Saúde Pública
Agentes de saúde recebem treinamento para enfrentar hanseníase em Várzea Grande
SES-MT e Assembleia Legislativa concluem em Várzea Grande projeto piloto de capacitação de agentes de saúde para busca ativa e combate ao abandono do tratamento de hanseníase.
Projeto piloto apoiado pela Assembleia Legislativa recebeu R$ 2 milhões em investimentos; meta é expandir treinamento para os 141 municípios de Mato Grosso.
A Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) e a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) concluem, nesta quinta-feira (16), a primeira capacitação técnica de agentes comunitários de saúde para o enfrentamento da hanseníase. O evento reuniu 80 profissionais em Várzea Grande com o objetivo de intensificar a busca ativa de novos casos e, principalmente, reduzir os índices de pacientes que desistem do tratamento antes da cura.
A iniciativa responde a um cenário crítico: Mato Grosso é considerado um estado endêmico para a doença. O abandono do protocolo clínico, motivado muitas vezes pelo preconceito e pelo estigma social, impede a interrupção da cadeia de transmissão e favorece o surgimento de sequelas físicas permanentes.
Investimento e foco na Atenção Primária
Para viabilizar o projeto e fortalecer a rede de assistência, o deputado estadual Dr. João (MDB), presidente da Frente Parlamentar de Enfrentamento à Hanseníase, destinou R$ 2 milhões em emendas para a SES. Segundo o parlamentar, o foco na Atenção Primária é estratégico para mudar os indicadores estaduais.
“O nosso objetivo é, claro, tirar Mato Grosso dessa posição, reduzir a transmissão, evitar sequelas, combater o preconceito e garantir que o paciente tenha a chance de cura com muita dignidade”, afirmou o deputado durante o evento.
A coordenadora de Vigilância Epidemiológica da SES, Janaina Pauli, explicou que os agentes funcionam como um elo de confiança entre o poder público e o cidadão. “A gente somou esforços para que vocês fossem uma ponte para a sensibilização desses pacientes que, por ventura, estão em casa com vergonha de ir para uma unidade de saúde”, destacou a coordenadora.
Metodologia e expansão
O curso, com carga horária de 12 horas, utilizou simulações de questionários de suspeição e discussões sobre sintomas silenciosos. Por ser um projeto piloto, a SES planeja utilizar a experiência em Várzea Grande como modelo para capacitar profissionais nos outros 141 municípios mato-grossenses.
A importância do convencimento domiciliar também foi reforçada pelo Ministério Público e pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT). O promotor de Justiça Milton Mattos ressaltou que o trabalho na casa do paciente é decisivo para a eficácia do SUS, enquanto o conselheiro Guilherme Maluf alertou para o caráter silencioso da infecção.
O que é a hanseníase? Doença crônica e transmissível que afeta pele e nervos periféricos. O tratamento é oferecido gratuitamente pelo SUS em unidades municipais. Casos graves são referenciados para o Cermac, em Cuiabá, ou Ambulatórios Especializados (AAER).
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AGRONEGÓCIO
Produtividade da soja em Mato Grosso cresce 9,2% e produção chega a 51,56 milhões de toneladas
A produtividade da soja em Mato Grosso sobe para 66,03 sacas por hectare na safra 2025/26, 9,23% acima do ciclo anterior. A produção estimada é de 51,56 milhões de toneladas, segundo o relatório Imea em Campo, com Oeste liderando o acréscimo em volume e Centro-Sul com o maior ganho de produtividade.
Nova estimativa do Imea, feita após levantamento em 103 municípios, aponta Oeste com o maior acréscimo em volume
A produtividade média da soja em Mato Grosso na safra 2025/26 deve chegar a 66,03 sacas por hectare, 9,23% acima das 60,45 sacas do ciclo anterior. O número consta do relatório “Imea em Campo — Etapa Soja”, divulgado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária em março de 2026, depois de um levantamento que cobriu 103 municípios e 97,92% da área plantada do estado. A produção total foi revisada para 51,56 milhões de toneladas.
Levantamento percorreu 34 mil quilômetros
A etapa Soja do levantamento se estendeu por 71 dias entre dezembro, janeiro e fevereiro, somou 34.880 km percorridos e resultou em 998 avaliações a campo, aumento de 24,43% na comparação com a temporada anterior. As avaliações foram divididas entre lavouras em período inicial (R3 a R4), intermediário (R5 a R6) e final (R7 a R8), com mais avaliações nas fases finais, quando a estimativa de produtividade é mais precisa.
A classificação visual considerou condições gerais e incidência de pragas, doenças, plantas daninhas e grãos avariados. As medições a campo envolveram número de plantas por hectare, vagens por planta, grãos por planta, peso de grãos e umidade.
Centro-Sul lidera o ganho de produtividade; Oeste lidera em volume
A produtividade subiu em todas as regiões avaliadas ante a estimativa anterior à colheita. Na Centro-Sul, o ganho foi de 8,4 sc/ha sobre a projeção. O Oeste ficou logo atrás, com 8,3. Já o Médio-Norte somou 4 sc/ha a mais.
No ranking entre regiões, Norte (67,68 sc/ha) e Médio-Norte (65,9 sc/ha) aparecem acima da média estadual. A região Sudeste, embora tenha melhorado a produtividade comparada ao início do ciclo, continua entre as de menor desempenho, com 65,4 sc/ha.
Em volume, o Oeste acrescenta 1.041 mil toneladas à estimativa anterior, o maior valor entre as regiões. Na sequência estão Sudeste (869 mil t), Médio-Norte (789 mil t), Nordeste (583 mil t), Norte (417 mil t), Centro-Sul (416 mil t) e Noroeste (260 mil t).
Área plantada sobe 1,7% e chega a 13 milhões de hectares
A área plantada da safra 2025/26 foi estimada em 13,013 milhões de hectares, aumento de 1,71% ante a safra 2024/25. Combinadas, produtividade e área levaram a produção estimada para 51,56 milhões de toneladas, 1,31% a mais que o ciclo anterior e 9,27% acima da projeção feita antes das avaliações em campo.
Qualidade melhora, com menos grãos avariados
A proporção de lavouras sem grãos avariados subiu na comparação anual, de 80,2% na safra 24/25 para 83,6% na 25/26, ganho de 3,4 pontos percentuais. Centro-Sul e Médio-Norte têm a maior fatia de avaliações sem avariados, enquanto Norte e Médio-Norte aparecem com mais lavouras que tiveram grãos moderadamente ou muito avariados.
No recorte qualitativo, o Norte teve o maior percentual de lavouras classificadas como excelentes. Oeste, Centro-Sul e Noroeste apresentam mais lavouras boas a médias, e o Sudeste manteve o maior percentual de ruins.
A incidência de pragas foi menor nas regiões Oeste e Norte, com predomínio de Euschistus spp., Dichelops spp. e Spodoptera spp. entre as mais comuns. Em relação a doenças, Norte, Médio-Norte e Noroeste tiveram as lavouras com menos danos; as mais frequentes foram cercosporiose e mancha bacteriana.
Milho 2ª safra tem semeadura atrasada pelo solo encharcado
A segunda safra de milho 2025/26 começou com atraso na semeadura em relação à média dos últimos cinco ciclos, conforme os dados do Imea. O solo encharcado dificultou as operações, e a região Sudeste teve o maior percentual de áreas plantadas fora da janela ideal. A estimativa é de 1,17 milhão de hectares semeados depois de 28 de fevereiro, número próximo ao 1,09 milhão do ciclo passado.
Mesmo com o atraso, a projeção atual aponta para 7,39 milhões de hectares, 116,61 sacas por hectare e produção de 51,72 milhões de toneladas de milho no estado.
Exportação responde por quase dois terços da demanda de soja
O balanço de oferta e demanda do Imea registra oferta total de 51,84 milhões de toneladas de soja em Mato Grosso, com produção de 51,56 milhões e estoque inicial de 0,29 milhão. Os 51,73 milhões de toneladas da demanda se dividem entre exportação (32,10 milhões), consumo dentro do estado (13,93 milhões) e consumo no mercado interno nacional (5,70 milhões). O estoque final ficou em 0,11 milhão, queda de 62,07% na comparação anual.
Até março, 63,31% da soja da safra 2025/26 já estavam comercializados, a preço ponderado de R$ 108,62 por saca, variação positiva de 4,33 pontos percentuais ante o mesmo período do ciclo anterior.
Próximos passos dependem do clima
A transição do fenômeno La Niña para neutralidade deve favorecer precipitações dentro da normalidade em abril e maio no estado, segundo a projeção climática do relatório. A estimativa final da safra depende das condições climáticas nos próximos meses. A próxima etapa do levantamento, focada em milho, deve trazer os dados de campo da 2ª safra.
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