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CONTAS PÚBLICAS

O abismo digital: Milhões em emendas rápidas versus o silêncio nos portais oficiais

Levantamento exclusivo mostra que deputados de MT divergem na transparência das emendas em 2025. Enquanto Juarez Costa e outros liberam milhões via “Pix”, Gisela Simona e Rodrigo da Zaeli não apresentam dados em seus portais oficiais, desafiando a lógica de controle exigida pelo STF.

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emendas pix deputados federais de MT
Divergência na prestação de contas: enquanto alguns deputados detalham milhões em Pix, páginas de outros parlamentares de MT "ocultam" os gastos e dificultam controle pela população.

Levantamento exclusivo sobre a bancada mato-grossense revela disparidade: de milhões liberados em transferências especiais à total ausência de dados nas páginas oficiais em 2025.

O Supremo Tribunal Federal (STF) foi claro, a sociedade cobrou e a legislação mudou. No entanto, a “caixa-preta” das emendas parlamentares parece ter apenas trocado de fechadura. Uma análise minuciosa sobre a execução orçamentária de sete deputados federais de Mato Grosso, referente ao exercício de 2025 (e residual de 2024), expõe um cenário preocupante. Enquanto alguns parlamentares movimentam somas milionárias na modalidade “Transferência Especial” — as famosas “Emendas Pix” —, outros mantêm seus eleitores no escuro, sem disponibilizar qualquer dado atualizado em suas páginas oficiais na Câmara dos Deputados.

A Lei Complementar 210/2024, sancionada para pacificar o conflito com o Judiciário, prometia jogar luz sobre o destino do dinheiro público. Contudo, a realidade digital da bancada de Mato Grosso mostra que a transparência plena ainda é uma promessa distante.

O apagão da informação: Gisela, Zaeli e a vitrine vazia

A transparência ativa deveria ser a regra, não a exceção. Porém, ao acessar a página oficial da deputada Gisela Simona (União-MT), o cidadão mato-grossense encontra um vazio informativo. Não há, até o momento da apuração, dados disponíveis sobre a transparência de suas emendas para 2025 na vitrine digital do parlamento.

A situação se repete com o deputado Rodrigo da Zaeli (PL-MT). O aviso é o mesmo: “Não há dados sobre transparência das emendas na página do deputado”. Num ano em que o ministro Flávio Dino condicionou a liberação de recursos à rastreabilidade total, essa omissão na ponta final — onde o eleitor fiscaliza — desafia a lógica do controle social.

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O caso do deputado Emanuelzinho (MDB-MT) apresenta uma nuance diferente, mas igualmente problemática. Embora sua página exiba dados robustos de 2024 — onde destinou mais de R$ 18,9 milhões em Transferências Especiais —, as informações de 2025 não estão disponíveis. A atualização, vital para o acompanhamento em tempo real, travou no ano passado. Para o eleitor que busca saber para onde vai o dinheiro agora, a porta está fechada.

Para entender melhor: O que são as “Emendas Pix”? As “Emendas Pix” (Transferências Especiais) permitem que o dinheiro do Orçamento Federal caia direto na conta das prefeituras ou estados. Diferente dos convênios tradicionais, elas dispensam projetos prévios complexos, o que agiliza o repasse, mas historicamente dificulta a fiscalização sobre como o dinheiro foi realmente gasto na ponta.

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A rota do pix: milhões na conta, velocidade recorde

Na contramão do “apagão”, outros parlamentares exibem números que impressionam pelo volume e pela agilidade de pagamento. O deputado Juarez Costa (MDB-MT) surge como um dos campeões na utilização do mecanismo.

Apenas em 2025, Juarez destinou R$ 18.600.000,00 em Transferências Especiais. O detalhe que chama a atenção é a eficiência da execução: dos 18,6 milhões autorizados, R$ 18.414.000,00 já aparecem como pagos. O recurso sai de Brasília e chega ao Mato Grosso com uma velocidade que a burocracia tradicional desconhece. Além do Pix, Juarez destinou mais de R$ 16 milhões para custeio hospitalar, mas é a transferência especial que domina quase 50% do seu portfólio visível.

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No campo conservador, Nelson Barbudo (PL-MT) e Coronel Assis (União-MT) seguem estratégia similar. Barbudo direcionou R$ 9.975.000,00 para as emendas Pix, com uma taxa de pagamento quase imediata: R$ 9.875.250,00 já foram quitados. Assis, por sua vez, autorizou R$ 8.500.000,00 nessa modalidade, com R$ 8.415.000,00 já pagos.

O deputado José Medeiros (PL-MT) também destinou uma fatia considerável via Pix: R$ 10.000.000,00 autorizados, com mais de R$ 8 milhões já pagos. No entanto, Medeiros mantém um equilíbrio maior com verbas carimbadas para a saúde, somando mais de R$ 23 milhões entre custeio de Atenção Primária e Assistência Hospitalar.

Saúde em foco: A estratégia de Coronel Fernanda

A análise dos dados da deputada Coronel Fernanda (PL-MT) revela um perfil distinto nas imagens analisadas. Não há o destaque para a caixa de “Transferências Especiais” (Pix) que domina o layout dos colegas. Seus recursos visíveis concentram-se pesadamente no “Incremento Temporário” para a Saúde.

São mais de R$ 29 milhões divididos entre custeio de serviços de Atenção Primária e Assistência Hospitalar e Ambulatorial. Essa modalidade, diferentemente do Pix, costuma ter uma vinculação mais estrita com metas do SUS, sugerindo uma escolha política por recursos com “carimbo” de finalidade mais evidente na área da saúde.

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O STF e a nova era da desconfiança

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Essa disparidade na apresentação dos dados ocorre num cenário jurídico tenso. Em 2024, o STF apertou o cerco. A decisão de Flávio Dino, que chegou a suspender emendas impositivas, foi um recado duro: dinheiro público não pode trafegar sem CPF de origem e CNPJ de destino claro.

A corte determinou que a execução de emendas “somente poderá acontecer mediante completa transparência e rastreabilidade”. Embora o foco jurídico esteja nos sistemas centrais (como o Transferegov), a ausência de dados nas páginas pessoais dos parlamentares — como visto com Gisela e Zaeli — cria um ruído político.

Se a transparência é a nova regra de ouro, por que é tão difícil para alguns gabinetes manterem o eleitor informado com um simples painel atualizado? A Lei Complementar 210/24 exige que o autor informe objeto e valor. A omissão dessa vitrine, embora possa não ser ilegal stricto sensu se os dados estiverem no SIOP (Sistema Integrado de Orçamento e Planejamento), é politicamente indefensável.

O preço da opacidade

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As “Emendas Pix” foram criadas para agilizar obras e serviços. Mas, sem a luz do sol, tornam-se terreno fértil para o uso político da máquina sem critérios técnicos. Quando um deputado exibe R$ 18 milhões pagos via Pix, mas outro sequer mostra o painel de 2025, a isonomia do processo democrático é ferida.

O eleitor de Mato Grosso, ao fim e ao cabo, financia essa engrenagem. Resta saber se ele terá o direito de saber, em tempo real e na página do seu representante, para onde cada centavo está indo. Por enquanto, para parte da bancada, a resposta é um silêncio digital.

O outro lado

A redação enviou e-mail para os Deputados pedindo explicações sobre a ausência de dados em suas páginas oficias. Qualquer nota enviada será incluída aqui.

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Polícia Militar eleva prisões por tráfico e flagrantes em MT

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Dados de janeiro a maio de 2026 mostram alta de 32,3% nas detenções ligadas a entorpecentes em relação ao mesmo período do ano anterior

A Polícia Militar de Mato Grosso aumentou em 14,5% o total de prisões em flagrante de janeiro a maio de 2026, na comparação com igual período do ano passado. O volume de ocorrências convertidas em detenções imediatas subiu de 4.539 para 5.199 registros.

O incremento nas detenções, que inclui a retirada de 1.497 foragidos das ruas e a apreensão de 6,5 toneladas de drogas, reflete a intensificação das operações diárias da corporação e a atuação conjunta com a Secretaria de Segurança Pública sob as diretrizes do Programa Tolerância Zero.

De acordo com o levantamento produzido pela Superintendência de Planejamento Operacional e Estatística (Spoe-MT), as forças de segurança conduziram 16.874 pessoas para averiguações durante o atendimento de ocorrências nos cinco primeiros meses de 2026. A partir desse montante de abordagens, a corporação efetuou as 5.199 prisões em flagrante.

O comandante-geral da Polícia Militar de Mato Grosso, coronel Claudio Fernando Carneiro Tinoco, vincula a elevação nas estatísticas de detenção ao aumento no número de operações da PM e à integração com outras forças estaduais. Essa estratégia resultou na ampliação do efetivo policial e da estrutura de segurança mobilizada nas vias públicas de todo o estado.

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“Isso significa que a Polícia Militar está cada vez mais com presença forte nas ruas, atendendo a todos os tipos de chamados de ocorrência e denúncias feitas por nossa população. Tudo isso leva a um grande número de abordagens e retirada de criminosos das ruas por seus crimes, para que tenham os devidos procedimentos feitos na Justiça”, afirma o comandante-geral.

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Tráfico de drogas puxa índices

A tipificação penal com maior variação percentual no período analisado foi o tráfico de drogas. As prisões relacionadas a esse crime cresceram 32,3% no estado.

O número de suspeitos detidos por envolvimento com entorpecentes saltou de 1.541 ocorrências, registradas entre janeiro e maio de 2025, para 2.038 prisões no mesmo intervalo de 2026. Paralelamente às detenções, o balanço da Polícia Militar aponta o confisco de mais de 6,5 toneladas de drogas em toda a extensão do território mato-grossense apenas nos primeiros cinco meses deste ano.

O cruzamento dos dados da Spoe-MT evidencia que a repressão ao tráfico de entorpecentes responde por uma parcela significativa do volume total de prisões em flagrante efetuadas pela corporação militar no período.

Execução de mandados judiciais

Além dos flagrantes em abordagens rotineiras e chamados, as estatísticas oficiais registram crescimento na captura de indivíduos procurados pelo sistema de Justiça. As prisões de criminosos foragidos e de alvos com mandados de prisão em aberto somaram 1.497 efetivações nos primeiros cinco meses de 2026.

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O desempenho representa um aumento de 11,5% em relação à marca contabilizada no mesmo recorte temporal de 2025, quando a corporação havia efetuado a prisão de 1.343 pessoas nessa condição judicial.

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Continuidade do Programa Tolerância Zero

A manutenção das ações ostensivas e do cumprimento de mandados está prevista no planejamento estratégico da corporação para os próximos meses, com foco no enfrentamento direto ao crime organizado.

“A Polícia Militar continuará realizando essas operações diárias, feitas por nós ou com as integradas com a Secretaria de Segurança Pública, respondendo ao Programa Tolerância Zero combatendo a criminalidade e as facções, pois isso é possível por sermos uma unidade equipada, fortalecida e reconhecida pela população, dando resposta ao crime e proporcionando mais segurança aos nossos cidadãos de bem”, complementa o coronel Fernando.

As forças policiais mantêm o cronograma de operações integradas nas ruas, sem data para encerramento das abordagens intensificadas previstas pelo programa estadual de segurança.

 

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