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crise entre poderes

Relator da CPI do Crime Organizado pede indiciamento de três ministros do STF e do PGR Gonet

O relator da CPI do Crime Organizado, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), pediu nesta terça o indiciamento e o impeachment dos ministros Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, e do procurador-geral da República, Paulo Gonet, por suposta atuação no caso Banco Master. O destino do pedido passa a depender de decisão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

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relatório CPI do Crime Organizado
Senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI do Crime Organizado, apresentou o relatório final nesta terça-feira (14) em Brasília . Imagem ilustrativa.

Com o relatório final encaminhado a Davi Alcolumbre, destino do impeachment de Moraes, Toffoli, Gilmar e Gonet passa a depender do Senado

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI do Crime Organizado, entregou nesta terça-feira, 14 de abril, o relatório final da comissão. No documento, pede o indiciamento e o impeachment dos ministros Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e do procurador-geral da República, Paulo Gonet, por supostos crimes de responsabilidade ligados ao caso Banco Master. Até o fechamento desta reportagem, nenhum dos citados havia se manifestado.

O que o relatório acusa

Para o relator, Toffoli e Moraes teriam “proferido julgamento quando, por lei, seriam suspeitos na causa” e “procedido de modo incompatível com a honra, dignidade e decoro de suas funções”. No caso de Moraes, Vieira cita o contrato milionário do escritório da esposa, Viviane Barci de Moraes, com o Banco Master.

A Gilmar Mendes, Vieira atribui “proteção corporativa” pela anulação, em março, de quebras de sigilo aprovadas pela comissão, entre elas a do fundo Arleen, ligado ao resort Tayayá. Paulo Gonet é descrito como autor de conduta “patentemente desidiosa” e “silêncio institucional” diante dos indícios contra os ministros.

Entre as propostas complementares estão a criação de um Ministério da Segurança Pública e uma intervenção federal na segurança do Rio. Antes de seguir adiante, a CPI precisa votar o relatório.

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Da crise do Rio ao caso Master

A CPI do Crime Organizado foi proposta pelo próprio Vieira em fevereiro de 2025 e instalada no Senado em 4 de novembro daquele ano, logo após a Operação Contenção, ação das polícias do Rio de Janeiro que resultou em mais de 120 mortes. O objetivo formal: apurar, em 120 dias, a atuação, a expansão e o funcionamento de facções e milícias no território brasileiro.

A comissão é composta por 11 titulares e 7 suplentes. A presidência ficou com Fabiano Contarato (PT-ES), eleito por 6 votos a 5, com Hamilton Mourão (Republicanos-RS) como vice. Ao longo de quatro meses, a CPI realizou 18 reuniões, analisou 134 documentos e protocolou 312 requerimentos, segundo os números do próprio relatório.

O caso Banco Master dominou os trabalhos da comissão depois que vieram à tona pagamentos da instituição, controlada por Daniel Vorcaro, a escritórios e pessoas do entorno de ministros do STF. Tentativas de quebrar sigilos bancários e convocar depoentes foram sucessivamente barradas por decisões monocráticas do próprio Supremo.

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Silêncio e notas antigas como defesa

Não há reação específica dos ministros ao pedido de indiciamento. As respostas já registradas são anteriores ao relatório e tratam apenas do caso Master.

Em nota analisada pela Gazeta do Povo, Toffoli defendeu suas decisões no inquérito do banco citando “absoluta necessidade da realização de diligências urgentes” como “medida de proteção ao Sistema Financeiro Nacional e às pessoas que dele se utilizam”. A defesa de Moraes chegou pelo escritório da esposa, Barci de Moraes, que afirmou ter prestado “ampla consultoria e atuação jurídica, por meio de uma equipe composta por 15 (quinze) advogados” e que “nunca conduziu nenhuma causa para o Banco Master no âmbito do STF”.

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Gilmar Mendes se manifestou apenas nos autos e qualificou quebras de sigilo em bloco como “inconstitucional e ilegal”. Paulo Gonet, pressionado pela oposição a investigar os ministros, havia respondido à revista VEJA que “investigação pressupõe indício de crime”.

Direita e esquerda pressionam o Supremo

A crítica ao STF veio de oposição e base governista. Pré-candidato à Presidência, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), afirmou em evento recente em São Paulo que “os intocáveis são aqueles que se consideram acima da lei” e citou os dois ministros pelo nome: “Esses dois, para mim, não merecem só processo de impeachment, merecem prisão.”

Flávio Bolsonaro (PL-RJ) adotou tom mais contido e disse que uma CPI específica para investigar Moraes e Toffoli seria “ilegal”. No campo oposto, Fabiano Contarato, senador do PT e presidente da CPI, tem criticado diretamente decisões do STF: “Aprovamos oitiva de testemunha e o Supremo desobriga de comparecer. Aprovamos quebra de sigilo, anulam. Não conseguimos investigar. Isso é uma afronta com a população brasileira.”

O que pensa a população: Datafolha mostra 75% vendo “poder demais” no STF

Dias antes da entrega do relatório, uma pesquisa Datafolha registrou queda na avaliação do Supremo entre os brasileiros. Realizada entre 7 e 9 de abril com 2.004 entrevistados em 137 municípios, a pesquisa registrou que 75% dos brasileiros consideram que os ministros do STF “têm poder demais” e o mesmo percentual afirma que a confiança no tribunal diminuiu. A margem de erro é de dois pontos percentuais, registro TSE BR-03770/2026.

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Mesmo assim, 71% dos entrevistados concordam que o STF é “essencial para proteger a democracia”. No caso Master, 55% afirmam suspeitar de envolvimento de ministros do STF. A crítica não se concentra em um campo político: 88% dos eleitores de Jair Bolsonaro no segundo turno de 2022 consideram que o Supremo tem poder demais, índice que cai para 64% entre os eleitores de Luiz Inácio Lula da Silva.

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A avaliação é desigual entre os ministros. Moraes é o mais conhecido, citado por 89% da amostra, mas tem saldo negativo: 41% o avaliam como ruim ou péssimo, contra 33% que consideram ótima ou boa sua atuação. André Mendonça tem saldo positivo de 26 pontos. Toffoli registra a pior avaliação entre os ministros reconhecidos pelo público.

A mesa de Alcolumbre

A consequência jurídica imediata do relatório é limitada. Aprovado pelo colegiado, o documento será enviado ao STF, à PGR, à Polícia Federal e à Controladoria-Geral da União, que decidirão se abrem investigações. O pedido de impeachment dos três ministros e do PGR depende de decisão monocrática do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, a quem cabe acolher ou engavetar os pedidos com base na Constituição e na Lei 1.079/1950.

O material reunido ao longo dos quatro meses, que inclui dados de pagamentos do Banco Master a políticos, advogados e autoridades, pode subsidiar apurações futuras, inclusive uma eventual CPI exclusiva do Master em discussão no Senado. A próxima reunião da comissão, prevista para esta terça, decidirá se o texto de Alessandro Vieira se torna, de fato, o relatório oficial.

 

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Cuiabá fica a 1.083 habitantes dos 700 mil e 50 municípios de Mato Grosso encolhem em 2026

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A nova estimativa do IBGE dá 3.950.330 habitantes ao estado, alta de 1,46% em um ano. O crescimento se concentra no cinturão do agronegócio, enquanto um terço dos municípios perde gente.

Mato Grosso tem 3.950.330 habitantes estimados em 1º de julho de 2026, segundo as Estimativas da População divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no Diário Oficial da União de 28 de agosto. São 56.671 pessoas a mais que na estimativa de 2025 e 291.681 a mais que no Censo de 2022, crescimento de 1,46% em um ano e de 7,97% em quatro. Metade desse avanço, porém, não chega à maior parte do território: 50 dos 142 municípios mato-grossenses aparecem com menos moradores em 2026 do que em 2025.

Cuiabá chegou a 698.917 habitantes estimados, 1.083 abaixo da marca de 700 mil. A capital cresceu 1,02% em um ano e 7,4% em relação aos 650.877 contados pelo Censo de 2022. Várzea Grande soma 323.172 moradores, alta de 1,33%. Juntas, as duas cidades reúnem 1.022.089 pessoas, ou 25,9% da população do estado, proporção calculada pela reportagem sobre os dados do instituto.

O crescimento tem endereço

As dez maiores altas proporcionais do estado repetem, com poucas trocas, a lista dos municípios que mais cresceram desde o Censo de 2022. Campo Verde lidera, com 5,94% em um ano, saindo de 49.053 para 51.969 habitantes. Depois vêm Vale de São Domingos, com 5,22%, e Querência, com 4,08%.

Lucas do Rio Verde subiu 3,65% e chegou a 99.291 moradores. Primavera do Leste, com 99.053, e Sorriso, com 128.727, seguem o mesmo ritmo. Sinop, quarta cidade mais populosa de Mato Grosso, tem 231.452 habitantes estimados, alta de 3,43% em um ano e de 17,9% sobre o Censo de 2022, a maior expansão entre os municípios com mais de cem mil pessoas.

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Somados, os dez municípios com maior alta proporcional reúnem 775.240 habitantes e avançaram 3,58% em um ano, contra 1,46% da média estadual. O agrupamento e o cálculo são da reportagem, feitos sobre as estimativas de 2025 e 2026.

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Do outro lado, o esvaziamento

General Carneiro registrou a maior queda proporcional do estado, de 6,43%, caindo de 6.319 para 5.913 habitantes. Jauru perdeu 4,56% e Cotriguaçu, 3,64%. As três cidades também estão abaixo do que o Censo de 2022 mediu.

Guiratinga cruzou uma linha simbólica no sentido inverso ao de Campos de Júlio: passou de 10.252 para 9.975 moradores, enquanto Campos de Júlio subiu de 9.946 para 10.281. Alto Paraguai, Denise, Reserva do Cabaçal e São José do Povo completam o grupo de perdas superiores a 2% em doze meses.

O quadro de longo prazo é mais duro que o anual. Entre os 141 municípios com número no Censo de 2022, 49 estão hoje com estimativa menor do que a contagem feita há quatro anos.

Metade das cidades tem menos de 10 mil moradores

A estimativa desenha um estado partido em dois. Os cinco municípios mais populosos, Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis, Sinop e Sorriso, concentram 1.650.470 pessoas, equivalentes a 41,8% do total.

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Na outra ponta, 71 municípios têm menos de 10 mil habitantes cada. São exatamente metade das cidades mato-grossenses, e juntas elas somam 383.233 moradores, ou 9,7% da população estadual. As duas proporções são cálculo da reportagem sobre os dados divulgados pelo IBGE.

O número que vira dinheiro no caixa

A estimativa não é exercício estatístico sem consequência. O IBGE publica os dados em cumprimento ao artigo 102 da Lei 8.443, de 16 de julho de 1992, alterado pela Lei Complementar 143, de 17 de julho de 2013, e a divulgação deste ano saiu pela Portaria IBGE 1.649, de 27 de agosto de 2026.

Esse é o parâmetro que o Tribunal de Contas da União usa no cálculo do Fundo de Participação dos Municípios. Cada linha da tabela publicada no Diário Oficial alimenta a conta que define quanto cada prefeitura recebe do fundo.

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A mesma Lei Complementar 143 revogou os parágrafos que davam aos municípios prazo de 20 dias após a publicação para apresentar reclamação ao instituto. Prefeituras beneficiadas por decisão judicial sobre coeficientes precisam informar ao IBGE a vigência das decisões listadas na publicação oficial.

O município que existe sem ter sido recenseado

Boa Esperança do Norte aparece na tabela de 2026 com 5.983 habitantes estimados e é o único dos 142 municípios de Mato Grosso sem número no Censo de 2022. O município foi criado depois da contagem, o que o deixa fora da base comparativa usada em toda a série.

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O efeito prático é que a comparação entre estimativa e censo, possível para 141 municípios, não existe para este. A prefeitura informou em seu portal oficial que o código do IBGE do município, o 5101837, foi atribuído em dezembro de 2024 e demorou a aparecer nos sistemas de busca do instituto, o que gerou pendências em cadastros federais e estaduais.

O que a estimativa é, e o que ela não é

Estimativa não é contagem. O Censo Demográfico vai de porta em porta, e a estimativa anual projeta a população de cada município a partir da última contagem, das tendências de crescimento e das alterações de limites territoriais ocorridas depois de 2022.

Isso significa que um município pode aparecer encolhendo sem que ninguém tenha ido às ruas verificar quantas pessoas saíram, e que a série pode ser revista pelo próprio instituto. O IBGE mantém política de revisão dos dados já divulgados desta operação estatística.

Até o fechamento desta reportagem, o Brasil aparecia com 214,2 milhões de habitantes estimados, e as 27 capitais concentravam 23,1% dessa população. Enquanto não houver novo censo, todo repasse, todo índice por habitante e todo planejamento municipal em Mato Grosso continuarão apoiados em projeções como estas.

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