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ALMT consolida respeito à liberdade de imprensa com prêmio histórico de R$ 175 mil

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Iniciativa inédita marca os 190 anos da Casa de Leis com foco na produção local, enquanto Secom intensifica corpo a corpo nas redações para garantir adesão até 24 de novembro.

A rotina frenética das redações de Mato Grosso ganhou um respiro estratégico nesta reta final de 2025. Em meio à cobertura diária, a Assembleia Legislativa (ALMT) decidiu esticar o cronograma de sua mais nova investida institucional: o 1º Prêmio ALMT de Jornalismo – Troféu Parlamento. Com inscrições agora válidas até o próximo dia 24 de novembro, a medida responde a um pedido da própria categoria, sufocada pelos prazos industriais do jornalismo moderno, e mantém na mesa um atrativo financeiro difícil de ignorar: R$ 175 mil em prêmios.

Não se trata apenas de reconhecer textos ou vídeos. A movimentação, liderada pelo presidente da Casa, deputado Max Russi (PSB), busca algo mais sutil: estreitar laços com quem narra a política. Ao instituir o tema “A Assembleia Legislativa na vida do povo mato-grossense”, o Parlamento tenta pautar a imprensa a olhar para dentro do Legislativo não apenas sob a ótica do conflito, mas da utilidade pública.

Corpo a corpo nas redações

Para garantir que a mensagem chegue – e que as inscrições aconteçam –, a Secretaria de Comunicação (Secom) adotou uma postura ativa. Nada de apenas e-mails protocolares. O secretário de Comunicação, coronel Henrique Santos, iniciou um périplo pelos principais veículos de Cuiabá e Várzea Grande, como TV Centro América, SBT e grandes portais de notícias.

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A estratégia é clara: humanizar a instituição e vender a credibilidade do concurso. Santos tocou em um ponto sensível ao justificar a prorrogação do prazo, admitindo ter ouvido os profissionais.

“Nos últimos dias, recebemos na Secretaria de Comunicação vários colegas da imprensa que compartilharam uma dificuldade real, que é a correria da rotina nas redações. Muitos nos disseram que queriam participar, mas estavam com pouco tempo para produzir uma reportagem especial com o cuidado e a profundidade que o prêmio merece”, explicou o secretário.

Durante essas visitas, Santos também reforçou um pilar essencial para afastar suspeitas de dirigismo editorial, comum em prêmios estatais. “A banca julgadora é formada por comunicadores de outros órgãos públicos e professores universitários. Ninguém da Assembleia vai julgar os trabalhos. Essa transparência é fundamental para dar credibilidade e valor à premiação”, garantiu.

O peso do cofre e a estrutura

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O incentivo financeiro é robusto para os padrões locais. Cada uma das cinco categorias – Telejornalismo, Reportagem em Texto, Radiojornalismo, Fotojornalismo e Universitário – conta com uma dotação de R$ 35 mil.

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O supervisor executivo de imprensa da ALMT, José Marques, detalhou a divisão: o vencedor leva R$ 20 mil; o segundo, R$ 10 mil; e o terceiro, R$ 5 mil. Uma injeção de capital que, segundo Marques, visa aqueles que “diariamente traduzem o trabalho legislativo para a população”.

Cronograma e Categorias

Prazo final: 24 de novembro de 2025 Julgamento: Até 20 de dezembro de 2025 Festa da premiação: 29 de janeiro de 2026

Categorias em disputa:

  • Telejornalismo: Matérias de até 6 minutos.

  • Texto: Reportagens em portais ou impresso.

  • Rádio: Conteúdo em áudio.

  • Fotojornalismo: Imagens de impacto.

  • Universitário: Estudantes com orientação docente.

Uma ponte política

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O lançamento oficial, ocorrido ainda em setembro no Salão Negro, desenhou o tom político da iniciativa. Max Russi, ao discursar, evitou o tom de confronto que por vezes marca a relação entre poderes e mídia.

“Aqui, na Assembleia Legislativa, reconhecemos o papel essencial da imprensa em fiscalizar, questionar, informar e, sobretudo, em dar voz ao cidadão. O jornalista não apenas relata fatos, mas constrói pontes entre o parlamento e a sociedade, transformando a rotina legislativa em conhecimento acessível, capaz de fortalecer a democracia e ampliar a participação popular”, afirmou o presidente.

Essa visão de abertura foi corroborada pelo primeiro-secretário, deputado Dr. João (MDB). Para ele, o prêmio é uma ferramenta de transparência ativa. “Esse prêmio vai abrir as portas para que a imprensa tenha mais espaço no Parlamento. Vai ser para a imprensa, para as empresas ativas e será muito melhor para a sociedade. Eu acho que nós vivemos numa sociedade democrática, então nós temos que abrir realmente o Parlamento”, disse.

Entre os profissionais da área, a recepção mistura otimismo e pragmatismo. Mariana Lenz, presente no lançamento, resumiu o sentimento de muitos colegas: “É essencial existirem iniciativas como essa, que reconheçam o trabalho dos repórteres e toda a equipe que compõe as redações. Espero que seja um instrumento que venha para fortalecer a democracia e levar informação com senso crítico, apuração e checagem adequada, contribuindo para aproximar o povo da política”.

Memória seletiva e institucional

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Um aspecto que chama a atenção na estrutura do Troféu Parlamento é a escolha dos patronos das categorias. A ALMT optou por homenagear cinco nomes históricos: Walter Rabello, Mario Marques, Lygia Lemos, Fablício de Barros e Paulo Leite.

A lista não é aleatória. Ela reforça uma narrativa de simbiose entre o jornalismo e a política institucional. Quase todos os homenageados transitaram, em algum momento, entre a bancada da imprensa e os gabinetes do poder.

Walter Rabello, por exemplo, foi um fenômeno de massas. Radialista e apresentador do icônico “Cadeia Neles”, converteu sua audiência em votos, tornando-se vereador recordista e deputado estadual até seu falecimento súbito em 2014. Mario Marques, falecido em 2024, foi um gigante da “Era de Ouro”, mas também serviu como secretário de Comunicação tanto no âmbito municipal quanto estadual.

Paulo Leite seguiu caminho similar, sendo precursor do marketing político e secretário de Comunicação da própria Assembleia em 1995. Lygia Lemos, pioneira absoluta, fundou o que viria a ser o Sindicato dos Jornalistas (Sindjor), mas também criou o Serviço de Divulgação da ALMT.

Ao evocar essas figuras, como fez Max Russi (“Essas personalidades plantaram uma boa semente, deixaram uma boa marca”), o prêmio celebra um tipo específico de jornalismo: aquele que caminha lado a lado com a institucionalidade.

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Para entender melhor: O que está em jogo? A iniciativa é, tecnicamente, uma ação de branding institucional. Ao premiar reportagens que mostram o impacto da Assembleia, o Legislativo estimula a produção de conteúdo positivo ou explicativo sobre suas leis e ações, contrabalançando o noticiário focado em escândalos ou disputas partidárias.

Itamar Perenha, presidente do Sindjor, vê no Prêmio uma valorização da comunicação pública, setor que muitas vezes “disputa espaço com a comunicação privada”, mas possui métricas de sucesso diferentes, focadas no cidadão.

O próximo passo

Com as visitas da Secom em andamento e o prazo estendido, a expectativa é de um volume alto de material para a pré-avaliação em novembro. O resultado final, agendado para 29 de janeiro de 2026, servirá como termômetro. Mostrará se a imprensa mato-grossense abraçou a pauta institucional proposta ou se o prêmio servirá apenas como reconhecimento técnico isolado.

“A gente está no ano de comemoração dos 190 anos da Assembleia, então resolvemos montar alguma coisa que impactasse nisso”, resumiu o coronel Henrique Santos sobre a gênese do projeto. Resta saber qual será o impacto real na qualidade da cobertura política do estado.

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ALMT

Câmara de Cuiabá repudia fala de Valdir Barranco e defende direito de intervir em temas nacionais

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Presidente Paula Calil (PL) critica postura do deputado petista, que questionou conhecimento técnico de vereadores sobre indicação ao STF.

A Câmara Municipal de Cuiabá divulgou nota para rebater declarações do deputado estadual Valdir Barranco (PT), proferidas na Assembleia Legislativa de Mato Grosso. Sob a presidência de Paula Calil (PL), o Legislativo municipal manifesta indignação contra a postura do parlamentar, que tentou desqualificar a atuação dos vereadores em pautas de repercussão nacional e direcionadas ao governo federal.

O embate expõe uma disputa sobre os limites de atuação parlamentar municipal. A reação ocorre após Barranco insinuar que os vereadores carecem de conhecimento técnico para opinar sobre temas externos, a exemplo da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).

Autonomia e prerrogativas

O documento oficial destaca que o município atua como ente federativo autônomo, amparado pelo artigo 18 da Constituição Federal. O texto argumenta que o mandato de um vereador incorpora a função de representação política e de manifestação institucional sobre assuntos que afetam a coletividade, extrapolando a produção legislativa estritamente local.

“A tentativa de reduzir ou ridicularizar essa atuação não será tolerada”, informa a nota. A Casa legislativa ressalta que o direito à manifestação encontra amparo nos princípios fundamentais da República e que o Regimento Interno assegura a apresentação de moções e requerimentos como instrumentos de expressão política. Desqualificar as opiniões dos vereadores alegando falta de eficácia jurídica direta configura, na visão da presidência, um desrespeito ao princípio democrático.

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Cobrança por respeito

A presidência da Câmara classifica o discurso de Barranco como incompatível com o decoro parlamentar. A manifestação cita que a Constituição do Estado de Mato Grosso veda práticas que atentem contra a independência e a harmonia entre as esferas de governo.

O Legislativo encerra o texto exigindo responsabilidade no trato público. A orientação institucional aponta que as divergências políticas precisam permanecer restritas ao debate qualificado, com a rejeição de ataques que atinjam a dignidade dos mandatos locais. O documento não registra posicionamento de Valdir Barranco sobre a reação dos vereadores.

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Leia a íntegra da nota:

A Câmara Municipal de Cuiabá, por intermédio de sua presidente Paula Calil (PL), vem a público manifestar profunda indignação diante das declarações, durante um pronunciamento na Assembleia Legislativa, feitas pelo deputado estadual Valdir Barranco (PT) de forma desrespeitosa e incompatível com o decoro parlamentar esperado. Em sua fala, Barranco, em tom ‘inflamado’, tentou desqualificar a atuação institucional deste Poder Legislativo, especialmente no que se refere às manifestações dirigidas a temas de interesse nacional e ao governo federal.

A postura adotada por tal parlamentar, ao insinuar ausência de conhecimento técnico por parte dos vereadores da capital, quando da então indicação presidencial do advogado-geral da União, Jorge Messias, a uma vaga no Supremo Tribunal Federal, não apenas afronta a honra dos agentes políticos legitimamente eleitos, como também revela desconhecimento acerca das bases constitucionais que regem a atuação do Poder Legislativo municipal.

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Nos termos da Constituição Federal, o município é um ente federativo autônomo (Art. 18 da CF/88), dotado de capacidade política, administrativa e normativa. A atuação parlamentar não se restringe à produção legislativa estritamente local, sendo também inerente ao mandato a função de representação política, de fiscalização e de manifestação institucional sobre temas de interesse da coletividade, inclusive aqueles de repercussão nacional.

O direito à manifestação política e institucional encontra amparo, ainda, nos princípios fundamentais da República (art. 1º, incisos II e V), que asseguram a cidadania e o pluralismo político como pilares do Estado Democrático de Direito. Nesse contexto, qualquer tentativa de cercear ou desqualificar o posicionamento de representantes legitimamente eleitos configura grave afronta a esses fundamentos.

No âmbito estadual, a Constituição do Estado de Mato Grosso igualmente reconhece a autonomia municipal e a harmonia entre os poderes, vedando práticas que atentem contra a independência e o respeito institucional entre as esferas de governo.

Ademais, o Regimento Interno da Câmara Municipal de Cuiabá assegura aos vereadores o pleno exercício de suas prerrogativas parlamentares, incluindo a apresentação de moções, requerimentos e demais manifestações formais, instrumentos legítimos de expressão política e de posicionamento institucional do Poder Legislativo municipal.

Essas manifestações não se confundem com atos administrativos vinculantes, mas constituem expressão legítima da vontade política de representantes eleitos, refletindo demandas, opiniões e interesses da população cuiabana. Desqualificá-las sob o argumento de ausência de eficácia jurídica direta revela não apenas simplificação indevida do papel do Parlamento, mas também desrespeito ao princípio democrático.

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A Câmara Municipal de Cuiabá reafirma que seus vereadores exercem mandato conferido pelo voto popular, com legitimidade para se manifestar sobre quaisquer temas de interesse público, independentemente da esfera federativa envolvida. A tentativa de reduzir ou ridicularizar essa atuação não será tolerada.

Por fim, este Poder Legislativo exige respeito institucional e responsabilidade no discurso público, reiterando que divergências políticas devem ser tratadas no campo do debate qualificado, jamais por meio de ataques que desmereçam a dignidade do mandato parlamentar e, por consequência, da própria população representada.

 

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