Operação Identitas expõe crime em Mato Grosso
Assessor de Carlinhos do CV é Alvo em MT
A Operação Identitas, deflagrada em 28/03/2025 em Várzea Grande, MT, mira Jonas Vieira da Silva, assessor de Carlinhos Figueiredo, ligado ao Comando Vermelho, por estelionato interestadual. Dois presos, um foragido, e bens como uma Hilux foram apreendidos.
Ação policial em Mato Grosso mira estelionato interestadual.
Uma operação policial deflagrada nesta sexta-feira (28) em Várzea Grande, Mato Grosso, jogou luz sobre uma teia de crimes que cruza estados brasileiros. Batizada de “Identitas”, a ação da Polícia Civil desmantelou parte de uma facção criminosa acusada de estelionato eletrônico, tendo como um dos alvos Jonas Vieira da Silva, assessor do vereador Carlinhos Figueiredo (Republicanos). Horas após a operação, o parlamentar exonerou Jonas, enquanto a polícia segue em busca de um suspeito foragido.
O alvo no centro do escândalo
Jonas Vieira da Silva não é um nome desconhecido em Várzea Grande. Até esta sexta-feira, ele ocupava o cargo de assessor do vereador Carlinhos Figueiredo, mas sua trajetória tomou um rumo inesperado. A Operação “Identitas”, conduzida pela Delegacia de Estelionato de Várzea Grande em parceria com a Polícia Civil do Ceará, executou um mandado de busca e apreensão contra ele. A suspeita? Envolvimento com uma facção criminosa ligada ao Comando Vermelho (CV) que aplicava golpes de estelionato interestadual, utilizando o famoso “golpe do perfil falso” no WhatsApp.
A ação foi rápida e precisa. Além de Jonas, outros suspeitos foram alvos de 10 mandados de busca e apreensão e três de prisão. Dois foram detidos, mas um terceiro segue foragido, mantendo as autoridades em alerta. “Foram apreendidos uma camionete modelo Hilux, um automóvel e duas motocicletas”, detalha o texto base, evidenciando o alcance financeiro do esquema.
O crime que cruzou fronteiras
Tudo começou com uma tentativa de golpe em Quixadá, no Ceará. Os criminosos, utilizando perfis falsos no WhatsApp, tentaram enganar uma vítima desavisada. Mas o plano ruiu quando ela desconfiou e denunciou o caso à Delegacia Regional de Polícia Civil de Quixadá. A investigação da 12ª DRPC revelou uma rede maior, com tentáculos que alcançavam Mato Grosso e envolviam até um assessor parlamentar conectado ao Comando Vermelho.
O delegado Ruy Guilherme Peral da Silva, ao lado de André Luis Prado Monteiro da Silva e João Paulo de Andrade Farias, liderou as diligências em Várzea Grande. Medidas cautelares, como o sequestro de bens e o bloqueio de contas, foram aplicadas para sufocar a operação criminosa. É um exemplo clássico de como a tecnologia, nas mãos erradas, pode transformar um aplicativo cotidiano em arma de fraude.
A reação do Vereador
Momentos após a operação, Carlinhos Figueiredo agiu rápido: exonerou Jonas Vieira da Silva. A decisão, tomada nesta sexta-feira (28), levanta perguntas. Seria uma tentativa de se distanciar do escândalo ou uma medida protocolar? A reportagem tentou contato com o vereador, mas até o fechamento desta matéria não obteve resposta. O caso expõe a fragilidade das relações políticas em um cenário onde o crime organizado busca se infiltrar.
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CÂMARA MUNICIPAL DE VÁRZEA GRANDE
Com pregão investigado, Wanderley Cerqueira revoga compra de tecnologia
Sob pressão do TCE, Câmara de Várzea Grande revoga Pregão Eletrônico 90006/2025 para compra de softwares. Gestão cita “medida de segurança”.
Sob a gestão de Wanderley Cerqueira, Legislativo de Várzea Grande cancela pregão de softwares após ser notificado pelo Tribunal de Contas.
A Câmara Municipal de Várzea Grande, sob a presidência do vereador Wanderley Cerqueira, decidiu cancelar um processo de compra pública voltado à tecnologia. A decisão, oficializada em 2 de janeiro de 2026, interrompe o Pregão Eletrônico nº 90006/2025. O ato administrativo ocorre após uma intervenção direta do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT).
O objetivo inicial do certame era ambicioso. A Casa de Leis buscava contratar um “registro de preços para fornecimento de soluções tecnológicas integradas”. O pacote incluía licenças de software, implantação, treinamento e suporte técnico.
No entanto, a rotina administrativa mudou de curso. A 6ª Secretaria de Controle Externo do TCE instaurou uma Representação de Natureza Interna (nº 211.880-7/2025). O órgão fiscalizador enviou o Ofício nº 869/2025/GAB-AJ, onde sugeriu a suspensão imediata da disputa.
O peso da estrutura manual
Antes da intervenção do tribunal, a Câmara justificava a compra pela necessidade urgente de modernização. O documento de revogação admite as dificuldades operacionais atuais.
Segundo o texto oficial, o processo licitatório nasceu dos “desafios significativos enfrentados pela Câmara Municipal de Várzea Grande – MT, decorrentes da utilização de sistemas fragmentados e processos em grande parte manuais”.
A administração pretendia automatizar fluxos legislativos, jurídicos e administrativos. Porém, o alerta do controle externo obrigou o gestor a reavaliar o momento e a segurança jurídica da contratação.
A lógica da revogação
Diante do fato novo trazido pelo TCE, a presidência optou pela revogação total, e não apenas pela suspensão temporária. A medida baseia-se no artigo 71 da Nova Lei de Licitações (Lei nº 14.133/2021).
O texto da decisão enfatiza que a administração pública deve prezar por princípios como moralidade, eficiência e economicidade. O documento destaca que a ação serve “como medida de prevenção e segurança”.
Para fundamentar o recuo, a decisão cita o “poder de autotutela”. Isso permite ao gestor anular ou revogar seus próprios atos quando eles não atendem mais ao interesse público ou apresentam riscos legais.
O que diz a doutrina
A decisão administrativa recorre a especialistas para sustentar o cancelamento. O texto oficial transcreve, na íntegra, o ensinamento do jurista Marçal Justen Filho sobre o tema.
De acordo com o documento:
“A revogação consiste no desfazimento do ato porque reputado inconveniente e inadequado à satisfação do interesse público. A revogação se funda em juízo que apura a conveniência do ato relativamente ao interesse público… Após, praticado o ato, a administração verifica que o interesse público poderia ser melhor satisfeito por outra via. Promoverá então o desfazimento do ato anterior… Ao determinar a instauração da licitação, a Administração realiza juízo de conveniência acerca do futuro contrato (….) Nesse sentido, a lei determina que a revogação dependerá da ocorrência de fato superveniente devidamente comprovado. Isso indica a inviabilização de renovação do mesmo juízo de conveniência exteriorizado anteriormente”.
Próximos passos
Com a assinatura do documento em 2 de janeiro, o processo nº 32/2025 está encerrado nesta modalidade. A decisão final do presidente Wanderley Cerqueira é clara ao determinar o fim do certame.
Ele registrou: “DECIDO pela REVOGAÇÃO DO PREGÃO ELETRÔNICO N№ 90006/2025, nos termos do inciso II do art. 71 da Lei nº 14.133/2021”.
Agora, a Câmara deverá aguardar o desfecho da análise do TCE ou reformular o termo de referência para uma futura tentativa de modernização, caso as pendências apontadas pela corte de contas sejam resolvidas.
Entenda os Termos
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Pregão Eletrônico: Modalidade de licitação para aquisição de bens e serviços comuns, onde vence quem oferece o menor preço.
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Revogação: Cancelamento de uma licitação por motivos de conveniência e oportunidade (não necessariamente por ilegalidade, mas por perda de interesse ou mudança de cenário).
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TCE (Tribunal de Contas do Estado): Órgão responsável por fiscalizar o uso do dinheiro público e que pode suspender compras suspeitas ou mal planejadas.
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