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POLÍTICA

Racha na direita: Nikolas e bolsonaristas divergem sobre impeachment de Toffoli em ato de 1º de março

A convocação para o ato de 1º de março expôs um racha estratégico na direita: enquanto Nikolas Ferreira foca no impeachment de Dias Toffoli, o núcleo bolsonarista teme fortalecer Lula e prefere priorizar a anistia aos presos do 8 de janeiro.

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ato de 1º de março
O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) lidera a convocação focada no STF, enquanto ala ligada a Bolsonaro prefere priorizar a anistia no ato de 1º de março. Foto: EBC.

Disputa de narrativas opõe grupo que pede cabeça de Toffoli a setor bolsonarista que prioriza anistia e teme dar a Lula nova indicação ao STF.

 

A convocação para as manifestações de 1º de março expôs uma fissura estratégica na oposição ao governo federal. De um lado, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) lidera o chamado para o ato “Acorda Brasil”, empunhando como bandeira central o impeachment do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF). Do outro, uma ala pragmática ligada ao núcleo duro do bolsonarismo avalia a tática como um erro que pode fortalecer o presidente Lula e diluir a luta pela anistia aos presos do 8 de janeiro.

O estopim para a mobilização de Nikolas foi a recente saída de Toffoli da relatoria do caso Banco Master, após pressão interna e relatórios da Polícia Federal citarem o ministro. Aproveitando o momento, Nikolas lançou o lema “Fora, Lula, Moraes e Toffoli”, defendendo, segundo registros de 12 de fevereiro, que o ministro “não tem que somente ser afastado da relatoria. Deve ser afastado do STF. Assim como Moraes”.

A estratégia, contudo, não encontrou eco unânime. Segundo informações de bastidores de 16 de fevereiro, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi aconselhado a evitar a pauta do impeachment de Toffoli. O cálculo político dessa ala é frio: a eventual derrubada de um ministro agora abriria uma vaga imediata para que Lula indicasse um substituto, perpetuando a influência do governo no tribunal.

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A troca de farpas

A divergência tática escalou para o confronto público no fim de semana de 15 de fevereiro. Nas redes sociais, Nikolas publicou uma mensagem interpretada como um ultimato à base conservadora: “Não acredite em quem convoque o ato sem pedir impeachment de ministros do STF”.

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A resposta veio do deputado estadual Gil Diniz (PL-SP), aliado histórico da família Bolsonaro. Sem citar nomes, Diniz atacou o que chamou de “alpinista político (pequeno ou grande) que cresceu com o apoio do Presidente Jair Bolsonaro” e que, segundo ele, erra ao não ter “por prioridade nesse momento a Anistia Geral e Irrestrita para todos os presos políticos”.

Disputa por protagonismo

Enquanto Nikolas tenta capitanear a indignação contra o Judiciário usando o caso Master como combustível, a família Bolsonaro parece operar em outra frequência. Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Michelle Bolsonaro têm compartilhado convocações que enfatizam a liberdade de Jair Bolsonaro e a anistia, sem dar destaque ao nome de Toffoli.

Para a ala pragmática, insistir na saída de ministros do STF às vésperas do calendário eleitoral é uma armadilha. Além do risco da nova indicação por Lula, há o temor de que a pauta “Toffoli” seja capturada por movimentos de direita não bolsonaristas, como o MBL, tirando o foco da anistia — tema vital para a sobrevivência política do ex-presidente e seus aliados mais próximos.

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Aliados de Nikolas, por sua vez, rebatem as críticas nos bastidores, classificando a resistência do clã Bolsonaro como “dor de cotovelo” diante da capacidade de mobilização autônoma do deputado mineiro. O ato de 1º de março servirá como termômetro: não apenas da força da oposição nas ruas, mas de qual corrente — a radical anti-STF ou a pragmática pró-anistia — detém a hegemonia da direita hoje.

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Eclipse com “lua de sangue” poderá ser visto em Mato Grosso

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O céu de agosto reserva dois eclipses, e apenas um deles interessa a quem vai olhar para cima em Mato Grosso. O eclipse solar total do dia 12 fica restrito ao hemisfério norte, sem qualquer visibilidade no Brasil. Já o eclipse lunar da virada de 27 para 28 de agosto será observável de todo o território nacional, a olho nu, sem equipamento e sem precisar sair da cidade.

Em Cuiabá e nas demais cidades do estado, a fase interessante começa às 22h33 do dia 27, quando a sombra da Terra passa a avançar visivelmente sobre o disco lunar. O ponto máximo ocorre às 0h12 do dia 28, já na madrugada de sexta-feira. Os horários seguem o fuso de Mato Grosso, uma hora atrás de Brasília, onde o mesmo instante marca 23h33 e 1h12. A fase parcial se estende por cerca de três horas e 18 minutos.

Tecnicamente, o fenômeno é um eclipse parcial. Na prática, chega perto do limite. Os cálculos da Nasa apontam magnitude umbral de 0,930, o que significa que 93% do diâmetro da Lua entrará na umbra, a parte central e mais escura da sombra terrestre. A porção encoberta não desaparece: ganha um tom avermelhado, resultado da luz solar que atravessa a atmosfera da Terra e é desviada para a superfície lunar.

“Este eclipse será apenas parcial, mas será quase total, já que 93% da Lua vai entrar na sombra escura da Terra”, afirmou a astrônoma Josina Nascimento, do Observatório Nacional, em entrevista divulgada pela instituição.

A posição da Lua no céu favorece o observador brasileiro. No momento de maior cobertura, o satélite estará alto, o que dispensa a busca por mirantes, morros ou horizontes abertos. Um quintal, uma varanda ou uma rua com pouca iluminação artificial bastam. A duração longa também dá margem a nuvens passageiras sem que a observação se perca.

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Por que a Lua fica vermelha

Dentro da umbra, a Lua não fica no escuro absoluto. Ela continua recebendo luz do Sol, só que filtrada pela atmosfera da Terra. O ar espalha os tons azuis e deixa passar os avermelhados — o mesmo processo que tinge o céu no fim da tarde. Essa luz vermelha é desviada pela borda da atmosfera terrestre e vai parar na superfície lunar, o que dá ao disco eclipsado a cor de cobre.

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A intensidade do tom varia. Quanto mais poeira, fumaça e nuvem houver na atmosfera no momento do eclipse, mais escura fica a Lua. Em anos de grandes erupções vulcânicas, o disco chega a quase sumir da vista.

O eclipse lunar só acontece na Lua cheia, quando Sol, Terra e Lua se alinham nessa ordem. Como a órbita lunar é inclinada cerca de cinco graus em relação ao plano da órbita terrestre, o alinhamento perfeito não se repete todo mês — daí a raridade relativa do fenômeno.

A sombra projetada pela Terra tem duas camadas. A penumbra é uma sombra branda, que escurece a Lua de forma quase imperceptível. A umbra é a região central, onde a luz solar direta fica bloqueada. O eclipse penumbral costuma passar despercebido; o parcial e o total acontecem quando a Lua penetra a umbra.

Segundo o Observatório Nacional, este será o último eclipse lunar de grande magnitude visível de todo o país até o fim da década. Os previstos para 2027 são penumbrais. Em 2028, os dois parciais terão coberturas bem menores, inferiores a 3% e a 33%.

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O eclipse do Sol, e por que ele não chega aqui

O fenômeno do dia 12 é de outra natureza. Nele, a Lua se interpõe entre a Terra e o Sol e projeta uma sombra estreita sobre a superfície do planeta. Só quem está dentro dessa faixa vê o Sol completamente encoberto.

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A trajetória começa no extremo norte da Sibéria, na Rússia, cruza o Oceano Ártico, passa pela Groenlândia e pela Islândia e atinge a Europa continental no fim da tarde. Na Espanha, a faixa de totalidade se estende da costa norte — com Oviedo, A Coruña e Bilbao — até as Ilhas Baleares, e uma pequena área de Portugal também é alcançada. No ponto de maior eclipse, em águas internacionais, a totalidade dura pouco mais de dois minutos.

Fora dessa faixa, o Sol aparece apenas parcialmente coberto. É o caso da França, de boa parte da Europa, do norte da África e de trechos da América do Norte. O Brasil fica fora de qualquer uma das duas condições.

O eclipse solar total resulta de uma coincidência geométrica. O Sol tem diâmetro cerca de 400 vezes maior que o da Lua, mas está aproximadamente 400 vezes mais distante. Os dois discos, vistos da Terra, acabam com tamanho aparente semelhante.

Proteção só é exigida no eclipse solar

A diferença de segurança entre os dois fenômenos é absoluta. O eclipse lunar não oferece risco algum: pode ser acompanhado a olho nu, com binóculo ou telescópio, do começo ao fim.

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Já o eclipse solar exige filtro certificado pela norma ISO 12312-2 ou máscara de solda com vidro número 14. Óculos escuros comuns, chapas de raio X, filmes fotográficos, vidros escurecidos e telas de celular não protegem a retina. A exposição direta sem filtro adequado pode causar lesão permanente na visão.

Quem quiser acompanhar o eclipse solar de longe encontra transmissões ao vivo. A Agência Espacial Europeia exibe o fenômeno em seu canal no YouTube, e o Observatório Nacional também transmite os dois eventos gratuitamente pela mesma plataforma.

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