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Meio ambiente e transporte

Caminhoneiros param em Santa Catarina e assembleia em Santos decide hoje se greve vai a todo o Brasil

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greve caminhoneiros Mato Grosso 2026
Categoria em estado de paralisação: em Santa Catarina, caminhoneiros já recusam carregamentos desde esta quinta-feira; em Mato Grosso, o diesel S500 TRR subiu 28% em menos de duas semanas, ameaçando o escoamento da safra de soja e do milho safrinha.Foto: Rogério Florentino.

Com diesel 28% mais caro em MT e safra de soja na reta final, estado concentra o maior risco econômico da paralisação

Caminhoneiros de Itajaí e Navegantes cruzaram os braços nesta quinta-feira (19/03/2026), recusando carregamentos nos portos catarinenses desde a manhã. Em Santos (SP), uma assembleia convocada para as 16h pelo Sindicam e pela Abrava vai definir se o movimento se estende a todo o país. A decisão ocorre depois de três dias de reuniões sem consenso, de um pacote federal de R$ 30 bilhões que não convenceu a categoria e de um Diário Oficial da União que, até a manhã desta quinta, ainda não havia publicado as medidas prometidas de fiscalização do frete. Em Mato Grosso, o diesel S500 TRR — vendido a granel para produtores rurais — já subiu 28% em menos de duas semanas, com 96,44% da área de milho safrinha semeada aguardando escoamento.

Três dias de reuniões, sem acordo

A mobilização começou na segunda-feira (16/03), quando lideranças de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Rio Grande do Sul e Goiás se reuniram no Porto de Santos. A maioria votou pela paralisação, mas sem fixar data. Nova reunião na quarta-feira (18/03) terminou sem consenso — horas antes, o ministro Renan Filho e o diretor-geral da ANTT, Guilherme Sampaio, haviam anunciado um pacote de fiscalização eletrônica do frete, mas a publicação no Diário Oficial não saiu.

“Estamos em estado de paralisação. A partir de amanhã diremos se atendeu o segmento ou não”, declarou Wallace Landim, o “Chorão”, presidente da Abrava, na quarta-feira, segundo a Gazeta do Povo. A Abrava reúne cerca de 35 mil caminhoneiros. O Sindicam, anfitrião das reuniões em Santos, representa aproximadamente 5 mil associados, além de cooperativas com outros 10 mil profissionais na Baixada Santista.

A estratégia adotada é diferente de 2018: nenhum bloqueio de rodovia. A orientação é ficar em casa, em postos ou pátios e simplesmente não aceitar fretes. Isso complica a resposta do Estado — a AGU obteve na quinta decisões em Santa Catarina proibindo barreiras nas BRs 101 e 470, com multas de R$ 10 mil/dia para pessoas físicas e R$ 100 mil/dia para jurídicas. Proibir barricadas não é o mesmo que obrigar alguém a pegar um frete.

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O gatilho: diesel a R$ 8 no Centro-Oeste e tabela descumprida

O diesel acumulou alta de 18,86% em três semanas, pressionado pelo fechamento do Estreito de Ormuz — rota de cerca de 20% do petróleo mundial — após o conflito entre EUA, Israel e Irã. O preço médio nacional chegou a R$ 6,80/litro segundo a ANP, com registros de R$ 8,00 no Centro-Oeste e R$ 9,99 em pontos isolados de São Paulo.

Em 13 de março, a Petrobras anunciou reajuste de R$ 0,38/litro (11,6%) nas refinarias, no dia seguinte ao decreto presidencial que criou um pacote de alívio de R$ 0,64/litro. A CEO Magda Chambriard argumentou que o impacto líquido ao consumidor seria de “apenas R$ 0,06/litro”. A categoria não aceitou a conta.

As exigências vão além do combustível. A tabela mínima de frete da Lei 13.703/2018 é descumprida por cerca de 20% das empresas, segundo dados da ANTT — as mais autuadas incluem BRF, Vibra Energia, Raízen, Ambev e Cargill. Os caminhoneiros também pedem aplicação do “gatilho do frete” — reajuste automático quando o diesel varia mais de 5% —, isenção de pedágio com eixo suspenso sem carga e aposentadoria especial com 25 anos de contribuição ao INSS.

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R$ 30 bilhões do governo não desmobilizaram o movimento

Desde 12 de março, o governo lançou medidas estimadas em R$ 30 bilhões até o fim de 2026. O Decreto nº 12.875/2026 zerou as alíquotas de PIS/Cofins sobre o diesel, com impacto projetado de R$ 0,32/litro e custo fiscal de R$ 20 bilhões. A MP nº 1.340/2026 criou subvenção adicional de R$ 0,32/litro, com outros R$ 10 bilhões. As autuações por descumprimento do piso de frete saltaram de 300 por mês na gestão anterior para 40 mil em janeiro de 2026, com R$ 419 milhões em multas nos últimos quatro meses, segundo o Ministério dos Transportes (18/03/2026).

O ministro Haddad propôs ao Confaz a zeragem temporária do ICMS sobre diesel importado até 31 de maio, com a União compensando 50% da perda mensal estimada em R$ 3 bilhões. Seis estados — SP, PR, SC, AM, MT e AL — pediram prazo até 27/03 para avaliar. Mato Grosso não assinou.

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Na prática, a Petrobras desfez parte do alívio com o próprio reajuste, e as medidas de fiscalização prometidas para quinta de manhã não chegaram ao Diário Oficial.

Em MT, diesel subiu até 40% e safra aguarda caminhão

Mato Grosso concentra o maior risco econômico da paralisação. O diesel S500 TRR subiu de R$ 5,83 para R$ 7,47/litro até 9 de março — alta de 28% em menos de duas semanas, segundo o IMEA. Em Alto Taquari, a variação ultrapassou 40%: de R$ 5,58 para R$ 7,98. Em Campo Novo do Parecis, o litro foi de R$ 6,19 para R$ 7,59 em nove dias (MT Fatos; JL Notícias, 18/03/2026).

O timing é o pior possível. Com 60,5% da área de soja já colhida no Brasil até 13/03 (AG Rural) e 96,44% do milho safrinha semeado em MT (IMEA, 07/03), o escoamento começa agora — e cada dia sem caminhão é produção represada.

A Famato levou notas fiscais de produtores ao Procon-MT em 18/03 para denunciar reajustes abusivos. O Procon de Cuiabá notificou todos os 151 postos de combustíveis da capital. O Procon-MT estadual já havia notificado 45 postos e todas as distribuidoras do estado, identificando padrões de reajustes simultâneos suspeitos desde setembro de 2024 (Setasc-MT, março/2026).

“O diesel é um insumo estratégico para o Brasil. Ele movimenta máquinas no campo, transporta insumos, garante o escoamento da produção. Quando o preço sobe de forma abrupta, o impacto se espalha por toda a economia e chega rapidamente à mesa do consumidor”, disse Lucas Costa Beber, presidente da Aprosoja MT, ao Canal Rural MT e ao Diário de Cuiabá.

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O problema não para no diesel. A ureia subiu 30,65% desde o início do conflito no Oriente Médio, chegando a US$ 618/tonelada. Apenas 33% da safra de soja havia sido comercializada pelos produtores de MT, e apenas 6% dos fertilizantes para o milho safrinha 2026/27 foram adquiridos — endividamento comprimido que torna qualquer custo adicional mais pesado (IMEA; Click Nova Olímpia; Broto Notícias, março/2026).

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A BR-163, corredor por onde passa mais de 60% da produção de grãos do Centro-Oeste, conecta Rondonópolis, Cuiabá, Nova Mutum, Lucas do Rio Verde, Sorriso e Sinop até os portos de Santarém e Miritituba. Em 2015 e 2018, foi bloqueada nesses mesmos pontos. Até a manhã de 19/03, nenhum bloqueio havia sido registrado no estado.

Uma categoria dividida, uma decisão em aberto

A paralisação expõe uma fratura interna. De um lado, Sindicam, Abrava, Sinditac (SC), ANTC (SC) e ANTB (BA) confirmaram adesão. De outro, a CNTRC, a Conftac e a Fetrabens-SP classificaram a greve como “irresponsabilidade” no pico da safra. O Setcergs (RS) descartou a adesão. O Sintrocern (RN) chamou o movimento de “político-partidário”. A CNTTL oscilou: apoiou, recuou e aguardou o resultado da assembleia de Santos.

A estimativa da ANTB é de que 70% da categoria optou por parar. O Brasil tem aproximadamente 790 mil caminhoneiros autônomos e 750 mil contratados, segundo levantamento da Exame (17/03/2026).

2026 não repete 2018 — mas o custo potencial é o mesmo

A greve de 2018 durou 10 dias, atingiu 25 estados e o DF e custou entre R$ 47 bilhões e R$ 100 bilhões à economia, segundo estimativas da FGV. O PIB perdeu 1,2 ponto percentual no ano. O presidente da Petrobras renunciou. O governo Temer cedeu com três MPs e R$ 13,5 bilhões em subsídios.

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O movimento atual tem diferenças concretas. A paralisação silenciosa — sem bloqueios físicos — dificulta a resposta judicial. As lideranças insistem no caráter exclusivamente econômico, embora o governo identifique amplificação por redes bolsonaristas em ano eleitoral. E o pacote fiscal desta vez é maior: R$ 30 bilhões contra R$ 13,5 bilhões em 2018. O problema é que o alívio foi parcialmente neutralizado pela própria Petrobras.

O que vem a seguir

O resultado da assembleia de Santos, previsto para o final desta tarde, vai definir se a paralisação que já começou em Santa Catarina se expande formalmente para os demais estados. O prazo seguinte é 27 de março, quando os seis estados — incluindo Mato Grosso — devem responder ao Confaz sobre a zeragem do ICMS no diesel importado. A publicação das medidas de fiscalização do frete no Diário Oficial, prometida e não cumprida até esta manhã, permanece como o principal ponto de tensão com a categoria. Para os produtores matogrossenses, a janela de escoamento da soja e do milho safrinha não tem data de adiamento.

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AGRONEGÓCIO

Projeto que dá poder de veto ao Mapa contra ‘canetadas’ ambientais avança na Câmara

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O Plenário da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 5900/2025, uma proposta que cria um “freio de arrumação” na edição de normas federais e estabelece uma etapa obrigatória de avaliação técnica para qualquer medida que impacte o agronegócio.

Fruto de uma articulação direta da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), o texto determina que regras sobre produção, cultivo, manejo, transporte ou comercialização no campo passem pelo crivo prévio do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). A medida ataca a insegurança jurídica que vinha travando licenças ambientais e linhas de crédito rural no País.

O projeto, de autoria do presidente da FPA, deputado Pedro Lupion, traz como principal trunfo o caráter vinculante da manifestação do Mapa. Na prática, a análise econômica e de abastecimento feita pela pasta da Agricultura terá peso decisivo. Atos federais editados por outros órgãos (como o Ministério do Meio Ambiente ou Ibama) sem essa consulta prévia perderão a validade jurídica em relação às atividades produtivas afetadas.

A movimentação da FPA ocorreu em resposta a um gargalo que vinha tirando o sono dos produtores: o enquadramento de espécies de altíssima relevância econômica em regimes regulatórios restritivos por órgãos ambientais, tratando culturas tradicionais quase como ameaças ou invasoras.

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A coordenação de Meio Ambiente da bancada, que relatou o projeto por meio do deputado Pezenti (MDB-SC), sustentou que a falta de uma análise técnica integrada vinha gerando prejuízos severos na base produtiva, dificultando a renovação de licenças e fazendo com que bancos questionassem a liberação de custeio. Com o texto costurado pela frente parlamentar, ficam protegidas contra restrições surpresas cadeias como:

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  • Aquicultura e Pesca: Cultivos de tilápia, tambaqui e camarão cinza;

  • Silvicultura: Florestas plantadas de eucalipto e pinus;

  • Fruticultura Tropical: Pomares de manga, goiaba e outras variedades;

  • Pecuária: Pastagens de brachiaria, base da carne bovina nacional.

A tese defendida pela FPA é de que a conservação ambiental e a produção agropecuária não são agendas excludentes, mas complementares. O foco do trabalho institucional foi blindar quem produz de normas redigidas por corpos burocráticos sem diálogo com a realidade prática do campo.

Para garantir que a proposta não fosse derrubada por vício de iniciativa (quando o Legislativo tenta interferir diretamente na estrutura interna do Poder Executivo), a FPA desenhou uma estratégia jurídica rigorosa no substitutivo aprovado em Plenário.

Em vez de propor alterações na lei de organização dos ministérios, a bancada deslocou a nova regra diretamente para a Lei nº 8.171/1991, que institui a Política Agrícola Nacional. Essa engenharia jurídica protege o projeto contra futuros questionamentos nos tribunais e consolida a coordenação institucional como um princípio definitivo da política de Estado para o campo. A aprovação foi defendida pelos membros da frente como uma qualificação da tutela ambiental, obrigando o governo federal a sentar à mesa de forma coordenada antes de emitir qualquer portaria ou decreto normativo.

A aprovação do projeto pela Câmara representa uma vitória institucional robusta para a FPA e sinaliza estabilidade para o planejamento de longo prazo do setor, fator essencial para o fechamento de contratos internacionais e atração de capital privado para o agro.

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Ao exigir uma análise de impacto socioeconômico antes de qualquer nova exigência regulatória, a medida estruturada pela bancada visa evitar o desabastecimento, proteger postos de trabalho no interior e impedir o encarecimento de alimentos fundamentais na mesa dos brasileiros. O texto segue agora para as próximas etapas de tramitação no rito legislativo.

Fonte: Pensar Agro

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