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SAÚDE

Centro de Informação em Saúde e Clima passa a operar em Porto Alegre (RS) e reforça o monitoramento de riscos climáticos e sanitários

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O Centro de Informação em Saúde e Clima (CISC) de Porto Alegre (RS) passou a operar nesta sexta-feira (10). A unidade monitora riscos relacionados a eventos climáticos, incluindo os impactos associados ao El Niño, por meio da integração de informações climáticas, epidemiológicas, demográficas e socioeconômicas. As análises subsidiam a preparação e a resposta do Sistema Único de Saúde (SUS) e dos órgãos de proteção e defesa civil em períodos de maior risco. 

Porto Alegre integra uma rede de oito Centros de Informação em Saúde e Clima (CISCs), que também contará com unidades em Belo Horizonte (MG), Belém (PA), Cuiabá (MT), Curitiba (PR), Fortaleza (CE), Santarém (PA) e Salvador (BA). Na Amazônia Legal, o monitoramento é realizado pelo Centro de Informação em Clima e Saúde da Fiocruz, em Porto Velho (RO), com atuação voltada especificamente para a região 

“O Centro de Informação em Saúde e Clima de Porto Alegre, integrado a essa rede nacional, vai produzir informações que permitirão aos profissionais de saúde se prepararem melhor. Também ajudará no planejamento das unidades de saúde e permitirá que a população compreenda como o clima pode afetar a saúde”, destacou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. 

Os centros monitoram eventos como ondas de calor, chuvas intensas, inundações, estiagens, secas, incêndios florestais e períodos de baixa umidade do ar. As informações produzidas permitem identificar áreas mais vulneráveis e apoiar o planejamento de ações de vigilância, a organização dos serviços de saúde e a comunicação de riscos. 

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Em Porto Alegre, o acompanhamento será voltado principalmente para chuvas intensas, enchentes, inundações, movimentos de massa, níveis dos rios e episódios de calor extremo. As atividades também buscam reduzir o tempo entre a identificação de um risco e a resposta, com mobilização mais rápida de equipes, insumos e ações de comunicação para proteger a população, especialmente os grupos mais vulneráveis. 

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A metodologia utilizada pelos CISCs tem como referência experiências brasileiras de integração entre saúde e clima, como o Centro de Operações e Resiliência do Rio de Janeiro, desenvolvido em parceria com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). O modelo foi adaptado às características e às necessidades de cada território. 

El Niño deve intensificar eventos climáticos extremos no Brasil 

O El Niño, fenômeno caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, já está em curso e tem previsão de permanência até o início de 2027. De acordo com a NOAA (agência meteorológica dos Estados Unidos), há mais de 90% de chance de o fenômeno continuar nos próximos meses, com possibilidade de atingir intensidade muito forte entre novembro de 2026 e janeiro de 2027. 

Para o trimestre de julho, agosto e setembro de 2026, as previsões indicam chuvas acima da média na Região Sul e abaixo do esperado no Centro-Norte do país, além de temperaturas mais elevadas que o normal em praticamente todo o território nacional. O cenário aumenta a possibilidade de ocorrência de ondas de calor, períodos de estiagem e maior risco de incêndios florestais em áreas mais secas. 

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No Sul do país, incluindo Porto Alegre, a previsão indica maior probabilidade de chuvas intensas, enchentes, inundações, movimentos de massa e episódios de calor extremo. Por isso, o monitoramento realizado pelo CISC considera indicadores como precipitação acumulada, níveis dos rios, risco hidrológico e excesso de calor para apoiar o planejamento das ações de saúde. 

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Historicamente, episódios de El Niño provocam alterações no padrão de chuvas e temperaturas no Brasil, mas os impactos variam conforme a intensidade do fenômeno e a região afetada. Nos últimos eventos, como em 2023/2024, foram observados períodos de calor extremo e déficit de chuvas em grande parte do país, enquanto o Sul enfrentou episódios de chuvas intensas e enchentes de grande magnitude. 

Entre as ferramentas que apoiam esse monitoramento no Brasil está o Painel de Excesso de Calor do Ministério da Saúde, que acompanha diariamente as condições térmicas nos municípios brasileiros. As informações produzidas pelo painel auxiliam na identificação de áreas com maior risco para a saúde e apoiam a emissão de alertas e o planejamento de ações de vigilância e assistência durante períodos de calor intenso. 

Amanda Milan
Ministério da Saúde 

Fonte: Ministério da Saúde

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DESTAQUE

Perigo invisível em casa: cobertores e falta de vacina fazem internações por asma dispararem

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internações por asma

Crianças e adolescentes respondem por 73,7% das hospitalizações no Brasil; circulação de vírus em ambientes fechados agrava quadro inflamatório

A maior circulação de vírus em ambientes fechados durante o inverno eleva as internações por asma no Brasil, afetando principalmente crianças e adolescentes de zero a 14 anos. O contato com casacos e cobertores guardados atua como gatilho para complicações respiratórias, demandando rigor na profilaxia doméstica.

O aumento de casos expõe a escassez de especialistas na atenção primária e falhas na orientação das famílias pelos serviços de saúde. Com cerca de 20 milhões de asmáticos no país, a ausência de tratamento preventivo contínuo, somada à baixa cobertura vacinal contra infecções virais, resulta na superlotação de hospitais durante os meses mais frios do ano. As informações constam na matéria original “Inverno pode trazer gatilhos para crises de asma e requer cuidados”, apurada pela repórter Alana Gandra e publicada pela Agência Brasil em 11 de julho de 2026.

Dados de internação e faixa etária

Crianças e adolescentes concentram a ampla maioria das hospitalizações. Durante o ano de 2024, o Brasil registrou 52.087 internações por asma. A faixa etária de zero a 14 anos respondeu por 73,7% desse total. O levantamento da Umane, organização sem fins lucrativos, com base em dados do Departamento de Informação e Informática do Sistema Único de Saúde (Datasus), evidencia a sazonalidade da doença.

Em julho de 2024, ocorreram 4.034 internações de pacientes de zero a 14 anos, representando 70,5% dos casos do mês. O volume é quase o dobro das 2.108 hospitalizações contabilizadas em janeiro do mesmo ano.

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Falta de especialistas e impacto dos vírus

O coordenador da Comissão Científica de Asma da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), Emilio Pizzichini, afirma que o frio em si não agrava a asma. O fator determinante para o adoecimento é a alta circulação viral. A doença exige medicação contínua durante todo o ano, mas a estrutura pública enfrenta gargalos.

“A gente não tem um número de especialistas suficiente para atender tudo isso. A infecção respiratória tem que ser tratada na atenção primária, porque as crianças, às vezes, não fazem testes respiratórios para saber se sintomas como o chiado são decorrentes da asma”, detalha Pizzichini.

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Uma asma sem controle adequado deixa as vias aéreas expostas. “Se a asma não está bem tratada, bem controlada, o resfriado ou a virose adicionam mais uma inflamação na via aérea da pessoa, nos brônquios, e ela pode ter uma crise”, explica o coordenador da SBPT. O Brasil registra uma média de uma a duas infecções respiratórias anuais por paciente asmático.

Prevenção e manejo do ambiente doméstico

A pneumologista Marcela Marques, do Atendimento Multiassistencial de Saúde da Umane, relata a falta de orientação das famílias pelos serviços de saúde logo na primeira internação. O início rápido do tratamento com medicação preventiva torna novas hospitalizações raras. A higienização do quarto do paciente exige regras estritas.

“A casa deve estar arejada, com o sol batendo, sem mofo ou umidade, com cortinas limpas, sem brinquedos acumulados no quarto da criança, nem bichos de pelúcia. Evitar cobertores e procurar usar mais edredom. E, em vez de ficar varrendo a casa, os pais devem usar um pano úmido, só com água, ou o aspirador”, orienta Marques.

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O tabagismo, seja de cigarro comum, cigarro eletrônico ou narguilé, funciona como agente direto de agravamento inflamatório. “O fumante passivo é um dos piores aspectos em relação às crises de asma”, adverte a médica.

A informação estruturada reduz as visitas de urgência. “A família deve ser orientada sobre o plano de crise que deve fazer e, se esse plano não der certo,, se for necessário, a procurar o serviço médico”, afirma a pneumologista.

Ambientes fechados e cobertura vacinal

O alergista e imunologista Pedro Giavina-Bianchi, do Departamento Científico de Asma da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai), aponta que a permanência em locais fechados e aglomerados propicia a transmissão viral.

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“Então, realmente, a gente tem um aumento da frequência, que a gente chama de prevalência, de infecções virais, nessa época, e, por consequência, acaba tendo mais crises de asma também”, diz Giavina-Bianchi.

A imunização previne infecções respiratórias graves causadas pelos vírus Influenza (gripe), Covid e sincicial respiratório (VSR). “Quando a pessoa usa a vacina, diminui o risco de ter um agravamento da inflamação da asma, ter uma crise e ser hospitalizada”, afirma Emilio Pizzichini. Giavina-Bianchi recomenda evitar o contato com pessoas gripadas e reforça a prescrição vacinal: “Não só a vacina de influenza, mas a vacina pneumocócica também”.

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O distanciamento social e o uso de proteção facial em cenários específicos reduzem os riscos, repetindo a dinâmica vista durante a pandemia. “A máscara previne a Covid e, também, a transmissão dos outros vírus respiratórios, como rinovírus, influenza, entre outros”, conclui Giavina-Bianchi.

Entenda os termos médicos

  • Atenção Primária: Primeiro nível de contato das pessoas com o sistema de saúde, realizado em unidades básicas e postos de saúde.
  • Brônquios: Estruturas do sistema respiratório que conduzem o ar até os pulmões; na asma, eles sofrem inflamação.
  • Prevalência: Número total de casos de uma doença, ou de uma condição específica, registrados em uma população durante um determinado período.
  • Vírus Sincicial Respiratório (VSR): Vírus sazonal responsável por causar infecções no trato respiratório, atingindo com maior gravidade recém-nascidos e crianças pequenas.

 

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