Pesquisar
Close this search box.

Dia do amigo

Dia do Amigo: celebração em 20 de julho reforça o valor dos vínculos em tempos de solidão

Publicado em

Dia do Amigo e inteligência artificial

Celebrado em 20 de julho, o vínculo humano também se tornou questão de saúde pública, enquanto adolescentes começam a trocar conversas com pessoas por “companheiros” criados por inteligência artificial

Mensagens, reencontros e lembranças de histórias compartilhadas marcam o Dia do Amigo, celebrado nesta segunda-feira, 20 de julho. Em 2026, porém, a data chega cercada por um paradoxo: nunca foi tão fácil conversar com alguém, mas a solidão continua avançando — e parte das interações que parecem humanas agora acontece com sistemas de inteligência artificial programados para simular atenção, empatia e afeto.

A transformação já alcançou as relações pessoais. Chatbots deixaram de ser utilizados apenas para responder perguntas, produzir textos ou executar tarefas. Aplicativos oferecem personagens apresentados como amigos, confidentes, conselheiros e até parceiros românticos, disponíveis a qualquer hora e preparados para manter conversas aparentemente íntimas.

Essa nova forma de interação surge justamente quando a Organização Mundial da Saúde alerta que a falta de vínculos sociais se tornou um problema global de saúde pública.

Data nasceu inspirada pela chegada do homem à Lua

A origem mais difundida do Dia do Amigo remonta à Argentina. Em 20 de julho de 1969, a missão Apollo 11 realizou o primeiro pouso tripulado na Lua. O acontecimento levou o argentino Enrique Ernesto Febbraro, odontólogo e professor, a defender a criação de uma data dedicada à amizade.

Advertisement

Febbraro interpretou o feito espacial como um símbolo da capacidade humana de superar fronteiras e realizar objetivos coletivos. A celebração ocorreu pela primeira vez em Buenos Aires, em 1970, e posteriormente se espalhou por países da América do Sul, entre eles o Brasil.

A própria NASA confirma que o módulo Eagle, com Neil Armstrong e Buzz Aldrin, pousou no Mar da Tranquilidade em 20 de julho de 1969. Michael Collins permaneceu na órbita lunar a bordo do módulo de comando Columbia.

Existe, entretanto, outra data dedicada ao tema. Em 2011, a Assembleia Geral das Nações Unidas instituiu 30 de julho como o Dia Internacional da Amizade. A ONU relacionou a celebração à construção da paz, ao diálogo entre culturas e à aproximação entre comunidades.

No Brasil, o 20 de julho permanece como a data mais popular para homenagear amigos.

Solidão afeta uma em cada seis pessoas

O Dia do Amigo também chama atenção para uma realidade que ultrapassa o aspecto comemorativo. Relatório divulgado em 2025 pela Comissão sobre Conexão Social da OMS estima que uma em cada seis pessoas no mundo enfrenta a solidão.

Advertisement

A organização define a solidão como o sentimento doloroso provocado pela diferença entre as relações que uma pessoa gostaria de ter e aquelas que efetivamente possui. Já o isolamento social corresponde à ausência objetiva de contatos, convivência e apoio.

A distinção ajuda a explicar por que alguém pode viver sozinho sem se sentir solitário, enquanto outra pessoa, cercada por contatos e seguidores nas redes sociais, pode enfrentar uma profunda sensação de abandono.

Leia Também:  Mega-Sena acumula novamente e próximo prêmio é estimado em R$ 42 milhões

De acordo com a OMS, a solidão e o isolamento social estão associados a aproximadamente 871 mil mortes por ano, o equivalente a cem mortes por hora. A entidade aponta relação com maior risco de doenças cardíacas, acidente vascular cerebral, diabetes, declínio cognitivo, depressão e morte prematura.

Entre pessoas que se sentem sozinhas, a probabilidade de desenvolver depressão é duas vezes maior. A solidão também pode aumentar a ocorrência de ansiedade e pensamentos de automutilação ou suicídio.

O problema aparece com maior intensidade entre os jovens. Entre 17% e 21% das pessoas de 13 a 29 anos relataram solidão nos levantamentos analisados pela organização, com as maiores taxas registradas entre adolescentes.

Advertisement

Quando a inteligência artificial assume o lugar do amigo

A expansão dos companheiros de inteligência artificial acrescentou uma preocupação inédita ao debate. Essas plataformas conseguem recordar informações fornecidas pelo usuário, adaptar a personalidade das respostas e utilizar palavras de acolhimento. Algumas permitem criar personagens com aparência, voz e comportamento escolhidos pelo próprio consumidor.

Ao contrário de uma amizade humana, porém, a interação é produzida por um sistema que reconhece padrões e calcula respostas. A máquina não possui experiências, sentimentos ou preocupação genuína com a pessoa. Ainda assim, a linguagem convincente pode levar o usuário a interpretar a simulação como afeto verdadeiro.

A disponibilidade permanente aumenta esse poder de atração. Um chatbot não está ocupado, não precisa dormir e geralmente responde sem demonstrar impaciência. Também pode validar as opiniões do usuário com mais frequência do que uma pessoa real, reduzindo os conflitos naturais presentes nas relações humanas.

Essa aparente facilidade pode transformar a IA em uma alternativa mais confortável do que conversar com alguém capaz de discordar, impor limites ou cobrar reciprocidade. O risco surge quando a ferramenta deixa de complementar a vida social e começa a substituir amigos, familiares ou profissionais preparados para lidar com situações graves.

Três em cada quatro adolescentes já experimentaram companheiros de IA

Uma pesquisa da organização norte-americana Common Sense Media dimensionou o alcance desse comportamento. O levantamento ouviu 1.060 adolescentes de 13 a 17 anos nos Estados Unidos, em abril e maio de 2025.

Advertisement

Segundo o estudo, 72% já haviam utilizado algum tipo de companheiro de IA. Mais da metade, 52%, afirmou usar essas plataformas regularmente, ao menos algumas vezes por mês.

Entre todos os entrevistados, 33% disseram utilizar os sistemas para interações sociais, incluindo amizade, apoio emocional, conversas românticas e treinamento de habilidades de comunicação.

O dado mais preocupante apareceu entre os usuários dessas plataformas: um em cada três afirmou já ter escolhido conversar com a inteligência artificial, em vez de procurar uma pessoa, para tratar de um assunto importante ou sério. Outros 24% disseram ter compartilhado informações privadas, como nome verdadeiro, localização ou segredos pessoais.

Para 31% dos entrevistados, conversar com a IA era tão satisfatório ou mais satisfatório do que falar com amigos reais. A maioria, contudo, ainda preferia os vínculos humanos: 80% dos usuários passavam mais tempo com pessoas do que com os companheiros virtuais.

Leia Também:  Chuva forte, vendaval de até 100 km/h e umidade de 20% atingem Mato Grosso

Uso prolongado pode ampliar dependência emocional

Um estudo conduzido por pesquisadores da OpenAI e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts acompanhou 981 adultos durante quatro semanas para avaliar os efeitos de conversas por texto e voz com chatbots.

Advertisement

Os pesquisadores observaram que o envolvimento emocional com o ChatGPT permanecia raro na maioria das conversas. Entretanto, entre os usuários mais intensivos, apareceu um pequeno grupo que passou a considerar o sistema como amigo.

Quanto maior o tempo diário de uso, piores foram, em média, os indicadores de solidão, convivência com pessoas, dependência emocional e utilização problemática da ferramenta. Pessoas que enxergavam a IA como parte de sua vida pessoal também apresentaram maior propensão à dependência.

Os próprios autores advertiram que os resultados não provam que os chatbots tenham causado esses problemas. Pessoas previamente solitárias ou com maior necessidade de vínculo podem utilizar a tecnologia por mais tempo. O estudo ainda não havia passado por revisão científica independente quando foi divulgado.

Autoridades investigam impactos sobre crianças

A preocupação chegou aos órgãos de proteção dos consumidores. Em setembro de 2025, a Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos abriu uma investigação sobre os efeitos dos chatbots que atuam como companheiros de crianças e adolescentes.

A agência determinou que sete empresas fornecessem informações sobre mecanismos de segurança, uso de dados pessoais, controle de idade, geração de respostas e formas de monetização do engajamento. Entre as companhias alcançadas estão Alphabet, Character.AI, Meta, OpenAI, Snap e xAI.

Advertisement

Segundo a comissão, esses sistemas podem imitar características, emoções e intenções humanas, induzindo principalmente crianças e adolescentes a confiar e formar vínculos com programas de computador.

A inteligência artificial pode auxiliar pessoas a organizar pensamentos, ensaiar conversas ou enfrentar momentos pontuais de solidão. O problema aparece quando uma resposta programada ocupa o lugar da convivência humana.

O Dia do Amigo chega, portanto, com um significado adicional. Em uma época na qual máquinas conseguem reproduzir as palavras de um companheiro, o desafio passa a ser reconhecer aquilo que o código ainda não oferece: presença real, responsabilidade, reciprocidade e disposição para permanecer ao lado de alguém mesmo quando não existe uma resposta pronta.

 

Leia também:

Advertisement

Exclusivo:Campinápolis contrata, sem licitação, biometria de crianças sem as salvaguardas da LGPD

Nova ‘Lei Felca’ entra em vigor e obriga redes a verificar idade de menores

Dino extingue aposentadoria compulsória como pena para juízes

Em MT uma mulher é assassinada a cada 7 dias: feminicídios disparam 11% e deserto de proteção mantém MT no topo letal pelo 5º ano

EXCLUSIVO: ex-assessor acusa deputado Dr. João de confiscar salários e manter funcionários fantasmas;VÍDEO

Advertisement

Glifosato aparece em 31 de 75 ultraprocessados testados pelo Idec, saiba quais

DESTAQUE

Um ano sem Preta Gil: o alerta sobre o câncer de intestino

Published

on

câncer de intestino

Brasileiros reconhecem sinais do câncer colorretal, mas adiam a ida ao médico, mostra pesquisa

Levantamento do A. C. Camargo e da Nexus com mais de 2 mil pessoas revela que, entre quem já percebeu sangue nas fezes, 40% não buscaram atendimento imediato; o exame que antecipa o diagnóstico é desconhecido por dois em cada três.

A maioria dos brasileiros sabe que sangue nas fezes e mudança no funcionamento do intestino por mais de um mês podem ser sinais graves — mas boa parte não converte esse conhecimento em atitude. Oito em cada dez entrevistados reconhecem que os dois sintomas podem indicar algo sério e, ainda assim, quase metade admite que não procuraria assistência médica com rapidez.

O descompasso importa porque esses dois sinais estão entre os principais indícios do câncer colorretal, tumor que o Instituto Nacional de Câncer (INCA) projeta em 53.810 novos casos por ano no triênio 2026-2028 — o segundo de maior incidência no país. Foi essa doença que levou à morte a cantora Preta Gil, há exatamente um ano, em 20 de julho de 2025, após dois anos de tratamento.

Os números são de um levantamento do Hospital A. C. Camargo e da Nexus, que ouviu mais de 2 mil pessoas sobre o câncer colorretal e seus sintomas. Cerca de 67% dos entrevistados concordam que os dois sinais podem indicar a doença, e 24% dizem concordar totalmente com essa associação.

Advertisement

Entre quem já teve o sintoma, quatro em cada dez não agiram

A distância entre reconhecer o risco e reagir a ele fica evidente no grupo que já enfrentou o sinal mais associado ao tumor. Nove por cento dos entrevistados relataram já ter notado sangue nas fezes; desses, 59% procuraram atendimento médico de imediato, mas 40% não tiveram a mesma reação.

Leia Também:  Estudo aponta que fim da Moratória da Soja pode custar 1,4 milhão de hectares de floresta em dez anos

Nesse grupo que hesitou, 19% não fizeram nada e esperaram o sintoma passar, e 10% aguardaram dias ou semanas antes de procurar um médico. Houve ainda quem recorresse a remédios caseiros ou mudanças na alimentação (7%), quem fosse à farmácia por conta própria (3%) e quem pesquisasse na internet antes de buscar orientação profissional (1%).

O líder do Centro de Referência de Tumores Colorretais do A. C. Camargo Cancer Center, Samuel Aguiar, afirma que, diante do aumento de casos no Brasil, não se deve ignorar sinais como sangramento, alteração no ritmo intestinal, dor abdominal persistente e perda de peso sem causa aparente.

“Também é necessário realizar exames preventivos a partir dos 45 anos ou antes, conforme orientação médica e histórico familiar. O diagnóstico precoce do câncer colorretal está diretamente ligado a taxas de cura mais elevadas, o que reforça o papel de exames simples, como a pesquisa de sangue oculto nas fezes e a colonoscopia, na detecção da doença ainda em estágio inicial”, ressaltou.

Advertisement

Exame que antecipa o diagnóstico é desconhecido por dois terços

A Pesquisa de Sangue Oculto nas Fezes (PSO) é apontada como o principal recurso para flagrar a doença antes de sintomas evidentes — e, mesmo assim, dois em cada três entrevistados (67%) nunca ouviram falar dela. Só 11% já fizeram o exame; outros 21% conhecem o procedimento, mas nunca o realizaram.

Leia Também:  PM prende suspeito de estelionato com arma de fogo e celulares em Várzea Grande

O desconhecimento se concentra em grupos específicos: alcança 85% entre os jovens de 16 a 24 anos e fica acima da média geral entre homens (76%), pessoas de menor renda (73%) e quem estudou apenas até o ensino fundamental (72%).

O distanciamento também aparece no convívio. Apenas 21% dizem conhecer alguém que teve a doença — 15% um parente muito próximo e 6% um amigo ou conhecido —, enquanto 75% afirmam nunca ter tido contato com pacientes desse tipo de câncer.

Para entender melhor

Advertisement

A Pesquisa de Sangue Oculto nas Fezes procura identificar a doença antes que os sintomas apareçam. Segundo o oncologista Samuel Aguiar, ela e a colonoscopia ajudam a detectar o câncer colorretal ainda em estágio inicial, quando as chances de cura são maiores. A recomendação do médico é começar os exames preventivos aos 45 anos — ou antes, conforme o histórico familiar e a orientação médica.

 

Leia também:

Exclusivo:Campinápolis contrata, sem licitação, biometria de crianças sem as salvaguardas da LGPD

Nova ‘Lei Felca’ entra em vigor e obriga redes a verificar idade de menores

Advertisement

Dino extingue aposentadoria compulsória como pena para juízes

Em MT uma mulher é assassinada a cada 7 dias: feminicídios disparam 11% e deserto de proteção mantém MT no topo letal pelo 5º ano

EXCLUSIVO: ex-assessor acusa deputado Dr. João de confiscar salários e manter funcionários fantasmas;VÍDEO

Glifosato aparece em 31 de 75 ultraprocessados testados pelo Idec, saiba quais

Advertisement
Continuar lendo

GRANDE CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

ENTRETENIMENTO

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA