Gestão pública
Gasto de R$ 900 mil em festa ignora alertas recentes do TCE
Prefeitura de Livramento libera R$ 899 mil para festa, apesar de histórico recente de déficit fiscal de R$ 8,5 mi e epidemia de Chikungunya apontados pelo TCE.
Prefeitura utiliza “excesso de arrecadação” para bancar Banana Folia 2026, ignorando alertas fiscais e sanitários apontados pelo TCE nas contas de 2024
A Prefeitura de Nossa Senhora do Livramento decidiu abrir o ano de 2026 com uma aposta alta no entretenimento. O prefeito Thiago Gonçalo Lunguinho de Almeida assinou um decreto liberando R$ 899.000,00 para a realização do “Evento Cultural Banana Folia”. O recurso milionário vem de um suposto “excesso de arrecadação” — dinheiro extra nos cofres.
Entretanto, a bonança anunciada agora contrasta perigosamente com a realidade fiscal e social desenhada há pouco tempo. Os pareceres do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT) e do Ministério Público de Contas (MPC) sobre o exercício de 2024 acendem um sinal amarelo para a gestão: o município vem de um cenário de descontrole de metas e crises na saúde.
A memória do déficit
O uso de sobras de caixa para custear shows levanta dúvidas sobre a saúde financeira real do município. Segundo o relatório técnico do MPC referente a 2024, Livramento falhou gravemente na gestão fiscal. A meta era um déficit (prejuízo) controlado de R$ 2,6 milhões, mas o resultado real foi um rombo de R$ 8,5 milhões.
Ao gastar quase R$ 1 milhão em uma festa agora, a gestão sinaliza que superou esse abismo financeiro, mas os órgãos de controle mantêm a lupa sobre a continuidade dessas contas.
O fantasma da epidemia
Outro ponto que torna o gasto sensível é o histórico sanitário da cidade. O relatório de 2024 expôs que Livramento viveu uma situação crítica, com uma taxa de prevalência de Chikungunya de 1.175 casos, nível classificado como “muito alto” pelos auditores.
Embora o recurso atual seja para a cultura, a alocação de verba livre (excesso de arrecadação) em festividades — e não no fortalecimento preventivo da saúde — sugere que as prioridades podem não ter sido recalibradas, mesmo após o município figurar no mapa de alerta de epidemias do estado.
Transparência em xeque
Para piorar, o cidadão tem poucas ferramentas para fiscalizar como esse dinheiro será gasto. O TCE classificou o portal da transparência de Livramento como “Nível Básico” (índice de 37,99%) nas últimas avaliações.
Em um município que é reduto eleitoral de grandes figuras estaduais, como o deputado Eduardo Botelho (União), e que lida com volumes altos de contratações sem licitação para eventos, a baixa transparência torna o “Banana Folia” um alvo óbvio para questionamentos da sociedade civil.
Para entender melhor
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Sinal de Alerta do TCE: Os pareceres técnicos não servem apenas para julgar o passado, mas para avisar o gestor que ele está no caminho errado. Ignorar esses avisos e aumentar gastos supérfluos pode gerar punições futuras (multas ou inelegibilidade).
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Excesso de Arrecadação: É como se você ganhasse um bônus no salário. A lei permite gastar, mas a prudência recomenda usar para pagar dívidas antigas (como o déficit de 2024) ou investir em áreas críticas (como saúde).
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CIDADES
Empresário é preso após disparos de arma de fogo em distribuidora de Cuiabá
Delegada nega fiança a Luiz Figueiredo, preso após efetuar disparos na Distribuidora Esquinão, em Cuiabá. Decisão aponta histórico de embriaguez e ameaça como risco à ordem pública e converte flagrante em preventiva.
Luiz Figueiredo, de 35 anos, foi detido em flagrante na madrugada deste sábado (14). Decisão cita “desrespeito reiterado às normas” e lista histórico de ameaça e embriaguez ao volante
A madrugada deste sábado (14) terminou na delegacia para o empresário Luiz Figueiredo. Ele foi preso em flagrante pela Polícia Militar na Distribuidora Esquinão, localizada na Avenida General Mello, nº 2993, no bairro Grande Terceiro, em Cuiabá. Segundo o registro policial, Figueiredo é acusado de porte ilegal de arma de fogo e de efetuar disparos em via pública.
A ocorrência mobilizou a equipe da PM após relatos de tiros no local. Ao chegarem à distribuidora, os policiais encontraram o suspeito e realizaram a abordagem. Conforme consta no Auto de Prisão em Flagrante, o empresário foi “surpreendido em flagrante delito” portando o armamento, um revolver .38. A ação foi presenciada por testemunhas.
O caso foi encaminhado ao Plantão Criminal da Comarca de Cuiabá. A delegada Jannira Laranjeira Siqueira Campos Moura ratificou a prisão, enquadrando Figueiredo nos crimes do Sistema Nacional de Armas.
Antecedentes
Documentos obtidos pelo Conexão MT revelam que esta não é a primeira vez que Luiz Figueiredo enfrenta problemas com a justiça. A pesquisa criminal anexada ao auto de prisão detalha um histórico de infrações: ameaça (2011): O empresário já respondeu a um Termo Circunstanciado por ameaça, tipificada no artigo 147 do Código Penal; embriaguez ao volante (2022 e 2023): Figueiredo possui duas ocorrências recentes por conduzir veículo sob influência de álcool (artigo 306 do Código de Trânsito Brasileiro). Os flagrantes ocorreram em fevereiro de 2022 e outubro de 2023, indicando reincidência em comportamentos de risco.
O Princípio da consunção
Ao analisar o caso, a delegada aplicou o entendimento jurídico de que o porte da arma foi apenas um meio para o disparo. “Embora o conduzido estivesse portando arma de fogo de uso permitido, verifica-se que o porte foi meio necessário e inerente à prática do disparo”.
A decisão detalha:
“Não há indicativo de que o agente estivesse portando a arma em contexto distinto e independente do disparo”.
Segundo a delegada, o histórico demonstra “desrespeito reiterado às normas penais” e “condutas que expõem terceiros a risco”. Figueiredo responderá pelo crime de disparo de arma de fogo (Art. 15 da Lei 10.826/03), que absorveu a acusação de porte ilegal.
Até o fechamento desta edição, a defesa do empresário não havia se manifestado. O caso segue sob investigação da Polícia Judiciária Civil.
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