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Com filho atípico, candidata cria projeto que tornará obrigatória a presença de psicólogos, psicopedagogos e neuropsicólogos na educação de Cuiabá

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Mãe de um filho atípico, com dislexia e TDAH predominantemente desatento, a jornalista e candidata a vereadora por Cuiabá, Oziane Rodrigues (Oziane da Hora Estendida), criou o projeto Acolher, que, se eleita, transformará em lei a obrigatoriedade da inclusão de psicólogos e psicopedagogos de forma contínua, e neuropsicólogos de forma plantonista, nas creches e escolas de Cuiabá. A ideia é garantir proteção, o direito à educação e evitar sofrimento para tantas famílias e crianças. Recentemente, durante uma entrevista de Oziane, ao defender a adoção urgente de medidas, o ex-senador e radialista Antero Paes de Barros se emocionou.

Mãe solo de quatro filhos, Oziane criou o projeto em 2020, após descobrir a neurodivergência de seu filho mais velho, Pablo Henrique, que à época tinha 13 anos, e não conseguir profissionais adequados para identificar, acompanhar e diagnosticar.
“Através de um laudo, o Pablo teria o direito de ser acompanhado por um profissional adequado: um professor, um TDI (Técnico em Desenvolvimento Infantil), ou um DI (Desenvolvimento Infantil). No entanto, não consegui esse acompanhamento, e o Pablo permaneceu na fila do SUS por muito tempo. Somente em 2022, com o diagnóstico, meu filho pôde ter acesso ao acompanhamento educacional adequado.

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No ano passado, ele fez o ENEM, alcançou 880 pontos e passou em primeiro lugar para o curso de Engenharia Florestal na UFMT”, explica Oziane.

Ela destaca que a medida não se limitará às salas de aula, mas incluirá psicólogos e psicopedagogos atuando de forma regular nas escolas, além de neuropsicólogos em regime de plantão para identificar, acompanhar, diagnosticar e laudar. “Através desses profissionais, podemos diagnosticar não apenas condições como dislexia e TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade), como foi o caso do meu filho, mas também outras neurodivergências e atipicidades, como o autismo, o TOD (Transtorno Opositivo Desafiador), entre outras. Com isso, vamos garantir que nossas crianças tenham o direito de se desenvolver como qualquer outra”, afirma.

Oziane também avalia que a presença desses profissionais ajudará a combater a depressão infantil e o abuso sexual infantil, questões sensíveis e urgentes.

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A jornalista também luta há mais de 8 anos para mudar o horário das creches em Cuiabá. Com o projeto Hora Estendida, que inclusive dá origem ao nome de urna nesta eleição, “Oziane da Hora Estendida” trabalha para que essas unidades passem a funcionar das 6h às 19h30 – tempo necessário para que os pais trabalhem, peguem seus transportes e consigam buscar seus filhos em segurança.

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“Em 2017, com a ajuda do prefeito, consegui implementar a Hora Estendida em algumas unidades de forma parcial. Agora, meu objetivo é transformá-lo em lei e aplicá-lo em toda Cuiabá”, conclui.

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Desinformação sobre urnas eletrônicas concentra 45% das notícias falsas

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Levantamento do Projeto Confia indica que sistema de votação é o alvo prioritário de ataques técnicos distorcidos e teorias de fraude em redes sociais

O Projeto Confia, iniciativa do Pacto pela Democracia, revelou que as urnas eletrônicas são o principal alvo de desinformação, concentrando mais de 45% dos conteúdos falsos analisados em redes sociais. A apuração, divulgada nesta quarta-feira (13) — data em que o equipamento completa 30 anos de existência no Brasil —, detalha como o sistema de votação eletrônica foi explorado em narrativas de manipulação durante os ciclos eleitorais de 2022 e 2024.

A concentração de ataques ao sistema eletrônico supera outros eixos temáticos monitorados pela coalizão. Segundo o levantamento, conteúdos direcionados contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e outras autoridades aparecem em segundo lugar, com 27,1%. Teorias de fraude especificamente voltadas à apuração dos votos respondem por 21,8% das mensagens, enquanto desinformações sobre regras gerais e logística eleitoral somam 15,4%.

“As narrativas recorrem a falsas explicações técnicas para sugerir falhas e possibilidades de manipulação. Elementos concretos da experiência de votação, como as teclas da urna e as mensagens exibidas na tela, são utilizados para gerar estranhamento e alimentar dúvidas”, afirma Helena Salvador, coordenadora do Projeto Confia. Para a pesquisadora, o distanciamento do eleitor em relação ao equipamento favorece a propagação: “As pessoas só têm acesso à urna a cada dois anos, no domingo de votação. Isso faz com que, se alguém espalha uma notícia falsa sobre um botão ou uma tecla, muita gente não tenha como checar rapidamente”.

Narrativas e lacuna técnica

A análise qualitativa das mensagens identifica padrões recorrentes de boatos que buscam mimetizar falhas tecnológicas. Entre os exemplos mais disseminados estão conteúdos que alegam um suposto atraso proposital no funcionamento do botão “confirma”, sugerindo que o voto não seria computado corretamente. Outra narrativa comum afirma que a urna completaria automaticamente os números digitados pelo eleitor antes que ele pudesse finalizar a escolha do candidato.

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O estudo aponta que a exploração do desconhecimento técnico da população sobre o funcionamento interno do sistema é o motor dessas publicações. De acordo com o Projeto Confia, as estratégias de desinformação tentam transformar características intrínsecas da interface da urna em indícios de irregularidade. O objetivo central é converter o estranhamento visual em prova de vulnerabilidade do processo democrático.

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A coalizão, que reúne mais de 200 organizações da sociedade civil na defesa do Estado Democrático de Direito, utilizou o levantamento para mapear a origem da desconfiança e estruturar o enfrentamento para o pleito de 2026. A intenção é antecipar respostas a ataques que se repetem de forma cíclica a cada eleição. Salvador explica que o monitoramento permite entender “em que exatamente as pessoas deixaram de acreditar” para construir contranarrativas capazes de responder rapidamente aos ataques de 2026.

Queda na confiança e recorte geracional

Os dados do Projeto Confia coincidem com uma retração nos índices de percepção pública sobre a segurança do voto eletrônico. Um levantamento da consultoria Quaest, divulgado em fevereiro de 2026, mostra que 53% dos brasileiros afirmam confiar nas urnas eletrônicas. O patamar é significativamente inferior ao registrado em 2022 pelo Datafolha, quando o índice de confiança chegava a 82%, conforme dados compartilhados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O comportamento da confiança varia conforme a faixa etária. Entre os eleitores com 60 anos ou mais, 53% confiam no sistema. Pesquisadores associam esse dado à memória afetiva e histórica do período anterior a 1996, quando a votação era realizada integralmente por cédulas de papel. Já no grupo de jovens entre 16 e 34 anos, a confiança sobe para 57%. O ponto de maior ceticismo está na faixa intermediária, de 35 a 50 anos, onde 50% dos entrevistados afirmam não confiar no equipamento eletrônico.

Para os coordenadores da pesquisa, o fenômeno não decorre de críticas superficiais, mas de um ecossistema de desinformação especializado. “Ninguém critica as urnas apenas dizendo que elas são ruins, existem explicações bastante sofisticadas online tentando convencer as pessoas de que o sistema não funciona”, analisa Helena Salvador. Ela defende que a solução passa por tornar o caminho do voto — desde a tecla até a totalização final — um processo mais compreensível para o cidadão comum.

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Base de monitoramento para 2026

O esforço analítico compreendeu um universo de mais de 3.000 conteúdos publicados ao longo das eleições de 2022 e 2024. Desse total, o Projeto Confia selecionou 716 mensagens para uma análise qualitativa aprofundada, verificando temas, vetores de propagação e técnicas de persuasão utilizadas. O resultado confirmou que 326 dessas mensagens (cerca de 45,5%) continham ataques diretos à integridade das urnas eletrônicas.

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A manutenção dessas narrativas, mesmo em anos não eleitorais, sinaliza a preparação de terreno para os próximos embates políticos. O Pacto pela Democracia atua no monitoramento dessas ameaças de forma contínua, buscando neutralizar o impacto de teorias conspiratórias que colocam em xeque a logística eleitoral do país. O foco imediato é o desenvolvimento de ferramentas de verificação que acompanhem a velocidade de circulação das redes sociais.

O estudo conclui que a desinformação sobre as urnas é uma estratégia coordenada de desgaste institucional. O cronograma do Projeto Confia prevê que as conclusões deste levantamento sirvam de base para o treinamento de checadores e agentes públicos que atuarão no próximo ciclo eleitoral. A meta é garantir que a resposta técnica aos ataques seja tão veloz quanto a sua propagação digital.

 

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