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Gestão pública

EXCLUSIVO: Acima do limite de servidores, Sapezal “pejotiza” cuidadores com MEIs recém-abertos

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cuidadores MEI Sapezal

Documentos obtidos com exclusividade pelo conexaomt revelam que gestão municipal afrouxou exigências técnicas para evitar “esvaziamento” de licitação de R$ 1,3 milhão, assumindo riscos com alunos vulneráveis.

A Prefeitura de Sapezal (MT) passou a contratar microempreendedores individuais (MEIs) recém-criados para atuar como cuidadores de crianças com necessidades especiais após esgotar a cota legal de contratação de servidores para a área. O Edital de Chamamento Público nº 007/2025 prevê gastos de R$ 1.314.647,80 por um ano, por PJ, segundo documentos oficiais do processo.

A manobra, conhecida como “pejotização”, foi a saída encontrada pela administração para manter o serviço nas escolas após o preenchimento total das 250 vagas destinadas ao cargo de Técnico em Desenvolvimento Infantil. Para garantir que as vagas fossem preenchidas por empresas terceirizadas, a Secretaria Municipal de Educação reduziu as exigências de qualificação técnica dos profissionais, levantando suspeitas de irregularidades trabalhistas e gerando riscos na qualidade do atendimento aos alunos.

Confissão em documento e afrouxamento de regras

A falta de vagas para contratação legal via concurso ou processo seletivo foi admitida pela própria prefeitura na fase de planejamento da licitação. O Estudo Técnico Preliminar (ETP nº 152/2025) registra textualmente que “o lotacionograma atual consta com TODAS AS 250 VAGAS PREENCHIDAS”, justificando a necessidade de credenciamento de empresas.

Para viabilizar a estratégia, a Secretaria Municipal de Educação e Cultura solicitou, em 29 de julho de 2025, a exclusão de itens de qualificação técnica do edital. A Comunicação Interna nº 041/2025 determinou que a comprovação de experiência passasse a aceitar apenas uma declaração de chefia imediata.

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O anexo do documento interno expõe o motivo de facilitar a entrada de profissionais com menos qualificação formal: “poderá não haver a constituição de Pessoa Jurídica que possa comprovar experiência no desempenho da referida função, fato este que poderá ocasionar o esvaziamento de credenciamentos”.

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Empresas abertas na véspera da contratação

O afrouxamento das regras resultou na contratação de MEIs criados dias antes da publicação oficial. Atos de retificação de homologação, assinados no dia 4 de março de 2026 pelo prefeito Claudio José Scariote, confirmam o credenciamento de quatro prestadoras de serviço.

Documentos da Receita Federal mostram que três dessas “empresas” individuais de ensino foram abertas às vésperas da homologação. Os CNPJs de Maria Isabel Ferreira Santos e Geane Francisca de Lima foram abertos em 27 de fevereiro de 2026. Já a empresa de Samira Sthefany da Silva foi registrada um dia antes, em 26 de fevereiro. Apenas o registro de Leticia das Gracas Ferreira é anterior, datado de outubro de 2025.

Três das profissionais foram credenciadas para receber até R$ 1,3 milhão ao longo da vigência , enquanto uma foi credenciada para uma fatia estimada em R$ 582.916,40.

Indícios de subordinação trabalhista

Apesar de o vínculo ser com pessoas jurídicas, as exigências práticas configuram subordinação típica de servidores públicos, prática vedada pelo artigo 48 da Nova Lei de Licitações (Lei nº 14.133/2021).

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O Termo de Referência do edital determina que as contratadas cumpram oito horas diárias de trabalho em cinco escolas municipais específicas, e seis horas diárias em seis creches do município. O cálculo orçamentário também evidencia a conversão de salários em notas fiscais: o valor pago às empresas foi estipulado com base no salário atual do cargo contratado (R$ 3.896,48), resultando em diárias de R$ 116,89 e R$ 155,86. Ao mesmo tempo, o edital isenta o MEI de apresentar vínculo empregatício.

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O outro lado

A reportagem procurou o prefeito sobre os apontamentos dos documentos, mas até o momento não houve retono, o espaço continua aberto.

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DESTAQUE

Candidato a Delegado-Geral posta vídeo criticando Ministro do STF

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Delegado Sérgio Ribeiro, de barba e camisa rosa clara, fala à câmera diante de uma bandeira do Brasil

Candidato à lista tríplice da Polícia Civil publicou o vídeo neste sábado (03) em sua rede social.

O delegado Sérgio Ribeiro Araújo, candidato à lista tríplice para Delegado-Geral da Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso, publicou neste sábado (3), no Instagram, um vídeo em que chama a candidata ao Senado Janaína Riva (MDB) de “a candidata de Gilmar Mendes” e diz que ela está “em pré-campanha com Gilmar”. A reportagem não localizou declaração do ministro nem da candidata que confirme apoio eleitoral. O delegado não respondeu às perguntas enviadas até o fechamento da matéria, o espaço permanece aberto.

Assista ao vídeo no final da matéria.

A lista tríplice

A Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso conduz a eleição interna que forma a lista tríplice para a escolha do Delegado-Geral, cargo cuja nomeação cabe ao governador. A Comissão Eleitoral deferiu quatro candidaturas: Rodrigo Bastos da Silva, Sergio Ribeiro Araújo, Claudemir Ribeiro de Souza e Jefferson Dias Chaves, listados na ordem em que as inscrições foram solicitadas. A campanha vai de 5 de outubro a 8 de novembro, a votação ocorre em 9 de novembro, das 8h às 17h, por sistema eletrônico, com voto uninominal, facultativo e secreto, e a formação da lista está prevista para 12 de novembro.

Segundo informações obtidas pela reportagem, o delegado Rodrigo Bastos da Silva, que atualmente é Secretário-adjunto de Segurança Pública, é franco favorito para ocupar a vaga.

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O que o delegado Sérgio Ribeiro afirma no vídeo

O vídeo apresenta Janaína Riva a partir de uma ligação entre a família Riva e o ministro do Supremo que remontaria a 2015. A imagem em destaque no vídeo mostra Janaína abraçada ao ministro; Segundo apurou a redação do ConexaoMT, a imagem foi registrada no dia 30 de agosto de 2024, na Argentina e mostra o momento em que a deputada estadual de Mato Grosso, Janaína Riva, cumprimenta o ministro e decano do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes. O encontro ocorreu durante a cerimônia na qual o ministro recebeu o título de Doutor Honoris Causa concedido pela Universidade de Buenos Aires (UBA). Abaixo a montagem que aparece no vídeo, na sequência, a imagem original.

Imagem em destaque no vídeo postado.

Imagem original.

Na narrativa, um advogado pessoal de Gilmar Mendes passa a atuar para os Riva em casos que chegariam a ele; José Riva, pai da candidata, é preso três vezes e solto em todas pelo ministro; Janaína o homenageia com a medalha de honra do Estado e o acompanha ao exterior; e, meses depois, um jornalista que denunciava a família é censurado por ele. O post traz a legenda “Pensei bem! Vote 222. Vote 444!”.

As prisões e solturas de José Geraldo Riva

1️⃣ Maio de 2014 – Operação Ararath
    • A Prisão: Riva foi preso pela Polícia Federal em 20 de maio de 2014 durante a quinta fase da Operação Ararath, que investigava crimes contra o sistema financeiro e lavagem de dinheiro.
    • A Soltura: Foi libertado apenas três dias depois, em 23 de maio de 2014, por uma decisão liminar do ministro Dias Toffoli.
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2️⃣ Fevereiro de 2015 – Operação Imperador
    • A Prisão: Detido em 21 de fevereiro de 2015 na Operação Imperador, acusado de liderar um esquema que desviou mais de R$ 62 milhões da ALMT por meio de fraudes com empresas de fachada.
    • A Soltura: Permaneceu cerca de quatro meses preso no Centro de Custódia de Cuiabá. Foi libertado em 23 de junho de 2015 após um julgamento empatado na Segunda Turma do STF.
        • Votaram a favor da soltura: ministros Gilmar Mendes (abriu a divergência) e Dias Toffoli.
        • Votaram pela manutenção da prisão: ministros Teori Zavascki e Cármen Lúcia.

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3️⃣ Julho de 2015 – Operação Ventríloquo
    • A Prisão: Preso preventivamente no início da manhã de 1º de julho de 2015 na Operação Ventríloquo, sob acusação de desvios através de um pagamento de dívida bancária simulada da ALMT.
    • A Soltura: Foi libertado na mesma noite do dia 1º de julho de 2015, passando menos de 24 horas preso. A soltura rápida ocorreu por meio de uma liminar concedida individualmente pelo ministro Gilmar Mendes, que entendeu que a nova ordem de prisão afrontava a autoridade da decisão recém-tomada pela Segunda Turma do STF.

4️⃣ Outubro de 2015 – Operação Metástase (Célula de Satélite)
  • A Prisão: Foi preso novamente em 13 de outubro de 2015 durante os desdobramentos da Operação Metástase, que apurava fraudes e desvios usando a chamada “verba de suprimento de fundos” da Assembleia Legislativa.
  • A Soltura: Riva passou quase seis meses na cadeia por este mandado. Ele obteve a liberdade definitiva em 8 de abril de 2016, novamente por decisão do ministro Gilmar Mendes, que estendeu os efeitos dos Habeas Corpus anteriores sob o argumento de que Riva já não ocupava cargo público e não poderia interferir nas investigações.

A liminar do TRE-MT sobre o vídeo de Medeiros

A suposta ligação entre Gilmar Mendes e a Deputada Janína Riva já foi motivo de apreciação judicial. Em 30 de setembro, o juiz auxiliar da propaganda do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso, Flávio Fraga e Silva, determinou em liminar que José Medeiros (PL) removesse em três horas um vídeo publicado em 28 de setembro no Instagram, que atribuía a candidatura de Janaína Riva a uma articulação de ministros do STF. A multa foi estipulada em R$ 5 mil por hora de atraso, limitada inicialmente a R$ 100 mil. O juiz também proibiu Medeiros de publicar, republicar ou impulsionar conteúdo que afirme ou sugira que a candidatura foi articulada ou patrocinada por ministros do STF, com citação expressa a Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, sob multa de R$ 30 mil por nova publicação.

O juiz anotou que a liberdade de manifestação política protege a crítica, ainda que dura, mas não alcança fatos sabidamente falsos ou gravemente manipulados que atinjam a honra de concorrentes. A defesa de Janaína alegou que as afirmações são inverídicas e que a candidatura foi definida em convenção do MDB, por consenso da coligação. O pedido de proibição genérica de manifestações futuras foi negado. 

Sérgio é apoiador declarado de Medeiros.

Imagem do instagram pessoal de Sérgio.

O Estatuto e o edital da PJC-MT

O estatuto da carreira, a Lei Complementar 407/2010, inclui entre os deveres do policial civil “proceder na vida pública e particular de modo a dignificar a função policial civil” (art. 219, XIV). A publicação de notícia aparentemente falsa pode ser escrutinada em procedimento próprio. A reportagem não busca atribuir valor para conduta do delegado, tampouco afirma que houve o cometimento de qualquer crime. Certo é que a mensagem do vídeo postado, acusando um Ministro da mais alta corte de favorecer um ou outro por interesses políticos pode gerar algum ruído nas tratativas institucionais entre a Polícia Civil do Estado de Mato Grosso e o Judiciário caso o pleito de Sérgio ao cargo de Delegado-Geral seja concretizado.  

Perguntas sem resposta

A redação entrou em contato com o delegado Sérgio, enviando-lhe perguntas por mensagem sobre a origem das afirmações do vídeo e a manutenção da publicação. Não houve resposta até o fechamento da matéria. O espaço segue aberto ao delegado, à campanha de Janaína Riva e ao gabinete do ministro Gilmar Mendes.

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O primeiro turno das eleições gerais é amanhã (04). Na Polícia Judiciária Civil, a campanha da eleição interna vai de 5 de outubro a 8 de novembro, os delegados votam em 9 de novembro e a formação da lista tríplice está prevista para 12 de novembro.

Assista ao vídeo:

 

 

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