Pesquisar
Close this search box.

Saúde pública

Perigo invisível em casa: cobertores e falta de vacina fazem internações por asma dispararem

Publicado em

internações por asma

Crianças e adolescentes respondem por 73,7% das hospitalizações no Brasil; circulação de vírus em ambientes fechados agrava quadro inflamatório

A maior circulação de vírus em ambientes fechados durante o inverno eleva as internações por asma no Brasil, afetando principalmente crianças e adolescentes de zero a 14 anos. O contato com casacos e cobertores guardados atua como gatilho para complicações respiratórias, demandando rigor na profilaxia doméstica.

O aumento de casos expõe a escassez de especialistas na atenção primária e falhas na orientação das famílias pelos serviços de saúde. Com cerca de 20 milhões de asmáticos no país, a ausência de tratamento preventivo contínuo, somada à baixa cobertura vacinal contra infecções virais, resulta na superlotação de hospitais durante os meses mais frios do ano. As informações constam na matéria original “Inverno pode trazer gatilhos para crises de asma e requer cuidados”, apurada pela repórter Alana Gandra e publicada pela Agência Brasil em 11 de julho de 2026.

Dados de internação e faixa etária

Crianças e adolescentes concentram a ampla maioria das hospitalizações. Durante o ano de 2024, o Brasil registrou 52.087 internações por asma. A faixa etária de zero a 14 anos respondeu por 73,7% desse total. O levantamento da Umane, organização sem fins lucrativos, com base em dados do Departamento de Informação e Informática do Sistema Único de Saúde (Datasus), evidencia a sazonalidade da doença.

Em julho de 2024, ocorreram 4.034 internações de pacientes de zero a 14 anos, representando 70,5% dos casos do mês. O volume é quase o dobro das 2.108 hospitalizações contabilizadas em janeiro do mesmo ano.

Advertisement

Falta de especialistas e impacto dos vírus

O coordenador da Comissão Científica de Asma da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), Emilio Pizzichini, afirma que o frio em si não agrava a asma. O fator determinante para o adoecimento é a alta circulação viral. A doença exige medicação contínua durante todo o ano, mas a estrutura pública enfrenta gargalos.

“A gente não tem um número de especialistas suficiente para atender tudo isso. A infecção respiratória tem que ser tratada na atenção primária, porque as crianças, às vezes, não fazem testes respiratórios para saber se sintomas como o chiado são decorrentes da asma”, detalha Pizzichini.

Leia Também:  Planejamento do próximo ciclo do Proadi-SUS orienta visita técnica ao Hospital Alemão Oswaldo Cruz

Uma asma sem controle adequado deixa as vias aéreas expostas. “Se a asma não está bem tratada, bem controlada, o resfriado ou a virose adicionam mais uma inflamação na via aérea da pessoa, nos brônquios, e ela pode ter uma crise”, explica o coordenador da SBPT. O Brasil registra uma média de uma a duas infecções respiratórias anuais por paciente asmático.

Prevenção e manejo do ambiente doméstico

A pneumologista Marcela Marques, do Atendimento Multiassistencial de Saúde da Umane, relata a falta de orientação das famílias pelos serviços de saúde logo na primeira internação. O início rápido do tratamento com medicação preventiva torna novas hospitalizações raras. A higienização do quarto do paciente exige regras estritas.

“A casa deve estar arejada, com o sol batendo, sem mofo ou umidade, com cortinas limpas, sem brinquedos acumulados no quarto da criança, nem bichos de pelúcia. Evitar cobertores e procurar usar mais edredom. E, em vez de ficar varrendo a casa, os pais devem usar um pano úmido, só com água, ou o aspirador”, orienta Marques.

Advertisement

O tabagismo, seja de cigarro comum, cigarro eletrônico ou narguilé, funciona como agente direto de agravamento inflamatório. “O fumante passivo é um dos piores aspectos em relação às crises de asma”, adverte a médica.

A informação estruturada reduz as visitas de urgência. “A família deve ser orientada sobre o plano de crise que deve fazer e, se esse plano não der certo,, se for necessário, a procurar o serviço médico”, afirma a pneumologista.

Ambientes fechados e cobertura vacinal

O alergista e imunologista Pedro Giavina-Bianchi, do Departamento Científico de Asma da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai), aponta que a permanência em locais fechados e aglomerados propicia a transmissão viral.

Leia Também:  Inscrição para a Prova Nacional Docente 2026 termina nesta sexta

“Então, realmente, a gente tem um aumento da frequência, que a gente chama de prevalência, de infecções virais, nessa época, e, por consequência, acaba tendo mais crises de asma também”, diz Giavina-Bianchi.

A imunização previne infecções respiratórias graves causadas pelos vírus Influenza (gripe), Covid e sincicial respiratório (VSR). “Quando a pessoa usa a vacina, diminui o risco de ter um agravamento da inflamação da asma, ter uma crise e ser hospitalizada”, afirma Emilio Pizzichini. Giavina-Bianchi recomenda evitar o contato com pessoas gripadas e reforça a prescrição vacinal: “Não só a vacina de influenza, mas a vacina pneumocócica também”.

Advertisement

O distanciamento social e o uso de proteção facial em cenários específicos reduzem os riscos, repetindo a dinâmica vista durante a pandemia. “A máscara previne a Covid e, também, a transmissão dos outros vírus respiratórios, como rinovírus, influenza, entre outros”, conclui Giavina-Bianchi.

Entenda os termos médicos

  • Atenção Primária: Primeiro nível de contato das pessoas com o sistema de saúde, realizado em unidades básicas e postos de saúde.
  • Brônquios: Estruturas do sistema respiratório que conduzem o ar até os pulmões; na asma, eles sofrem inflamação.
  • Prevalência: Número total de casos de uma doença, ou de uma condição específica, registrados em uma população durante um determinado período.
  • Vírus Sincicial Respiratório (VSR): Vírus sazonal responsável por causar infecções no trato respiratório, atingindo com maior gravidade recém-nascidos e crianças pequenas.

 

Leia também:

Exclusivo:Campinápolis contrata, sem licitação, biometria de crianças sem as salvaguardas da LGPD

Nova ‘Lei Felca’ entra em vigor e obriga redes a verificar idade de menores

Advertisement

Dino extingue aposentadoria compulsória como pena para juízes

Em MT uma mulher é assassinada a cada 7 dias: feminicídios disparam 11% e deserto de proteção mantém MT no topo letal pelo 5º ano

EXCLUSIVO: ex-assessor acusa deputado Dr. João de confiscar salários e manter funcionários fantasmas;VÍDEO

Glifosato aparece em 31 de 75 ultraprocessados testados pelo Idec, saiba quais

Advertisement

DESTAQUE

Meio-campista sul-africano morre aos 25 anos após Copa do Mundo

Published

on

morte Jayden Adams

Jayden Adams disputou a fase eliminatória do torneio pela seleção da África do Sul poucos dias antes do falecimento

O meio-campista Jayden Adams, da seleção da África do Sul e do Mamelodi Sundowns, morreu neste sábado (11), aos 25 anos. O atleta atuou na Copa do Mundo de 2026 poucos dias antes do falecimento.

A confirmação da morte ocorreu por meio de familiares, representantes do jogador à imprensa sul-africana e do Sindicato dos Futebolistas da África do Sul. As circunstâncias do falecimento ainda não foram divulgadas.

Trajetória na Copa do Mundo

Adams integrou a campanha histórica dos Bafana Bafana, que alcançaram a fase eliminatória de uma Copa do Mundo pela primeira vez. O jogador iniciou como titular nas partidas contra o México e a Tchéquia.

Na vitória sobre a Coreia do Sul, resultado decisivo para a classificação da equipe, ele entrou no segundo tempo. O meio-campista também esteve presente na campanha que se encerrou com a eliminação para o Canadá, na fase de 16 avos de final.

Advertisement

Repercussão e luto no esporte

Brendine Johnson, mentor de Adams, concedeu entrevista ao Soccer Laduma para descrever o impacto da notícia e pedir respeito à privacidade da família.

Leia Também:  Planejamento do próximo ciclo do Proadi-SUS orienta visita técnica ao Hospital Alemão Oswaldo Cruz

“Essa perda destruiu todo mundo. Eu tinha falado com ele na quinta-feira e ele estava muito animado com o retorno após a Copa do Mundo. Estava preparado para os desafios que tinha pela frente. Ninguém esperava isso”, afirmou Johnson.

O Sindicato dos Futebolistas da África do Sul divulgou uma nota de pesar. A entidade destacou que o atleta representou o país com orgulho, coragem e distinção no torneio internacional.

“Estendemos nossas mais profundas condolências à família Adams, ao Mamelodi Sundowns, ao Stellenbosch FC, ao Bafana Bafana e a todos aqueles cujas vidas ele tocou. O futebol sul-africano perdeu um jogador talentoso, um orgulhoso servidor do esporte e uma jovem vida que ainda tinha muito a oferecer. Que sua alma descanse em paz eterna”, registrou o sindicato.

Carreira em clubes e seleção

Revelado pelo Stellenbosch, o atleta transferiu-se para o Mamelodi Sundowns em janeiro de 2025, sob o comando do técnico Miguel Cardoso. Na temporada 2025-26, ele ajudou a equipe a conquistar a Liga dos Campeões da África.

Advertisement

O jogador defendia a seleção principal da África do Sul desde 2022, período em que acumulou 13 partidas disputadas e dois gols marcados. A morte de Adams ocorre poucas semanas após o falecimento de sua avó, Marianna Adams, registrado durante a disputa da Copa do Mundo.

Leia Também:  Definidas novas regras de publicidade para empresas de apostas esportivas

 

Leia também:

Exclusivo:Campinápolis contrata, sem licitação, biometria de crianças sem as salvaguardas da LGPD

Nova ‘Lei Felca’ entra em vigor e obriga redes a verificar idade de menores

Advertisement

Dino extingue aposentadoria compulsória como pena para juízes

Em MT uma mulher é assassinada a cada 7 dias: feminicídios disparam 11% e deserto de proteção mantém MT no topo letal pelo 5º ano

EXCLUSIVO: ex-assessor acusa deputado Dr. João de confiscar salários e manter funcionários fantasmas;VÍDEO

Glifosato aparece em 31 de 75 ultraprocessados testados pelo Idec, saiba quais

Advertisement
Continuar lendo

GRANDE CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

ENTRETENIMENTO

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA