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Flagrante em Várzea Grande

Disciplina do CV Cai em Várzea Grande: Jovem de 19 anos é preso com moto ‘Frankenstein’ e mochila recheada de maconha

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Apontado como ‘disciplina’ de facção, suspeito foi detido durante patrulhamento em Várzea Grande; defesa alega agressão policial e nega conhecimento sobre os ilícitos.

 

Na tarde da última sexta-feira, 17 de outubro, uma abordagem policial no Residencial Isabel Campos, em Várzea Grande, culminou na prisão em flagrante de V. H. C. D. T., um jovem de 19 anos. A ação, que começou com uma perseguição por infração de trânsito, revelou um cenário complexo envolvendo tráfico de drogas, adulteração de veículo e a suposta participação do detido em uma organização criminosa.

A abordagem no Isabel Campos

Tudo começou quando uma equipe da Polícia Militar, em patrulhamento pela região, avistou o jovem conduzindo uma motocicleta em alta velocidade e sem capacete. Os policiais iniciaram um acompanhamento tático e conseguiram realizar a abordagem. Em uma busca pessoal, nada de irregular foi encontrado com V. H. C. D. T. No entanto, a história mudou de figura quando os agentes inspecionaram a mochila que ele carregava: dentro, havia 28 porções de uma substância análoga à maconha e uma balança de precisão, itens que imediatamente levantaram a suspeita de tráfico.

A verificação da motocicleta, uma Honda de cor vermelha com placa aparente NJJ-2034, adicionou outra camada ao caso. Técnicas de identificação veicular apontaram que os números do chassi e do motor estavam adulterados. A placa, na verdade, pertencia a uma Dafra/Laser 150, ano 2008, consolidando a acusação de adulteração de sinal identificador de veículo automotor.

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A confissão e os desdobramentos

Segundo o relato dos policiais militares Renan Diego Assunção de Lara e Arilson Rafael Dias de Oliveira Silva, durante a abordagem, o suspeito teria confessado ser membro da facção “Comando Vermelho”. Ele teria afirmado ocupar a posição de “disciplina” na região, uma função de liderança dentro da organização, e que anteriormente exercia o mesmo cargo em Alta Floresta-MT.

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V. H. C. D. T. também indicou que estava residindo com sua cunhada, identificada como M. G. S., com quem supostamente comercializaria os entorpecentes. Com base nessa informação, a equipe policial se deslocou até o imóvel. A suspeita não foi encontrada, mas uma busca domiciliar resultou na apreensão de mais itens que reforçaram as suspeitas: um documento de identidade de M. G. S., uma bacia de alumínio com resquícios de droga, um rolo de plástico filme, 20 chips de celular da operadora Vivo e cinco aparelhos celulares danificados.


Para Entender Melhor:

  • Auto de Prisão em Flagrante (APF): Documento elaborado pela autoridade policial (delegado) que formaliza a prisão de alguém surpreendido cometendo um crime ou logo após cometê-lo. Ele reúne os primeiros elementos, como depoimentos do condutor, testemunhas e o interrogatório do suspeito.
  • Adulteração de Sinal Identificador de Veículo: Crime previsto no artigo 311 do Código Penal. Consiste em remarcar ou modificar o número do chassi, motor ou a placa de um veículo, geralmente para esconder sua origem ilícita (roubo ou furto) ou para cometer outros crimes.
  • Fumus Comissi Delicti e Periculum Libertatis: Termos em latim usados no direito. O primeiro significa “fumaça da prática do delito”, indicando que há provas da existência do crime e indícios de autoria. O segundo, “perigo da liberdade”, refere-se ao risco que a liberdade do suspeito representa para a sociedade, para o processo judicial ou para a aplicação da lei.

A versão do acusado

Em seu interrogatório na Central de Flagrantes, conduzido pelo delegado Jefferson Dias Chaves, V. H. C. D. T. apresentou uma versão diferente dos fatos. Ele alegou que a motocicleta pertencia a terceiros e que sua cunhada, M. G. S., a havia pego emprestado. Afirmou que estava apenas guardando o veículo a pedido dela quando foi abordado pela polícia já na área da casa.

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O jovem negou a posse da droga e acusou os policiais de agressão, relatando que a porta da casa foi arrombada e que ele foi agredido com “sacoladas” e socos para que “falasse tudo”. Segundo ele, a droga pode ter sido encontrada em outro apartamento do bloco de imóveis, que seria uma área de invasão. Ele também afirmou que, dos celulares apreendidos, apenas um iPhone 11 Pro lhe pertencia. Sobre a cunhada, disse saber que ela já havia comercializado entorpecentes no passado, mas não tinha conhecimento se a prática continuava.

Encaminhamentos judiciais

A prisão em flagrante foi homologada e comunicada ao Poder Judiciário. O laudo pericial da Politec confirmou que as 28 porções apreendidas, com massa bruta de 278,74 gramas, eram de Cannabis sativa L. (maconha). A autoridade policial, Jefferson Dias Chaves, representou pela conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva, argumentando a necessidade de garantir a ordem pública, a conveniência da instrução criminal e a aplicação da lei penal, destacando a periculosidade do suspeito e seu suposto envolvimento com organização criminosa.

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O Ministério Público, por meio do promotor de justiça plantonista Marcelo Malvezzi, manifestou-se favoravelmente à conversão da prisão em preventiva. O promotor ressaltou a quantidade da droga apreendida e o fato de V. H. C. D. T. já responder a outro inquérito por tráfico em Alta Floresta, o que indicaria reiteração criminosa.

O juiz de direito plantonista, Luís Augusto Veras Gadelha, designou a audiência de custódia para a tarde deste sábado, 18 de outubro, para decidir sobre a manutenção da prisão.

DESTAQUE

SILENCIAMENTO POLÍTICO? Flávio e Marinho explodem contra Moraes após STF isolar Bolsonaro e barrar presidente argentino

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visita milei bolsonaro
Ex-presidente Jair Bolsonaro - Foto: Rogério Florentino

Alexandre de Moraes suspende encontros por 30 dias após violação de medidas cautelares; Flávio e Marinho criticam rigor contra ex-presidente

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), negou o pedido de visita do presidente da Argentina, Javier Milei, ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A decisão, proferida na sexta-feira (17), mantém Bolsonaro em prisão domiciliar, mas suspende visitas gerais pelo prazo de 30 dias e proíbe encontros “com finalidade político-eleitoral” até o término das eleições de 2026. A determinação gerou imediata reação de políticos da direita, que classificaram as novas restrições judiciais como atos de perseguição e censura.

Restrição de acesso e comitiva argentina

A solicitação negada pelo STF previa que Javier Milei visitasse Jair Bolsonaro no próximo sábado (25), às 16h, na residência onde cumpre a prisão domiciliar em Brasília. Além do chefe de Estado argentino, a delegação seria integrada pela secretária-geral da Presidência e irmã do presidente, Karina Milei, pelo ministro de Relações Exteriores, Pablo Quirno, e pelo intérprete Enrique Luis de Boero Baby.

Na decisão, Moraes foi taxativo sobre as exceções. “Julgo prejudicado o pedido, uma vez que, salvo as visitas permanentes médicas, fisioterapêuticas e dos advogados, as demais visitas estão suspensão pelo prazo de 30 (trinta) dias”, escreveu o magistrado.

A defesa de Bolsonaro argumentou que a autorização para a visita internacional seria justificável sob a alegação de que o fundamento médico que embasou a restrição de contato possuía caráter transitório. O ex-presidente convive diariamente com a esposa, Michelle, uma filha e uma enteada, além de prestadores de serviço, totalizando 185 visitas desde que foi transferido para o regime domiciliar humanitário em 24 de março, logo após receber alta de uma broncopneumonia.

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Violação de medidas e carta

A suspensão dos encontros atende a um desrespeito às regras da prisão. Jair Bolsonaro está proibido de utilizar redes sociais, de forma direta ou por intermédio de terceiros. A infração se configurou quando o texto escrito pelo ex-presidente foi lido por Flávio Bolsonaro e divulgado na internet.

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Os advogados alegaram que Bolsonaro “jamais soube” que o filho tornaria o documento público. Moraes rejeitou a justificativa, classificando a alegação de incomunicabilidade como “patética”. Em sua fundamentação, o magistrado rebateu a tese de isolamento argumentando que “o custodiado cumpre, desde 27/3/2026, sua pena privativa de liberdade em casa, convivendo diariamente com sua mulher, filha e enteada. Além disso, tem a presença diária em sua residência de agentes de segurança, em virtude de sua condição de ex-presidente da República, e de uma cozinheira”.

Segundo o ministro, o texto lido em vídeo “claramente comprova” a intenção do ex-presidente de se comunicar com seus apoiadores políticos. Como consequência, Flávio Bolsonaro também teve suas visitas ao pai suspensas por 90 dias.

Manutenção do regime domiciliar

Apesar da infração, a Procuradoria-Geral da República defendeu a continuidade da prisão domiciliar de Bolsonaro. O procurador-geral, Paulo Gonet, pontuou que a violação “sobreleva as razões que levam à concessão e manutenção dos favores humanitários”, mas não solicitou o retorno ao regime fechado, sustentando que as restrições de comunicação buscam prevenir a participação política do ex-presidente no cenário eleitoral.

Moraes endossou a manutenção do regime e destacou a gravidade da atitude. É “patente, portanto, o desrespeito de Jair Messias Bolsonaro à medida cautelar, cuja fiel observância é requisito obrigatório para o cumprimento da prisão domiciliar humanitária”, afirmou o ministro.

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Repercussão e falas da direita

A decisão do STF desencadeou críticas contundentes de parlamentares aliados ao ex-presidente. O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), emitiu uma nota classificando as novas medidas cautelares como extravagantes e inusitadas, incompatíveis com os princípios democráticos. “Ao impedir até mesmo visitas de seus filhos e restringir sua comunicação com a sociedade, Alexandre de Moraes transforma medidas judiciais em instrumentos de silenciamento político”, afirmou o parlamentar.

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Marinho também argumentou que há um contraste na forma como a Justiça lidou com prisões no passado recente. “O contraste é evidente. Lula, durante o período em que esteve preso, recebeu inúmeras visitas e divulgou manifestações de conteúdo político”, declarou o senador.

O senador Flávio Bolsonaro, diretamente afetado pela suspensão do direito de visitar o pai por três meses, manifestou-se de forma incisiva contra as determinações do tribunal. Por meio de transmissão ao vivo em suas redes sociais, ele classificou os vetos do STF como uma “decisão ilegal, desproporcional, covarde e cruel”.

Glossário e Termos Técnicos

  • Prisão domiciliar humanitária: Regime de cumprimento de pena realizado na própria residência do condenado, concedido por razões específicas e excepcionais, como problemas graves de saúde documentados.
  • Medida cautelar: Determinação judicial imposta para garantir o andamento seguro de um processo ou o cumprimento estrito de uma pena, a exemplo da restrição de contato, monitoramento eletrônico ou proibição de uso de redes sociais.
  • PGR (Procuradoria-Geral da República): Órgão máximo do Ministério Público Federal, responsável por defender a ordem jurídica e atuar de forma independente nos processos perante o STF.
  • Estado Democrático de Direito: Princípio que assegura o respeito incondicional às leis e à Constituição, limitando o poder do Estado e garantindo garantias e liberdades fundamentais aos cidadãos de forma igualitária.

 

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