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Segurança pública

Coronel que passou a mão em mulher e ameaçou PMs tem histórico de tortura e agressividade

Preso após passar a mão em assessora e ameaçar PMs em Cuiabá, o Tenente-coronel Welington Mendonça tem histórico de violência: responde por ameaçar “quebrar a cara” de prefeito e se livrou de condenação por tortura via prescrição.

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Tenente-coronel Welington Mendonça foi detido e levado à delegacia em Cuiabá; oficial acumula acusações de abuso sexual, ameaça e tortura.

Prisão em flagrante em Cuiabá expõe a reincidência de Welington Rodrigues Mendonça no uso da violência e da patente para intimidar mulheres, subordinados e políticos. Oficial se livrou de condenação por prescrição.

 

A prisão do tenente-coronel Welington Rodrigues Mendonça na madrugada deste domingo (25) não pode ser lida como um “deslize alcoólico” isolado de um oficial de folga. O episódio de violência sexual contra uma assessora parlamentar em um posto de conveniência em Cuiabá é, na verdade, o capítulo mais recente de uma biografia funcional marcada pelo abuso de poder.

Após a audiência de custódia, a Polícia Militar o exonerou do cargo de comandante do 22º Batalhão de Peixoto de Azevedo, porém não o expulsou da corporação—mantém a patente de tenente-coronel. Permanece respondendo processos civil e criminal, com procedimento administrativo em curso na Corregedoria.

O oficial, que detém uma das patentes mais altas da Polícia Militar, foi detido após passar a mão no corpo de uma mulher sem consentimento e prometer destruir a carreira dos policiais que tentaram contê-lo. Este comportamento agressivo espelha um padrão: Welington já responde por ameaçar “quebrar a cara” de um prefeito e só não cumpre pena por tortura porque a Justiça demorou demais para julgar o caso.

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O flagrante ocorreu no Posto Serafas, ponto de encontro noturno vizinho à Praça 8 de Abril. O que as câmeras e testemunhas presenciaram foi uma escalada de invasão física. A vítima, T.C. de A.A., estava socializando com amigos quando o militar se aproximou insistindo em interagir, alegando que estava sendo “encarado”.

A negativa da mulher foi clara e verbalizada. Em depoimento, ela registrou ter dito que “se ele havia entendido dessa forma, tratava-se de um mal-entendido”. A recusa, no entanto, pareceu servir de gatilho para o oficial. Ignorando o “não”, Welington rompeu o espaço pessoal e partiu para o contato físico direto. O boletim de ocorrência detalha o ato sem rodeios: “Ele então se aproximou ainda mais e passou a mão na coxa da vítima”.

O ataque não parou no toque da mão. Quando a vítima, assustada, levantou-se para tentar escapar da situação, o tenente-coronel bloqueou sua saída e usou o próprio corpo para intimidá-la sexualmente, “aproximando-se ainda mais, encostando seu quadril na vítima”.

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“Sou Coronel e estou armado”

A violência do ato obrigou a intervenção de terceiros. A amiga da vítima, L.G.L. da S., tentou criar uma barreira de proteção, mentindo que ambas mantinham um relacionamento amoroso para ver se o oficial recuava. “Fica na sua, pois somos um casal”, disse a testemunha.

A resposta de Welington foi apelar para a hierarquia estatal como salvo-conduto para o abuso. Ele segurou a amiga pelo braço e, conforme os depoimentos anexados ao inquérito, “afirmou ser coronel, estar armado e ser casado, dizendo que não precisava daquela situação”. A mensagem era clara: sua patente deveria intimidá-las ao silêncio.

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Quando a viatura da 21ª Companhia Independente (CIPM) chegou ao local, o “modo coronel” se voltou contra a própria tropa. Visivelmente embriagado, Welington recusou-se a entregar a pistola — procedimento padrão de segurança — e passou a humilhar a guarnição. Chamou um cabo de “merda” e, ao perceber que seria conduzido, disparou ameaças que constam “ipsis litteris” no B.O.: “Vou lembrar disso” e “Vocês estão fudidos”.

O padrão de violência: “vou quebrar a cara dele”

A postura beligerante demonstrada no posto de gasolina repete, quase que ensaiada, a conduta do oficial contra autoridades civis. Welington Rodrigues Mendonça responde atualmente a um Termo Circunstanciado (TCO) por ameaçar fisicamente o prefeito de Nova Xavantina, João Machado Neto, o “João Bang”.

Em janeiro de 2025, insatisfeito com questões políticas e transferências de policiais na região, o tenente-coronel não usou os canais institucionais para reclamar. Preferiu a intimidação direta. O boletim de ocorrência daquele caso (nº 2025.3600) revela que ele chamou o gestor municipal de “um vagabundo, um moleque” e fez promessas explícitas de agressão física: “assim que ele sair da prefeitura vai dar uma peia no comunicante” e “vou quebrar a cara dele”.

Quando confrontado pela Justiça, a defesa de Welington usou a tática da minimização. Em depoimento, ele alegou que estava comendo espetinho e, em um momento de “descontração” e “ânimos alterados”, fez apenas um “desabafo”. Essa justificativa colou parcialmente: medidas protetivas chegaram a ser impostas, mas foram revogadas meses depois sob o argumento de que atrapalhavam seu trabalho no Comando Ambiental.

A sombra da tortura e a impunidade

O perfil violento do oficial tem raízes ainda mais profundas e graves que o assédio ou a ameaça verbal. A ficha de Welington carrega a mancha de um crime hediondo: tortura.

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O fato remonta a 2007, na comarca de São José dos Quatro Marcos. O oficial figurou como réu na ação penal 0055648-60.2015.8.11.0000 e chegou a ser condenado judicialmente. A sentença previa punições severas, incluindo a perda do cargo público, o que o retiraria das ruas e impediria novos episódios como o desta semana.

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No entanto, o sistema falhou. Em novembro de 2024, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso decretou a extinção da punibilidade pela prescrição. Como o processo arrastou-se por mais de oito anos entre a condenação e o trânsito em julgado final, o crime “venceu”. Juridicamente, o Estado perdeu o direito de punir o torturador, permitindo que ele continuasse fardado, armado e, como visto neste domingo, perigoso para civis.

Liberdade concedida

Mesmo diante da gravidade do toque físico não consentido e do histórico de reincidência em comportamento violento, Welington dormiu em casa. Na audiência de custódia realizada na tarde de domingo (25), a defesa alegou que o oficial “apenas questionou a vítima se poderia conhecê-la”, negando o toque na coxa e no quadril relatado pelas mulheres.

O juiz Francisco Alexandre Ferreira Mendes Neto homologou a prisão em flagrante, confirmando sua legalidade, mas optou pela liberdade provisória. O magistrado impôs medidas cautelares, como a “proibição de manter contato com a ofendida, seus familiares e testemunhas… devendo manter a distância de 500 metros” e o comparecimento mensal em juízo.

O oficial volta às ruas, mas o inquérito segue. Agora, além de responder pelo ataque à liberdade sexual da assessora e pelo desacato aos policiais, sua conduta será escrutinada sob a luz de um histórico que sugere que a farda, para ele, serve mais como escudo para abusos do que para a proteção da sociedade.

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SECOM Câmara Municipal de Cuiabá 
A Câmara Municipal de Cuiabá manifesta profundo pesar pelo falecimento de Maria Aparecida Corrêa da Silva, mãe do vereador Kássio Coelho (Podemos), ocorrido neste domingo, 1º de fevereiro, aos 70 anos, em decorrência de complicações após internação.
Nascida em 4 de abril de 1956, Maria Aparecida deixa um legado marcado pela fé, pelo amor e pela dedicação à família, valores que permanecerão vivos na memória de todos que com ela conviveram.
A presidente do Legislativo Cuiabano, vereadora Paula Calil (PL) expressa sua solidariedade aos familiares e amigos.
“Neste momento de dor, nos unimos ao vereador Kássio e à sua família em solidariedade e oração, pedindo a Deus que conforte seus corações e lhes conceda força, paz e esperança para atravessar este tempo de despedida”, afirmou a presidente.
O velório acontece na Capela Jardins, sala Orquídeas, a partir das 12h deste domingo. O sepultamento será realizado no Cemitério Parque Bom Jesus, com saída do cortejo às 16h e sepultamento previsto para as 17h.

Fonte: Câmara de Cuiabá – MT

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