Agronegócio
Mato Grosso colhe 51,6 milhões de toneladas de soja e bate recorde nacional
Estado mantém a liderança na produção da oleaginosa pela 26ª vez consecutiva; expansão de área e uso de tecnologia impulsionam produtividade no campo
Mato Grosso atinge 51,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e mantém a liderança nacional na produção do grão pelo 26º ano consecutivo, segundo dados oficiais da Conab.
O volume consolidado nesta temporada representa o melhor resultado da história do estado, superando as 51,3 milhões de toneladas registradas na temporada anterior. O crescimento de 0,6% na produção total foi acompanhado por uma expansão de 2,1% na área cultivada, que saltou de 12,7 milhões para 13 milhões de hectares. A produtividade média das lavouras mato-grossenses fixou-se em 3,97 toneladas por hectare, consolidando o domínio regional sobre a cultura.
Os números detalhados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec) revelam que Mato Grosso foi responsável por 28,8% de toda a soja produzida no Brasil no ciclo 25/26. Este desempenho reforça o papel estratégico do estado no abastecimento do mercado interno e na composição da balança comercial brasileira, visto que a soja permanece como o principal item da pauta de exportações do país.
“Alcançar esse resultado é histórico. Não só pelo volume em si, mas pelo que ele representa”, afirma Linacis Vogel Lisboa, secretária adjunta de Agronegócio, Crédito e Energia da Sedec. Segundo a gestora, o recorde é fruto de uma “combinação de expansão de área, produtividade e tecnologia trabalhada ao longo de anos”. Ela destaca ainda que o impacto dos números ultrapassa as porteiras das fazendas. “O que torna esse recorde ainda mais significativo é que ele se traduz em resultado concreto para as pessoas, são empregos gerados e renda circulando nas cidades”, diz a secretária.
Série histórica e hegemonia de 26 anos
A liderança de Mato Grosso no ranking nacional da soja é uma hegemonia consolidada desde a safra 1999/00. Ao completar 26 ciclos no topo da produção brasileira, o estado demonstra uma estabilidade produtiva que resiste a variações climáticas e oscilações de mercado. Na virada do milênio, a produção era apenas uma fração do que se colhe hoje, indicando um processo de verticalização da produção apoiado em biotecnologia e mecanização.
Se fosse comparado a nações independentes, Mato Grosso figuraria hoje entre os três maiores produtores de soja do planeta. O volume de 51,6 milhões de toneladas coloca o território mato-grossense em patamares equivalentes a potências agrícolas globais, superando a produção total de diversos países com tradição no setor primário. Essa escala confere ao estado um poder de influência direto sobre os preços das commodities na Bolsa de Chicago, centro nervoso do comércio mundial de grãos.
A importância estratégica para o agronegócio brasileiro é evidenciada pela participação de quase um terço na safra nacional. O escoamento dessa produção, no entanto, continua a ser um dos desafios logísticos para manter a competitividade, dada a dependência de corredores rodoviários e a crescente demanda por infraestrutura ferroviária para levar o grão aos portos do Arco Norte e de Santos (SP).
Geração de empregos e impacto social
A força do campo reflete-se com nitidez nos indicadores de emprego formal. Em janeiro de 2026, a cultura da soja foi o principal motor da economia estadual, gerando 7.505 novos postos de trabalho. O montante equivale a 72% de todas as vagas criadas no setor agropecuário de Mato Grosso naquele mês. Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), analisados pelo DataHub MT, braço de inteligência de dados da Sedec.
A concentração da oferta de emprego no início do ano coincide com o pico das atividades de colheita e preparação para a segunda safra, período de intensa movimentação logística e operacional. O DataHub MT indica que a tecnificação do campo, embora automatize processos, demanda mão de obra qualificada para operação de máquinas de precisão e gestão de dados agronômicos, o que eleva o perfil salarial e a especialização do trabalhador rural na região.
Para os analistas da Sedec, a dinâmica do mercado de trabalho mato-grossense está intrinsicamente ligada ao sucesso da oleaginosa. A criação de mais de 7,5 mil vagas em um único mês demonstra que o setor consegue absorver contingentes significativos de trabalhadores, reduzindo a pressão sobre os centros urbanos e garantindo a manutenção da economia em municípios cujo PIB é quase inteiramente dependente do agronegócio.
Produtividade e fronteira agrícola
O avanço da área plantada em 2,1%, atingindo 13 milhões de hectares, sugere que Mato Grosso ainda encontra espaço para expansão, prioritariamente sobre áreas de pastagens degradadas, conforme orientam as diretrizes ambientais vigentes. A produtividade de 3,97 toneladas por hectare é considerada alta, refletindo o uso de sementes de ciclo curto e sistemas de irrigação que mitigam os riscos de veranicos durante o desenvolvimento da cultura.
Especialistas do setor apontam que a manutenção do topo do ranking exige investimentos constantes em pesquisa e desenvolvimento. O crescimento de 0,6% no volume total, mesmo com um aumento maior na área (2,1%), indica que a temporada enfrentou desafios pontuais de rendimento em algumas regiões, mas que foram compensados pela escala monumental da ocupação territorial.
A safra 2025/26 encerra-se com a confirmação de que Mato Grosso é o pilar de sustentação da soja brasileira. Os próximos passos do setor incluem a verticalização industrial, com o aumento do esmagamento de grãos dentro do estado para produção de farelo e biodiesel, agregando valor à commodity antes da exportação.
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AGRONEGÓCIO
Alta do petróleo e avanço dos biocombustíveis elevam preços internacionais dos alimentos
A nova alta dos preços internacionais dos alimentos acendeu um alerta, e também abriu oportunidades, para o agronegócio brasileiro. Relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) mostra que os alimentos voltaram a subir em abril, puxados principalmente pelos óleos vegetais, em um movimento diretamente ligado à tensão no Oriente Médio, ao petróleo mais caro e ao avanço global dos biocombustíveis.
O Índice de Preços de Alimentos da FAO subiu 1,6% em abril e atingiu o maior nível desde fevereiro de 2023. Para o produtor brasileiro, porém, o dado mais importante está no comportamento do óleo de soja e das commodities ligadas à energia.
Com o aumento das tensões envolvendo o Irã e os riscos sobre o fluxo de petróleo no Estreito de Ormuz, o mercado internacional passou a precificar possível alta nos combustíveis fósseis. Na prática, petróleo mais caro torna o biodiesel mais competitivo e aumenta a demanda por matérias-primas agrícolas usadas na produção de energia renovável.
É justamente aí que o Brasil ganha relevância. Maior produtor e exportador mundial de soja, o país também ampliou nos últimos anos sua indústria de biodiesel. Com a mistura obrigatória de biodiesel no diesel em níveis mais elevados, cresce a demanda interna por óleo de soja, fortalecendo toda a cadeia produtiva.
O efeito tende a chegar dentro da porteira. Preços internacionais mais firmes para óleo vegetal ajudam a sustentar as cotações da soja, melhoram margens da indústria e podem aumentar a demanda pelo grão brasileiro nos próximos meses.
Além disso, o cenário fortalece a estratégia de agregação de valor do agro nacional. Em vez de depender apenas da exportação do grão bruto, o Brasil amplia espaço na produção de farelo, óleo e biocombustíveis, segmentos mais ligados à industrialização e geração de renda.
Os cereais também registraram leve alta internacional em abril. Segundo a FAO, preocupações climáticas e custos elevados de fertilizantes continuam influenciando o mercado global de trigo e milho.
Mesmo assim, os estoques mundiais seguem relativamente confortáveis, reduzindo o risco de uma disparada mais intensa nos preços dos grãos neste momento. Outro ponto que interessa diretamente ao produtor brasileiro está na carne bovina. O índice internacional das proteínas animais bateu recorde em abril, impulsionado principalmente pela menor oferta de bovinos prontos para abate no Brasil.
Isso ajuda a sustentar os preços internacionais da proteína brasileira e reforça a competitividade do país em um momento de demanda firme no mercado externo. Na direção oposta, o açúcar caiu quase 5% no mercado internacional diante da expectativa de aumento da oferta global, especialmente por causa da perspectiva de produção elevada no Brasil.
A FAO também revisou para cima sua projeção para a safra mundial de cereais em 2025, estimada agora em 3,04 bilhões de toneladas — novo recorde histórico. O cenário mostra que o mercado global de alimentos continua abastecido, mas cada vez mais conectado ao comportamento da energia, da geopolítica e dos biocombustíveis. Para o agro brasileiro, isso significa que petróleo, conflitos internacionais e política energética passaram a influenciar diretamente o preço da soja, do milho, da carne e até a rentabilidade dentro da fazenda.
Fonte: Pensar Agro
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