Pesquisar
Close this search box.

PSA contra fogo

PL que paga produtor por gestão efetiva contra incêndio avança na Câmara

Publicado em

 PSA prevenção de incêndios florestais

Substitutivo aprovado na Comissão de Meio Ambiente da Câmara amplia a lei do PSA para remunerar quem comprovar prevenção a queimadas e cria isenção tributária por cinco anos a partir de 2027

A Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (CMADS) da Câmara dos Deputados aprovou em 8 de abril de 2026 o substitutivo ao Projeto de Lei 3942/2024, que altera a Política Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais para remunerar produtores rurais, povos indígenas, comunidades tradicionais, agricultores familiares, catadores de materiais recicláveis e populações em vulnerabilidade social que comprovem ações de prevenção e combate a incêndios florestais e queimadas irregulares. O texto original é de autoria da deputada Adriana Ventura (NOVO-SP) e dos deputados Gilson Marques (NOVO-SC) e Ricardo Salles (NOVO-SP), e recebeu nova redação da relatora Elcione Barbalho (MDB-PA). Agora segue para análise na Comissão de Finanças e Tributação (CFT), antes de passar pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC), pelo Plenário e pelo Senado.

O que o texto incorpora à lei do PSA

A redação original, apresentada em 15 de outubro de 2024, propõe três alterações pontuais à Lei 14.119/2021. No art. 4º, inclui novo inciso XV para “estabelecer mecanismos de prevenção e combate a incêndios florestais e queimadas irregulares” entre os objetivos da Política Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais. No art. 7º, acrescenta ao Programa Federal de PSA o inciso VIII, que prevê ações de “prevenção e combate a incêndios florestais e queimadas irregulares”. E no parágrafo único do art. 9º soma, aos critérios de preferência para uso de recursos públicos, “áreas que demonstrem gestão efetiva para prevenção e combate a incêndios florestais e queimadas irregulares”.

Na justificação que acompanha a proposta, a deputada Adriana Ventura escreve que “a crescente ameaça dos incêndios exige respostas efetivas que articulem a proteção dos ecossistemas com incentivos econômicos” e defende que a alteração no art. 9º “criará incentivos econômicos para que proprietários e gestores dessas áreas adotem medidas preventivas permanentes”. O objetivo declarado pelo texto é “engajar a sociedade e o setor privado em ações contínuas e preventivas contra incêndios”.

Quem entra na fila do pagamento

O substitutivo da CMADS mantém as três alterações da proposta original e acrescenta vínculo explícito com a Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo, instituída pela Lei 14.944/2024. Pela nova redação, terão preferência para receber PSA com recursos públicos as Áreas de Preservação Permanente, Reservas Legais e áreas sob limitação administrativa que demonstrem gestão efetiva por meio de Planos de Manejo Integrado do Fogo (PMIFs) ou Planos Operativos de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais (PPCIFs) aprovados pelos órgãos competentes.

Advertisement

Além das alterações nos artigos 4º, 7º e 9º, o substitutivo redefine os públicos prioritários da política. A redação atual do §2º do art. 6º da Lei 14.119/2021 prioriza comunidades tradicionais, povos indígenas, agricultores familiares e empreendedores familiares rurais. O substitutivo acrescenta catadores de materiais recicláveis e populações em situação de vulnerabilidade social ao rol de destinatários preferenciais. Para produtores rurais privados, permanece a exigência de inscrição no Cadastro Ambiental Rural e adequação aos critérios ambientais já previstos na lei.

Leia Também:  Ministro André de Paula recebe presidente da ABIA para debater indústria de alimentos no Brasil

Tributação e prazo de cinco anos

A redação vigente do art. 17 da Lei 14.119/2021 já isenta os valores recebidos a título de PSA de Imposto de Renda, CSLL, PIS/Pasep e Cofins, sem prazo definido. O substitutivo mantém a isenção, mas com prazo determinado: cinco anos a contar de 1º de janeiro de 2027, com limites individuais e globais a serem fixados por decreto do Executivo. Pela mesma lógica, a vinculação de receitas da cobrança pelo uso de recursos hídricos a ações de PSA passa a ter prazo máximo de cinco anos, com remissão à Lei 15.080/2024.

Cruzamento com obrigação já vigente

Em paralelo, a Resolução COMIF nº 3/2025, em vigor desde setembro de 2025, já obriga imóveis rurais a adotarem um conjunto mínimo de medidas preventivas contra incêndios em prazos de até dois anos. Entre as exigências constam aceiros, sistemas de alerta e monitoramento, treinamento de pessoal, vigilância em áreas críticas, manutenção de equipamentos de combate inicial, reservatórios de água e elaboração de PMIF ou PPCIF. Com o desenho proposto pelo PL 3942/2024, a mesma exigência regulatória passa a servir de base de comprovação para o futuro PSA: o plano que cumpre a obrigação serve de evidência de “gestão efetiva” prevista no art. 9º.

Os dados de 2024 estão entre as razões expostas no parecer. O documento cita levantamento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) que registrou 278.299 focos de queimadas no país naquele ano, 46,5% acima de 2023 e o maior valor desde 2010. A plataforma MapBiomas estimou 30,8 milhões de hectares queimados, alta de 79% sobre o ano anterior, dos quais 73% em vegetação nativa. A Confederação Nacional de Municípios calculou 18,9 milhões de pessoas afetadas e prejuízos superiores a R$ 2 bilhões em 684 municípios que decretaram emergência. No setor canavieiro, a Organização de Associações dos Produtores de Cana do Brasil (Orplana) estimou R$ 2,67 bilhões em perdas e 414 mil hectares destruídos no Centro-Sul.

Leia Também:  ApexBrasil amplia ofensiva comercial na China e leva número recorde de empresas brasileiras à SIAL China 2026

Próximos passos

Até o fechamento da matéria, a ficha de tramitação do PL 3942/2024 registra a situação “aguardando designação de relator na Comissão de Finanças e Tributação”. O projeto precisa ainda passar pela CFT, pela CCJC, pelo Plenário da Câmara e pelo Senado antes de seguir para sanção presidencial. A regulamentação do PSA por prevenção de incêndio (valor dos pagamentos, forma de seleção dos beneficiários e critérios técnicos de verificação) depende de decreto a ser editado pelo Executivo após eventual aprovação.

Advertisement

A relatora Elcione Barbalho registra no parecer que o desenho da proposta busca articular a Política Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais à Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo. Para o produtor rural que pretende acessar o benefício no futuro, o passo imediato é a regularização ambiental do imóvel, a inscrição em programas estaduais e federais de PSA já existentes e a elaboração e implementação dos planos exigidos pela COMIF, peças que servem, ao mesmo tempo, ao cumprimento da obrigação atual e à futura comprovação de gestão efetiva contra o fogo.

A próxima etapa prevista é a designação de relator na CFT e a análise do impacto fiscal da janela de isenção tributária de cinco anos a partir de 2027.

 

Leia também:

Classe média brasileira tem renda entre R$ 2,5 mil e R$ 10,8 mil, segundo IBGE e FGV — números virais nas redes inflam os valores

Advertisement

Anvisa mantém recomendação para o consumidor não usar produtos Ipê, mesmo após recurso

Novo Desenrola Fies oferece descontos de até 99% para estudantes

Relatório da ONU lista 20 espécies de peixes migratórios da Amazônia que precisam de proteção internacional

Em MT uma mulher é assassinada a cada 7 dias: feminicídios disparam 11% e deserto de proteção mantém MT no topo letal pelo 5º ano

EXCLUSIVO: ex-assessor acusa deputado Dr. João de confiscar salários e manter funcionários fantasmas;VÍDEO

Advertisement
COMENTE ABAIXO:

AGRONEGÓCIO

Mercado do milho entra em alerta com riscos climáticos para a safrinha, aponta Itaú BBA

Published

on

O mercado brasileiro de milho segue em estado de atenção diante das incertezas climáticas que afetam a segunda safra de 2025/26. De acordo com o relatório Agro Mensal, divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA, a combinação entre chuvas irregulares, estresse hídrico em importantes regiões produtoras e competitividade reduzida no mercado externo pode impactar a produção nacional e sustentar os preços internos do cereal.

Segundo a análise, abril foi marcado por preços relativamente estáveis em Chicago, enquanto o mercado brasileiro sofreu pressão da ampla oferta da primeira safra. Ainda assim, o clima passou a ganhar protagonismo nas últimas semanas, especialmente em estados estratégicos para a safrinha, como Goiás, Minas Gerais, Paraná e Mato Grosso do Sul.

Clima preocupa e pode reduzir produção da safrinha

O relatório aponta que a produção total de milho no Brasil deve alcançar 138 milhões de toneladas na safra 2025/26, queda de 2% em relação ao ciclo anterior. A principal razão é a revisão negativa para a segunda safra, cuja estimativa foi reduzida para 110 milhões de toneladas devido à piora das condições climáticas.

A consultoria destaca que o desempenho da safrinha ainda depende das chuvas previstas para maio. Caso o clima seco persista nas regiões centrais do país, novas revisões negativas de produtividade poderão ocorrer.

Leia Também:  Exportações de milho do Brasil disparam 165% em abril e Região Sul lidera embarques

Além disso, o cenário climático de abril trouxe preocupação para o desenvolvimento das lavouras. Enquanto Mato Grosso manteve condições mais favoráveis, estados como Goiás, Paraná, São Paulo e Minas Gerais registraram estresse hídrico, elevando os riscos de perdas no potencial produtivo.

Advertisement
Exportações brasileiras de milho devem cair

Outro ponto de destaque do estudo é a revisão das exportações brasileiras de milho para a safra 2025/26. O Itaú BBA reduziu a projeção de embarques de 44 milhões para 40 milhões de toneladas.

Entre os fatores que pressionam a competitividade brasileira estão o avanço da oferta de milho nos Estados Unidos e na Argentina, além da valorização do real frente ao dólar, que reduz a atratividade do produto brasileiro no mercado internacional.

Mesmo com estoques considerados confortáveis no mercado interno, o banco alerta que uma quebra mais intensa na segunda safra pode provocar movimentos de sustentação nos preços domésticos, reduzindo ainda mais o ritmo das exportações.

Demanda interna continua firme

Apesar das pressões sobre os preços em abril, a demanda doméstica segue aquecida, especialmente pelos setores de ração animal e etanol de milho. Esse cenário ajudou a limitar quedas mais acentuadas nas cotações internas.

Em Campinas (SP), a média do milho caiu 4% em abril na comparação com março, fechando em R$ 68 por saca. Já em Chicago, o cereal encerrou o mês com média de US$ 4,52 por bushel, praticamente estável em relação ao mês anterior.

Advertisement
Safra americana avança com clima favorável

Enquanto o Brasil enfrenta incertezas climáticas, os Estados Unidos apresentam um cenário mais positivo para o milho. O relatório destaca que o plantio norte-americano avança em ritmo acelerado, beneficiado por chuvas regulares e boas condições de solo no Meio-Oeste.

Leia Também:  Aberturas de mercado para o Brasil no Canadá e no Chile

A expectativa é de que o clima favorável continue ao longo de maio, junho e julho, reduzindo os riscos para a produção americana e ampliando a oferta global do cereal.

Mercado seguirá sensível ao clima nas próximas semanas

Na avaliação da Consultoria Agro do Itaú BBA, o comportamento climático nas próximas semanas será decisivo para a definição da safra brasileira de milho. O mercado deve continuar acompanhando de perto o desenvolvimento da safrinha, especialmente nas regiões mais afetadas pela falta de chuvas.

A depender da intensidade das perdas produtivas, os preços internos poderão ganhar sustentação adicional, em um cenário de maior cautela entre produtores, exportadores e consumidores do cereal.

Fonte: Portal do Agronegócio

Advertisement

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:
Continuar lendo

GRANDE CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

ENTRETENIMENTO

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA