AGRONEGÓCIO
Compra coletiva reduz até 50% custos e fortalece piscicultura em Itapecuru-Mirim (MA)
Uma ação inédita de organização coletiva está mudando a realidade da piscicultura em Itapecuru-Mirim, no Maranhão. Produtores rurais acompanhados pelo programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG), do Senar, realizaram a primeira compra conjunta de ração diretamente da indústria, garantindo redução de até 50% nos custos de produção.
A iniciativa envolveu 20 dos 25 piscicultores assistidos no município e resultou na aquisição de 1.002 sacos de ração, o equivalente a mais de 25 toneladas do insumo, essencial para a atividade aquícola.
Ação coletiva reduz custos e aumenta escala de produção
A estratégia de compra em grupo foi estruturada após diagnóstico técnico realizado em campo, que identificou o alto impacto do preço da ração na viabilidade da produção de peixes.
Segundo a técnica de campo da ATeG/Senar e engenheira de pesca Leonildes Ribeiro, a proposta surgiu como alternativa para enfrentar as dificuldades enfrentadas pelos produtores.
Ela destaca que a compra direta com a fábrica permitiu eliminar intermediários e reduzir significativamente os custos operacionais, ampliando a capacidade de investimento dos piscicultores.
Além da economia expressiva, a ação também fortaleceu a integração entre os produtores, estimulando práticas de cooperação e gestão compartilhada dentro da cadeia produtiva.
Parcerias garantem logística e reduzem despesas adicionais
A operação contou com apoio do Sindicato dos Produtores Rurais de Itapecuru Mirim e da Prefeitura Municipal, que foi responsável pela estrutura logística de recebimento e distribuição da ração diretamente nas propriedades rurais.
Com isso, os produtores também foram beneficiados pela eliminação de custos com frete, fator que contribuiu para aumentar ainda mais a economia total da operação.
A técnica responsável pela ação ressalta que a parceria institucional foi determinante para o sucesso da iniciativa e abre caminho para novas compras coletivas no município.
Gestão municipal destaca fortalecimento da cadeia produtiva
Para a Secretaria Municipal de Agricultura, a experiência reforça o potencial da piscicultura como atividade estratégica para geração de renda e desenvolvimento rural.
O secretário municipal Luís Fernando Lopes destacou que a organização dos produtores representa um avanço importante na profissionalização da cadeia produtiva local, com impacto direto na qualidade e na oferta de alimentos.
A gestão municipal também reafirmou o compromisso de seguir apoiando ações que fortaleçam o setor produtivo e ampliem a competitividade dos pequenos produtores.
Piscicultura ganha força com impacto direto na economia local
A expectativa é de que a redução de custos e o ganho de eficiência produtiva resultem em aumento da oferta de pescado, especialmente em períodos de maior demanda, como a Semana Santa, quando o consumo tradicionalmente cresce em todo o país.
O Maranhão já se destaca nacionalmente na piscicultura, com rentabilidade acima da média brasileira, o que reforça o potencial de expansão da atividade no estado.
Produtores veem nova fase de organização no campo
Entre os participantes, o produtor rural José Roberto Mendes Bezerra avaliou a experiência como um marco para os piscicultores da região, destacando a importância da união para fortalecer a produção e melhorar resultados.
A iniciativa demonstra como a assistência técnica aliada à organização coletiva pode gerar ganhos econômicos reais, reduzir custos estruturais e impulsionar a sustentabilidade da produção rural no Maranhão.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGÓCIO
Falta de vacina contra clostridioses expõe rebanho de Mato Grosso a risco sanitário
Atraso no fornecimento coincide com período de desmama e confinamentos; Ministério da Agricultura liberou 14,6 milhões de doses no país, mas setor cobra distribuição.
O desabastecimento de vacinas contra clostridioses atingiu a pecuária de Mato Grosso durante o período de desmama de bezerros e início do primeiro giro de confinamento. O Ministério da Agricultura e Pecuária confirmou a escassez nacional do imunizante e liberou 14.640.910 doses entre março e abril de 2026. Entidades do setor produtivo avaliam que o volume não atende à demanda e cobram medidas emergenciais para regularizar o fornecimento.
A ausência do produto coincide com a chegada da estiagem, fase de maior vulnerabilidade para os animais. Com 31,6 milhões de bovinos registrados, Mato Grosso detém o maior rebanho do Brasil. A interrupção no calendário de vacinação gera risco de perdas econômicas diretas para os produtores em caso de infecções, que causam mortes rápidas.
A origem da escassez está na suspensão da produção e comercialização por parte dos fabricantes entre o fim de 2025 e janeiro de 2026. O governo federal atuou na ampliação da fabricação nacional, viabilização de importações e liberação acelerada de lotes. Das doses autorizadas até abril, 63% são de produção interna e 37% importadas. A estimativa do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan) é entregar de 8 milhões a 10 milhões de doses por mês até dezembro.
A Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat) participa de discussões com órgãos de defesa e indústria. A entidade aponta o comprometimento dos calendários sanitários em um estado caracterizado pelo abate precoce e pelo crescimento de sistemas intensivos de engorda. O Sindicato Rural de Rondonópolis iniciou articulação com entidades estaduais e federais para buscar produtos, após registrar prateleiras vazias em lojas agropecuárias do município.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) cobrou explicações sobre a logística de distribuição das vacinas entre os estados. A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (Famato) projeta a chegada de 6,5 milhões de doses ao mercado nacional em maio e 11 milhões em junho, sem detalhar o volume exato destinado aos pecuaristas mato-grossenses.
Até o fechamento desta reportagem, o governo federal não divulgou o quantitativo de imunizantes direcionado a Mato Grosso. Também não há registro oficial aberto de mortalidade ou surtos no estado associados à falta do produto em 2026.
Proteção preventiva
As clostridioses são infecções e intoxicações provocadas por bactérias do gênero Clostridium, cujos esporos sobrevivem no solo por longos períodos. O grupo inclui doenças como botulismo, tétano, gangrena gasosa e carbúnculo sintomático (manqueira).
A evolução clínica é rápida, o carbúnculo sintomático pode levar o animal a óbito em até 36 horas, com sintomas frequentemente despercebidos. O tratamento apresenta baixa eficácia. A vacinação preventiva em animais jovens, com início entre três e seis meses de idade, é o método central de controle.
As clostridioses integram a lista de enfermidades de notificação ao serviço veterinário oficial. Produtores devem registrar suspeitas no Sistema Brasileiro de Vigilância e Emergências Veterinárias (e-SISBRAVET).
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