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Modalidade de arrasto de praia supera 80% da cota de captura da tainha

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O Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) informa que, neste sábado (6/06), a modalidade de arrasto de praia superou 80% da cota de captura da tainha (Mugil liza) estabelecida para a temporada de pesca de 2026.

Para essa modalidade, o limite total de captura foi fixado em 1.332 toneladas, conforme previsto no art. 4º, inciso IV, da Portaria Interministerial MPA/MMA nº 51, de 27 de fevereiro de 2026.

De acordo com a regulamentação vigente, a atividade será encerrada quando a captura alcançar 90% da cota estabelecida.

A medida faz parte das ações de ordenamento e gestão sustentável da pesca da tainha, com o objetivo de garantir a conservação do estoque pesqueiro e a manutenção da atividade econômica para as comunidades que dependem da espécie.

As informações são atualizadas diariamente por meio do Painel de Monitoramento da Temporada, plataforma oficial do Governo Federal destinada ao acompanhamento das capturas. Novos comunicados serão divulgados conforme a evolução dos dados de monitoramento.

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ASCOM
Ministério da Pesca e Aquicultura

Fonte: Ministério da Pesca e Aquicultura

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AGRONEGÓCIO

União Europeia exclui o Brasil de lista sanitária e atinge a carne bovina de Mato Grosso

A União Europeia retirou o Brasil de sua lista sanitária de antimicrobianos e atinge a carne bovina de Mato Grosso a partir de 3 de setembro de 2026. O estado vendeu US$ 274,4 milhões ao bloco em 2025, mercado que paga 51% acima da média por tonelada. O governo brasileiro reagiu com surpresa e promete reverter a decisão antes do prazo.

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carne bovina de Mato Grosso

Decisão sobre antimicrobianos passa a valer em 3 de setembro e ameaça o mercado europeu, que paga mais de 50% acima da média por tonelada ao estado

A partir de 3 de setembro de 2026, o Brasil deixa de figurar entre os países autorizados a exportar carne bovina e outros produtos de origem animal à União Europeia sob as regras do bloco para o uso de antimicrobianos no rebanho. A decisão atinge em cheio Mato Grosso, maior exportador de carne do país, que vendeu US$ 274,4 milhões ao mercado europeu em 2025. O ato foi publicado no Jornal Oficial da UE em 5 de junho de 2026, e o governo brasileiro reagiu com “surpresa”, prometendo tentar reverter a medida antes que ela entre em vigor.

O que a Europa decidiu

A decisão está no Regulamento de Execução (UE) 2026/1189, assinado em Bruxelas em 4 de junho de 2026 por Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, e publicado no dia seguinte. O texto altera uma norma anterior, o Regulamento de Execução (UE) 2021/405, e retira o Brasil das listas que o mantinham habilitado em seis categorias: bovinos, equídeos, aves de capoeira, aquicultura, mel e tripas.

O regulamento passa a valer 20 dias depois da publicação, mas a exclusão da lista só produz efeito em 3 de setembro. Até essa data, o Brasil tem prazo para provar que cumpriu uma exigência específica do bloco.

O que a Europa cobra é técnico, mas pode ser resumido: a carne enviada ao bloco não pode vir de animais tratados com antimicrobianos usados para acelerar o crescimento ou aumentar o rendimento, nem com substâncias reservadas ao tratamento de infecções em seres humanos. A regra está no Regulamento (UE) 2019/6 e foi detalhada pelo Regulamento Delegado (UE) 2023/905. A justificativa oficial é o risco de resistência antimicrobiana, situação em que o uso excessivo desses medicamentos em animais enfraquece o efeito deles também nas pessoas, tratada pela Comissão como ameaça à saúde pública.

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A Comissão Europeia afirma que não recebeu do Brasil as garantias de que o país teria adotado, até 3 de setembro, as medidas necessárias para cumprir essas exigências.

Quanto a carne bovina de Mato Grosso rende no bloco

Mato Grosso é o ponto mais sensível dessa conta no Brasil. De acordo com o Comex Stat, sistema oficial de estatísticas de comércio exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o estado exportou US$ 3,6 bilhões em carne bovina fresca, refrigerada e congelada em 2025, o equivalente a 663,3 mil toneladas. Desse total, US$ 274,4 milhões e 33,4 mil toneladas foram para a União Europeia.

A Europa ficou com 7,6% do valor e 5,0% do volume exportado pelo estado no ano. Entre os países do bloco, os Países Baixos lideraram as compras, com US$ 89,4 milhões, seguidos por Itália (US$ 87,2 milhões), Espanha (US$ 67,6 milhões), Alemanha (US$ 20,6 milhões) e Portugal (US$ 4,9 milhões).

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Mato Grosso depende, porém, de um comprador bem maior. A China respondeu por cerca de 56% do volume embarcado pelo estado em 2025, o que dilui o peso da Europa no total. Ainda assim, as vendas ao bloco vinham crescendo. Nos cinco primeiros meses de 2026, as exportações estaduais de carne bovina subiram 79% em valor na comparação com o mesmo período do ano anterior, e os embarques para a União Europeia avançaram 69%, somando US$ 117,7 milhões antes mesmo de a restrição entrar em vigor.

Um mercado pequeno em volume, grande em valor

O tamanho do problema não está no volume, e sim no preço. Em 2025, cada tonelada de carne bovina vendida à União Europeia saiu por US$ 8.222. A média geral do estado foi de US$ 5.435 por tonelada, e a China pagou US$ 5.366. Na conta final, o mercado europeu pagou 51% acima da média e 53% acima do principal comprador.

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É esse preço mais alto que torna a perda do acesso europeu mais séria do que a fatia de 5% no volume faz parecer. A União Europeia compra cortes de maior valor, exige rastreabilidade (a capacidade de saber a origem de cada lote de carne) e paga mais por isso. Quem fica exposto à decisão é o segmento das cadeias certificadas, não a pecuária do estado como um todo.

A resposta do Brasil

O governo brasileiro se manifestou antes mesmo da publicação no Jornal Oficial da UE. Em nota conjunta divulgada em 12 de maio de 2026 e atualizada em 27 de maio, o Ministério da Agricultura e Pecuária, o Ministério das Relações Exteriores e o MDIC afirmaram ter recebido a notícia com surpresa, informaram que as exportações seguiam normais naquele momento e prometeram adotar medidas para voltar a ser habilitado.

No plano regulatório, o Ministério da Agricultura publicou a Portaria SDA/MAPA nº 1.617/2026. A norma proíbe em todo o país a importação, a fabricação, a venda e o uso de aditivos melhoradores de desempenho que contenham antimicrobianos importantes para a medicina humana ou veterinária, e cancela os registros desses produtos. Entre as substâncias citadas estão avoparcina, bacitracina, bacitracina de zinco, bacitracina metileno disalicilato e virginiamicina.

A medida brasileira, contudo, não resolve o impasse por si só. Os documentos europeus analisados não mostram que a Comissão tenha avaliado a portaria como suficiente. O que está registrado é apenas a declaração do bloco de que faltaram garantias documentais de que as exigências seriam cumpridas no prazo.

O pano de fundo do acordo UE-Mercosul

A decisão chega num momento de tensão comercial. Nas comunicações oficiais sobre o acordo entre a União Europeia e o Mercosul, a proteção aos agricultores europeus aparece de forma explícita, com cotas, salvaguardas e manutenção de padrões sanitários. O acordo prevê uma cota de 99 mil toneladas de carne bovina do Mercosul com tarifa de 7,5%, e materiais da própria Comissão descrevem as importações sul-americanas como uma fração pequena do consumo europeu, da ordem de 1,5% no caso da carne bovina.

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A tese de que a barreira sanitária teria motivação protecionista, no entanto, não se sustenta nos documentos oficiais. A justificativa formal do ato é sanitária e regulatória, ligada à resistência antimicrobiana. Para falar em protecionismo seria preciso demonstrar tratamento desigual em relação a outros países em situação parecida, o que não aparece nos textos analisados. O ambiente político-comercial é o contexto da decisão, não a prova de sua intenção.

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Quem sente o impacto em Mato Grosso

O efeito mais direto recai sobre os frigoríficos e as propriedades que já vendem ou pretendem vender ao mercado europeu, não sobre todos os pecuaristas. Os primeiros atingidos são justamente os que investiram em habilitação, certificação, separação de lotes e rastreabilidade.

No curto prazo, a tendência é a queda do prêmio pago às cadeias habilitadas e o desvio dessa carne para destinos que pagam menos. Há ainda um risco de imagem: a exclusão pode ser lida por outros compradores como sinal de alerta sobre conformidade, mesmo com a norma recente sobre antimicrobianos. E uma eventual reversão pode trazer custos extras de auditoria, documentação e ajuste de protocolos.

Não dá para afirmar, com os dados oficiais disponíveis, quanto exatamente o estado perderia caso a restrição se mantenha. O risco se concentra justamente onde a carne mato-grossense é mais bem paga: o mercado europeu de alto valor.

Próximos passos

Até o fechamento da matéria, não havia nova manifestação oficial do governo brasileiro depois da publicação do regulamento no Jornal Oficial da UE. O prazo para reverter a exclusão se encerra em 3 de setembro de 2026, quando a retirada da lista passa a valer. É essa janela que vai definir se o Brasil consegue comprovar à Comissão Europeia o cumprimento das exigências sobre antimicrobianos ou se as cadeias habilitadas de Mato Grosso terão de procurar alternativas ao mercado europeu.

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