Câmara Federal
Projeto de Nelson Barbudo afasta imediatamente servidor denunciado por assédio sexual
Proposta apresentada pelo deputado Nelson Barbudo estabelece licença remunerada durante investigação e demissão com banimento de 15 anos do serviço público em caso de condenação por assédio sexual.
Texto protocolado pelo deputado Nelson Barbudo (PL-MT) estabelece licença remunerada durante a investigação e amplia inabilitação para 15 anos após cumprimento da pena.
A Câmara dos Deputados recebeu nesta semana o Projeto de Lei nº 350/2026, de autoria do deputado federal Nelson Barbudo (PL-MT), que altera o rito processual para casos de assédio sexual na administração pública. A proposta determina o afastamento sumário de agentes públicos de suas funções assim que houver o recebimento de uma denúncia ou a instauração de procedimento apuratório, sem aguardar a conclusão do inquérito administrativo ou judicial.
A medida atinge servidores de qualquer nível hierárquico ou esfera de poder. Pelo texto, o acusado perde imediatamente o exercício do cargo, incluindo posições de chefia ou confiança, durante todo o período em que durar a investigação dos fatos. Para evitar violações ao princípio da presunção de inocência, o projeto estipula que o afastamento preventivo ocorra sem prejuízo da remuneração mensal.
Denúncia por terceiros e definição legal
O projeto amplia o escopo de quem pode formalizar a acusação. Além da própria vítima, o texto autoriza que terceiros — como colegas de trabalho ou testemunhas — apresentem a denúncia, desde que tenham presenciado os fatos ou possuam elementos comprobatórios. A justificativa legal para esse dispositivo é contornar situações onde a vítima se encontra impossibilitada de denunciar por receio de retaliação ou coação funcional.
O PL também tipifica, para fins desta lei, o assédio sexual como qualquer conduta de conotação sexual não desejada no contexto laboral, seja por meio de palavras, gestos, contatos físicos ou intimidações que afetem a dignidade da mulher.
Endurecimento das sanções
O texto prevê dois desfechos possíveis após a conclusão das investigações. Se a denúncia for julgada improcedente, o servidor retorna às funções originais. Contudo, em caso de condenação transitada em julgado (quando não há mais recursos) ou comprovação do ilícito na esfera administrativa, a perda da função pública torna-se automática.
A proposta endurece significativamente o tempo de afastamento do serviço público para condenados. O Artigo 6º estabelece que o autor do crime ficará impedido de assumir qualquer cargo, emprego ou função pública por um prazo mínimo de 15 anos. A contagem desse prazo, segundo a redação, inicia-se apenas após o cumprimento da pena principal, estendendo o período de inelegibilidade administrativa.
Justificativa do autor
Na argumentação anexada à proposta, o deputado Nelson Barbudo defende que o afastamento sumário é necessário para impedir que a hierarquia seja usada para silenciar vítimas. O parlamentar sustenta que a manutenção do denunciado no cargo durante o processo pode ser interpretada como conivência estatal. “Se houver prova ou indício sério, o afastamento é medida de justiça. Se for provada a inocência, o servidor volta; se for culpado, a lei será implacável”, afirma o texto da justificativa.
O projeto segue agora para análise das comissões permanentes da Câmara dos Deputados.
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CÂMARA FEDERAL
Nikolas Ferreira aciona MP contra Acadêmicos de Niterói após desfile com ala de “conservadores em lata”
O deputado Nikolas Ferreira e a OAB-RJ apontam intolerância religiosa na ala “Neoconservadores em conserva” do desfile da Acadêmicos de Niterói, que homenageou Lula na Sapucaí. A escola defende a liberdade artística.
Deputado e OAB-RJ apontam intolerância religiosa em enredo que homenageou Lula na Sapucaí; escola alega perseguição política e defende liberdade artística.
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) anunciou, nesta quarta-feira (18), que protocolará uma representação no Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) contra Wallace Alves Palhares, presidente da escola de samba Acadêmicos de Niterói. O parlamentar acusa a agremiação de intolerância religiosa durante o desfile realizado no último domingo (15), na Marquês de Sapucaí, que teve como enredo uma homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O ponto central da controvérsia é a ala batizada de “Neoconservadores em conserva”. Segundo o deputado, a alegoria, que fantasiava foliões como latas de sardinha, retratou cristãos e conservadores “como se fossem algo a ser descartado”. Para Ferreira, a encenação “ultrapassou o limite da crítica política e entrou no terreno perigoso do preconceito religioso”.
A representação deve ser formalizada nesta quinta-feira (19), com base na Lei 7.716/89, que define os crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor, e na Constituição Federal. “Carnaval é cultura. Fé é direito fundamental. Já a intolerância religiosa é crime”, afirmou o deputado em nota à imprensa.
OAB-RJ endossa críticas
A movimentação jurídica ganhou reforço institucional na última terça-feira (17), quando a seccional do Rio de Janeiro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ) emitiu uma nota de repúdio. A entidade classificou o episódio como “intolerância religiosa”, argumentando que a apresentação feriu “o direito fundamental de liberdade religiosa” e configurou “afronta direta à ordem constitucional”.
A Frente Parlamentar Católica também se manifestou, alinhando-se ao discurso de que a sátira ofendeu a fé cristã ao ridicularizar publicamente o grupo religioso em uma transmissão de alcance internacional.
A defesa da escola
A Acadêmicos de Niterói, que estreou no Grupo Especial com o enredo “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, defende-se sob o argumento da autonomia artística. Em nota, a agremiação afirmou ser vítima de “tentativa de interferência direta na nossa autonomia artística”, citando pedidos anteriores para mudança de enredo e questionamentos sobre o samba. A escola sustenta que as ações buscam “enquadrar e silenciar” sua liberdade de criação no carnaval.
Contexto político e verbas públicas
Além da questão religiosa, o desfile é alvo de disputa eleitoral. Opositores classificaram a apresentação como um “desfile-comício em rede nacional” financiado com dinheiro público. Reportagens indicam que a escola teria recebido repasses da Prefeitura de Niterói, com valores citados em torno de R$ 4 milhões em contextos gerais da cidade para o carnaval, e especificamente cerca de R$ 1 milhão para este desfile segundo algumas fontes.
Nikolas Ferreira informou que, caso o presidente Lula registre candidatura oficial, pretende ingressar também com uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) por abuso de poder político e econômico. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) havia negado pedidos prévios para barrar o desfile, considerando-o, a princípio, uma manifestação cultural.
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