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Senador Desafia STF e Cobra Limites: "Congresso Precisa Reagir"

O senador Wellington Fagundes (PL) desafia o STF e cobra a imposição de limites à atuação da Corte, argumentando que a omissão do Legislativo tem levado o Supremo a legislar.

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Limites atuação STF
Limites atuação STF

A discussão sobre os limites da atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) ganha cada vez mais destaque no cenário político brasileiro. O senador Wellington Fagundes (PL) desafia abertamente a atuação do STF. Além disso, cobra a imposição de restrições e reforça a importância de um maior equilíbrio entre os poderes.

Omissão do Congresso e a atuação do STF

Em entrevista ao PodOlhar, o senador argumentou que a influência da Corte cresce, em parte, devido à omissão do Congresso Nacional. Segundo Fagundes, o Legislativo precisa ser mais assertivo. Dessa forma, evitará que o Judiciário legisle sobre temas de sua competência. Se não houvesse excesso dos poderes, cada um querendo usurpar o papel do outro, isso não aconteceria. Entretanto, precisamos reconhecer que, por vezes, existe omissão do Congresso Nacional”, afirmou. E completou, de forma enfática: “O Congresso precisa reagir”. Como exemplo, Wellington Fagundes citou a decisão do STF. A Corte concedeu 180 dias para o Congresso regulamentar a legislação ambiental do Pantanal. Caso o Legislativo não cumpra o prazo, a própria Corte fará a regulamentação.

Propostas de mudança e a reação do STF

Nos últimos anos, diversas propostas que visam alterar o funcionamento do STF ganharam força no Congresso. Algumas Propostas de Emenda à Constituição (PECs) sugerem, por exemplo, a criação de mandatos fixos de 15 anos para os ministros da Corte. Além disso, tramitam propostas que permitem que deputados e senadores possam sustar decisões do Supremo. Em resposta, o ministro Gilmar Mendes afirmou que tais projetos atacam o Judiciário. Além disso, representam um retrocesso democrático.

As principais propostas em discussão para limitar a atuação do STF

Diversas propostas legislativas buscam reformular a atuação do STF. Ou seja, pretendem estabelecer novos limites e mecanismos de controle. Entre as principais iniciativas em discussão no Congresso Nacional, destacam-se:

  • PEC da Vaga (PEC 35/2015 e outras): A PEC 35/2015, que trata da escolha de ministros do STF, foi originalmente apresentada pelo senador Lasier Martins (Podemos-RS). No entanto, existem outras PECs apensadas a ela (ou seja, tramitando em conjunto) com propostas semelhantes e autores diferentes. A questão do mandato fixo, por exemplo, é abordada em outras propostas. Entre elas, a PEC 44/2012, do então senador Luiz Henrique da Silveira (MDB-SC). É importante notar que a autoria e o conteúdo das PECs podem mudar durante a tramitação.

  • PEC que Permite ao Congresso Sustar Decisões do STF (PEC 49/2021): Esta PEC permite ao Congresso Nacional sustar decisões do STF. Foi apresentada por um grupo de deputados, liderados por Paulo Eduardo Martins (PL-PR).

  • Projetos sobre Impeachment (PLs diversos): Não existe um único PL central sobre o impeachment de ministros do STF, mas sim vários projetos que abordam o tema de diferentes formas. Por exemplo, o PL 4754/2016, do deputado Rubens Bueno (Cidadania-PR), busca definir os crimes de responsabilidade dos ministros do STF. Há também o PL 872/2021, do deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ). Este projeto altera a lei do impeachment (Lei 1.079/1950), incluindo os ministros do STF. E o PLS 234/2016 do Senador Lasier Martins.

Críticas à limitação dos poderes do STF e possíveis consequências

As propostas de limitação dos poderes do STF não são isentas de críticas. Juristas, acadêmicos e membros do Judiciário têm expressado preocupações. Temem os impactos negativos dessas medidas para a independência do Judiciário e para a estabilidade democrática.

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Argumentos contra a limitação

Argumenta-se que medidas como o Congresso sustar decisões do STF, ou a mudança na escolha dos ministros, comprometem a independência do Judiciário. Consequentemente, o tornam mais vulnerável a pressões políticas. Isso poderia afetar a imparcialidade das decisões e a proteção dos direitos fundamentais. Críticos apontam que o impeachment de ministros por decisões que desagradem ao Congresso poderia ser usado como retaliação política. Portanto, criaria insegurança jurídica e instabilidade institucional. A ideia de o Legislativo rever ou anular decisões do STF é vista como uma violação da separação de poderes. Este é um dos pilares do Estado Democrático de Direito. Mudanças frequentes nas regras do STF, ou interferências externas, prejudicam a segurança jurídica. Consequentemente, afetam a confiança dos cidadãos e investidores no sistema legal. Alguns especialistas temem que regras muito rígidas para o STF possam “engessar” a Corte. Dessa forma, a impediriam de adaptar sua jurisprudência às mudanças sociais e novas demandas.

Riscos e efeitos indesejados

O conflito entre Legislativo e Judiciário pode levar a uma crise institucional. Assim, traria consequências imprevisíveis para a estabilidade política e econômica. A incerteza sobre os limites do STF e a possível reversão de decisões geram insegurança jurídica. Isso afeta o ambiente de negócios e a vida dos cidadãos. A politização do debate sobre o STF e a exposição da Corte a críticas desgastam sua imagem. Consequentemente, enfraquecem sua legitimidade perante a opinião pública. Paradoxalmente, as medidas para limitar o STF podem gerar mais judicialização. Ou seja, as próprias regras impostas à Corte podem ser questionadas.

Mandato fixo para ministros: ama solução?

Questionado sobre a possibilidade de estabelecer mandatos fixos para os ministros do STF, Fagundes demonstrou cautela. O senador afirmou que ainda não possui uma posição consolidada sobre o tema. “Não sei se isso é necessário no momento. Já aumentamos a idade de aposentadoria compulsória de 70 para 75 anos. Prefiro discutir esse assunto com mais calma”, ponderou.

Mecanismos de controle e responsabilização

Por outro lado, o senador defendeu mecanismos mais eficientes para responsabilizar ministros. Isso para aqueles que, na visão do Legislativo, extrapolem suas funções. “Considero que precisamos aprimorar a possibilidade de impeachment para aqueles que cometerem excessos. O Supremo precisa ter supremacia em suas decisões para não se enfraquecer, no entanto, também é necessário que haja um limite”, declarou Fagundes.

Comparativo com outros órgãos

Fagundes comparou a situação do STF com a de outros órgãos que passaram por mudanças legislativas com o objetivo de conter excessos. “O TCU supera o Executivo em poder, pois impõe decisões. O MP, antes com grande poder, foi enquadrado por lei. ‘Acredito que é hora de diálogo e de cada um cumprir seu papel’, avaliou.” A fala de Fagundes ressalta a importância do debate sobre os limites do STF. Além disso, destaca a busca por um sistema de freios e contrapesos mais eficaz.

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BRASIL

Paraguai convoca embaixador brasileiro após fala de Lula sobre a Guerra da Tríplice Aliança

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O governo do Paraguai convocou na quinta-feira (30) o embaixador do Brasil em Assunção, José Antonio Marcondes de Carvalho, para uma reunião hoje, sexta-feira (31). O encontro, que contará com a presença do vice-presidente Pedro Alliana e do chanceler Rubén Ramírez Lezcano, servirá para a entrega de uma nota oficial em reação a declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a Guerra da Tríplice Aliança (1864-1870).

A crise diplomática teve origem em um discurso proferido por Lula no dia 24 de julho, durante visita à empresa de defesa Avibras Aeroco, em Jacareí (SP). Ao defender maiores investimentos na indústria de defesa e o preparo das Forças Armadas diante de ameaças internacionais, o presidente brasileiro afirmou:

“A gente gosta de paz, mas a gente não pode se esquecer que um belo dia o Paraguai resolveu invadir o Brasil. Invadiu Corumbá, ao mesmo tempo invadiu o Uruguai, invadiu a Argentina. E aquela guerra que parecia que era nada durou cinco anos.”

Lula relacionou o episódio histórico à necessidade de o Brasil manter capacidade de dissuasão, citando as extensas fronteiras do país, recursos estratégicos e a existência de “loucos pelo mundo querendo fazer guerra”.

A declaração gerou forte reação no Paraguai, onde o conflito — conhecido localmente como Guerra da Tríplice Aliança — é tratado como um trauma nacional. Estimativas paraguaias apontam perdas demográficas extremamente elevadas, com parte significativa da população masculina adulta dizimada. Na quarta-feira (29), a Cámara de Diputados aprovou por unanimidade a Declaración N° 1836. O documento repudiou as falas de Lula por “distorsionar y minimizar la dimensión histórica” da guerra e por atribuir ao Paraguai a origem do conflito. A resolução reafirma a memória histórica como patrimônio irrenunciável da identidade, soberania e dignidade paraguaias e exorta o Executivo a buscar a restituição de troféus de guerra, entre eles o Cañón Cristiano.

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Em coletiva de imprensa nesta quinta-feira, o chanceler Rubén Ramírez Lezcano declarou que o governo compartilha o sentimento da cidadania sobre o episódio sensível. “A dignidade do Paraguai não é negociável”, afirmou. Segundo o ministro, o tema foi tratado no mais alto nível desde o início. Ele reiterou, no entanto, que o Brasil permanece um aliado estratégico.

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Há informações conflitantes sobre um possível telefonema entre Lula e o presidente Santiago Peña. O lado paraguaio afirmou que a conversa ocorreu; fontes do governo brasileiro negaram o contato.

A convocação do embaixador é um gesto diplomático clássico de protesto formal, sem ruptura de relações. O governo paraguaio enfatizou que a defesa da memória histórica é compatível com a cooperação bilateral, desde que baseada em respeito mútuo e reconhecimento dos fatos que marcaram a história comum dos dois povos.

A Guerra da Tríplice Aliança opôs o Paraguai à aliança formada por Brasil, Argentina e Uruguai. No Paraguai, a narrativa oficial e a memória coletiva enfatizam o caráter devastador do conflito e rejeitam interpretações que atribuam unilateralmente a iniciativa da guerra ao país. No Brasil, a historiografia tradicionalmente registra a invasão paraguaia a Corumbá e a outros territórios como o estopim do enfrentamento.

Até o momento, não há indícios oficiais de que a reação paraguaia esteja vinculada a agendas externas. As declarações públicas do governo de Santiago Peña e do Congresso centraram-se exclusivamente na defesa da dignidade nacional e na sensibilidade histórica do tema.

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