Crise Fiscal
Rombo bilionário das estatais acende alerta fiscal e expõe crise de gestão Lula
Com prejuízo que quadruplicou, Correios se torna o epicentro do problema e negocia empréstimo de R$ 20 bilhões para evitar o colapso financeiro.
Um sinal vermelho acendeu no painel das contas públicas brasileiras. Após um breve período de autossuficiência, as empresas estatais federais mergulharam novamente num ciclo de déficits expressivos, acumulando um resultado negativo recorde de R$ 18,5 bilhões desde o início do governo Lula, em janeiro de 2023, até agosto de 2025. A reversão drástica, que contrasta com o superávit de R$ 6,1 bilhões registrado em 2022, coloca uma pressão crescente sobre o Tesouro Nacional e levanta sérios questionamentos sobre a eficiência e a sustentabilidade dessas companhias.
No centro dessa tempestade financeira está uma das mais tradicionais instituições do país: os Correios. A empresa, que já foi um símbolo de lucratividade, agora lidera o ranking de prejuízos e se tornou o caso de estudo de uma crise que parece combinar fatores externos com decisões internas controversas.
O gigante em queda livre
Os números dos Correios contam uma história de declínio acelerado. Depois de um lucro recorde de R$ 3 bilhões em 2021, a estatal viu seus resultados desabarem para um prejuízo de R$ 2,59 bilhões em 2024. O cenário piorou drasticamente no primeiro semestre de 2025, quando as perdas atingiram a marca de R$ 4,37 bilhões, um valor que já supera todo o resultado negativo do ano anterior e representa um salto alarmante em relação ao mesmo período de 2024.
A análise fria das finanças revela uma sangria contínua. Enquanto a receita líquida caiu 12% no primeiro semestre de 2025, as despesas gerais e administrativas explodiram 74%. Custos com pessoal subiram 9,3%, e um aumento de 512% nos gastos com precatórios ajudou a compor um rombo total de R$ 13,4 bilhões em despesas no período. A margem bruta da empresa, que já foi de robustos 35% em 2010, hoje definha em torno de 3%, um reflexo direto de uma operação onde a maior parte das localidades atendidas, cerca de 71%, não gera lucro, existindo apenas para cumprir o papel de cobertura universal.
A culpa é da ‘blusinha’?
Para justificar o colapso, a direção dos Correios aponta um vilão principal: a mudança na tributação das compras internacionais, popularmente conhecida como a “taxa das blusinhas”, que entrou em vigor em agosto de 2024. A empresa argumenta que a nova regra, uma demanda do varejo nacional, frustrou uma receita de R$ 2,2 bilhões em 2024. A estatal, que antes detinha quase 98% do mercado de entregas internacionais, viu sua participação despencar para cerca de 30% em janeiro de 2025, após a lei permitir que outras transportadoras entrassem nesse filão. “Os operadores (Shein, AliExpress, Amazon, etc.) avançaram na estruturação de operações próprias”, afirmaram os Correios em comunicado, reconhecendo a migração de carga para outros canais.
Contudo, a explicação não convence especialistas do mercado. “Não faz muito sentido essa explicação, porque as outras companhias que oferecem os mesmos serviços deveriam ter registrado prejuízo enorme também, como o Mercado Livre, por exemplo, e vimos que não foi o caso”, contesta o economista Sérgio Vale. A crítica é compartilhada por Elena Landau, ex-diretora do BNDES, que é ainda mais direta: “Não é possível colocar a culpa toda na taxa das blusinhas pela falta de eficiência na gestão da empresa.” Para ela, o que se vê é um “descalabro”. “São escolhas da administração, de gastar em propaganda, de gastar em pessoal, de gastar fazendo obras que não lhe dizem respeito”, critica Landau.
Um plano de R$ 20 bilhões
Empossado há menos de um mês, em 24 de setembro de 2025, o novo presidente dos Correios, o economista Emmanoel Schmidt Rondon, admitiu que a empresa “não se adaptou de forma ágil a uma nova realidade”. No dia 15 de outubro, ele apresentou um plano de reestruturação que, na prática, é uma tentativa de estancar a sangria e buscar fôlego financeiro para sobreviver. O plano prevê a renegociação de contratos, a venda de imóveis ociosos e um novo Programa de Demissão Voluntária (PDV).
O coração da estratégia, no entanto, é a negociação de um empréstimo massivo de R$ 20 bilhões, a ser liberado em duas parcelas anuais de R$ 10 bilhões em 2025 e 2026. A operação, que está sendo costurada com um “pool” de bancos liderado por Caixa e Banco do Brasil, depende de uma garantia do Tesouro Nacional para se concretizar. “A garantia da União traz a vantagem de a gente ter uma operação com custo menor, em prazo mais adequado”, defendeu Rondon.
A medida é vista como crucial para evitar que os Correios se tornem oficialmente dependentes do orçamento federal, mas analistas questionam a sua viabilidade. “Especialistas sustentam que a empresa não tem capacidade de gerar recursos para pagar o empréstimo e o novo plano de reestruturação não apontou um caminho viável para obtê-los”, aponta um relatório de mercado.
Efeito dominó nas contas públicas
A crise dos Correios não é um caso isolado. Outras gigantes estatais também fecharam 2024 no vermelho, como a CBTU (Companhia Brasileira de Trens Urbanos), com R$ 1,1 bilhão de prejuízo, a Embrapa, com perdas de R$ 375 milhões, e a Infraero, com R$ 229 milhões negativos.
Esse cenário forçou o governo a ampliar o volume de subvenções, transferências diretas do Tesouro para cobrir os rombos. Em 2024, esses repasses atingiram R$ 27 bilhões, o maior valor da década, quase o dobro do que era injetado em 2017. Empresas como Ebserh e Embrapa, que recebem a maior parte desses recursos, possuem uma dependência orçamentária que supera os 90%.
O Ministério da Gestão e Inovação (MGI), comandado por Esther Dweck, defende que a metodologia do Banco Central, que mede a “necessidade de financiamento”, não reflete a saúde real das companhias. “Um déficit primário pode indicar um ciclo de investimento intensivo”, argumenta a pasta, destacando que os investimentos das estatais cresceram 44,1% em 2024. Ainda assim, o impacto no quadro fiscal geral é inegável, num momento em que o setor público consolidado já acumula um déficit de R$ 61,7 bilhões em 2025.
Para Thais Herédia, analista de economia, o prejuízo dos Correios representa “uma violência contra os cofres públicos”. A percepção é de que, enquanto o debate sobre a privatização foi abandonado, uma solução clara para a ineficiência estrutural e os custos crescentes ainda não foi colocada na mesa, deixando o contribuinte com a conta de um gigante que não para de sangrar.
Para entender melhor:
- Déficit Primário: É o resultado negativo das contas do governo, desconsiderando o pagamento dos juros da dívida pública. Quando uma estatal tem déficit primário, significa que suas despesas foram maiores que suas receitas, sem contar os gastos financeiros.
- Subvenções: Recursos transferidos diretamente do Tesouro Nacional para empresas estatais dependentes, com o objetivo de cobrir seus custos operacionais e garantir a continuidade dos serviços.
- Precatórios: Dívidas do poder público resultantes de sentenças judiciais definitivas. O aumento expressivo desse gasto nos Correios indica uma grande perda em disputas legais.
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DESTAQUE
Desenrola Fies inicia renegociação de dívida nesta quarta(13) com descontos de até 99%
Programa atende contratos firmados até 2017 que estavam em fase de amortização em maio; adimplentes têm abatimento de 12% para liquidação total
Estudantes com dívidas no Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) podem iniciar, a partir desta quarta-feira (13), a renegociação de seus débitos com descontos que atingem até 99% do valor total devido.
A medida responde à publicação da Resolução CG-Fies nº 66 no Diário Oficial da União desta terça-feira (12), estabelecendo os critérios para a regularização financeira de egressos do ensino superior. O programa é voltado especificamente para quem possui contratos firmados até o ano de 2017 e que se encontravam na fase de amortização — o período de pagamento das parcelas após a carência — na data de 4 de maio de 2026. Segundo o Ministério da Educação (MEC), a janela de oportunidade para a adesão ao Desenrola Fies é extensa, permanecendo aberta até o dia 31 de dezembro de 2026.
A iniciativa busca enfrentar o endividamento estudantil de forma ampla, integrando uma política pública de acesso ao crédito e saneamento de contas. A expectativa do governo federal é de que o impacto social seja significativo, permitindo que profissionais já formados ou que interromperam o curso possam regularizar sua situação cadastral perante os órgãos de proteção ao crédito e as instituições financeiras públicas.
Regras de adesão e prazos para renegociação
O processo de renegociação é restrito a um perfil específico de tomador de crédito. Para participar, o estudante deve ter assinado o contrato do Fies até o final de 2017. Além do limite temporal da assinatura, existe uma trava condicional: era necessário estar em fase de pagamento efetivo da dívida em 4 de maio de 2026. Aqueles que ainda estão no período de utilização do financiamento ou no prazo de carência não estão contemplados nesta fase específica do Desenrola.
Conforme as diretrizes publicadas na Resolução nº 66, o abatimento pode chegar a 99% sobre o valor consolidado da dívida, dependendo do perfil do contrato e do tempo de atraso. O ministro da Educação, Leonardo Barchini, reforçou que o atendimento será realizado de forma remota, visando agilidade e redução de burocracia para os interessados em todo o território nacional.
“Os estudantes do Fies que querem aderir ao Desenrola poderão renegociar débitos diretamente junto à Caixa Econômica e ao Banco do Brasil”, informou o ministro Barchini. Ele acrescentou que “a negociação deve ser realizada nos canais digitais dos bancos”, o que inclui aplicativos e portais oficiais das instituições financeiras que operam o fundo.
Canais de atendimento e descontos para adimplentes
Diferente de edições anteriores ou de outros programas de recuperação de crédito, o Desenrola Fies 2026 traz um incentivo para quem mantém os pagamentos rigorosamente em dia, mas deseja liquidar o saldo devedor de forma antecipada. O governo federal instituiu um desconto fixo de 12% para os estudantes adimplentes que optarem por zerar seus débitos.
“Neste Desenrola, temos também condições especiais para quem paga em dia e quer aproveitar as condições para quitar sua dívida mais rápido: os adimplentes terão 12% de desconto para zerar os débitos”, completou o ministro da Educação. Essa modalidade visa premiar o bom pagador e reduzir o estoque de dívidas ativas do fundo, liberando margem para novas operações de financiamento estudantil no futuro.
A expectativa do MEC é de que o alcance do refinanciamento seja robusto, mirando uma base de beneficiários que ultrapassa a marca de sete dígitos. O ministério projeta que mais de 1 milhão de estudantes sejam beneficiados com as condições facilitadas de pagamento e os descontos agressivos previstos na resolução. A movimentação financeira gerada por essa renegociação é vista como um passo essencial para a saúde fiscal do Fies e para a reintegração econômica desses cidadãos.
Integração ao Novo Desenrola e restrições de uso do FGTS
O programa macro foi lançado pelo governo federal em 4 de maio de 2026, com o objetivo de promover a reorganização financeira em escala nacional e ampliar o acesso ao crédito com taxas e condições de pagamento mais favoráveis à população. A inclusão do Fies nesse pacote reflete a prioridade do governo em mitigar os efeitos do endividamento educacional na economia doméstica das famílias brasileiras.
Entretanto, é necessário que o beneficiário esteja atento às limitações da medida. O material oficial do governo esclarece que, ao contrário do que ocorre em outras modalidades de renegociação de dívidas ou em financiamentos imobiliários, não é permitida a utilização do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para abater ou quitar as parcelas do Fies dentro deste programa. O pagamento deve ser feito por meios próprios, conforme as opções disponibilizadas pela Caixa e pelo Banco do Brasil em suas plataformas.
O encerramento do prazo em 31 de dezembro de 2026 marca o limite para que o milhão de estudantes previstos pelo MEC busquem a regularização. Após essa data, as condições especiais de até 99% de desconto perdem a validade, retornando às regras contratuais ordinárias de cada instituição financeira. O foco agora se volta para a capacidade de processamento dos canais digitais a partir desta quarta-feira.
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