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Política e religião

Nikolas Ferreira aciona MP contra Acadêmicos de Niterói por intolerância religiosa em desfile

O deputado Nikolas Ferreira e a OAB-RJ apontam intolerância religiosa na ala “Neoconservadores em conserva” do desfile da Acadêmicos de Niterói, que homenageou Lula na Sapucaí. A escola defende a liberdade artística.

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Ala "Neoconservadores em conserva" motivou representação no MP por suposta intolerância religiosa; escola nega e alega perseguição.
Ala "Neoconservadores em conserva" motivou representação no MP por suposta intolerância religiosa; escola nega e alega perseguição.. Imagem:Presidência da República.

Deputado e OAB-RJ apontam intolerância religiosa em enredo que homenageou Lula na Sapucaí; escola alega perseguição política e defende liberdade artística.

 

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) anunciou, nesta quarta-feira (18), que protocolará uma representação no Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) contra Wallace Alves Palhares, presidente da escola de samba Acadêmicos de Niterói. O parlamentar acusa a agremiação de intolerância religiosa durante o desfile realizado no último domingo (15), na Marquês de Sapucaí, que teve como enredo uma homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O ponto central da controvérsia é a ala batizada de “Neoconservadores em conserva”. Segundo o deputado, a alegoria, que fantasiava foliões como latas de sardinha, retratou cristãos e conservadores “como se fossem algo a ser descartado”. Para Ferreira, a encenação “ultrapassou o limite da crítica política e entrou no terreno perigoso do preconceito religioso”.

A representação deve ser formalizada nesta quinta-feira (19), com base na Lei 7.716/89, que define os crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor, e na Constituição Federal. “Carnaval é cultura. Fé é direito fundamental. Já a intolerância religiosa é crime”, afirmou o deputado em nota à imprensa.

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OAB-RJ endossa críticas

A movimentação jurídica ganhou reforço institucional na última terça-feira (17), quando a seccional do Rio de Janeiro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ) emitiu uma nota de repúdio. A entidade classificou o episódio como “intolerância religiosa”, argumentando que a apresentação feriu “o direito fundamental de liberdade religiosa” e configurou “afronta direta à ordem constitucional”.

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A Frente Parlamentar Católica também se manifestou, alinhando-se ao discurso de que a sátira ofendeu a fé cristã ao ridicularizar publicamente o grupo religioso em uma transmissão de alcance internacional.

A defesa da escola

A Acadêmicos de Niterói, que estreou no Grupo Especial com o enredo “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, defende-se sob o argumento da autonomia artística. Em nota, a agremiação afirmou ser vítima de “tentativa de interferência direta na nossa autonomia artística”, citando pedidos anteriores para mudança de enredo e questionamentos sobre o samba. A escola sustenta que as ações buscam “enquadrar e silenciar” sua liberdade de criação no carnaval.

Contexto político e verbas públicas

Além da questão religiosa, o desfile é alvo de disputa eleitoral. Opositores classificaram a apresentação como um “desfile-comício em rede nacional” financiado com dinheiro público. Reportagens indicam que a escola teria recebido repasses da Prefeitura de Niterói, com valores citados em torno de R$ 4 milhões em contextos gerais da cidade para o carnaval, e especificamente cerca de R$ 1 milhão para este desfile segundo algumas fontes.

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Nikolas Ferreira informou que, caso o presidente Lula registre candidatura oficial, pretende ingressar também com uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) por abuso de poder político e econômico. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) havia negado pedidos prévios para barrar o desfile, considerando-o, a princípio, uma manifestação cultural.

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CÂMARA FEDERAL

‘Bolsa Armamento’: Zaeli defende subsídio para primeira arma como direito à defesa;veja vídeo

O deputado Rodrigo da Zaeli (PL-MT) consolidou sua posição na Câmara Federal ao defender o projeto “Minha Primeira Arma”. A proposta prevê subsídios e isenções fiscais de até 70% para que cidadãos, especialmente produtores rurais de Mato Grosso, adquiram seu primeiro armamento para legítima defesa. O projeto enfrenta embate direto com especialistas que temem o aumento da violência.

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Rodrigo da Zaeli defende Minha Primeira Arma
O deputado Rodrigo da Zaeli (PL-MT) durante defesa da redução de impostos para aquisição de armas por cidadãos do campo.Foto: Assessoria

O deputado federal Rodrigo da Zaeli (PL-MT) tornou-se uma das principais vozes na Câmara em favor do programa “Minha Primeira Arma”, proposta que prevê isenções fiscais e linhas de crédito para facilitar o acesso de cidadãos comuns ao armamento legal.

Assista ao vídeo no final da matéria.

Em uma movimentação rápida na Comissão de Segurança Pública, o parlamentar mato-grossense defendeu que a medida é essencial para equilibrar o jogo contra a criminalidade, especialmente para quem vive no campo. O projeto, apelidado por críticos de “bolsa arma”, pretende reduzir o custo de aquisição em até 70% por meio da derrubada de impostos federais como IPI e Imposto de Importação.

O foco no cidadão do campo e na segurança pessoal

Durante sua intervenção na comissão, Rodrigo da Zaeli enfatizou que o alto custo atual das armas funciona como uma barreira que impede o “cidadão de bem” de exercer seu direito à legítima defesa. Para o deputado, a situação é mais crítica em Mato Grosso, onde as distâncias rurais dificultam a pronta resposta das forças policiais.

“…primeiramente para que ele possa se defender, ter a sua arma, principalmente lá em Mato Grosso, o cidadão do campo, que possa ter uma arma, que possa usar essa arma em momento de dificuldade, onde está sendo atacado por um outro cidadão armado”, afirmou o parlamentar.

Zaeli argumenta que o projeto não busca uma liberação desenfreada, mas sim um acesso consciente e treinado para a proteção individual. “Logicamente nós não queremos que seja uma facilidade para que a pessoa compre 10, 15, 20 armas, que possa ter a primeira, que possa ter uma compra consciente, um treinamento para esse uso”, pontuou.

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Democratização ou risco social? O embate de narrativas

A proposta, de autoria do deputado Marcos Pollon (PL-MS), é apresentada pelo Partido Liberal como uma forma de “democratização da legítima defesa”. A ideia é que grupos vulneráveis, como vítimas de violência doméstica com medidas protetivas e moradores de áreas rurais, tenham prioridade no programa e acesso a financiamentos em bancos públicos.

Por outro lado, o projeto enfrenta resistência ferrenha de especialistas em segurança pública e instituições acadêmicas. Os críticos apontam três riscos principais:

  • Aumento da letalidade: Estudos indicam que a maior circulação de armas pode elevar o número de homicídios, acidentes domésticos e suicídios.

  • Inversão de prioridades: Questiona-se o uso de recursos públicos e renúncia fiscal para subsidiar armas em vez de investir em policiamento e inteligência.

  • Radicalização do crime: O receio de que criminosos, ao suspeitarem que a vítima está armada, passem a agir com violência ainda mais extrema para neutralizar qualquer reação.

Entre o subsídio e a responsabilidade estatal

O projeto passou por ajustes para evitar traves jurídicas, já que a versão original criava despesas sem prever de onde viria o dinheiro. O relator da proposta, embora favorável ao mérito, precisou apresentar um substitutivo para corrigir falhas de constitucionalidade.

Enquanto os defensores citam o “efeito dissuasório” — a ideia de que o bandido recua ao saber que a população pode estar armada —, o campo opositor vê na medida uma tentativa do Estado de transferir sua responsabilidade de proteção para o indivíduo. O debate segue acirrado no Congresso, ecoando experiências anteriores, como o projeto semelhante aprovado em Goiás para mulheres vítimas de violência, que também gerou polêmica nacional sob a alcunha de “bolsa arma”.

Clique e assista ao vídeo

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