de agora, o cronograma se volta para a fiscalização de pesquisas eleitorais, arrecadação de recursos e o cadastro de eleitores, conforme resoluções já aprovadas pela Corte.

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Polícia Civil combate tráfico e comércio de armas no oeste de Mato Grosso

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Operação Engrenagem Sombria

Investigação mira rede de apoio logístico a facção criminosa em Mirassol D’Oeste e região; agentes cumprem 19 mandados de busca e apreensão nesta quarta-feira

A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou nesta quarta-feira (13) a Operação Engrenagem Sombria para combater o tráfico de drogas e o comércio ilegal de armas no oeste do estado. A ofensiva concentra-se na desarticulação de uma rede de apoio logístico utilizada por integrantes de uma facção criminosa que atua nos municípios de Mirassol D’Oeste, Curvelândia e no distrito de Sonho Azul.

As ordens judiciais, que incluem 19 mandados de busca e apreensão e pedidos de afastamento de sigilo telefônico, foram expedidas pelo Juízo do Núcleo de Justiça 4.0 — Juízo de Garantias — Polo Cáceres. A investigação, conduzida pela Delegacia de Mirassol D’Oeste, aponta que o grupo utilizava imóveis urbanos e rurais em localizações estratégicas para a venda, guarda e distribuição de entorpecentes.

“A operação também busca apreender drogas, armas, documentos, aparelhos celulares e outros elementos probatórios capazes de consolidar a responsabilização dos envolvidos e ampliar a compreensão sobre o funcionamento da organização”, disse o delegado Gustavo Ataíde Fernandes dos Santos, responsável pelas investigações. Segundo o delegado, as medidas buscam atingir a base que sustenta a criminalidade na região para impedir a retomada de índices elevados de violência.

Mapa da operação detalhando os pontos de busca em Mirassol D’Oeste, Curvelândia e Sonho Azul

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Logística e imóveis próximos a escolas

O foco central da Engrenagem Sombria recai sobre 16 pessoas identificadas como peças fundamentais na estrutura da organização criminosa. A investigação detalhou que esses alvos exerciam funções ligadas ao fornecimento de armas e veículos, além do armazenamento de entorpecentes. O monitoramento policial revelou que o grupo operava em rede, fortalecendo a presença da facção na faixa de fronteira.

Um dos pontos de alerta destacados no inquérito é a localização dos pontos de venda e distribuição de drogas. Alguns dos imóveis utilizados pelos investigados estão situados em áreas sensíveis, incluindo as proximidades de uma unidade escolar. A escolha desses locais era estratégica, visando facilitar a circulação de materiais ilícitos sob a fachada de residências comuns, tanto no perímetro urbano quanto na zona rural da região oeste.

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As diligências apontaram que a manutenção do comércio de entorpecentes dependia diretamente dessa estrutura de apoio logístico. Os alvos forneciam a infraestrutura necessária para que a facção mantivesse o fluxo de distribuição ativo, servindo como uma engrenagem essencial para a operacionalização dos crimes de maior impacto na segurança pública local.

Funções da rede: logística, armamento, veículos e distribuição

Monitoramento e integração de forças

A investigação que culminou na operação desta quarta-feira foi viabilizada por meio de uma combinação de inteligência e campo. O processo teve início a partir de denúncias anônimas e informes de colaboradores, que foram cruzados com informações de outras forças de segurança. Houve uma troca constante de dados com o 17º Batalhão da Polícia Militar, unidade que atua diretamente na repressão ao crime na região.

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Para consolidar as provas necessárias aos mandados de busca, a Polícia Civil realizou vigilâncias discretas e o monitoramento da movimentação de pessoas nos endereços suspeitos. Diligências de campo permitiram o levantamento detalhado dos imóveis, mapeando o fluxo de entrada e saída de materiais e a identificação precisa dos colaboradores da rede.

Esse trabalho de inteligência foi fundamental para que o Judiciário autorizasse o afastamento do sigilo telefônico dos investigados. Com o acesso aos dados de comunicação, a polícia espera mapear as conexões hierárquicas da facção e identificar possíveis ramificações do comércio de armas de fogo, que serve como combustível para o fortalecimento do grupo criminoso no interior do estado.

Programa Tolerância Zero e Operação Pharus

A Engrenagem Sombria não é uma ação isolada, mas parte integrante da Operação Pharus. Esta última é uma iniciativa do planejamento estratégico da Polícia Civil de Mato Grosso iniciada em 2026, vinculada ao programa governamental Tolerância Zero. O objetivo central deste guarda-chuva de ações é o enfrentamento direto às facções criminosas em todo o território mato-grossense, com foco na asfixia financeira e logística desses grupos.

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O nome Pharus, que remete ao termo latino para farol, simboliza a intenção do Estado em iluminar estruturas criminosas que operam na clandestinidade. No contexto de Mirassol D’Oeste, a interrupção das atividades da “engrenagem” logística é vista como um passo necessário para desestabilizar a facção no polo de Cáceres, área estratégica devido à proximidade com a fronteira nacional.

Com o cumprimento das medidas cautelares, a Polícia Civil entra agora na fase de análise dos materiais apreendidos. O inquérito policial seguirá em curso para individualizar a conduta de cada um dos 16 alvos e ampliar o quadro probatório sobre o fornecimento de veículos e o armamento do grupo. Os investigados poderão responder por tráfico de drogas, associação criminosa e comércio ilegal de armas de fogo.

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