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Política e saúde

Bolsonaro segue em UTI com pneumonia grave sob escolta policial no DF;entenda a doença

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internação de Bolsonaro na UTI
Ex-presidente Jair Bolsonaro trata pneumonia grave na UTI do Hospital DF Star, em Brasília, sob forte esquema de segurança e vigilância policial 24 horas. Foto: Rogério Florentino.

Ex-presidente trata infecção bacteriana; médicos descartam intubação no momento, mas alertam para risco associado a histórico clínico fragilizado.

O ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre pena de prisão, permanece internado na UTI do Hospital DF Star, em Brasília, neste sábado (14), tratando uma broncopneumonia bacteriana bilateral. O paciente apresenta quadro hemodinâmico estável, respira com suporte não invasivo e está consciente, mas a equipe médica classifica a situação como extremamente grave e sem previsão de alta.

A infecção respiratória eleva o risco de falência pulmonar em um organismo que acumula complicações pós-cirúrgicas e internações recorrentes desde 2018. O episódio ocorre enquanto Bolsonaro cumpre sentença de 27 anos e três meses no regime fechado, reacendendo debates sobre a viabilidade de sua manutenção na prisão.

O ex-presidente foi socorrido na sexta-feira (13) após passar mal na “Papudinha”, sala de Estado-Maior do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal. Ele apresentou febre alta, queda de saturação, sudorese e vômitos durante a madrugada.

Avaliação médica e riscos

Bolsonaro recebe antibióticos na veia e fisioterapia respiratória. Segundo o cardiologista Leandro Echenique, nas primeiras oito horas de intervenção, o paciente “estabilizou”, encontra-se “consciente” e com o desconforto “amenizado”. O médico adverte, no entanto, que a infecção está “longe de estar em um quadro controlado”.

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O diagnóstico aponta para uma pneumonia de provável origem aspirativa, ligada ao histórico de refluxos e problemas gástricos. O cirurgião Cláudio Birolini, que acompanha o caso, reforça que “o risco de um evento potencialmente mortal […] surge nessas circunstâncias” se não houver intervenção adequada.

Michelle Bolsonaro relatou nas redes sociais uma “leve melhora” na noite de sexta-feira. Ela afirmou que o marido conseguiu se alimentar, tomou banho e teve a febre reduzida, mas segue indisposto.

Fragilidade crônica e histórico

Médicos projetam uma internação de pelo menos sete dias. O declínio da saúde de Bolsonaro, que completará 71 anos na próxima semana, tem sido documentado com frequência. Echenique observa que o ex-presidente “vem deteriorando aos poucos” desde que sofreu uma facada em 2018.

Desde o atentado, Bolsonaro passou por sete cirurgias relacionadas ao ferimento e outras quatro intervenções. Entre os problemas recentes estão quadros graves de refluxo, episódios em que chegou a ficar sem respirar por alguns segundos, anemia e uma esofagite intensa diagnosticada em julho de 2025.

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Internação sob custódia

O Supremo Tribunal Federal estabeleceu regras rígidas para a internação. O ministro Alexandre de Moraes autorizou a presença de Michelle como acompanhante e visitas dos filhos, mas proibiu a entrada de celulares e dispositivos eletrônicos. Há vigilância policial 24 horas na porta do quarto e nas dependências do hospital.

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A deterioração clínica alimenta uma disputa narrativa. Familiares e aliados políticos associam a fragilidade à pressão psicológica e às condições prisionais, pressionando por uma transferência para prisão domiciliar humanitária.

Os pedidos anteriores de mudança de regime, no entanto, foram negados pelo STF. A recusa baseou-se em laudos de uma junta médica da Polícia Federal, que concluiu que o ex-presidente possui condições clínicas para permanecer na unidade prisional, recebendo os devidos cuidados médicos quando necessário.

Broncopneumonia aspirativa

O que é

Broncopneumonia aspirativa é uma inflamação infecciosa dos pulmões causada pela inalação acidental de conteúdo estranho para as vias aéreas inferiores — saliva, secreções da boca e garganta, restos de alimentos, líquidos ou conteúdo gástrico regurgitado. Quando esse material chega aos brônquios e alvéolos, desencadeia primeiro uma reação inflamatória química e, em seguida, uma infecção bacteriana, geralmente por bactérias da própria flora oral ou intestinal.

O termo “bronco” indica o comprometimento dos brônquios; “pneumonia” indica a inflamação do parênquima pulmonar; “aspirativa” identifica o mecanismo de entrada do agente agressor.

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Por que é diferente de uma pneumonia comum

Na pneumonia comum, o agente infeccioso chega ao pulmão pelas vias aéreas normalmente — por inalação de gotículas contaminadas, por exemplo. Na aspirativa, o problema começa por uma falha no mecanismo de proteção da via aérea: a deglutição, o reflexo de tosse ou o fechamento da glote não funcionam adequadamente, e o conteúdo que deveria ir para o esôfago vai para a traqueia e os pulmões.

Por que idosos são especialmente vulneráveis

É nesse ponto que o risco se concentra. Praticamente todos os fatores que aumentam o risco de aspiração se acumulam com o envelhecimento:

Disfagia — A dificuldade de deglutição afeta uma parcela significativa dos idosos, especialmente após AVC, com doença de Parkinson, demência avançada ou simplesmente pelo enfraquecimento muscular próprio da idade (sarcopenia). A pessoa aspira sem perceber, muitas vezes durante o sono (microaspirações noturnas).

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Reflexo de tosse reduzido — O reflexo que normalmente expulsa corpos estranhos das vias aéreas fica menos eficiente com a idade. O idoso aspira e não tosse — o material permanece no pulmão.

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Imunidade diminuída — O sistema imunológico envelhecido (imunossenescência) tem menos capacidade de conter a infecção pulmonar uma vez instalada, o que acelera a progressão da doença.

Uso de medicamentos sedativos — Benzodiazepínicos, opioides, antipsicóticos e outros fármacos muito utilizados em idosos reduzem ainda mais o nível de alerta e os reflexos protetores.

Higiene oral precária — A carga bacteriana na boca é um fator determinante na gravidade da pneumonia aspirativa. Idosos institucionalizados ou dependentes têm, em geral, pior higiene oral.

Acamamento e imobilidade — A posição horizontal prolongada favorece o refluxo gástrico e dificulta a drenagem das secreções pulmonares.

Como se manifesta e por que é grave

Os sintomas clássicos — febre, tosse produtiva, falta de ar, dor torácica — podem estar atenuados ou ausentes no idoso. É comum a apresentação ser inespecífica: confusão mental súbita, queda do estado geral, recusa alimentar ou simples piora funcional sem causa aparente. Isso atrasa o diagnóstico.

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A gravidade é alta: a broncopneumonia aspirativa é uma das principais causas de morte em idosos com demência avançada e uma complicação frequente e letal em pacientes após AVC. A mortalidade intra-hospitalar pode ser elevada dependendo do estado funcional prévio, das bactérias envolvidas (algumas muito resistentes a antibióticos) e da velocidade do tratamento.

O que acontece quando a deglutição falha.

Fatores de risco que se acumulam no idoso — uma visão integrada do por que a vulnerabilidade é tão alta nessa faixa etária.

O que acontece dentro do pulmão após a aspiração, em três etapas.

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Classe média brasileira tem renda entre R$ 2,5 mil e R$ 10,8 mil, segundo IBGE e FGV — números virais nas redes inflam os valores

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Faixas oficiais da FGV Social mostram onde cada família se encaixa

PNAD Contínua 2025 mostra rendimento per capita de R$ 2.316 no Brasil e R$ 2.335 em Mato Grosso; classificação da FGV Social, referência acadêmica no país, aponta que classe média alta começa em R$ 10.885 de renda domiciliar total mensal — sem multiplicadores nem ajustes por estado.

A renda da classe média brasileira tem faixas claras na metodologia oficial, e os valores estão abaixo do que peças gráficas viralizadas nas redes sociais vêm sugerindo. A FGV Social, em estudo divulgado em janeiro de 2026 pelo economista Marcelo Neri, situa a classe média (Classe C) em domicílios com renda total mensal entre R$ 2.525 e R$ 10.885. O IBGE, pela PNAD Contínua 2025 publicada em fevereiro deste ano, registrou rendimento domiciliar per capita médio de R$ 2.316 no Brasil. Em Mato Grosso, o valor foi de R$ 2.335 — décima posição entre as 27 unidades da federação.

Uma peça gráfica que circulou com força nas redes nas últimas semanas, atribuída à PNAD Contínua 2025, apresenta números bem superiores. Para Mato Grosso, indica R$ 10.500 como renda mensal necessária para uma família ser considerada classe média alta. O valor surge de aplicar um multiplicador de 1,5 sobre o per capita estadual divulgado pelo IBGE e, em seguida, multiplicar o resultado por três moradores. A fórmula não consta nas metodologias oficiais usadas para classificar famílias brasileiras e produz diferenças expressivas em relação às referências reconhecidas.

Pela classificação da FGV Social, classe média alta começa em R$ 10.885 de renda domiciliar total no Brasil inteiro, sem distinção por estado. Acima de R$ 14.191, entra-se na classe A. As faixas valem para a soma de tudo o que entra na casa — salários, aposentadorias, aluguéis, pensões e benefícios sociais — em valores médios de 2023, atualizados pelo IPCA.

Aplicado ao Mato Grosso, o critério oficial resulta em um número bem menor. Com per capita estadual de R$ 2.335 e tamanho médio de domicílio próximo de 2,7 pessoas (a PNAD Contínua 2024 mostra que 74,3% dos lares brasileiros têm até três moradores), a renda total mensal da família típica mato-grossense fica em torno de R$ 6.300. O valor está dentro da Classe C — a classe média padrão — e a meio caminho da Classe B, que começa em R$ 10.885.

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A peça que viralizou usa como rótulo “classe média alta” um patamar de renda que, na classificação acadêmica mais difundida, ainda é classe média comum. Há outro problema na fórmula: o pressuposto de três moradores por domicílio. Em DF e SP, o número cai abaixo da média nacional. No Norte e Nordeste, sobe. Aplicar 3 como constante uniforme para todas as 27 unidades da federação distorce a comparação interestadual e infla os valores em estados onde os domicílios são menores.

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Os dados mais recentes do IBGE descrevem um Brasil bem mais modesto do que essas inferências sugerem. A renda mensal real domiciliar per capita chegou a R$ 2.264 em 2025, recorde da série iniciada em 2012, conforme a PNAD Contínua – Rendimento de Todas as Fontes, divulgada em 8 de maio de 2026. Os 10% mais pobres da população viviam com R$ 268 ao mês — R$ 8,93 por dia. Os 10% mais ricos recebiam R$ 9.117 per capita. O 1% no topo chegava a R$ 24.973 por pessoa.

Pela leitura da FGV Social, o país terminou 2024 com a maior fatia da classe C já registrada: 60,97% da população. Somadas, as classes A, B e C representam 78,18% dos brasileiros — também recorde. Entre 2022 e 2024, cerca de 17,4 milhões de pessoas migraram para esses estratos, volume equivalente à população do Equador. As classes D e E ficaram em 15,05% e 6,77%, os menores percentuais da série histórica.

A nota técnica do Ipea publicada em novembro de 2025, assinada pelos pesquisadores Pedro Herculano Souza e Marcos Dantas Hecksher, confirma o quadro. A renda domiciliar per capita brasileira cresceu cerca de 70% desde 1995. O coeficiente de Gini caiu quase 18% no mesmo período. A taxa de extrema pobreza recuou de 25% para menos de 5%. Em 2024, 4,8% dos brasileiros estavam abaixo da linha de extrema pobreza (US$ 3 por dia) e 26,8% abaixo da linha de pobreza (US$ 8,30 por dia).

A confusão entre rendimento per capita e renda domiciliar total alimenta a circulação de peças com números frágeis. Estudos sérios sobre classes sociais brasileiras não aplicam multiplicadores arbitrários sobre médias estaduais. A referência é sempre a renda total efetiva do domicílio, comparada a faixas absolutas calibradas pela distribuição empírica da renda e corrigidas pela inflação oficial. O IBGE publica per capita e total separadamente, sem combiná-los em fórmulas próprias para classificação social.

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Para o leitor que quer saber em qual faixa se encaixa, o caminho é direto: somar tudo o que a família recebe no mês — salários, aposentadorias, pensões, aluguéis recebidos, benefícios sociais — e comparar com as faixas FGV. Não há multiplicação envolvida. Famílias com renda total entre R$ 6 mil e R$ 10 mil mensais em Mato Grosso, por exemplo, integram a classe C, vivem em situação financeira melhor do que a maioria do país, mas estão fora de qualquer faixa “alta”.

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O estudo completo da FGV Social, com as faixas atualizadas e a metodologia, está disponível no site do Centro de Políticas Sociais da FGV. Os dados do IBGE sobre rendimento domiciliar per capita por unidade da federação saem anualmente na Agência IBGE de Notícias, em cumprimento à Lei Complementar 143/2013. A nota técnica do Ipea sobre evolução da renda no Brasil entre 1995 e 2024 está no portal do instituto.

Metodologia

A apuração desta reportagem usou três fontes oficiais brasileiras: o estudo Evolução das Classes Econômicas Brasileiras: 1976 a 2024, do economista Marcelo Neri, da FGV Social, publicado em 12 de janeiro de 2026; os dados da PNAD Contínua 2025 divulgados pelo IBGE em 27 de fevereiro de 2026, referentes ao rendimento domiciliar per capita por unidade da federação para fins de rateio do Fundo de Participação dos Estados (Lei Complementar 143/2013); e o levantamento PNAD Contínua – Rendimento de Todas as Fontes 2025, do IBGE, divulgado em 8 de maio de 2026, com a distribuição da renda por décimos da população. Também foi usada como referência a nota técnica do Ipea publicada em 25 de novembro de 2025, assinada pelos pesquisadores Pedro Herculano Souza e Marcos Dantas Hecksher, sobre a evolução da renda, da desigualdade e da pobreza no Brasil entre 1995 e 2024.

 

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