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Polícia prende três por roubo e cárcere em Pontes e Lacerda

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roubo pontes e lacerda

Investigadores resgatam funcionário de 55 anos amarrado e recuperam veículo, dinheiro e arma no bairro Vila Guaporé

A Polícia Civil prendeu três homens em flagrante na madrugada desta segunda-feira (15) durante um roubo a um estabelecimento comercial no bairro Vila Guaporé, em Pontes e Lacerda (MT).

A rápida ação tática evitou a fuga do grupo criminoso com uma caminhonete da empresa e garantiu a sobrevivência de um funcionário de 55 anos. A captura dos suspeitos e a libertação do refém evidenciam a resposta operacional das forças de segurança diante de crimes patrimoniais mediante restrição de liberdade.

De acordo com o documento oficial assinado pelos autores Assessoria e Polícia Civil-MT, as diligências começaram ainda na madrugada, após os investigadores receberem denúncias de que indivíduos haviam invadido o local. A equipe se deslocou até o endereço e “realizou o cerco tática da empresa”, bloqueando as rotas de fuga.

O confronto teve início quando os policiais avistaram um dos suspeitos abrindo o portão para sair com uma caminhonete que pertencia ao estabelecimento. A corporação ordenou a rendição imediata, mas o criminoso tentou escapar. Com diversos pertences da vítima nos bolsos, ele correu em direção ao veículo e tentou reagir, momento em que foi atingido por um disparo na perna.

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Confronto e resistência armada

Enquanto o primeiro suspeito era contido, os outros dois envolvidos na invasão tentaram pular o muro da empresa para fugir. Durante a perseguição no perímetro, um dos criminosos apontou uma pistola calibre 380 em direção à equipe policial. O texto da corporação relata que, diante do “risco a integridade física foram efetuados disparos”, resultando em um ferimento de raspão neste segundo suspeito.

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Após a neutralização do grupo, os investigadores iniciaram as buscas no interior da propriedade comercial. A prioridade, segundo o registro da instituição, era “resgatar a vítima que estava amarrada e era mantida em cárcere privado”.

O funcionário de 55 anos foi localizado dentro do alojamento da empresa. Ele estava imobilizado, “amarrada com fios elétricos e pedaços de tecido”. A vítima foi encontrada em estado de choque e com forte nervosismo devido à violência psicológica sofrida durante a retenção.

Apreensões e encaminhamentos legais

Com a situação controlada, a Polícia Civil acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Os socorristas prestaram os primeiros atendimentos aos dois criminosos baleados. Eles foram escoltados e encaminhados ao Hospital Vale do Guaporé para avaliação médica.

O terceiro suspeito, que não sofreu ferimentos, foi conduzido diretamente à Delegacia de Pontes e Lacerda. No local, ele passou por interrogatório. Até o fechamento desta reportagem, os três homens — um de 39 anos e dois de 19 anos — foram autuados por “roubo majorado mediante violência ou grave ameaça com emprego de arma de fogo”.

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A operação resultou na recuperação de toda a materialidade do crime. Com o trio, os policiais apreenderam a pistola calibre 380 utilizada na ameaça e mais de R$ 1,2 mil em dinheiro em espécie. Também foram recuperados o celular, perfumes e outros objetos pessoais subtraídos da vítima.

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Glossário da Notícia

  • Cárcere privado: Crime que consiste em privar alguém de sua liberdade, mantendo a pessoa presa ou retida contra a sua vontade em um espaço delimitado.
  • Roubo majorado: Ocorre quando o crime de roubo é praticado com circunstâncias que aumentam a sua gravidade e a pena, como o uso de arma de fogo ou a restrição da liberdade da vítima.
  • Cerco tático: Manobra policial que visa isolar uma área específica para impedir a fuga de suspeitos e garantir a segurança do perímetro durante uma intervenção.
  • Flagrante delito: Situação em que a pessoa é surpreendida cometendo o crime ou logo após tê-lo cometido, permitindo a sua prisão imediata sem necessidade de mandado judicial.

 

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72% das mulheres assassinadas em Mato Grosso são negras

Sete em cada dez mulheres assassinadas em Mato Grosso em 2024 eram negras: 71 mortes, contra 27 de não negras, segundo o Atlas da Violência 2026. Proporcionalmente à população, a mulher negra também corre mais risco, e o estado é o sétimo do país nesse indicador. Municípios do interior chegam a taxas de mais de quatro vezes a média estadual.

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mulheres assassinadas em Mato Grosso
Municípios do interior de Mato Grosso concentram as maiores taxas de homicídio de mulheres negras do estado — Foto: criada por IA

Taxa de homicídio de mulheres negras é mais de quatro vezes maior em municípios do interior do que a média de Mato Grosso

Sete em cada dez mulheres assassinadas em Mato Grosso são negras. Em 2024, foram 71 mulheres negras mortas no estado, contra 27 não negras: 72% do total. Os números são do Atlas da Violência 2026, feito pelo Ipea com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, e se referem a 2024.

A maioria das mulheres assassinadas é negra

A informação mais direta dos dados é essa: a maioria das mulheres mortas no estado é negra. Em 2024, foram 71 mulheres negras assassinadas em Mato Grosso e 27 não negras. As negras somaram 72% das vítimas, quase três a cada quatro. Posto de outra forma, de cada dez mulheres assassinadas no estado naquele ano, sete eram negras.

Negra, aqui, quer dizer preta ou parda somadas, como define o IBGE. Esse peso se repete no país inteiro: no Brasil, 67,5% das mulheres assassinadas em 2024 eram negras, num total de 2.457 mortes.

A diferença não está só no número de mortes. Para comparar lugares com populações diferentes, os pesquisadores usam uma medida chamada taxa: quantas mulheres morrem para cada 100 mil que existem naquele grupo. Serve para colocar cidades e estados de tamanhos diferentes na mesma régua. Em Mato Grosso, essa conta dá 5,4 mortes para cada 100 mil mulheres negras, contra 4,4 entre as não negras.

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A diferença entre 5,4 e 4,4 é de 23%, ou uma morte a mais para cada 100 mil mulheres. Essa taxa de 5,4 também está 35% acima da média do Brasil, que é 4,0. E não é problema deste ano: há 11 anos seguidos Mato Grosso fica acima da média nacional. No longo prazo, porém, o número caiu. Em 2014, a taxa era 7,3; em 2024, 5,4. Uma redução de 26%.

Para o estudo, esse número alto vem da soma de duas heranças antigas no país, o machismo e o racismo.

O risco é muito maior no interior

A média do estado esconde diferenças grandes entre as cidades. Entre 2019 e 2024, foram registradas 424 mulheres negras assassinadas em Mato Grosso. Isso dá cerca de 70 por ano. Mas o risco não é o mesmo em todo lugar.

Quando a conta é feita cidade por cidade, as mais perigosas não são as maiores. A primeira é Porto Esperidião, no oeste do estado: 27,7 mortes por 100 mil mulheres negras por ano, mais de quatro vezes a média estadual, que é 6,0 nesse mesmo cálculo. Depois vêm Ribeirão Cascalheira (25,0), Mirassol d’Oeste (24,4), São José do Rio Claro (23,2), São José dos Quatro Marcos (22,4) e São Félix do Araguaia (18,8). Na prática, nessas cidades uma mulher negra corre um risco várias vezes maior do que a média do estado. Só entraram na lista cidades com cinco ou mais mortes no período, para um caso isolado não distorcer o resultado.

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O quadro vira quando se conta o número puro de mortes. Aí Cuiabá aparece na frente, com 37 em seis anos. Mas a capital é muito maior, então o risco proporcional é menor: a taxa lá é de 2,7, menos da metade da média do estado. Várzea Grande, a segunda maior cidade, tem 2,3. Ou seja, as cidades onde morrem mais mulheres negras não são as cidades onde elas correm mais perigo.

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Das 142 cidades de Mato Grosso, 91 tiveram ao menos uma mulher negra assassinada entre 2019 e 2024. As 51 sem nenhum registro são quase todas pequenas, onde é menos provável que um caso ocorra no período.

Mato Grosso sobe enquanto o país cai

Mesmo com a queda no longo prazo, os anos recentes pioraram. De 2019 a 2024, a taxa de mulheres negras assassinadas subiu 17,4% em Mato Grosso. No Brasil, no mesmo período, ela caiu 4,8%. O estado andou na direção contrária à do país. Em número de mortes, foram 56 em 2019 e 71 em 2024, 15 mulheres a mais, um aumento de 26,8%.

Houve uma melhora em 2024. A taxa caiu de 6,2 em 2023 para 5,4, e as mortes passaram de 75 para 71. Ainda assim, o nível de 2024 segue acima do de 2019, que foi o mais baixo da série. No país, o número quase não mudou nesses anos: 2.468 mulheres negras mortas em 2019 e 2.457 em 2024.

Entre os sete estados mais perigosos

Com a taxa de 5,4, Mato Grosso é o sétimo estado mais perigoso do Brasil para mulheres negras. À frente estão Ceará (7,2), Pernambuco (6,7), Espírito Santo (6,5), Roraima (6,3), Bahia (5,9) e Alagoas (5,9). Logo atrás vem Rondônia, com 5,3.

É também o pior do Centro-Oeste. Os vizinhos ficam bem abaixo: Mato Grosso do Sul tem 3,2, Goiás 3,8 e o Distrito Federal 2,5, todos abaixo da média nacional. As maiores taxas estão no Norte e no Nordeste, e Mato Grosso é a exceção do Centro-Oeste nesse mapa.

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A Secretaria de Segurança Pública de Mato Grosso não divulgou, até o fechamento da matéria, um balanço de feminicídios de 2024 separado por raça. O Anuário Brasileiro de Segurança Pública, que usa dados das polícias, está previsto para o segundo semestre e vai permitir comparar os feminicídios registrados pela polícia com os homicídios captados pelo sistema de saúde.

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Fontes e metodologia

Fontes. Os dados nacionais e estaduais vêm do Atlas da Violência 2026, publicado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), a partir do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM/Ministério da Saúde) e da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADc/IBGE). O recorte por município foi calculado pela reportagem a partir dos microdados do próprio SIM, com população de referência do Censo Demográfico 2022 (IBGE).

Metodologia. Em ambas as fontes, “homicídio” corresponde aos óbitos por agressão (CID-10 X85 a Y09) e “mulheres negras” à soma de pretas e pardas, definição usada pelo IBGE e pelo Atlas. A proporção de 72% considera as 71 mulheres negras e as 27 não negras registradas pelo Atlas em Mato Grosso em 2024. A taxa por 100 mil habitantes mede quantas mortes ocorrem para cada 100 mil mulheres de um grupo e serve para comparar populações de tamanhos diferentes; as taxas estaduais e nacionais reproduzem o Atlas da Violência 2026 e referem-se a 2024. O ranking por município usa os óbitos registrados no SIM entre 2019 e 2024, por município de residência da vítima, divididos pela população feminina negra de cada município no Censo 2022 e expressos como média anual por 100 mil habitantes; foram considerados apenas municípios com cinco ou mais mortes no período. Os números do SIM são registrados, não estimados, e por isso não coincidem com as estimativas do Atlas, que reclassificam parte das mortes por causa indeterminada. O SIM não tipifica feminicídio: os dados medem homicídios de mulheres, não a categoria penal. Os microdados de 2024 são preliminares e podem ser revisados na consolidação definitiva.

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