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Eleições 2026

Pesquisa eleitoral em MT ignora pré-candidatos de esquerda e usa foto de farda policial em teste para o governo

Levantamento da PercentBrasil para o governo e o Senado de Mato Grosso restringe as opções do eleitorado ao excluir nomes do espectro de esquerda

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pesquisa eleitoral MT
Levantamento da PercentBrasil para o governo e o Senado de Mato Grosso restringe as opções do eleitorado.

Levantamento da PercentBrasil a que o conexaomt teve acesso, mostra que a maioria do eleitorado não tem candidato espontâneo para o governo e 53,2% sequer sabem quem rejeitar.

A corrida para o governo de Mato Grosso nas eleições de 2026 começa com um eleitorado amplamente indefinido. Segundo pesquisa da PercentBrasil, 75,4% dos entrevistados não sabem em quem votar ou preferem não responder quando questionados de forma espontânea sobre a sucessão estadual.

O alto índice de indecisos indica que a disputa política ainda não capturou a atenção da população. Com um cenário tão aberto, os pré-candidatos terão que superar a barreira do desconhecimento geral antes de tentar consolidar qualquer base de apoio firme para o pleito.

O peso dos indecisos no cenário estimulado

Quando o instituto apresenta uma lista com os nomes dos possíveis candidatos (pesquisa estimulada), a indefinição diminui, mas segue como uma força expressiva. O senador Wellington Fagundes lidera esse recorte com 25% das intenções de voto.

Fagundes empata tecnicamente com o bloco dos eleitores que não sabem ou não responderam, que soma 25,4%. Atrás deles, aparecem Jayme Campos, com 15%, e Otaviano Pivetta, com 14%. A candidata Natasha Slhessarenko soma 7%, enquanto Sargento Laudicério aparece com 6,5%.

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O questionário

Uma análise minuciosa do questionário aplicado aos eleitores revela uma anomalia na arquitetura da pesquisa: a exclusão sumária de todo o espectro político de esquerda nos cenários estimulados e remoção da Deputada Janaína Riva para o executivo estadual.

Quando questionados sobre a corrida à Presidência da República, 27,3% dos entrevistados afirmam que votariam em Luiz Inácio Lula da Silva. No entanto, ao virar a página para os testes de Governador e Senador, esse mesmo eleitor não encontra nenhuma opção alinhada ao governo federal ou a partidos como PT, PSB e PV.

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Para o governo estadual, o disco de opções entregue ao eleitor continha apenas Natasha Slhessarenko, Jayme Campos, Otaviano Pivetta, Wellington Fagundes e Sargento Laudicério. Para o Senado, a lista trazia nomes como Antonio Galvan, Carlos Fávaro, Janaina Riva, José Medeiros, Mauro Mendes e Pedro Taques. Nomes orgânicos da esquerda mato-grossense foram deixados de fora. Na prática, a pesquisa empurra o eleitor progressista para uma escolha forçada: declarar voto nulo, indecisão, ou transferir seu voto para pré-candidatos de centro ou de direita.

Muito embora o Sargento Laudicério apareça no cenário de 1.º turno, não há nenhuma cenário com seu nome no 2.º turno.

Na corrida para o executivo estadual (Cenários 1 e 2), o instituto optou por excluir o nome da deputada estadual Janaína Riva (MDB) , limitando seu nome apenas às disputas para o Senado e Vice-Governadoria. A exclusão contrasta com a cobertura jornalística e outros levantamentos estaduais de veículos de credibilidade (como as pesquisas encomendadas pela CNN Brasil no ciclo atual), que a colocam como protagonista natural na sucessão governamental ao lado de Otaviano Pivetta e Wellington Fagundes. A retirada de um nome forte das cartelas afunila o cenário e altera artificialmente a distribuição dos votos.

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O que a falta de rejeição significa na prática

A apatia na hora de escolher um candidato se reflete diretamente na hora de vetar um nome. O levantamento mostra que 53,2% dos eleitores afirmam não saber qual pré-candidato rejeitam para o Executivo local.

Na prática, a ausência de rejeição demonstra que a maior parte da população não tem informações suficientes para nutrir oposição ou “ranço” contra figuras específicas. Como o clima de campanha ainda está distante do dia a dia, o eleitor não formou uma opinião consolidada para descartar opções, deixando o terreno livre para o crescimento de qualquer candidatura que saiba se comunicar.

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Entre a minoria que já definiu um alvo de repúdio, o senador Jayme Campos lidera com 10,3%. Na sequência, Sargento Laudicério marca 8% e Natasha Slhessarenko tem 7%. Wellington Fagundes e Otaviano Pivetta registram 3,4% e 3,1% de rejeição, respectivamente.

Desconhecimento vs. histórico

Ao detalhar as razões da rejeição, a pesquisa revela desafios diferentes para cada perfil de político. Para nomes que buscam se projetar, como Laudicério e Natasha, o principal motivo do veto (72,7% e 43,8%, respectivamente) é o simples fato de que o eleitor “Não conhece o (a) candidato (a)”.

Para os veteranos, a cobrança recai sobre o histórico. Metade dos eleitores que descartam Wellington Fagundes afirma que ele “Não é um bom político/Não fez nada”. Já no caso de Jayme Campos, 54,8% de seus opositores justificam a rejeição dizendo que ele é “Velho na política”.

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O relatório mapeia o panorama atual das ruas, mas não apresenta respostas dos políticos citados sobre a alta taxa de indefinição. Com a eleição ainda distante, os números alertam que o grande vencedor de 2026 será quem conseguir dialogar primeiro com o imenso bloco de eleitores silenciosos.

 

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DESTAQUE

Por três anos, servidora pagou para se proteger de agiotas que nunca existiram, diz polícia

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Operação Laço Oculto

A colega apontada como autora se dizia vítima da mesma ameaça; operação da Derf apura prejuízo de R$ 1,1 milhão, mira servidores da Saúde e um policial militar e investiga também agiotagem e lavagem

A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou na manhã desta terça-feira (21) a Operação Laço Oculto, que apura um esquema de extorsão contra uma servidora da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT). A vítima teria repassado R$ 1.132.680 a uma colega de trabalho entre 2022 e 2025, convencida de que ambas estavam ameaçadas por agiotas. A ação, conduzida pela Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Cuiabá, cumpre 14 medidas judiciais nas duas cidades da região metropolitana.

A trama dos agiotas inventados

Entre 2022 e 2025, a servidora teria sido submetida a um processo contínuo de intimidação e manipulação psicológica. A colega a teria convencido, aos poucos, de que as duas estavam ameaçadas por agiotas por causa de uma dívida atribuída a outro servidor público, de que os criminosos conheciam a rotina das duas e de que seus familiares poderiam ser atacados.

A cada cobrança, novos pagamentos eram apresentados como necessários porque a dívida e os juros não parariam de crescer. Ao mesmo tempo, a investigada se colocava como vítima da mesma ameaça e dizia ter condições de negociar com os agiotas e proteger a colega.

A hipótese da investigação é que a narrativa tenha sido construída para manter a servidora em medo permanente e garantir repasses sucessivos. Os pagamentos teriam se estendido por cerca de três anos, em parcelas que cresciam a cada nova cobrança.

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De onde saiu o dinheiro

Para atender às exigências, a vítima contraiu empréstimos bancários, sacou o limite de cartões de crédito, resgatou recursos da previdência privada e usou economias reservadas para os filhos e para a construção da própria casa. Também financiou uma caminhonete em seu nome.

O veículo seria usado pelo marido da principal investigada, enquanto a dívida do financiamento permanecia com a servidora. Somados, os empréstimos, os resgates e o financiamento comprometeram reservas que a família havia reunido ao longo de anos. Não está esclarecido se o valor da caminhonete integra os R$ 1.132.680 já identificados como transferências bancárias, o que mantém em aberto o tamanho final do prejuízo.

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Como o caso veio à tona

A sequência de pagamentos parou quando o marido da vítima percebeu o abalo emocional e a mudança de comportamento da esposa. Ao descobrir o que ocorria, ele impediu a continuidade do contato com a investigada, interrompeu os repasses e procurou a Polícia Civil. A data da denúncia e da instauração do inquérito não foi divulgada.

O que o rastreamento bancário mostrou

Com autorização judicial para a quebra do sigilo bancário, os investigadores identificaram o repasse direto de R$ 1.132.680 para a conta da colega. Parte do dinheiro teria seguido para outras pessoas ligadas ao núcleo investigado.

A análise revelou ainda movimentações incompatíveis com a renda formal dos envolvidos, contas com alta rotatividade, grande volume de saques em espécie e possível uso de interpostas pessoas, os chamados laranjas, para dificultar o rastreamento. Há também indícios de ocultação patrimonial e de circulação de recursos com o objetivo de esconder a origem e o destino do dinheiro. Por causa desses elementos, a apuração passou a mirar também os crimes de agiotagem e lavagem de dinheiro, ainda dependentes de aprofundamento.

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As 14 medidas e os alvos

As ordens foram autorizadas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias, polo Cuiabá, após manifestação favorável do Ministério Público. São cinco mandados de busca e apreensão domiciliar, um de busca e apreensão de veículo, cinco de sequestro de bens e três de bloqueio de ativos financeiros.

Os bloqueios, direcionados a três investigados, podem alcançar mais de R$ 3,3 milhões. O valor não representa quantia já recuperada, e sim o teto autorizado pela Justiça, e não se confunde com o prejuízo bancário de R$ 1.132.680 identificado até aqui.

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As buscas ocorrem em endereços residenciais de Cuiabá e Várzea Grande, onde equipes da Derf cumprem as ordens. Entre os alvos estão servidores ligados à SES-MT, um policial militar e pessoas relacionadas ao fluxo financeiro identificado na investigação. A Polícia Civil não informou quantas pessoas são formalmente investigadas nem divulgou nomes.

Saúde e PM diante da operação

A Polícia Civil informou que a Secretaria de Estado de Saúde não é investigada e que colaborou com as diligências, apesar de servidores do órgão figurarem entre os alvos. A Corregedoria da Polícia Militar acompanha o cumprimento das ordens por causa da presença de um policial militar entre os investigados. Não foram detalhados a participação atribuída a esse policial nem eventual afastamento funcional.

O nome

O nome Laço Oculto, segundo a Polícia Civil, remete ao vínculo de medo e dependência psicológica que teria prendido a vítima às cobranças. Enquanto acreditava pagar para proteger a família, ela via os recursos serem transferidos e dispersados entre pessoas do núcleo investigado.

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Até o fechamento desta reportagem não havia prisões nem mandados de prisão, e os resultados das buscas e o valor efetivamente bloqueado não tinham sido divulgados. As medidas cautelares não significam condenação, e os investigados seguem presumidos inocentes enquanto não houver decisão definitiva. A Derf mantém a análise dos aparelhos apreendidos e a apuração sobre agiotagem e lavagem de dinheiro.

 

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