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ECONOMIA

No Conselhão, ministro destaca crescimento da indústria e recorde de exportações

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Durante a reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, o Conselhão, nesta quarta-feira (10/06), o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, destacou números que mostram a retomada do setor industrial brasileiro nos últimos anos e os recordes do comércio exterior.

“Depois de 14 anos, nós assistimos e colecionamos alguns indicadores favoráveis ao crescimento da indústria. Ela cresceu em 2024, com o lançamento da Nova Indústria Brasil (NIB), 3,1%. Neste primeiro quadrimestre, ela já avançou 1,7%”, destacou o ministro ao pontuar que o cenário tem reflexo positivo no mercado de trabalho. O Brasil registrou a menor taxa de desemprego, fixada em 5,6%, e recorde de 103 milhões de pessoas empregadas.

Para impulsionar o desenvolvimento, a Nova Indústria Brasil (NIB) disponibiliza R$ 713 bilhões, por meio do Plano Mais Produção. Até agora, já foram contratados 428 mil projetos, com potencial de regionalização da política industrial. “O bom é que 61% desses projetos estão no Norte, Nordeste e Centro-Oeste. É preciso regionalizar e internalizar o desenvolvimento”, avaliou o ministro.

Para ele, um dos grandes resultados da efetividade da NIB é a expressiva atração de investimento privado. Nas seis missões que compõem a política industrial, a iniciativa privada lidera os aportes em quatro delas. Além disso, no programa MOVER, voltado à mobilidade verde e inovadora, o governo reservou R$ 19 bilhões em créditos tributários, o que estimulou R$ 190 bilhões em investimentos anunciados pelos setores automotivo e de autopeças.

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“Nós precisamos continuar desenhando políticas como, por exemplo, a depreciação acelerada, de renovação do parque fabril, e outras que levem a essa indústria mais resiliente e capaz de ser, de fato, mais produtiva e exportadora”, afirmou o ministro.

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Brasil está exportando como nunca

“O crescimento das exportações e importações, do fluxo de comércio no Brasil, no ano passado, foi de 6,2%, que é o topo da média colecionada pela Organização Mundial do Comércio. Graças ao BNDES, à ABDI e àEmbrapii, nós temos hoje uma expansão viva da nossa base exportadora”, afirmou Márcio Elias Rosa. Em 2025, o Brasil chegou a 29.818 empresas exportadoras, o maior número da série histórica.

De acordo com o ministro, a consolidação de novos acordos internacionais, a exemplo do tratado Mercosul-União Europeia e EFTA, posiciona o país de forma estratégica no protagonismo global.

Para fortalecer os avanços gerados por essa pauta econômica positiva, o ministro Márcio Elias Rosa anunciou que, a partir de junho, iniciará um ciclo de visitas a federações das indústrias e associações comerciais em parceria com a ABDI, ApexBrasil e BNDES. As missões terão o objetivo de difundir os mecanismos de crédito da NIB e os novos acordos internacionais.

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De acordo com o ministro, os encontros também terão como tema central a Política Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio. A iniciativa visa engajar o setor produtivo no debate cotidiano sobre a eliminação da violência contra a mulher, combatendo ativamente as repercussões desse problema social dentro do ambiente corporativo e fabril.

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Marca de alto renome – PIX

No encontro, o ministro anunciou que a marca Pix será reconhecida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) como marca de alto renome, se tornando a primeira marca vinculada ao Governo Federal a alcançar o alto renome.

Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços

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AGRONEGÓCIO

Tarifa dos EUA ameaça exportação e pressiona crédito interno, diz especialista

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Levantamento aponta impacto de US$ 9,5 bilhões na indústria; juros altos e inadimplência recorde em 2026 acendem alerta para revisão de contratos financeiros no Brasil

A tarifa de importação de 25% proposta pelos Estados Unidos contra o Brasil, prevista para entrar em vigor em 15 de julho, ameaça as exportações da indústria nacional.

A redução das receitas em dólar afeta a capacidade de investimento das empresas exportadoras, a geração de empregos e o ritmo de crescimento do país. O movimento tende a restringir o mercado de financiamentos e sustentar taxas de juros elevadas em um cenário macroeconômico interno já marcado pelo endividamento recorde de famílias e pelo maior patamar histórico de empresas com contas em atraso.

Projeções tarifárias e impacto industrial

A nova política comercial imposta pelo governo americano prevê uma taxação base de 25% sobre os produtos brasileiros. Em segmentos específicos, as barreiras tarifárias poderão atingir a marca de 37,5%. A medida acende um alerta imediato para os efeitos em cadeia na economia nacional, a partir de sua implementação programada para o meio do mês de julho.

Estudos preliminares indicam que as barreiras gerarão impactos significativos tanto para o setor produtivo quanto para os consumidores locais. Um levantamento elaborado pela FIA Business School, feito sob encomenda para o Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo & Mercado de Consumo (IBEVAR), mensura a extensão do entrave comercial. A pesquisa estima que o aumento das tarifas comprometerá cerca de US$ 9,5 bilhões em exportações industriais brasileiras.

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A perda de espaço no mercado internacional contribui para uma desaceleração econômica geral. O advogado tributarista, empresário e presidente do escritório Durão, Almeida & Pontes — Advogados Associados, Bruno Medeiros Durão, analisa as variáveis do cenário prospectivo.

Advogado tributarista Bruno Medeiros Durão, presidente do escritório Durão & Almeida, Pontes Advogados Associados

“O estudo parece economicamente plausível ao apontar que barreiras tarifárias impostas pelos EUA podem afetar o consumo e o crescimento no Brasil. Contudo, os números devem ser vistos como projeções condicionadas a premissas específicas, e não como perdas certas”, completa Bruno.

Reflexos diretos no mercado de financiamentos

A retração nas vendas externas transcende o setor industrial e atinge o sistema financeiro e o fluxo de capitais. Com a diminuição da entrada contínua de recursos atrelados à exportação, o mercado projeta uma possível pressão sobre as taxas de câmbio. Esse fator, somado ao aumento da percepção de risco sistêmico, cria um ambiente onde as empresas brasileiras enfrentam condições muito mais restritivas de financiamento.

Esse movimento de retração de liquidez e aumento de garantias exigidas reduz a oferta de crédito disponível na economia. Consequentemente, o cenário contribui para a manutenção e até mesmo a elevação de taxas de juros que já se encontram em patamares restritivos para o fomento do consumo e da produção.

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O alerta do setor jurídico e econômico ganha força devido ao ponto de partida do Brasil em 2026. O país convive com um dos ambientes de crédito mais onerosos do mundo. Levantamentos recentes atestam que a economia brasileira detém a segunda maior taxa de juros reais no cenário global. Famílias e empresas negociam e contratam crédito em um ambiente altamente pressionado, lidando com a inadimplência crescente e a adoção de maior seletividade por parte das instituições bancárias para a liberação de capital.

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Endividamento recorde e a seletividade dos bancos

Os indicadores internos de capacidade de pagamento ratificam o sinal amarelo no mercado de consumo e na solvência empresarial. A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), registrou o maior patamar de endividamento da sua série histórica. Em abril de 2026, 80,9% das famílias brasileiras relataram possuir dívidas ativas. No mesmo período, a pesquisa identificou que 29,7% dessas famílias já apresentavam contas em atraso.

A situação do setor corporativo espelha a dificuldade do consumidor pessoa física. Dados apurados pela Serasa Experian apontam que a inadimplência empresarial atingiu 8,9 milhões de Cadastros Nacionais da Pessoa Jurídica (CNPJs) em março de 2026. O indicador mantém o grau de inadimplência muito próximo ao seu maior nível histórico registrado.

Para Bruno Durão, a combinação entre choque externo nas exportações e fragilidade financeira interna cria um terreno fértil para a proliferação de abusos em contratos financeiros. A pressão econômica induz consumidores e empresários a aceitarem propostas de renegociações, novos empréstimos ou rolagem de financiamentos sem uma análise técnica e detalhada do Custo Efetivo Total da operação bancária.

“Quando a economia fica mais pressionada, é comum que empresas e famílias busquem crédito para manter suas obrigações em dia. O problema é que, em momentos de aperto, muitas pessoas assinam contratos sem verificar taxas, encargos, seguros embutidos, tarifas administrativas e cláusulas que podem tornar a dívida praticamente impagável”, afirma o presidente do escritório Durão, Almeida & Pontes.

Identificação e combate aos juros abusivos

O especialista tributário adverte que a adoção do tarifaço de importação pelos Estados Unidos não confere autorização legal ou econômica para que bancos, financeiras ou fomento mercantil elevem juros de forma arbitrária nas renovações de crédito locais.

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“Para que um aumento de juros seja economicamente justificável, ele precisa estar ligado a fatores concretos, como maior risco de crédito, inflação mais alta, aumento do custo de captação ou elevação da taxa básica de juros. O tarifaço pode influenciar esses fatores indiretamente, mas não serve como justificativa automática para qualquer aumento de taxa”, comenta.

A legislação brasileira não classifica juros altos como ilegais por si só. A abusividade contratual é caracterizada pela presença de desproporção evidente, falta de transparência na oferta, cobrança de encargos indevidos não previstos na regulamentação, prática de venda casada de produtos, capitalização irregular e desequilíbrio excessivo entre a instituição financeira e o cliente.

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“Juros abusivos não se combatem apenas olhando o percentual da taxa. É preciso analisar o contrato inteiro: Custo Efetivo Total, tarifas, seguros, forma de amortização, multa, mora, capitalização e se houve informação clara ao consumidor ou ao empresário. Muitas vezes, o abuso está escondido nos detalhes”, destaca Durão.

Orientações para a proteção do caixa corporativo

A blindagem do fluxo de caixa torna-se a prioridade em um cenário corporativo pressionado por restrições de liquidez. A queda das exportações industriais eleva os custos operacionais gerais, dificultando o acesso a linhas de crédito convencionais com taxas sustentáveis. A assinatura de contratos mal negociados nesse período de estresse financeiro compromete o caixa em curto prazo, trava o planejamento de investimentos, gera inadimplência estrutural e resulta em execução judicial de garantias ou restrições de crédito ao CNPJ da empresa.

“Empresário não pode tratar crédito como solução automática. Antes de contratar ou renegociar uma dívida, é necessário avaliar se a operação cabe no fluxo de caixa, se existem alternativas melhores e se as condições impostas pelo banco são compatíveis com o mercado e com a realidade da empresa”, orienta Bruno.

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A revisão técnica deve focar em produtos específicos amplamente utilizados pelo varejo e indústria local. O advogado recomenda extrema atenção aos contratos de formação de capital de giro, ferramentas de antecipação de recebíveis, modelos de empréstimos com garantia real, financiamentos empresariais de longo prazo, limites de cartão corporativo e grandes renegociações de passivo bancário.

“Em períodos de instabilidade, a pressa pode sair cara. O empresário precisa comparar propostas, exigir transparência, guardar todos os documentos e buscar análise técnica quando perceber que a dívida cresceu de forma desproporcional ou que os encargos estão inviabilizando a operação”, conclui o advogado. O mercado monitora o prazo de 15 de julho para a consolidação das tarifas americanas, período em que as renegociações de dívida interna tendem a ganhar volume nos bancos brasileiros.

 

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