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Vilência doméstica

Advogado é preso após noiva pedir socorro em hospital de VG, mas Justiça concede liberdade provisória

Advogado suspeito de agredir e ameaçar a noiva em hotel de Várzea Grande (MT) foi preso em flagrante no hospital após a vítima pedir ajuda à equipe médica. Em audiência de custódia, a Justiça acatou o parecer do Ministério Público e concedeu liberdade provisória com medidas cautelares ao investigado.

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advogado preso violência doméstica Várzea Grande
Jovem de 22 anos pediu socorro a médicos em unidade de saúde anexa a shopping em Várzea Grande; investigado foi preso no local, mas solto após audiência com o juiz plantonista.

Jovem com múltiplos hematomas relatou histórico de abusos e ameaças aos médicos e policiais; promotor cita bons antecedentes do suspeito para pedir liberdade provisória ao Juízo.

Na tarde do dia 16 de fevereiro de 2026, o advogado Antonio Luiz Padovani Junior foi preso em flagrante no Hospital Santa Rosa (unidade avançada anexa ao Várzea Grande Shopping), em Várzea Grande (MT), por suspeita de lesões corporais, violência psicológica e ameaça contra sua noiva, C. de O. T., de 22 anos. A ocorrência foi gerada após profissionais de saúde constatarem diversos ferimentos no corpo da paciente e acionarem a Polícia Militar. O caso tramita no Judiciário, e, em parecer oficial, o Ministério Público manifestou-se a favor de que o investigado responda ao processo em liberdade, cumprindo medidas cautelares.

O que diz o BO e os profissionais de saúde

A polícia foi acionada pela equipe de enfermagem do hospital. De acordo com o prontuário e com o policial militar que atendeu a ocorrência, a jovem deu entrada na emergência visivelmente abalada, com confusão mental atribuída à ingestão de medicamentos controlados misturados com uísque.

O relatório do médico plantonista formalizou o momento de tensão vivenciado na triagem clínica:

“AO SE AFASTAR DE COMPANHEIRO PACIENTE PEDE AJUDA DIZENDO QUE ‘ELE VAI ME MATAR’”.

Segundo o prontuário de evolução médica, a paciente confidenciou à equipe que sofre violência doméstica frequentemente, mas nunca denunciou por dependência financeira.

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A narrativa policial corrobora o temor da vítima, que inicialmente confirmou as agressões à enfermeira:

“A VÍTIMA FOI NOVAMENTE INDAGADA SOBRE OS HEMATOMAS E DECLAROU NÃO SE LEMBRAR DA CAUSA, AFIRMANDO, ENTRETANTO, QUE SEU NOIVO JÁ HAVIA TENTADO AGREDI-LA EM OCASIÕES ANTERIORES.”

No Boletim de Ocorrência, os policiais registraram que o advogado foi contido, algemado nas dependências do hospital por receio de fuga, e conduzido à delegacia.

O que disseram condutor, testemunhas e investigados

Na delegacia, durante seu depoimento formal, a vítima mudou parcialmente a versão. Ela afirmou que os machucados daquele dia ocorreram porque ficou “fora de si” e caiu na quina de uma mesa no hotel onde estavam hospedados. No entanto, manteve os relatos de violências graves ocorridas no passado.

A jovem detalhou agressões anteriores em seu termo de declaração:

“…hoje o suspeito não lhe agrediu; porém o suspeito já lhe deu um mata leão e já lhe violentou sexualmente”.

Ainda no documento oficial, a vítima chegou a pedir para “apagar tudo que falou” e disse que “eles vão me matar”, referindo-se ao noivo e à família dele, recusando inclusive o registro de Medida Protetiva por se sentir passando mal.

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Em seu interrogatório, o suspeito negou veementemente qualquer crime. Ele declarou que levou a noiva ao hospital para salvá-la de uma intoxicação medicamentosa e explicou a origem das lesões pelo corpo dela:

“…quando retornou ao quarto por volta das 15:00hrs a vítima já ‘tinha piorado’; …a vítima não conseguia ficar de pé, caindo no piso a todo momento”.

O investigado afirmou ser inocente e garantiu que jamais a agrediu ou ameaçou, relatando que a companheira sofre de transtornos psiquiátricos.

O que decidiu a autoridade policial e manifestação do MP

O inquérito foi remetido ao Judiciário, onde recebeu a avaliação inicial do Ministério Público Estadual (MPMT). O promotor plantonista avaliou que existem provas da materialidade delitiva e indícios de autoria, justificando a homologação legal do flagrante realizado pela polícia. Contudo, o promotor discordou da necessidade de manter o advogado preso.

O Ministério Público fundamentou seu pedido de soltura observando a ficha criminal do suspeito:

“o flagrado é primário e portador de bons antecedentes, de modo que não se pode afirmar a probabilidade de que, em liberdade, voltará a delinquir”.

A Promotoria pediu ao juiz que a prisão preventiva seja descartada e que sejam aplicadas apenas medidas cautelares diversas, que considera suficientes para garantir a segurança da jovem e a ordem pública.

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Decisão judicial

No dia 17 de fevereiro de 2026, foi realizada a audiência de custódia sob a condução do Juiz de Direito plantonista Abel Balbino Guimarães. Durante o ato, o magistrado confirmou a legalidade do flagrante e atestou a regularidade da prisão, destacando que o próprio investigado informou não ter sofrido abusos de autoridade ou tortura.

Acompanhando o parecer do Ministério Público e o pedido da defesa, o juiz entendeu não haver pressupostos para a prisão preventiva. O magistrado determinou a expedição do alvará de soltura imediato em favor do advogado.

Em sua decisão, o juiz estabeleceu regras que o suspeito deverá cumprir em liberdade:

“concedo liberdade ao apresentado Antônio Luiz Padovani Junior […] e aplico-lhe as medidas cautelares diversas da prisão: 1) compromisso de comparecer a todos os atos judiciais para os quais for intimado, justificar suas atividades laborais e atualizar o endereço onde mora”.

A determinação garante que o suspeito responda às acusações formalmente fora do presídio, mas sob vigilância judicial e obrigatoriedade de comparecimento sempre que intimado.

Para entender:

  • Homologação do flagrante: Reconhecimento, por parte do juiz ou Ministério Público, de que a prisão feita pela polícia seguiu todas as regras da lei e não teve ilegalidades.

  • Medidas cautelares diversas da prisão: São restrições (como não poder chegar perto da vítima ou ter que comparecer periodicamente ao fórum) impostas pela Justiça para proteger a sociedade e o andamento do processo sem precisar colocar o suspeito na cadeia enquanto ele responde às acusações.

  • Alvará de soltura: Documento oficial expedido por um juiz que determina a libertação imediata de uma pessoa presa.

 

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Por três anos, servidora pagou para se proteger de agiotas que nunca existiram, diz polícia

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Operação Laço Oculto

A colega apontada como autora se dizia vítima da mesma ameaça; operação da Derf apura prejuízo de R$ 1,1 milhão, mira servidores da Saúde e um policial militar e investiga também agiotagem e lavagem

A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou na manhã desta terça-feira (21) a Operação Laço Oculto, que apura um esquema de extorsão contra uma servidora da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT). A vítima teria repassado R$ 1.132.680 a uma colega de trabalho entre 2022 e 2025, convencida de que ambas estavam ameaçadas por agiotas. A ação, conduzida pela Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Cuiabá, cumpre 14 medidas judiciais nas duas cidades da região metropolitana.

A trama dos agiotas inventados

Entre 2022 e 2025, a servidora teria sido submetida a um processo contínuo de intimidação e manipulação psicológica. A colega a teria convencido, aos poucos, de que as duas estavam ameaçadas por agiotas por causa de uma dívida atribuída a outro servidor público, de que os criminosos conheciam a rotina das duas e de que seus familiares poderiam ser atacados.

A cada cobrança, novos pagamentos eram apresentados como necessários porque a dívida e os juros não parariam de crescer. Ao mesmo tempo, a investigada se colocava como vítima da mesma ameaça e dizia ter condições de negociar com os agiotas e proteger a colega.

A hipótese da investigação é que a narrativa tenha sido construída para manter a servidora em medo permanente e garantir repasses sucessivos. Os pagamentos teriam se estendido por cerca de três anos, em parcelas que cresciam a cada nova cobrança.

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De onde saiu o dinheiro

Para atender às exigências, a vítima contraiu empréstimos bancários, sacou o limite de cartões de crédito, resgatou recursos da previdência privada e usou economias reservadas para os filhos e para a construção da própria casa. Também financiou uma caminhonete em seu nome.

O veículo seria usado pelo marido da principal investigada, enquanto a dívida do financiamento permanecia com a servidora. Somados, os empréstimos, os resgates e o financiamento comprometeram reservas que a família havia reunido ao longo de anos. Não está esclarecido se o valor da caminhonete integra os R$ 1.132.680 já identificados como transferências bancárias, o que mantém em aberto o tamanho final do prejuízo.

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Como o caso veio à tona

A sequência de pagamentos parou quando o marido da vítima percebeu o abalo emocional e a mudança de comportamento da esposa. Ao descobrir o que ocorria, ele impediu a continuidade do contato com a investigada, interrompeu os repasses e procurou a Polícia Civil. A data da denúncia e da instauração do inquérito não foi divulgada.

O que o rastreamento bancário mostrou

Com autorização judicial para a quebra do sigilo bancário, os investigadores identificaram o repasse direto de R$ 1.132.680 para a conta da colega. Parte do dinheiro teria seguido para outras pessoas ligadas ao núcleo investigado.

A análise revelou ainda movimentações incompatíveis com a renda formal dos envolvidos, contas com alta rotatividade, grande volume de saques em espécie e possível uso de interpostas pessoas, os chamados laranjas, para dificultar o rastreamento. Há também indícios de ocultação patrimonial e de circulação de recursos com o objetivo de esconder a origem e o destino do dinheiro. Por causa desses elementos, a apuração passou a mirar também os crimes de agiotagem e lavagem de dinheiro, ainda dependentes de aprofundamento.

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As 14 medidas e os alvos

As ordens foram autorizadas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias, polo Cuiabá, após manifestação favorável do Ministério Público. São cinco mandados de busca e apreensão domiciliar, um de busca e apreensão de veículo, cinco de sequestro de bens e três de bloqueio de ativos financeiros.

Os bloqueios, direcionados a três investigados, podem alcançar mais de R$ 3,3 milhões. O valor não representa quantia já recuperada, e sim o teto autorizado pela Justiça, e não se confunde com o prejuízo bancário de R$ 1.132.680 identificado até aqui.

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As buscas ocorrem em endereços residenciais de Cuiabá e Várzea Grande, onde equipes da Derf cumprem as ordens. Entre os alvos estão servidores ligados à SES-MT, um policial militar e pessoas relacionadas ao fluxo financeiro identificado na investigação. A Polícia Civil não informou quantas pessoas são formalmente investigadas nem divulgou nomes.

Saúde e PM diante da operação

A Polícia Civil informou que a Secretaria de Estado de Saúde não é investigada e que colaborou com as diligências, apesar de servidores do órgão figurarem entre os alvos. A Corregedoria da Polícia Militar acompanha o cumprimento das ordens por causa da presença de um policial militar entre os investigados. Não foram detalhados a participação atribuída a esse policial nem eventual afastamento funcional.

O nome

O nome Laço Oculto, segundo a Polícia Civil, remete ao vínculo de medo e dependência psicológica que teria prendido a vítima às cobranças. Enquanto acreditava pagar para proteger a família, ela via os recursos serem transferidos e dispersados entre pessoas do núcleo investigado.

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Até o fechamento desta reportagem não havia prisões nem mandados de prisão, e os resultados das buscas e o valor efetivamente bloqueado não tinham sido divulgados. As medidas cautelares não significam condenação, e os investigados seguem presumidos inocentes enquanto não houver decisão definitiva. A Derf mantém a análise dos aparelhos apreendidos e a apuração sobre agiotagem e lavagem de dinheiro.

 

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