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PF investiga Lulinha

STF autoriza inquérito sobre Lulinha por suspeita de corrupção

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André Mendonça atende a pedido da Polícia Federal para investigar suposto favorecimento em negócios de canabidiol no Ministério da Saúde

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta quinta-feira (30) a Polícia Federal a abrir um inquérito contra o empresário Fábio Luís Lula da Silva. A investigação apura suspeitas de tráfico de influência e corrupção no Ministério da Saúde.

O caso examina se o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva atuou para favorecer a venda de medicamentos à base de canabidiol para o Sistema Único de Saúde (SUS). A apuração é um desdobramento da Operação Sem Desconto, que investiga fraudes no INSS.

Intermediação e alvos

O pedido formal da PF, protocolado em 24 de julho e distribuído ao ministro no dia 29, foca no lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. A empresa World Cannabis, ligada a Antunes, e a empresária Roberta Luchsinger, apontada como interlocutora, também são citadas no documento.

A investigação analisa se Fábio Luís intermediou acesso a autoridades do Ministério da Saúde e do gabinete da Presidência da República em troca de vantagens. O negócio com a cannabis medicinal não chegou a se concretizar.

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Operação Sem Desconto

A apuração original, denominada Operação Sem Desconto, investiga fraudes bilionárias em descontos de aposentadorias e pensões. Lulinha já era mencionado nessa fase, na qual Mendonça autorizou a quebra de seus sigilos bancário, fiscal e telemático no início de 2026.

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Como a PF entendeu que os fatos referentes à Saúde não possuíam ligação direta com os desvios previdenciários, solicitou a abertura de um inquérito autônomo. A Presidência do STF manteve Mendonça como relator do novo caso devido à conexão com o processo anterior.

Resposta da defesa e andamento

O advogado Marco Aurélio de Carvalho, que defende Fábio Luís, afirmou que recebeu a informação com “tranquilidade” e classificou a iniciativa policial como “pesca probatória”. A defesa nega que o empresário tenha obtido qualquer pagamento por negócios realizados junto ao governo.

O procedimento tramita no STF sob sigilo.

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BRASIL

Paraguai convoca embaixador brasileiro após fala de Lula sobre a Guerra da Tríplice Aliança

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O governo do Paraguai convocou na quinta-feira (30) o embaixador do Brasil em Assunção, José Antonio Marcondes de Carvalho, para uma reunião hoje, sexta-feira (31). O encontro, que contará com a presença do vice-presidente Pedro Alliana e do chanceler Rubén Ramírez Lezcano, servirá para a entrega de uma nota oficial em reação a declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a Guerra da Tríplice Aliança (1864-1870).

A crise diplomática teve origem em um discurso proferido por Lula no dia 24 de julho, durante visita à empresa de defesa Avibras Aeroco, em Jacareí (SP). Ao defender maiores investimentos na indústria de defesa e o preparo das Forças Armadas diante de ameaças internacionais, o presidente brasileiro afirmou:

“A gente gosta de paz, mas a gente não pode se esquecer que um belo dia o Paraguai resolveu invadir o Brasil. Invadiu Corumbá, ao mesmo tempo invadiu o Uruguai, invadiu a Argentina. E aquela guerra que parecia que era nada durou cinco anos.”

Lula relacionou o episódio histórico à necessidade de o Brasil manter capacidade de dissuasão, citando as extensas fronteiras do país, recursos estratégicos e a existência de “loucos pelo mundo querendo fazer guerra”.

A declaração gerou forte reação no Paraguai, onde o conflito — conhecido localmente como Guerra da Tríplice Aliança — é tratado como um trauma nacional. Estimativas paraguaias apontam perdas demográficas extremamente elevadas, com parte significativa da população masculina adulta dizimada. Na quarta-feira (29), a Cámara de Diputados aprovou por unanimidade a Declaración N° 1836. O documento repudiou as falas de Lula por “distorsionar y minimizar la dimensión histórica” da guerra e por atribuir ao Paraguai a origem do conflito. A resolução reafirma a memória histórica como patrimônio irrenunciável da identidade, soberania e dignidade paraguaias e exorta o Executivo a buscar a restituição de troféus de guerra, entre eles o Cañón Cristiano.

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Em coletiva de imprensa nesta quinta-feira, o chanceler Rubén Ramírez Lezcano declarou que o governo compartilha o sentimento da cidadania sobre o episódio sensível. “A dignidade do Paraguai não é negociável”, afirmou. Segundo o ministro, o tema foi tratado no mais alto nível desde o início. Ele reiterou, no entanto, que o Brasil permanece um aliado estratégico.

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Há informações conflitantes sobre um possível telefonema entre Lula e o presidente Santiago Peña. O lado paraguaio afirmou que a conversa ocorreu; fontes do governo brasileiro negaram o contato.

A convocação do embaixador é um gesto diplomático clássico de protesto formal, sem ruptura de relações. O governo paraguaio enfatizou que a defesa da memória histórica é compatível com a cooperação bilateral, desde que baseada em respeito mútuo e reconhecimento dos fatos que marcaram a história comum dos dois povos.

A Guerra da Tríplice Aliança opôs o Paraguai à aliança formada por Brasil, Argentina e Uruguai. No Paraguai, a narrativa oficial e a memória coletiva enfatizam o caráter devastador do conflito e rejeitam interpretações que atribuam unilateralmente a iniciativa da guerra ao país. No Brasil, a historiografia tradicionalmente registra a invasão paraguaia a Corumbá e a outros territórios como o estopim do enfrentamento.

Até o momento, não há indícios oficiais de que a reação paraguaia esteja vinculada a agendas externas. As declarações públicas do governo de Santiago Peña e do Congresso centraram-se exclusivamente na defesa da dignidade nacional e na sensibilidade histórica do tema.

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