CÂMARA FEDERAL
Deputado Abílio poderá ser investigado por crime de violência política de gênero
A Procuradoria Geral Eleitoral enviou uma representação à Procuradoria Geral da República, pedindo a adoção de providências apuratórias criminais em relação a um possível crime de violência política de gênero ocorrido durante os trabalhos da CPMI “Dos Atos Golpistas”, no dia 11 de julho de 2023.
Consta do ofício nº 491/2023, que durante os debates estabelecidos entre parlamentares federais, teria ocorrido uma fala ou insinuação com conteúdo transfóbico por parte do deputado federal Abílio Brunini (PL-MT) em relação à deputada federal Érika Hilton.
A situação gerou um tumulto durante a sessão, e a parlamentar foi apoiada por outros colegas que denunciaram o ato como “homofóbico”. O presidente da comissão anunciou uma investigação sobre o caso.
O crime de violência política de gênero está previsto na Lei 14.192/2021, que estabelece normas de prevenção, repressão e combate à violência política de gênero. O tipo penal do artigo 326-B do Código Eleitoral, introduzido por essa lei, caracteriza como crime assediar, constranger, humilhar, perseguir ou ameaçar, por qualquer meio, candidata a cargo eletivo ou detentora de mandato eletivo, utilizando-se de menosprezo ou discriminação à condição de mulher ou à sua cor, raça ou etnia, com a finalidade de impedir ou dificultar a sua campanha eleitoral ou o desempenho de seu mandato eletivo. A pena prevista é de reclusão de 1 a 4 anos, além de multa.
No ofício, a Procuradoria Geral Eleitoral destaca que as vítimas desse tipo de crime são as candidatas ou detentoras de mandato eletivo mulheres cisgênero e transgênero, sendo este entendimento reforçado por Tratados de Direitos Humanos dos quais o Brasil é signatário.
Diante da gravidade dos fatos, a Procuradoria Geral Eleitoral solicita que sejam realizadas diligências para apurar o ocorrido, incluindo análise do sistema audiovisual do local, depoimentos de testemunhas e outras medidas cabíveis.
A representação enviada à Procuradoria Geral da República destaca que a fala do parlamentar pode configurar tanto o crime de transfobia quanto o crime de violência política de gênero, ressaltando a importância de investigar e responsabilizar o autor das ofensas.
Com Rojane Marta/VGNJur
CÂMARA FEDERAL
Nikolas Ferreira aciona MP contra Acadêmicos de Niterói após desfile com ala de “conservadores em lata”
O deputado Nikolas Ferreira e a OAB-RJ apontam intolerância religiosa na ala “Neoconservadores em conserva” do desfile da Acadêmicos de Niterói, que homenageou Lula na Sapucaí. A escola defende a liberdade artística.
Deputado e OAB-RJ apontam intolerância religiosa em enredo que homenageou Lula na Sapucaí; escola alega perseguição política e defende liberdade artística.
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) anunciou, nesta quarta-feira (18), que protocolará uma representação no Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) contra Wallace Alves Palhares, presidente da escola de samba Acadêmicos de Niterói. O parlamentar acusa a agremiação de intolerância religiosa durante o desfile realizado no último domingo (15), na Marquês de Sapucaí, que teve como enredo uma homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O ponto central da controvérsia é a ala batizada de “Neoconservadores em conserva”. Segundo o deputado, a alegoria, que fantasiava foliões como latas de sardinha, retratou cristãos e conservadores “como se fossem algo a ser descartado”. Para Ferreira, a encenação “ultrapassou o limite da crítica política e entrou no terreno perigoso do preconceito religioso”.
A representação deve ser formalizada nesta quinta-feira (19), com base na Lei 7.716/89, que define os crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor, e na Constituição Federal. “Carnaval é cultura. Fé é direito fundamental. Já a intolerância religiosa é crime”, afirmou o deputado em nota à imprensa.
OAB-RJ endossa críticas
A movimentação jurídica ganhou reforço institucional na última terça-feira (17), quando a seccional do Rio de Janeiro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ) emitiu uma nota de repúdio. A entidade classificou o episódio como “intolerância religiosa”, argumentando que a apresentação feriu “o direito fundamental de liberdade religiosa” e configurou “afronta direta à ordem constitucional”.
A Frente Parlamentar Católica também se manifestou, alinhando-se ao discurso de que a sátira ofendeu a fé cristã ao ridicularizar publicamente o grupo religioso em uma transmissão de alcance internacional.
A defesa da escola
A Acadêmicos de Niterói, que estreou no Grupo Especial com o enredo “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, defende-se sob o argumento da autonomia artística. Em nota, a agremiação afirmou ser vítima de “tentativa de interferência direta na nossa autonomia artística”, citando pedidos anteriores para mudança de enredo e questionamentos sobre o samba. A escola sustenta que as ações buscam “enquadrar e silenciar” sua liberdade de criação no carnaval.
Contexto político e verbas públicas
Além da questão religiosa, o desfile é alvo de disputa eleitoral. Opositores classificaram a apresentação como um “desfile-comício em rede nacional” financiado com dinheiro público. Reportagens indicam que a escola teria recebido repasses da Prefeitura de Niterói, com valores citados em torno de R$ 4 milhões em contextos gerais da cidade para o carnaval, e especificamente cerca de R$ 1 milhão para este desfile segundo algumas fontes.
Nikolas Ferreira informou que, caso o presidente Lula registre candidatura oficial, pretende ingressar também com uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) por abuso de poder político e econômico. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) havia negado pedidos prévios para barrar o desfile, considerando-o, a princípio, uma manifestação cultural.
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