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Esporte e Cidadania

Organização técnica e adesão popular definem estreia da prova da Polícia Civil

A 1ª Corrida da Core, realizada pela Polícia Civil de Mato Grosso, reuniu 1,5 mil pessoas em Várzea Grande. O evento foi elogiado pela organização técnica e estrutura, atraindo desde atletas de elite até iniciantes, superando a concorrência de audiência com a final da Libertadores.

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Cerca de 1,5 mil participantes lotaram o Parque Novo Mato Grosso na estreia do evento organizado pela Core. Foto: PJC

Eventos esportivos organizados por forças de segurança ganham tração no estado; 1ª edição reuniu 1,5 mil pessoas e agradou de atletas de elite a iniciantes no Parque Novo Mato Grosso.

A galeria de imagens pode ser acessada no final da matéria

O desafio de realizar um evento de massa em um sábado à tarde, concorrendo diretamente com a atenção de uma final de Libertadores, é considerável. Ainda assim, a Polícia Civil de Mato Grosso mobilizou cerca de 1,5 mil pessoas no Parque Novo Mato Grosso, em Várzea Grande, neste último sábado (29.11). A 1ª Corrida da Core, organizada pela Coordenadoria de Recursos Especiais, não apenas preencheu as vagas disponíveis, como estabeleceu um novo padrão de organização para eventos institucionais da corporação.

A iniciativa visou aproximar a instituição da comunidade por meio do esporte, testando a capacidade logística da Core fora do ambiente operacional tático. O resultado foi uma adesão massiva que mesclou corredores profissionais, amadores experientes e cidadãos que buscavam sair do sedentarismo.

Aprovação técnica de veteranos

 

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Para quem vive o calendário de corridas de rua, os detalhes técnicos — como hidratação e altimetria — são decisivos. Reginaldo Duarte, atleta amador com mais de uma década de experiência nas pistas, retomou o ritmo de competições este ano. A prova da Core foi seu quarto desafio na temporada e serviu como termômetro de qualidade.

Duarte conquistou o segundo lugar na classificação geral dos 5 km, cravando o tempo de 18min21s. A avaliação dele sobre a estrutura foi direta e focada na logística oferecida ao corredor.

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“Essa foi a minha quarta prova do ano e achei ela muito bem organizada, principalmente por ser a primeira edição. A questão do apoio aos atletas, a hidratação, alimentação, a camisa é bonita, um bom material e o percurso também, muito bem planejado. Gostei muito, foi bem bacana”, analisou o atleta, validando o planejamento da coordenadoria.

Superação e novos recordes pessoais

 

O traçado plano do Parque Novo Mato Grosso favoreceu quem buscava baixar tempo ou aumentar distâncias. Foi o caso de Yasmim Aguilera. Após um hiato nas competições, ela retornou há sete meses e vinha focada em provas mais curtas. Neste sábado, no entanto, ela dobrou a meta e surpreendeu ao cruzar a linha de chegada em primeiro lugar na geral dos 10 km, com 45min26s.

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A transição de categoria foi um teste pessoal bem-sucedido. “Minhas últimas provas foram todas de 5 km. A sensação de vencer essa de 10 km foi muito legal”, relatou Yasmim.

Ela corroborou a percepção de qualidade técnica do evento, ponto crucial para a fidelização dos atletas em edições futuras. “Foi uma corrida muito boa. Foi tudo perfeito, toda estrutura, o percurso muito bom para os corredores, bem plano, muito bom mesmo, gostei muito”, completou a campeã.

O impacto social e humano

 

Além da performance, o evento cumpriu um papel social ao incentivar a prática esportiva em quem estava longe das pistas. Lorena Cristina Correia Santana, mãe e até então sedentária, viu na Corrida da Core a porta de entrada para uma mudança de estilo de vida. A experiência, segundo ela, ultrapassou a barreira física.

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“Para uma primeira corrida foi bem emocionante, a equipe organizadora muito motivadora e organização excelente. Sinto que não vou parar só nessa corrida, senti um calor e uma emoção para competir muito grande. Sou mãe e não faço muitos exercícios, sou sedentária, mas me senti viva correndo e irei competir outras vezes”, desabafou Lorena, ilustrando o impacto motivacional da ação.

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Avaliação institucional e futuro

 

Para a Polícia Civil, o evento foi uma extensão da filosofia de trabalho da unidade de elite. Frederico Murta, delegado e coordenador da Core, associou o êxito da corrida ao padrão operacional exigido nas missões da coordenadoria. “A Polícia Civil busca sempre atender a população com excelência. Nossa prova procurou seguir esse mesmo viés”, pontuou.

Murta destacou que o planejamento superou até mesmo o obstáculo da concorrência com o futebol, um dos maiores receios de organizadores de eventos no país.

“Nós estamos bem satisfeitos com a realização do evento. Foi a primeira corrida da unidade. Grande evento da Core, da Polícia Civil. Tudo ocorreu dentro do planejado. A gente conseguiu vender todas as inscrições, a adesão foi bem alta, mesmo sendo no horário da final das Libertadores. Mas acabou dando tudo certo, o evento foi bem tranquilo, sem nenhuma intercorrência”, explicou o delegado.

O objetivo agora é perenizar a iniciativa. Com o feedback positivo e a ausência de falhas logísticas, a expectativa é inserir a prova definitivamente na agenda estadual. “Estamos bem animados para o próximo ano! Que a gente possa repetir isso e entrar de vez para o calendário esportivo de Mato Grosso”, finalizou Murta.

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EXCLUSIVO:Mato Grosso prende 13,8% mais em um ano e estoura a capacidade das prisões

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encarceramento em Mato Grosso

A população prisional cresce 13,8% em um ano, a quarta maior alta do país, e as vagas encolhem enquanto os homicídios recuam

A população prisional de Mato Grosso cresceu 13,8% em um único ano, a quarta maior alta do país, e passou a superar a capacidade das unidades. O estado passou de 19.606 para 22.636 pessoas encarceradas entre 2024 e 2025, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O salto ocorreu no mesmo período em que os homicídios caíram mais de 20% no estado.

Encarceramento em Mato Grosso sobe 13,8%

A taxa de encarceramento de Mato Grosso subiu de 511,1 para 581,4 presos por 100 mil habitantes entre 2024 e 2025. O aumento ficou atrás apenas dos registrados por Bahia, Piauí e Rio Grande do Sul, entre as unidades da federação com dados comparáveis, e foi mais que o dobro do avanço nacional.

No conjunto do país, a taxa passou de 427,9 para 452,0 presos por 100 mil habitantes, alta de 5,6%. O Brasil chegou a 960.976 pessoas no sistema penitenciário em 2025, ante 905.843 no ano anterior. Com a taxa de 581,4, Mato Grosso encarcera cerca de 29% mais pessoas, em proporção à população, do que a média brasileira, e terminou o período com a nona maior taxa entre os estados.

O número de presos apenas no sistema penitenciário, sem contar a custódia policial, saiu de 19.548 para 22.557 em doze meses, um acréscimo de mais de três mil pessoas. A parcela sob custódia das polícias, bem menor, subiu de 58 para 79, na contramão do país, onde esse grupo recuou de 3.751 para 3.692 pessoas. Somadas as duas, o estado encarcerava 22.636 pessoas ao fim de 2025, quase todo o acréscimo concentrado nas unidades penitenciárias.

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Menos vagas, mais presos

Enquanto prendia mais, o estado perdeu vagas. O sistema penitenciário mato-grossense tinha 22.204 vagas em 2024 e passou a 21.178 em 2025, uma redução de mais de mil lugares. A combinação de mais presos com menos vagas inverteu a relação entre lotação e capacidade.

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Em 2024, havia folga: a razão entre presos e vagas era de 0,9, com mais lugares do que detentos e nenhum déficit registrado. Em 2025, o indicador chegou a 1,1, e o sistema acumulou um déficit de 1.379 vagas. O número significa que, ao fim do ano, o estado tinha mais presos do que lugares oficialmente disponíveis nas unidades penais, o oposto do que ocorria doze meses antes.

Mesmo com a piora, a superlotação de Mato Grosso ainda é menor que a média nacional, onde há 1,4 preso para cada vaga. A diferença está na direção: no país, essa razão ficou estável entre 2024 e 2025, enquanto no estado subiu de 0,9 para 1,1.

Mais de um terço sem condenação definitiva

Parte do crescimento vem de presos ainda sem condenação. Os provisórios de Mato Grosso passaram de 7.108 para 8.550 entre 2024 e 2025, e sua participação no total subiu de 36,3% para 37,8%. Mais de um terço da população prisional do estado aguarda julgamento.

O peso desse grupo pressiona diretamente as vagas, já que cada pessoa detida sem condenação ocupa um lugar no sistema enquanto espera a decisão da Justiça. O número de provisórios cresceu cerca de 20% no período, ritmo superior ao do conjunto da população prisional.

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A proporção coloca Mato Grosso na quinta posição do país em fatia de presos provisórios, atrás de Bahia, Piauí, Minas Gerais e Pernambuco. O índice está bem acima da média nacional, de 25,7%. Os condenados seguem maioria, com 14.086 pessoas, mas perderam participação relativa, ao caírem de 63,7% para 62,2% do total. O grupo sem julgamento definitivo cresceu mais rápido que o de sentenciados no período.

Mortes atrás das grades recuam

Na contramão da lotação, os óbitos registrados no sistema prisional caíram. As mortes por causas naturais ou de saúde passaram de 15 para 9 entre 2024 e 2025, e as de origem criminal, de 12 para 6. As duas categorias medidas pelo levantamento recuaram no período, mesmo com o aumento do número de presos.

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Prende mais, mata menos

O aumento do encarceramento coincidiu com a forte queda dos homicídios no estado. No mesmo intervalo, a taxa de homicídios dolosos de Mato Grosso caiu 22,1%, a quarta maior redução do país. Os dois movimentos, em sentidos opostos, alimentam a discussão sobre a relação entre prender e conter a violência.

O debate tem dois lados conhecidos. De um, a ideia de que retirar mais pessoas de circulação reduz a prática de crimes. De outro, a constatação de que a queda de homicídios costuma responder a uma combinação de fatores, e que ampliar o encarceramento tem custo elevado sem resultado assegurado sobre a violência. Os números de 2025 alimentam a controvérsia, sem encerrá-la.

Os dados do anuário não permitem estabelecer relação de causa entre um fenômeno e outro. Eles registram que o encarceramento cresceu e que os homicídios caíram no mesmo período, sem demonstrar que um explica o outro. A variação das mortes violentas depende de múltiplos fatores, e o recorte do levantamento não isola a contribuição do encarceramento.

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Os dados de 2025 do sistema prisional foram compilados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. A continuidade da alta das prisões e a evolução do déficit de vagas dirão se a superlotação registrada em 2025 se aprofunda nos próximos anos.

 

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