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Justiça

Homem é preso por estrangular adolescente em Várzea Grande

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Violência doméstica

Suspeito de 19 anos impedia a vítima de frequentar a escola e não aceitava o término do relacionamento; adolescente apresentava marcas de lesões nas costelas e pescoço

Policiais civis prenderam em flagrante na sexta-feira (15) um homem de 19 anos suspeito de agredir a companheira, de 17, no bairro Capão Grande, em Várzea Grande.

A detenção ocorreu após a adolescente buscar auxílio na Delegacia da Mulher e Vulneráveis 24 Horas. O caso evidencia a gravidade da violência doméstica na região, caracterizada não apenas por agressões físicas diretas, mas por um ciclo de controle psicológico e restrição de direitos fundamentais, como o acesso à educação. A rápida intervenção da equipe de plantão evitou o prolongamento das agressões em uma residência onde o suspeito monitorava os passos da vítima.

Dinâmica das agressões e socorro à vítima

A adolescente compareceu à unidade policial no fim da tarde de sexta-feira apresentando sinais visíveis de violência. Segundo o registro da ocorrência, a vítima portava “lesões próximas à costela direita” e “marcas no pescoço, decorrentes de estrangulamento”. Além das marcas roxas e escoriações, a jovem apresentou um relato detalhado sobre a violência física sofrida recentemente, “relatando ter sofrido tapas na cabeça” durante os episódios de fúria do companheiro.

O atendimento na Delegacia da Mulher 24 Horas permitiu a coleta imediata das evidências físicas. A equipe técnica documentou as marcas de estrangulamento, que indicam o uso de força desproporcional e risco iminente à vida da adolescente. O depoimento da vítima foi central para a caracterização do crime de lesão corporal qualificada, uma vez que as agressões foram perpetradas no âmbito de uma relação íntima de afeto, agravada pela menoridade da vítima.

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A gravidade do quadro clínico apresentado pela adolescente exigiu o acionamento imediato dos protocolos de proteção. O exame das lesões nas costelas e no pescoço serviu como prova material para sustentar a voz de prisão em flagrante, retirando o suspeito de circulação poucas horas após o registro do boletim de ocorrência.

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Histórico de controle e impedimento escolar

Para além da violência física constatada pelos policiais, o caso revela um histórico de privação de liberdade e controle social. A adolescente relatou aos investigadores que o companheiro “a impedia de frequentar a escola”. Essa prática de isolamento é comum em contextos de violência doméstica, onde o agressor busca restringir a autonomia da vítima e sua rede de apoio externo, utilizando o ambiente educacional como uma ameaça ao seu domínio.

De acordo com o material colhido pela Polícia Civil, o homem de 19 anos “demonstrava ciúmes excessivo” e utilizava essa justificativa para manter a adolescente sob vigilância constante. O controle se intensificou diante da tentativa da jovem de romper o vínculo. O suspeito “não aceitava que ela colocasse fim ao relacionamento”, transformando a residência do casal em um ambiente de coação e agressões recorrentes.

O impedimento da frequência escolar é um agravante que impacta o desenvolvimento da menor de idade, configurando uma violação de direitos que ultrapassa a esfera penal da lesão corporal. Os investigadores apuraram que a recusa em aceitar o término era o principal gatilho para os ataques físicos, estabelecendo um padrão de posse sobre a adolescente.

Prisão em flagrante e medidas protetivas

Após a confecção do boletim de ocorrência e a verificação das lesões, a equipe do Plantão da Mulher iniciou as diligências para localizar o agressor. O homem foi encontrado em frente à residência do casal, situada em uma distribuidora no bairro Capão Grande. No momento da abordagem, ele recebeu voz de prisão em flagrante e foi conduzido à delegacia sem oferecer resistência registrada.

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A prisão foi tipificada como lesão corporal qualificada. Diante da natureza dos crimes e do histórico de estrangulamento e controle escolar, “a vítima solicitou medidas protetivas de urgência”. Tais medidas visam garantir que o agressor mantenha distância da adolescente e não tente retomar o contato após uma eventual soltura, sob pena de nova prisão imediata por descumprimento de ordem judicial.

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O procedimento agora segue para o Poder Judiciário, que deve analisar a manutenção da prisão em flagrante em audiência de custódia. O prazo para a conclusão do inquérito policial é de dez dias, caso o investigado permaneça preso, período em que novas oitivas podem ser realizadas para consolidar as provas de cárcere privado ou outras violações decorrentes do impedimento de estudo relatado pela vítima.

A Polícia Civil reforça a importância de que vítimas de agressões procurem as unidades especializadas 24 horas, permitindo que a materialidade das lesões, como as marcas de estrangulamento verificadas neste caso, seja documentada ainda em período de flagrância.

 

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Operação Havengate: PF investiga se verba de ex-banqueiro para filme financiou Eduardo Bolsonaro nos EUA

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Operação Havengate

Investigação mira repasse de R$ 61 milhões de Daniel Vorcaro ao fundo texano Havengate; Flávio Bolsonaro admite negociação, enquanto contratos apontam Eduardo como gestor financeiro de superprodução sobre o pai.

Em maio de 2026, a Polícia Federal (PF) abriu uma nova e incisiva frente de investigação que coloca o núcleo da família Bolsonaro no centro de um suposto esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. A apuração busca rastrear o caminho de milhões de dólares oriundos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo dono do Banco Master, destinados à produção do filme “Dark Horse”, uma cinebiografia de Jair Bolsonaro. O foco principal dos investigadores é o fundo offshore Havengate Development Fund LP, sediado no Texas, suspeito de ser utilizado para custear a permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos e contornar bloqueios judiciais impostos pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

O caso ganhou tração após a apreensão do celular de Vorcaro no âmbito da Operação Compliance Zero, que revelou diálogos e comprovantes bancários detalhando a negociação de um aporte total de aproximadamente USD $  24 milhões (cerca de R$ 134 milhões). Desse total, ao menos US$ 10,6 milhões teriam sido efetivamente transferidos entre fevereiro e maio de 2025.

A Rota do Dinheiro: do Master ao Texas

A engenharia financeira descrita pelos investigadores aponta um fluxo que envolve empresas intermediárias e fundos internacionais. Parte dos valores teria sido transferida pela Entre Investimentos e Participações, ligada ao empresário Antonio “Mineiro” Freixo, para o Havengate no Texas. O agente legal deste fundo é o escritório Law Offices of Paulo Calixto PLLC, pertencente ao advogado que representa Eduardo Bolsonaro em solo americano.

Relatórios de inteligência financeira indicam que, em uma única operação em 14 de fevereiro de 2025, ao menos US$ 2 milhões foram enviados à estrutura texana. A PF agora analisa se o Havengate funcionou como um “caixa paralelo” para despesas pessoais e atividades de lobby, enquanto o Banco Master — hoje liquidado extrajudicialmente com um rombo estimado em mais de R$ 40 bilhões — enfrentava o colapso.

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O papel de Eduardo Bolsonaro: gestor ou cedente de imagem?

Um dos pontos de maior conflito na investigação reside na função exercida por Eduardo Bolsonaro na produção cinematográfica. Embora o ex-deputado afirme ter apenas cedido direitos de imagem e assumido riscos financeiros iniciais, contratos de produção datados de novembro de 2023 e assinados digitalmente em janeiro de 2024 o colocam em uma posição de comando.

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Segundo os documentos revelados, Eduardo figuraria como produtor-executivo e gestor de recursos, com amplos poderes sobre o orçamento, captação de investimentos e relacionamento com investidores. Minutas de aditivos de fevereiro de 2024 reforçariam esse status de financiador e administrador. Eduardo nega a gestão e classifica a investigação como uma “ataque político tolo”, sustentando que sua situação migratória nos EUA impediria irregularidades.

Imóveis em Arlington e o Mercury Legacy Trust

A investigação da PF sobre o estilo de vida de Eduardo Bolsonaro nos EUA ganhou um novo capítulo com a identificação de aquisições imobiliárias. Em fevereiro de 2026, um imóvel avaliado em cerca de R$ 3,6 milhões foi adquirido em Arlington, Texas — cidade onde reside o ex-deputado.

A transação foi realizada pelo Mercury Legacy Trust, um truste também vinculado ao advogado Paulo Calixto. Para os investigadores, há um nexo temporal e financeiro potencial entre os recursos remetidos por Vorcaro para o “filme” e a compra dessa propriedade, sugerindo o uso de estruturas de proteção patrimonial para ocultar os reais beneficiários dos valores.

Flávio Bolsonaro: do negacionismo à confissão

O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à presidência em 2026, viu sua posição se complicar após a divulgação de áudios em que cobra Vorcaro por parcelas atrasadas do financiamento. Após negar inicialmente qualquer relação financeira com o banqueiro preso, Flávio admitiu publicamente ter mentido para “não expor investidores”.

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Em entrevistas recentes, o senador confirmou ter solicitado os recursos, mas insistiu que o dinheiro é de origem privada e foi integralmente aplicado na produção de “Dark Horse”. Ele nega que qualquer valor tenha sido desviado para custear a vida do irmão no exterior.

“Pedi dinheiro para o filme, sim. É dinheiro privado e foi para a produção cultural, não para despesas pessoais,” afirmou Flávio em defesa pública.

Impacto político e o risco de delação

O escândalo Master/Havengate reverberou imediatamente no Congresso e nas Assembleias Legislativas. Enquanto a esquerda defende a abertura de uma CPMI e medidas cautelares contra Flávio Bolsonaro, a direita mantém uma postura de cautela crítica. Governadores e caciques aliados cobram explicações, temendo que o desgaste atinja as chances eleitorais do campo conservador no pleito de 2026.

A grande incógnita, no entanto, reside na possibilidade de uma delação premiada de Daniel Vorcaro. Atualmente detido em uma penitenciária federal de segurança máxima por decisão do ministro André Mendonça, o ex-banqueiro é visto como o “fio da meada” que pode comprometer não apenas o clã Bolsonaro, mas também figuras do atual governo federal que possuíam contratos milionários com empresas ligadas ao seu grupo.

 

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