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Agronegócio

Bloqueio do Estreito de Ormuz encarece diesel e fertilizantes e ameaça safra 2026/27 em Mato Grosso

O bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irã elevou o diesel em até 40% em cidades de Mato Grosso e a ureia em até 36% nos mercados internacionais. O estado, responsável por 32% da produção nacional de grãos, enfrenta a crise no momento de compra de insumos para a safra 2026/27, com apenas 5,95% dos fertilizantes do milho safrinha negociados. O Irã, maior comprador individual de milho brasileiro, está isolado comercialmente.

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O diesel vendido a produtores rurais de Mato Grosso chegou a R$ 9,39 por litro após o bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irã.

Preço do diesel chegou a R$ 9,39 por litro no interior do estado; ureia subiu até 36% em três semanas

O fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã, em retaliação à ofensiva militar dos Estados Unidos e Israel iniciada em 28 de fevereiro de 2026, já atinge o produtor rural de Mato Grosso. O diesel vendido em revendedoras do interior do estado saltou de R$ 5,83 para até R$ 7,98 por litro em nove dias, segundo dados do IMEA e da Famato. A ureia, principal fertilizante nitrogenado usado no milho, acumula alta de 30% a 36% nos mercados internacionais.

Mato Grosso responde por 32% da produção nacional de grãos. Em meados de março, 96,42% da área de soja já havia sido colhida e 93,68% do milho safrinha estava semeado. As duas operações consomem diesel em escala industrial, e a janela de compra de fertilizantes para o ciclo 2026/27 está aberta, com apenas 5,95% dos insumos do milho safrinha negociados até o momento.

34 quilômetros que abastecem o mundo

O Estreito de Ormuz tem 34 quilômetros de largura. Por ele passam, em condições normais, 20 milhões de barris de petróleo por dia, cerca de 50% das exportações globais de ureia e enxofre e um terço do comércio internacional de amônia.

A Guarda Revolucionária iraniana bloqueou a passagem horas depois dos primeiros bombardeios. Entre 1º e 19 de março, apenas 116 navios cruzaram o estreito, queda de 95% em relação ao fluxo habitual, segundo a empresa de monitoramento Kpler. A Vortexa registrou quatro petroleiros em trânsito no primeiro dia do bloqueio; a média em janeiro era de 24 por dia. Cerca de 200 petroleiros estão retidos no Golfo Pérsico, de acordo com a Lloyd’s List Intelligence.

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Diesel a R$ 9,39 na bomba

O barril de Brent, cotado a US$ 72,48 antes do conflito, bateu US$ 119,50 em 8 de março e oscilava entre US$ 106 e US$ 113 na terceira semana do mês. A Petrobras reajustou o diesel A em R$ 0,38 por litro (+11,6%) em 13 de março.

Nos Transportadores-Revendedores-Retalhistas (TRRs) de Mato Grosso, onde o produtor efetivamente abastece, a pancada foi pior. O diesel S500 foi de R$ 5,83 para R$ 7,47 por litro em nove dias, alta de 28%, conforme o IMEA. Em Alto Taquari, notas fiscais reunidas pela Famato registram salto de R$ 5,58 para R$ 7,98 por litro — mais de 40% de aumento. Em Alta Floresta, o S-10 alcançou R$ 9,39.

O presidente da Fiemt, Silvio Rangel, afirmou: “Para um estado como Mato Grosso, que depende majoritariamente do transporte rodoviário para escoar sua produção, qualquer aumento no diesel impacta o custo do frete e, consequentemente, toda a cadeia produtiva.”

O frete rodoviário de Sorriso a Paranaguá subiu 2,91% na primeira quinzena de março, para R$ 389 por tonelada, segundo a Esalq-Log. A Petrobras anunciou ainda corte de até 30% no volume de diesel previsto para distribuidoras em abril.

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O governo federal reagiu com a Medida Provisória 1.340/2026, que zerou PIS/Cofins sobre diesel e criou subsídio de R$ 0,32 por litro. Em 20 de março, nova MP (1.344/2026) liberou R$ 10 bilhões em crédito extraordinário para o combustível. A Famato protocolou denúncia no Procon-MT contra alta abusiva dos TRRs e avalia acionar o Ministério Público e o Cade.

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Ureia sobe um terço

O Brasil importa 85% dos fertilizantes que consome — foram 45,5 milhões de toneladas em 2025. O Oriente Médio responde por 35% da ureia utilizada no país, segundo a CNA, e o Irã supre entre 17% e 20% das importações brasileiras do insumo.

O contrato futuro de ureia para março de 2026 atingiu US$ 618 por tonelada, alta de 30,65% desde o início do conflito, de acordo com o IMEA. A StoneX confirmou que o preço CIF Brasil subiu cerca de 36% em duas semanas. Nos Estados Unidos, a ureia em Nova Orleans foi de US$ 516 para US$ 683 por tonelada. Fornecedores chegaram a retirar listas de preço do mercado, segundo a consultoria Hudie, à espera de alguma definição.

Vilmondes Tomain, presidente da Famato, declarou ao Estadão/Broadcast Agro: “Os preços dos nitrogenados importados já subiram cerca de 20%. O risco está no ciclo 2026/27. Se os preços continuarem em alta, haverá elevação do custo de produção e um problema muito grande ao agricultor, que pode repensar intenção de aumento de área.”

Simulação do IMEA para o milho de alta tecnologia em Sinop mostra que a alta de 30% nos nitrogenados eleva o Custo Operacional Efetivo em 4,68% — o equivalente a 5,90 sacas de milho por hectare. A cada dez pontos percentuais adicionais de aumento, o acréscimo é de quase duas sacas.

Mato Grosso está mais exposto que a média nacional a fosfatados vindos de regiões em conflito: 58,91% dos fosfatados importados pelo estado em 2025 vieram do Egito e de Israel, contra 40,01% na média brasileira. O Ministério da Agricultura classificou como “elevadíssimo” o risco de desabastecimento, com déficit potencial de 1 a 3 milhões de toneladas de fosfatados em 2026, conforme nota técnica obtida pela Folha de S.Paulo. O ministro Carlos Fávaro criticou o “oportunismo” de vendedores que reprecificaram estoques já internalizados no Brasil sem justificativa logística.

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Irã isolado e milho sem destino

O Irã foi o maior comprador individual de milho brasileiro em 2025: 9,08 milhões de toneladas, entre 20% e 23% das exportações totais. A S&P Global calculou que o país adquiriu 95% de suas importações marítimas de milho do Brasil no período entre julho de 2024 e junho de 2025. A trading Marex já reportou cancelamentos de contratos de farelo de soja para o Irã desde 5 de março. A Alphamar identificou ao menos dez navios com mais de 600 mil toneladas de soja e farelo programados para portos iranianos em situação indefinida.

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A Abramilho avaliou que o milho brasileiro tem mercados alternativos. Ainda assim, perder um comprador que responde por um quinto dos embarques pesa quando o Brasil projeta exportar 44 milhões de toneladas do grão em 2026.

O seguro marítimo no Golfo Pérsico disparou mais de 300%. Gard, Skuld e London P&I Club cancelaram cobertura de risco de guerra a partir de 5 de março. As taxas de frete para grandes petroleiros na rota Oriente Médio-China quase triplicaram, alcançando US$ 400 mil por dia em 20 de março, conforme o Baltic Exchange.

Próximos desdobramentos

Caso as hostilidades cessem nas próximas semanas, analistas projetam recuo do Brent para US$ 70 a US$ 80 até o fim do ano e normalização gradual dos preços de fertilizantes. Alberto Pfeifer, do Insper Agro Global, observou que as safras em andamento já contam com estoques internalizados e que o golpe recairia sobre a safra de verão, cujo plantio começa em agosto.

Se o conflito se estender por três a seis meses, a Rystad Energy estima Brent a US$ 135. O IMEA projeta resultado negativo de R$ 77,62 por hectare no sistema soja+milho 2026/27 mesmo com premissas conservadoras. A Céleres adverte que o risco migra de preço para disponibilidade se o bloqueio perdurar.

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A CNA apresentou cinco propostas à Frente Parlamentar da Agropecuária: elevar a mistura de biodiesel de 15% para 17%, zerar o AFRMM sobre fertilizantes, reduzir tributos sobre diesel, estimular a produção nacional e aprovar o Profert (Programa Nacional de Fertilizantes). Uma carta aberta assinada por 43 entidades do setor pediu a antecipação do B17. A Aprosoja-MT propôs autorização para uso de B100 em operações próprias de cooperativas e agroindústrias.

A Petrobras opera fábricas de fertilizantes em Sergipe e Bahia e planeja retomar a unidade de Araucária (PR), com meta de suprir 20% da demanda nacional de ureia. A UFN-3, em Três Lagoas (MS), capaz de cobrir 35% da demanda, tem conclusão prevista só para 2028.

 

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AGRONEGÓCIO

Adiada votação do projeto que cria incentivos às indústrias de fertilizantes

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O Senado adiou para a primeira semana de agosto a votação do projeto que cria o Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert). Prevista para esta terça-feira (14.07), a análise foi transferida após um acordo entre parlamentares e o governo para ajustar pontos fiscais e jurídicos da proposta.

O Profert pretende estimular a implantação de novas fábricas e a ampliação ou modernização das unidades existentes. A medida é considerada estratégica para reduzir a dependência brasileira do mercado externo. O País importa mais de 80% dos fertilizantes utilizados nas lavouras, situação que deixa os produtores expostos à variação cambial, ao aumento dos fretes e a conflitos internacionais.

O projeto, de autoria do senador Laércio Oliveira, já foi aprovado pelo Senado, mas retornou à Casa depois de receber alterações na Câmara dos Deputados. O texto passou a incluir, além dos fertilizantes minerais, sintéticos e orgânicos, bioinsumos, biofertilizantes, remineralizadores e as matérias-primas usadas na fabricação desses produtos.

A versão aprovada pelos deputados também cria o Fundo de Estímulo à Produção Nacional de Fertilizantes, destinado ao financiamento de projetos, e estabelece mecanismos de crédito fiscal e de financiamento de longo prazo.

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O adiamento permitirá a apresentação de um projeto de lei complementar para corrigir possíveis problemas de constitucionalidade e adequar as renúncias tributárias às regras fiscais. A líder do governo no Senado, Teresa Leitão, afirmou que as duas propostas deverão ser analisadas conjuntamente.

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O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, confirmou que o Profert e o projeto complementar serão votados no mesmo dia. A intenção é encaminhar as duas matérias simultaneamente à sanção presidencial, caso sejam aprovadas.

Durante a sessão, Laércio Oliveira criticou a condução das negociações pelo Ministério do Planejamento e Orçamento. Segundo o senador, o ministro Bruno Moretti deixou uma reunião convocada para discutir o projeto após divergências sobre o conteúdo da proposta. Laércio classificou a atitude como desrespeitosa e disse que permaneceu no encontro com Teresa Leitão.

Pelo texto em discussão, empresas habilitadas no Profert poderão adquirir máquinas, equipamentos, instrumentos e materiais de construção destinados aos projetos sem a cobrança de PIS/Pasep, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e Imposto de Importação. Conforme o tipo de operação, os benefícios poderão ser concedidos por suspensão do pagamento, redução da alíquota a zero ou isenção.

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A proposta também alcança serviços vinculados aos empreendimentos e prevê instrumentos para ampliar o acesso a recursos privados. A concessão dos incentivos, no entanto, dependerá da aprovação dos projetos pelo Poder Executivo e do cumprimento das exigências fiscais estabelecidas na futura regulamentação.

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Relatora da matéria, a senadora Tereza Cristina defendeu o fortalecimento da produção doméstica. Ela reconheceu que o Brasil dificilmente alcançará a autossuficiência, mas afirmou que ampliar a oferta nacional é necessário para reduzir os riscos enfrentados pela agropecuária em períodos de instabilidade internacional.

Com o acordo, o projeto permanece em regime de urgência e deverá retornar à pauta após o recesso parlamentar. As informações sobre o adiamento e o acordo para a votação conjunta foram confirmadas pelo Senado Federal.

Fonte: Pensar Agro

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