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Combustíveis

App da ANP para postos dá nota de 0 a 5 e recebe denúncia de preço abusivo

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app da ANP para postos

Ferramenta gratuita já lista estabelecimentos autorizados em Mato Grosso; a parte da nota ligada ao monitoramento de qualidade no estado ainda depende de licitação

Cards com passo a passo no final da matéria.

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) lançou em 13 de julho o app da ANP para postos, chamado ANP com VC – Postos, que exibe uma nota de 0 a 5 para cada estabelecimento e abre canal direto de denúncia, inclusive por preço abusivo. A ferramenta é gratuita, roda em celular e computador e já lista postos autorizados em cidades de Mato Grosso. A nota não é dada pelo consumidor: sai de um cálculo da própria agência, feito com o histórico de fiscalização e o monitoramento de qualidade dos combustíveis.

Quem dá a nota

O nome sugere participação do público, e é aí que mora a confusão. O “VC” não quer dizer que o motorista atribui estrelas ao posto. A classificação exibida na tela é administrativa: nasce do histórico de qualidade de cada estabelecimento nos últimos cinco anos, com base nos resultados das ações de fiscalização e do Programa de Monitoramento da Qualidade dos Combustíveis (PMQC). Punições mais recentes pesam mais na conta.

Os dois componentes têm naturezas diferentes. O PMQC dá um retrato amplo da qualidade do combustível no mercado e não gera autuação. Já a fiscalização mira estabelecimentos com indício de irregularidade e pode terminar em multa e outras sanções. A nota junta esse histórico em um número só.

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No mapa, cada posto ganha uma cor conforme a nota, do vermelho, na pontuação zero, ao verde, na pontuação cinco. Quem abre o aplicativo libera a localização ou digita a cidade e vê os postos próximos em lista ou em mapa. Também dá para procurar um endereço específico pelo CNPJ.

O que o app da ANP para postos exibe de cada estabelecimento

Ao clicar em um posto, o usuário encontra os resultados das fiscalizações dos últimos cinco anos, que medem a qualidade do combustível e a exatidão do volume entregue pelas bombas, além das análises do PMQC, dos dados cadastrais e da situação da autorização. A página informa ainda a origem do combustível vendido, a empresa que de fato abasteceu aquele posto.

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Esse último dado costuma passar despercebido pelo consumidor. Segundo a ANP, ele aumenta a transparência, porque “mesmo postos que exibem marca comercial de uma distribuidora podem vender produto de outro fornecedor, como de uma usina de etanol, de transportador-revendedor-retalhista (TRR) ou mesmo de outra distribuidora, desde que informado de forma clara ao consumidor”.

A denúncia fica em dois botões dentro do próprio aplicativo, um para preço abusivo e outro para irregularidades em geral. O que o cidadão registra pode alimentar as ações de fiscalização seguintes. A instalação acontece pelo endereço oficial do serviço, com um botão que adiciona o aplicativo ao celular ou ao computador, e a agência publicou um vídeo com o tutorial de navegação.

Cobertura em MT

Em Mato Grosso, a camada mais simples do aplicativo já responde: os postos autorizados aparecem na busca, e a base cadastral de revendedores em operação, mantida pela agência, é pública e pode ser exportada. Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis, Sinop, Tangará da Serra e Primavera do Leste estão entre as cidades que já constam nesse cadastro.

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O ponto sensível é o PMQC. O novo modelo do programa, em que os próprios agentes regulados pagam pelas análises de laboratório, começou por Goiás e pelo Distrito Federal. A expansão para Mato Grosso e Tocantins foi aprovada pela diretoria da ANP em dezembro de 2024 e ficou condicionada a uma licitação para credenciar os laboratórios. Em maio de 2026, a agência conduzia essa licitação para Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso e Tocantins. Na prática, a fatia da nota que depende do monitoramento de qualidade tende a chegar mais rala nos postos mato-grossenses do que nos estados onde o programa já roda há mais tempo.

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Há também um limite jurídico que o próprio dado de fiscalização carrega. Quem foi autuado tem direito ao contraditório e à ampla defesa, e só o julgamento definitivo do processo confirma se a infração de fato ocorreu. A nota serve como sinal regulatório para orientar a escolha, não como condenação do posto.

Lançamento no aperto contra a fraude

O aplicativo estreou um dia antes de o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovar, em 14 de julho, uma resolução que endurece o combate à adulteração de combustíveis. A norma foi apresentada como resposta ao avanço de esquemas de adulteração e lavagem de dinheiro no setor. Entre as exigências estão a escrituração eletrônica certificada das operações de compra, venda e estoque nos postos, mais rastreabilidade da cadeia e atuação coordenada entre ANP, Ministérios Públicos, Procons, polícias, órgãos fazendários e o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro).

A ANP divulgou a lógica geral da nota e informou que infrações recentes pesam mais no resultado. A fórmula detalhada e os pesos aplicados no cálculo não foram publicados.

A conclusão da licitação dos laboratórios do PMQC deve definir quando o componente de qualidade do programa passará a pesar por inteiro nas notas dos postos de Mato Grosso. Até o fechamento desta reportagem, o aplicativo era distribuído apenas pelo site oficial da agência, sem versão publicada nas lojas de aplicativos.

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CONSUMIDOR

CNPE eleva mistura de etanol na gasolina para 32% por 180 dias

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mistura etanol gasolina

Medida temporária visa reduzir a importação de 900 milhões de litros de combustível fóssil anuais e impõe barreira a biodiesel externo.

O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou nesta terça-feira (14) o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina de 30% para 32%. A medida temporária tem prazo inicial de 180 dias, com possibilidade de prorrogação.

A resolução objetiva diminuir a dependência do Brasil em relação a produtos importados, bloqueando a compra externa de 900 milhões de litros de gasolina por ano frente à instabilidade do mercado internacional de petróleo, “marcado pela volatilidade no abastecimento global”.

Testes de engenharia e novos limites

A transição para o padrão E32 tem respaldo técnico. Testes conduzidos pelo Instituto Mauá de Tecnologia confirmaram a viabilidade da nova proporção. Os resultados apontaram que o acréscimo não compromete o desempenho ou o consumo em veículos leves e motocicletas, incluindo motores não flex.

O Ministério de Minas e Energia destacou os objetivos da alteração de matriz energética. “Nesse contexto, a utilização de uma maior parcela de etanol produzido no país busca reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados e possibilitar a maior presença desse biocombustível na matriz energética brasileira”, explicou a pasta em nota.

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O governo estuda ainda o impacto de teores superiores para o futuro. Há avaliações em andamento para a adoção da mistura E35, observando a “durabilidade dos componentes automotivos e dos efeitos da utilização do combustível em longo prazo”.

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Restrição ao biodiesel importado

A reunião do conselho aprovou diretrizes adicionais focadas no óleo diesel B. O CNPE impôs uma barreira comercial ao biodiesel destinado à mistura obrigatória. Pela nova norma, o insumo deverá ter origem exclusiva em unidades produtoras autorizadas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Estudos técnicos atestam que a capacidade instalada nacional supre a demanda, afastando o risco de desabastecimento.

O ministério delimitou o alcance da restrição comercial. “A comercialização de biodiesel importado permanece permitida para os demais segmentos previstos na regulamentação vigente”, detalhou a nota.

Rastreabilidade e combate a fraudes

O pacote de resoluções abrange o endurecimento da fiscalização no setor. A norma incentiva a atuação coordenada entre instituições como Procons, polícias, órgãos fazendários, Ministérios Públicos e o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro).

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Entre os novos mecanismos, o colegiado estabeleceu a implementação de escrituração eletrônica certificada para postos revendedores e a melhoria da estrutura de laboratórios da ANP para garantir a conformidade dos produtos. O Ministério de Minas e Energia afirmou que “a resolução do conselho estabelece medidas para fortalecer a fiscalização, ampliar a rastreabilidade e aperfeiçoar o monitoramento do setor”.

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Entenda os termos técnicos

  • Etanol anidro: Álcool puro, com teor mínimo ou nulo de água, produzido especificamente para ser misturado à gasolina.
  • Diesel B: Óleo diesel comercializado diretamente nas bombas dos postos, que já contém o percentual obrigatório de biodiesel misturado ao diesel fóssil.
  • Motores não flex: Motores automotivos convencionais projetados para rodar com um único tipo de combustível primário, sem tecnologia para alternar proporções.
  • Escrituração eletrônica certificada: Sistema digital de registro contábil e fiscal que garante a autenticidade e a origem das operações comerciais realizadas pelo posto.

 

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