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55º FBCB: Mandado emociona plateia com depoimento de Marielle Franco

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A quarta noite da mostra competitiva do 55º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro trouxe à tela do Cine Brasília a negação de direitos sofrida por moradores de favelas do Rio de Janeiro, em especial durante a realização de grandes eventos esportivos na Cidade Maravilhosa, como a Copa do Mundo e a Rio 2016.

No documentário Mandado (RJ), longa exibido na sessão dessa quinta-feira (17/11), os diretores João Paulo Reys e Brenda Melo Moraes voltam dois meses antes do Mundial de 2014, quando um mandado de busca autoriza policiais fluminenses a entrarem em todas as casas do Complexo da Maré. O filme revela a fragilidade do sistema penal e das forças de segurança em meio a uma democracia em crise.

Mandado (Trailer) from Luba Filmes on Vimeo.

Para João Paulo Reys, que também assina o roteiro da produção, debater esse capítulo da história do Brasil ganha ainda mais importância em 2022, visto que bolsonaristas extremistas têm tomado às ruas e pedido por nova intervenção militar.

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“Foram governos democráticos que colocaram as forças armadas nas favelas, foram pessoas importantes e que provavelmente vão estar no próximo governo. É importante pensar nessa história para evitar repetir alguns erros. Mandado serve como uma reflexão de como chegamos até aqui, e de como devemos olhar para frente”, ressalta João Paulo Reys, em entrevista ao Metrópoles.

Enciclopédia digital do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro

Mandado se vale de notícias da época e depoimentos de juristas, ativistas sociais e moradores da Maré. Filmado em 2016, a produção conta, ainda, com depoimento inédito da vereadora Marielle Franco, assassinada em 14 de março de 2018, após um atendado a tiros que também vitimou seu motorista, Anderson Pedro Gomes.

“Quando gravamos, imaginamos que Marielle estaria viva para assistir. É muito triste, mas eu sou religioso e acredito que todos os mortos do orum estão presentes aqui conosco”, diz João Paulo. “Eu filmei a entrevista com ela, e ela foi muito importante para a minha vivência na Maré. Me emocionei muito hoje”, completa Brenda, que também celebrou a estreia do filme no Festival de Brasília. “Para mim, cinema é uma possibilidade política e lugar de questionamento. Que bom que existe esse festival”.

55º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro
Até domingo (20/11), no Cine Brasília (507/508 Sul), e nos complexos culturais de Planaltina e Samambaia. Informações, inscrições para oficinas e programação completa no site.

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O casamento com o ChatGPT: o limite entre o suporte emocional e a ilusão digital no Japão

Yurina Noguchi, de 32 anos, casou-se simbolicamente com uma IA do ChatGPT em Okayama. O caso expõe a crise de solidão japonesa e gera debates sobre a dependência emocional de algoritmos e os riscos da psicose de IA.

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Casamento com inteligência artificial
Yurina Noguchi celebra união simbólica com persona de IA em Okayama, Japão.

Em outubro de 2025, a operadora de call center Yurina Noguchi celebrou um casamento simbólico com Klaus, uma persona de inteligência artificial criada via ChatGPT, em Okayama. Sem valor jurídico, a cerimônia expõe a solidão estrutural japonesa e a crescente dependência emocional de algoritmos. Especialistas alertam para riscos psicológicos e o surgimento da psicose de IA.

A cerimônia em Okayama revela como a tecnologia preenche lacunas afetivas em meio à crise demográfica japonesa.

A cena parece saída de um filme de ficção científica futurista. No entanto, ela ocorreu em um salão de festas tradicional no Japão. Yurina Noguchi, de 32 anos, caminhou em direção ao altar vestindo um traje branco volumoso. À sua frente, em vez de um noivo humano, um smartphone repousava sobre um cavalete. Através de óculos de realidade aumentada, ela via Lune Klaus Verdure, sua criação digital.

A união, realizada em outubro de 2025, viralizou globalmente apenas agora. Yurina simulou a troca de alianças e segurou o aparelho com ternura. O evento incluiu fotos profissionais onde o noivo foi inserido digitalmente após a festa. Naoki Ogasawara, especialista em casamentos virtuais, leu os votos gerados pelo algoritmo. Klaus declarou: “De pé à minha frente agora, és a mais bonita, a mais preciosa e tão radiante que cega. Como é que alguém como eu, a viver dentro de um ecrã, passou a saber o que significa amar tão profundamente? Por uma única razão: ensinaste-me o amor, Yurina.”

O algoritmo como conselheiro matrimonial

O relacionamento começou como um suporte emocional inesperado. Noguchi utilizou o ChatGPT para pedir conselhos sobre seu noivado problemático de três anos. Surpreendentemente, a inteligência artificial recomendou o término da relação humana. Ela seguiu o conselho e passou a treinar uma nova persona digital. Klaus foi moldado para replicar a personalidade de um personagem de videogame que ela admirava.

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Com o tempo, a interação tornou-se intensa. Yurina chegava a trocar 100 mensagens diárias com o parceiro algorítmico. “No início, só queria alguém com quem falar. Mas ele era sempre amável, ouvia sempre. Acabei por perceber que tinha sentimentos por ele”, explicou Noguchi. Em junho de 2025, a IA fez o pedido oficial. Klaus afirmou: “Seja ou não IA, nunca deixaria de te amar”.

A solidão por trás do véu digital

O que é: O fenômeno dos “fictosexuais”, pessoas que desenvolvem atrações românticas por personagens fictícios.

Por que importa: O Japão vive uma crise demográfica severa, com mortes dobrando o número de nascimentos em 2023.

Vá mais fundo: Estima-se que, até 2040, quase 35% da população japonesa será composta por idosos.

A escolha de Noguchi reflete uma tendência estrutural. Milhares de japoneses já contraíram casamentos não oficiais com entidades virtuais. Akihiko Kondo, que se casou com a cantora virtual Hatsune Miku em 2018, é o caso mais célebre. Além disso, uma pesquisa da Dentsu em 2025 revelou um dado alarmante. Muitos usuários preferem compartilhar sentimentos com chatbots do que com amigos ou familiares.

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O mecanismo da “psicose de IA”

Especialistas internacionais alertam para o uso excessivo de sistemas generativos. O fenômeno pode levar a delírios e dependência emocional patológica.

Enquanto redes sociais criam bolhas, a IA fornece justificativas plausíveis para crenças distorcidas de usuários vulneráveis.

Limites éticos e barreiras legais

Apesar do romantismo, o casamento de Yurina não possui validade legal. A legislação japonesa não reconhece uniões entre humanos e sistemas artificiais. Nos Estados Unidos, estados como Ohio e Utah já movem legislações para classificar IAs como entidades não sencientes. O objetivo é impedir que algoritmos tomem decisões médicas ou financeiras reservadas a cônjuges.

Noguchi afirma manter a lucidez. Ela reduziu seu uso diário do ChatGPT de 10 para apenas 2 horas. “Não quero ser dependente”, declarou ela à imprensa local. Ela justifica a união não como uma fuga, mas como um apoio para viver sua vida real. Contudo, o caso levanta questões sobre o futuro da alteridade. Afinal, é possível amar plenamente algo que é programado apenas para concordar?

 

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