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UTILIDADE PÚBLICA

Como recuperar dinheiro do Pix: O guia prático do novo bloqueio automático

Entraram em vigor as novas regras do Pix (MED 2.0) que permitem rastrear dinheiro de golpes em até cinco transferências. Saiba como usar a contestação digital para bloquear contas e recuperar seu valor.

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novas regras do Pix
Novo sistema de rastreamento do Banco Central persegue o dinheiro por até cinco contas para garantir o bloqueio e a devolução. (Imagem: Ilustrativa)

Recuperar o dinheiro perdido em um golpe digital deixou de ser uma missão impossível. Entraram em vigor nesta segunda-feira (2) as novas regras de segurança do Pix, obrigatórias para todas as instituições financeiras do país. A atualização, conhecida tecnicamente como MED 2.0 (Mecanismo Especial de Devolução), traz uma mudança estrutural: o sistema agora rastreia e bloqueia o dinheiro roubado mesmo que ele seja transferido sucessivamente por até cinco contas diferentes.

A mudança promete elevar a taxa de recuperação de valores — que em 2025 foi de apenas 9,3% — para um patamar estimado em até 80%. Para a vítima, a principal novidade é a agilidade: o bloqueio agora pode ser solicitado via “botão de pânico” no próprio aplicativo, sem burocracia telefônica.

O fim da “pulverização” do dinheiro

Até ontem, criminosos utilizavam a tática de pulverização para escapar do bloqueio. Assim que recebiam o valor da vítima, transferiam o dinheiro imediatamente para uma segunda, terceira ou quarta conta (geralmente “laranjas”), esvaziando a conta original antes que o banco pudesse agir.

Com o novo sistema, o Banco Central ativou o rastreamento em cascata. O algoritmo persegue o rastro do dinheiro por até cinco níveis de transferência (cinco “saltos”). Se o valor sair da conta do golpista para outras quatro contas sequenciais, o sistema identificará o caminho e bloqueará os recursos onde eles estiverem parados.

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Como acionar a devolução (Passo a Passo)

A velocidade de reação da vítima é o fator determinante para o sucesso do reembolso. Veja como proceder com as novas regras:

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  1. Não ligue, clique: Esqueça o SAC telefônico. Ao perceber o golpe, acesse imediatamente a área Pix do seu aplicativo bancário.

  2. Autoatendimento: Localize a transação suspeita e use a opção “Contestar Transação”, “Reportar Fraude” ou “Infração Pix”.

  3. Bloqueio automático: O alerta dispara uma notificação interbancária. Se houver “fundada suspeita de fraude”, a instituição pode realizar um bloqueio cautelar dos recursos por até 72 horas para análise, impedindo o saque pelo criminoso.

Para quais casos funciona?

O mecanismo foi desenhado para crimes como:

  • Golpes de engenharia social (falso funcionário, clonagem de WhatsApp);

  • “Account takeover” (quando o ladrão invade sua conta pelo celular roubado);

  • Coação (sequestro relâmpago).

É fundamental destacar que o MED 2.0 não cobre desacordos comerciais. Se você comprou um produto e ele veio com defeito, ou se transferiu errado por engano próprio (erro de digitação), o Banco Central não autoriza o bloqueio automático.

Impacto na segurança

Para o usuário comum, a experiência de pagamento continua instantânea. Porém, nos bastidores, quem tiver sua conta usada para triangular dinheiro roubado será marcado no sistema do Banco Central (DICT) como suspeito de fraude, enfrentando restrições severas para abrir novas contas ou movimentar valores no futuro.

 

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CONSUMIDOR

Preço de ultraprocessados cai e fica menor que o de alimentos in natura

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impacto reforma tributária cesta básica

Pesquisa da UFMG e do Idec aponta que inversão de valores ocorreu em 2024; produtos industrializados devem baratear ainda mais até 2026

O preço médio de alimentos ultraprocessados no Brasil registrou queda de cerca de 16% entre os anos de 2018 e 2024. O declínio fez com que, a partir do ano passado, a média de custo dos produtos industrializados se tornasse inferior à dos alimentos in natura ou minimamente processados.

A convergência de valores antecipa uma alteração de mercado prevista inicialmente pelos pesquisadores apenas para 2026. A mudança na dinâmica de custos afeta o padrão de consumo das famílias e levanta discussões sobre a aplicação de impostos seletivos.

Os dados integram estudos conduzidos pelo Grupo de Estudos de Inquéritos Populacionais de Saúde (GEIPS) e pelo Grupo de Estudos, Pesquisas e Práticas em Ambiente Alimentar e Saúde (GEPPAAS) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), elaborados em parceria com o Instituto de Defesa de Consumidores (Idec).

A trajetória dos custos

O relatório elaborado pelas entidades avalia a configuração atual como um “cenário preocupante”. Em 2018, o valor médio dos produtos ultraprocessados era de R$ 22,20. O preço recuou para R$ 18,80 em 2024. A categoria de alimentos processados acompanhou o movimento de queda, passando de R$ 26,10 para R$ 22,60 no mesmo intervalo.

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Os alimentos in natura ou minimamente processados e os ingredientes culinários seguiram trajetória oposta. O grupo custava, em média, R$ 18,90 em 2018. Durante a pandemia de Covid-19, os produtos registraram aumento, atingindo o pico de R$ 21,30 em 2021. Em 2024, após ligeira redução, a categoria fechou com média de R$ 18,60.

O levantamento detalha o impacto nos itens que compõem a rotina alimentar do país. O arroz polido encareceu de R$ 4,50 em 2018 para R$ 5,90 em 2024. O feijão passou de R$ 7,10 para R$ 9,30 no período, mantendo-se em patamar acima de R$ 9 desde 2020. A banana prata saltou de R$ 6,60 para R$ 8,20, com alta ininterrupta a partir de 2021. O estudo classifica a cotação do azeite no ano passado, estabelecida em R$ 63,70 por quilo, como um “valor alarmante”.

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Na seção dos ultraprocessados, o refrigerante sabor cola recuou de R$ 5,60 para R$ 4,70 por litro entre 2018 e 2024. A mortadela caiu de R$ 21,10 para R$ 15,10, com redução contínua após 2020. A margarina encerrou o ano passado custando R$ 13,90 por quilo, cifra inferior aos R$ 15,80 registrados em 2018. O iogurte com sabor diminuiu de R$ 16 para R$ 14,70 por quilo no mesmo recorte temporal.

Projeções e clima

A pesquisa aponta que eventos extremos vinculados às mudanças climáticas, como secas, enchentes e ondas de calor, afetam diretamente a produção agrícola. O impacto restringe a oferta de frutas, verduras, legumes e grãos, pressionando os preços e afetando a disponibilidade para a população.

A tendência projetada pelas entidades para o biênio 2025-2026 indica manutenção da queda de preço dos ultraprocessados. A categoria tem previsão de atingir média de R$ 18,40 por quilo em 2025 e R$ 17,90 por quilo em 2026.

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Os alimentos in natura, minimamente processados e os ingredientes culinários processados devem manter estabilidade relativa. A projeção para o grupo é de R$ 19,50 em 2025 e R$ 19,60 em 2026. Diante dos números, o relatório alerta para a necessidade de políticas públicas de isenção fiscal para alimentos saudáveis e de tributação sobre os industrializados.

Reforma Tributária

Um segundo estudo elaborado pela UFMG e pelo Idec avaliou os desdobramentos da Reforma Tributária sobre a dieta nacional. O texto indica que a mudança nos hábitos dependerá da aplicação do imposto seletivo e das regras de isenção sobre a nova cesta básica.

Os dados mostram que os itens da cesta básica apresentam menor sensibilidade a variações de preço, com consumo alterado em menor escala. Em contrapartida, produtos ultraprocessados e bebidas adoçadas possuem alta sensibilidade em relação à renda e ao preço. Se o rendimento familiar cresce, a ingestão destes produtos aumenta de forma acelerada. Quando frutas e verduras ficam mais caras, ocorre a substituição por itens como pães, biscoitos e refrigerantes.

A modelagem indica que restringir o imposto seletivo exclusivamente aos refrigerantes é medida insuficiente para conter o avanço no consumo dos ultraprocessados. A simulação da Reforma Tributária demonstra que as alterações causam pouca variação no consumo total de alimentos, mas promovem redistribuição: há pequena redução nos gastos com itens básicos e aumento moderado na compra de ultraprocessados.

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Como foi feito

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A análise dividiu-se em dois estudos. O primeiro aferiu a evolução de preços utilizando a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2017/2018, o Sistema Nacional de Índices de Preços ao Consumidor (SNIPC) e a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD contínua). Os valores foram deflacionados para dezembro de 2024 e os itens separados pelo sistema de classificação Nova. O recorte avaliou dados de janeiro de 2018 a dezembro de 2024. As projeções até o final de 2026 usaram modelos ARIMA.

O segundo estudo analisou o impacto da Reforma Tributária empregando a POF 2017-2018 (IBGE), com informações de mais de 57 mil domicílios em todas as regiões. O trabalho simulou dois cenários: o imposto seletivo apenas sobre refrigerantes (proposta atual) e o tributo incidente sobre todos os ultraprocessados (proposta da sociedade civil).

Entenda os termos metodológicos

  • QUAIDS (Quadratic Almost Ideal Demand System): modelo econométrico para medir como mudanças de preço e renda afetam o consumo.
  • Elasticidades de demanda: métrica que define a variação do consumo de um produto mediante alteração de preço ou renda.
  • Diferenças-em-Diferenças (DiD): técnica de simulação que isola o efeito causal da Reforma Tributária sobre a alimentação.
  • Bootstrap paramétrico: técnica estatística usada para validar resultados na pesquisa.

 

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