AGRONEGÓCIO
Novas regras da Receita Federal levantam alertas jurídicos para contribuintes
A Receita Federal publicou, nos últimos meses, um conjunto de normas voltadas à conformidade tributária e ao combate à inadimplência estruturada. Embora parte das medidas seja considerada juridicamente consistente, especialistas alertam para possíveis impactos sobre garantias fundamentais dos contribuintes, como o direito de defesa, a isonomia e o devido processo legal.
Programa Sintonia gera dúvidas sobre transparência e critérios
O Programa Sintonia (IN RFB nº 2.316/2026), que classifica contribuintes de acordo com seu perfil de risco e concede benefícios operacionais aos mais bem avaliados, levanta questionamentos.
Segundo o tributarista Luís Garcia, a ausência de critérios claros e transparentes pode transformar a iniciativa em um mecanismo de pressão indireta.
“Cria-se uma espécie de ‘rating fiscal’ sem base legal clara. A conformidade voluntária não pode se tornar uma forma de coerção, sob risco de violação à legalidade tributária e à isonomia”, afirma.
Programa Confia tem potencial, mas exige cautela
O Programa Confia (IN RFB nº 2.317/2026), inspirado em modelos internacionais de conformidade cooperativa, apresenta fundamentos mais sólidos, como adesão voluntária e transparência entre contribuinte e Fisco.
No entanto, há preocupação quanto à possibilidade de condicionamento de benefícios à aceitação de entendimentos da Receita Federal.
“A cooperação não pode se transformar em submissão a interpretações unilaterais”, destaca Garcia, apontando risco de desequilíbrio na relação e limitação indireta ao direito de contestação.
Programa OEA é considerado o mais consistente
Entre as medidas, o Programa OEA (IN RFB nº 2.318/2026) é avaliado como o mais robusto juridicamente. Com histórico consolidado e alinhamento a práticas internacionais, o programa tem foco na segurança e facilitação do comércio exterior.
Apesar disso, o especialista recomenda atenção a possíveis exclusões ou rebaixamentos baseados em critérios subjetivos, além do uso cruzado de informações fiscais que possam resultar em penalizações indiretas.
Devedor contumaz é ponto mais sensível do pacote
A Portaria Conjunta RFB/PGFN nº 6/2026, que regulamenta a classificação de devedores contumazes, é considerada o aspecto mais crítico do conjunto normativo.
Embora a legislação que permite o tratamento diferenciado seja válida, o problema, segundo Garcia, está na forma como a regulamentação foi estruturada.
Principais riscos identificados na regulamentação
O especialista aponta quatro pontos de atenção:
- Ampliação indevida do conceito de devedor contumaz: uso de critérios genéricos que podem extrapolar os limites legais
- Sanções indiretas: restrições operacionais sem previsão legal clara, podendo configurar sanção política
- Ausência de contraditório: classificação unilateral com limitação ao direito de defesa
- Critérios subjetivos: termos como “planejamento tributário agressivo” e “estrutura de risco” podem abrir espaço para interpretações arbitrárias
“A administração não pode redefinir conceitos legais nem penalizar práticas lícitas. Isso compromete a segurança jurídica”, ressalta Garcia.
Impactos para empresas e necessidade de acompanhamento
Diante das mudanças, especialistas recomendam que empresas e contribuintes acompanhem de perto a aplicação das novas normas, especialmente no que diz respeito à classificação de risco fiscal e à possibilidade de restrições indiretas.
O pacote regulatório representa um avanço no combate à inadimplência estruturada, mas também impõe desafios ao equilíbrio entre fiscalização e respeito aos direitos fundamentais, exigindo atenção redobrada do setor produtivo.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Congresso Abramilho 2026 discutirá geopolítica, custos e segurança alimentar em Brasília
Evento será realizado em maio e reunirá lideranças do agronegócio em Brasília
A Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho) promove, no dia 13 de maio, o 4º Congresso Abramilho, em Brasília (DF). O encontro será realizado no espaço Unique e reunirá representantes do setor produtivo, autoridades e especialistas para discutir os principais desafios do agronegócio diante de um cenário global instável.
As inscrições já estão abertas e podem ser feitas pela plataforma Sympla. O evento terá início às 8h e seguirá até o período do almoço.
Congresso abordará incertezas globais e competitividade do agro brasileiro
Com foco na proteção do agro frente às incertezas internacionais, o congresso se consolida como um dos principais fóruns estratégicos para as cadeias do milho e do sorgo no Brasil.
A proposta da programação é analisar como o país pode manter sua competitividade mesmo diante de desafios como conflitos geopolíticos, volatilidade econômica e aumento nos custos de produção.
Painel de abertura discutirá desafios e propostas para o setor
O primeiro painel, intitulado “Agricultura em transformação: desafios atuais e propostas para fortalecer o setor”, reunirá lideranças do agronegócio e representantes institucionais.
Entre os participantes previstos estão integrantes da Presidência da República, do Ministério da Agricultura (Mapa), da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), da Abramilho, da Aprosoja-MT e da CNA.
Segundo o diretor executivo da Abramilho, Glauber Silveira, o objetivo é reunir tomadores de decisão para discutir soluções práticas. “Nosso foco é olhar para o que está tirando o sono do produtor, como os custos elevados de produção, e buscar alternativas diante de um cenário internacional delicado”, afirma.
Segurança alimentar e inovação ganham destaque no segundo painel
O segundo painel terá como tema “Inovação que alimenta o mundo: o futuro da segurança alimentar”, abordando a necessidade de ampliar a oferta de alimentos com qualidade e acesso global.
Especialistas brasileiros e internacionais discutirão o papel da biotecnologia e da inovação na produção agrícola, especialmente em países tropicais.
De acordo com a organização, o uso de tecnologia é fundamental para manter o crescimento sustentável das safras brasileiras.
Geopolítica e impactos no agro serão foco de debate estratégico
O terceiro painel, “Geopolítica: como proteger o agro frente às incertezas globais?”, analisará os efeitos dos conflitos internacionais sobre o agronegócio brasileiro.
O debate incluirá temas como a volatilidade nos preços de fertilizantes e diesel, além de questões fitossanitárias e exigências de protocolos internacionais.
Participam especialistas do mercado, representantes do Ministério das Relações Exteriores (MRE) e empresários, com o objetivo de antecipar riscos e contribuir para a proteção das margens do produtor rural.
Inscrições são limitadas e já estão abertas
As vagas para o 4º Congresso Abramilho são limitadas. Os interessados devem se inscrever antecipadamente pela plataforma Sympla.
O evento reforça a importância do diálogo entre setor produtivo, governo e especialistas para enfrentar os desafios globais e fortalecer o agronegócio brasileiro.
Inscrições para o 4º Congresso Abramilho
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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