MERCADO DE COMBUSTÍVEIS
Investigação: por que o desconto da Petrobras desaparece antes de chegar à bomba em MT
Investigação do Conexão MT revela o motivo matemático da gasolina continuar cara: a explosão das margens de lucro das distribuidoras privadas, que dobraram nos últimos cinco anos, anulou a redução de 27% concedida pela Petrobras nas refinarias.
Enquanto a Petrobras reduz preços na origem, margens de lucro das distribuidoras e postos dobram em cinco anos e impedem o alívio no bolso do motorista.
O motorista de Várzea Grande e de todo o Mato Grosso vive uma sensação constante de descompasso. Ele lê no Conexão MT que a Petrobras baixou o preço da gasolina, mas, ao encostar o carro no posto, o valor na bomba continua praticamente o mesmo. Não é impressão, é matemática. E a explicação está no meio do caminho: o setor de distribuição e revenda, que deixou de ser um “braço moderador” do Estado para se tornar uma máquina de lucros privados.
Dados consolidados até o início de 2026 revelam uma mudança estrutural no mercado brasileiro. Se antes a BR Distribuidora (estatal) ajudava a segurar a onda, hoje, privatizada e batizada de Vibra Energia, ela lidera um mercado onde quem dita a regra é a margem de lucro.
O mistério do preço que não cai
Em 27 de janeiro de 2026, a Petrobras cortou o preço da gasolina vendida às distribuidoras para R$ 2,57 o litro. Desde dezembro de 2022, a queda real acumulada na refinaria foi de quase 27%. Mas o consumidor não viu esse desconto todo.
O motivo? O “efeito almofada”. Quando o preço cai na refinaria, as distribuidoras e postos aproveitam para recompor suas margens de lucro em vez de repassar a queda integralmente.
Estudos do Ministério de Minas e Energia (MME) e do Ineep apontam que, entre 2019 e 2024, a margem bruta de distribuição e revenda saltou mais de 80%.
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Antes: Esse setor ficava com cerca de 15% do preço final.
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Hoje: Abocanha entre 18% e 24% do valor pago pelo consumidor. No caso do gás de cozinha (GLP), essa fatia pode passar de 50%.
A fatia do leão: para onde vai seu dinheiro?
Para entender a conta, imagine que você pagou R$ 6,30 no litro da gasolina. O dinheiro não vai todo para a Petrobras. A decomposição atual aproximada mostra:
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Petrobras (refinaria): Fica com cerca de R$ 2,20 (35%). É a parte que sofreu redução, mas é apenas um terço do total.
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Impostos (ICMS + federais): Levam cerca de R$ 2,15 (34%). Em 2026, o ICMS foi uniformizado e subiu R$ 0,10, pesando mais na conta.
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Mistura (etanol): Custa cerca de R$ 0,88 (14%).
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Distribuição e revenda: Ficam com R$ 1,12 a R$ 1,20 (17% a 20%).
É neste último item que mora a polêmica. Há cinco anos, essa margem era significativamente menor. Hoje, grandes empresas privadas (Vibra, Raízen e Ipiranga) dominam metade do mercado nacional e, sem o controle estatal, buscam a máxima eficiência financeira.
Do controle estatal ao livre mercado
Até 2019, a Petrobras controlava a BR Distribuidora. Era uma integração vertical: do poço de petróleo até o frentista. Críticos dizem que isso permitia ao governo usar a BR para “segurar” preços. O mercado dizia que era ineficiente.
A privatização, concluída em 2021, transformou a BR na gigante privada Vibra Energia. O resultado foi o fim do “freio oficial”.
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A tese do mercado: A privatização trouxe gestão moderna e eficiência.
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A realidade dos dados: O MME identificou uma “tendência de aumento persistente” nas margens após a saída da União.
Hoje, vigora a liberdade total de preços, iniciada formalmente em 2002, mas radicalizada após a venda da BR. Não há tabelamento. Se a distribuidora quiser aumentar sua margem para compensar custos ou ampliar lucros, ela pode. E tem feito isso.
O cenário em 2026
O ano começou com pressão de todos os lados. Além do aumento das margens privadas, entraram em vigor em 1º de janeiro novas alíquotas de ICMS fixas. A gasolina subiu R$ 0,10 e o diesel R$ 0,05 só em impostos estaduais.
Para o mato-grossense, que depende do transporte rodoviário para tudo, a notícia é dura: a “gordura” que antes amortecia crises agora virou lucro no balanço das empresas. A Petrobras pode até baixar o preço na origem, mas o caminho até a bomba está cada vez mais caro.
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CONSUMIDOR
Procon-MT apreende produtos vencidos em comércios de três cidades do interior
Operação fiscalizou supermercados e lojas agropecuárias em Confresa, Alto da Boa Vista e São Félix do Araguaia; açougues foram autuados por carne moída irregular.
O Procon Estadual de Mato Grosso autuou e notificou nove estabelecimentos comerciais nos municípios de Confresa, Alto da Boa Vista e São Félix do Araguaia durante uma operação realizada entre 29 de março e 10 de abril. A ação resultou na apreensão de produtos com prazo de validade vencido e na identificação de infrações graves, como a venda irregular de carne moída em açougues.
A iniciativa da Secretaria Adjunta de Proteção e Defesa dos Direitos do Consumidor (Procon-MT) verificou a adequação de supermercados e lojas agropecuárias às normas vigentes. Em Confresa, o cenário foi crítico: todos os cinco supermercados fiscalizados apresentaram irregularidades e tiveram mercadorias apreendidas por estarem impróprias para o consumo.
De acordo com o coordenador de Fiscalização do órgão, André Badini, os estabelecimentos autuados em Confresa enfrentam agora processos administrativos. O coordenador esclareceu que os supermercados podem ser multados, sendo garantido a eles o amplo direito de defesa.
Irregularidades em açougues e rótulos
A fiscalização detectou problemas na comercialização de alimentos que oferecem riscos à saúde. Em alguns açougues, foi encontrada carne previamente moída, prática que desobedece às normas do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA). Além disso, produtos eram ofertados sem tabela nutricional, sem preços visíveis e sem informações essenciais em língua portuguesa.
Outro ponto de alerta foi a omissão de informações sobre a presença de glúten e a falta de destaque para a data de vencimento em itens em promoção com menos de 30 dias de validade. Segundo o órgão, os lojistas também falharam ao não informar de maneira clara o valor original e o promocional em produtos de liquidação, descumprindo a legislação estadual.
Orientações e prazos para adequação
Em Alto da Boa Vista e São Félix do Araguaia, as ações tiveram caráter orientativo, motivadas por denúncias. Os comércios foram notificados para corrigir falhas como a ausência do exemplar do Código de Defesa do Consumidor (CDC) e a falta de cartazes informativos sobre órgãos de defesa.
A secretária adjunta do Procon-MT, Ana Rachel Pinheiro Gomes, explicou que haverá retorno às localidades para conferência. Segundo a secretária, após o prazo fixado na primeira visita, uma nova fiscalização será realizada para verificar se os fornecedores realizaram as adequações solicitadas.
Infrações recorrentes encontradas:
Produtos com validade vencida;
Carne moída previamente (fora das normas do MAPA);
Ausência de preços e informações sobre glúten;
Falta de cartaz com contatos do Procon e dados de impostos;
Promoções sem indicação clara da data de vencimento.
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