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VÁRZEA GRANDE

Prefeita decreta calamidade financeira em Várzea Grande e no DAE após bloqueio de R$ 19 milhões e avanço da dívida bilionária de precatórios

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Município, que arrecada cerca de R$ 2 bilhões por ano, acumula aproximadamente R$ 1 bilhão em precatórios e passou a desembolsar cerca de R$ 6 milhões por mês para quitar a dívida judicial. Além disso, sofreu o bloqueio de recursos do ICMS e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). A medida determina cortes de gastos e prioridade à manutenção dos serviços essenciais.

A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti, decretou situação de calamidade financeira e fiscal em toda a administração municipal e também no Departamento de Água e Esgoto (DAE). Os dois decretos foram publicados em edição extra do Diário Oficial dos Municípios nesta quinta-feira (16) e estabelecem uma série de medidas de contenção de despesas para evitar o agravamento da crise fiscal.

A decisão foi motivada pelo bloqueio judicial de R$ 19 milhões nas contas do município, atingindo recursos do ICMS e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), além do elevado comprometimento das finanças com o pagamento de precatórios. Embora tenha arrecadação anual em torno de R$ 2 bilhões, Várzea Grande acumula uma dívida de aproximadamente R$ 1 bilhão em precatórios, situação que tem comprometido a gestão financeira. Atualmente, o município desembolsa cerca de R$ 6 milhões por mês para cumprir o cronograma de pagamentos judiciais, valor muito superior aos cerca de R$ 500 mil mensais pagos pela gestão anterior.

Antes da publicação dos decretos, na quarta-feira (15), a prefeita reuniu secretários municipais e vereadores para apresentar o cenário financeiro da administração e explicar as medidas adotadas.

Segundo Flávia Moretti, a gestão conseguiu recursos por meio de emendas parlamentares para áreas como Saúde, Assistência Social e Infraestrutura, mas a falta de aprovação de um projeto de remanejamento orçamentário pela Câmara Municipal impediu a utilização desses valores.

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“Desde 2025 busquei emendas para custear principalmente a Saúde, a Assistência Social e a Infraestrutura. Quando precisei de um remanejamento orçamentário, o dinheiro ficou parado na Câmara Municipal por ‘brio’ do presidente daquela Casa. Por isso, tive que utilizar recursos próprios para pagar despesas que poderiam ser custeadas com as emendas”, afirmou.

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A prefeita informou ainda que o bloqueio judicial ocorreu após o não pagamento de três parcelas de precatórios, de aproximadamente R$ 6,5 milhões cada, referentes a débitos acumulados nos exercícios de 2023 e 2024.

Ela também afirmou que o município enfrenta outros passivos herdados de gestões anteriores, como uma dívida de R$ 19,4 milhões em créditos tributários e outra de R$ 36 milhões, que impedem a emissão de certidões fiscais. Segundo a gestora, sem a aprovação de um projeto pela Câmara Municipal autorizando o parcelamento desses débitos, Várzea Grande continuará impossibilitada de acessar recursos provenientes de emendas parlamentares.

Durante a reunião, Flávia Moretti pediu o empenho dos secretários na redução de despesas e afirmou que a prioridade será manter os serviços essenciais.

“Agora é hora de apertar os cintos. Precisamos reduzir despesas, cortar tudo o que não for essencial e concentrar esforços para garantir os serviços básicos à população.”

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Os decretos determinam a suspensão da criação de novas despesas, da realização de eventos e festividades, da aquisição de bens permanentes sem caráter urgente e da celebração de novos contratos, salvo em situações indispensáveis. Todas as secretarias terão cinco dias úteis para apresentar um plano de redução de gastos administrativos.

Saúde, Educação, Assistência Social, folha de pagamento, limpeza urbana e abastecimento de água passam a ter prioridade absoluta na destinação dos recursos públicos.

DAE em situação crítica

Em outro decreto, a prefeita também declarou estado de calamidade financeira no Departamento de Água e Esgoto (DAE/VG), apontando que a autarquia enfrenta um grave desequilíbrio econômico que ameaça a continuidade do abastecimento de água no município.

O documento cita decisão do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), que apontou irregularidades nas contas da autarquia, déficit orçamentário de R$ 28,7 milhões, dívida de R$ 172,2 milhões com a concessionária de energia elétrica, créditos não inscritos em dívida ativa que somam R$ 158,8 milhões e um passivo em precatórios superior a R$ 314 milhões.

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O DAE terá prazo de 60 dias para apresentar um Plano de Recuperação Econômico-Financeira contendo diagnóstico da situação, metas para aumento da arrecadação, cronograma de investimentos e medidas para restabelecer a sustentabilidade da autarquia.

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Procuradoria explica alcance do decreto

O procurador-geral do Município, Maurício Magalhães, explicou que o decreto tem caráter administrativo e busca criar condições para reorganizar as contas públicas sem interromper a prestação dos serviços essenciais.

“O decreto estabelece um regime extraordinário de gestão fiscal para enfrentar uma situação financeira extremamente delicada. O objetivo é preservar os serviços essenciais, reorganizar as finanças do município e implementar medidas de recuperação fiscal, sempre dentro da legislação e dos princípios da responsabilidade fiscal.”

Segundo ele, a decretação da calamidade financeira não produz, automaticamente, os efeitos previstos na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

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“O reconhecimento administrativo permite a adoção imediata de medidas de contenção e reorganização das despesas. Já os efeitos específicos previstos na Lei de Responsabilidade Fiscal dependem do reconhecimento pelos órgãos competentes, conforme estabelece o próprio decreto.”

A situação de calamidade financeira terá validade inicial de 180 dias, podendo ser prorrogada caso os indicadores fiscais e financeiros não apresentem melhora no período.

Fonte: Prefeitura de Várzea Grande – MT

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Pressionada por dívidas herdadas e bloqueio judicial, Várzea Grande decreta calamidade financeira

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Decretos atingem a administração municipal e o DAE e instituem regime de contenção por 180 dias diante de dívidas herdadas de gestões anteriores

A Prefeitura de Várzea Grande decretou situação de calamidade financeira na administração municipal e no Departamento de Água e Esgoto (DAE) nesta quinta-feira (16), em edição extra do Diário Oficial dos Municípios. A medida responde ao bloqueio judicial de R$ 19,7 milhões em contas do município e a um conjunto de passivos herdados de gestões anteriores. Os dois decretos instituem um regime de contenção de despesas com validade inicial de 180 dias, prorrogável.

Bloqueio de R$ 19,7 milhões travou repasses de ICMS e FPM

O bloqueio determinado pela Justiça atingiu recursos de ICMS e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), as principais fontes de custeio da máquina pública. A constrição foi disparada pelo não pagamento de três parcelas de cerca de R$ 6,5 milhões cada, referentes a precatórios dos exercícios de 2023 e 2024.

Pelos números apresentados pela gestão, o passivo em precatórios do município beira R$ 1 bilhão, e o desembolso mensal para cumprir o cronograma de pagamentos subiu para cerca de R$ 6 milhões, contra R$ 500 mil pagos por mês pela administração anterior. O aumento acompanha a entrada do município no regime obrigatório de quitação de precatórios. Entre as verbas alcançadas pela ordem estão recursos que sustentam a folha de pagamento e os serviços do dia a dia, razão pela qual a garantia dos salários passou ao centro das medidas.

A possibilidade de bloqueio tem base na própria Constituição, que autoriza o sequestro de receitas do ente federativo em mora com precatórios. Por isso a ordem alcançou o ICMS e o FPM. As mesmas regras, porém, ressalvam do bloqueio as contas com destinação constitucional específica, como saúde e educação, entendimento firmado pelo Supremo Tribunal Federal, o que abre margem para pleitear a preservação desses recursos em juízo.

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DAE herda rombo

O segundo decreto declarou calamidade no Departamento de Água e Esgoto, autarquia responsável pelo abastecimento de água. O documento registra déficit orçamentário de R$ 28,7 milhões, dívida de R$ 172,2 milhões com a concessionária de energia elétrica, R$ 158,8 milhões em créditos não inscritos em dívida ativa e passivo em precatórios superior a R$ 314 milhões.

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O ato se apoia no Acórdão nº 617/2025 do Tribunal de Contas de Mato Grosso, que julgou irregulares as contas do DAE relativas a 2023, exercício sob a gestão anterior do município e direção anterior da autarquia. O Tribunal reconheceu graves irregularidades financeiras, orçamentárias e patrimoniais, associou o desequilíbrio a falhas recorrentes no abastecimento de água e chegou a encaminhar ao governo do estado um pedido de intervenção. Também registrou mais de mil ações judiciais em tramitação contra a autarquia, fator que amplia o risco de novas ordens de bloqueio sobre as receitas do órgão. O DAE terá 60 dias para apresentar um plano de recuperação econômico-financeira.

Emendas travadas e remanejamento parado na Câmara

Segundo a prefeita Flávia Moretti, a gestão captou emendas parlamentares para saúde, assistência social e infraestrutura ao longo de 2025, mas a ausência de aprovação de um remanejamento orçamentário na Câmara Municipal impediu o uso dos recursos, o que obrigou o município a bancar com caixa próprio despesas que poderiam sair das emendas. O remanejamento é o instrumento que autoriza realocar dotações dentro do orçamento já aprovado e depende do aval da Câmara. Registros de execução orçamentária somam cerca de R$ 38 milhões em emendas destinadas a Várzea Grande em 2024 e 2025.

O impasse também é atribuído à falta de aprovação de um projeto que autorize o parcelamento de débitos tributários herdados, de R$ 19,4 milhões e R$ 36 milhões. Sem esse aval, o município segue impedido de emitir certidões fiscais e de acessar novos repasses de emendas.

O que muda com a calamidade financeira

Na prática, os decretos suspendem a criação de novas despesas, a realização de eventos, a compra de bens permanentes sem urgência e a assinatura de novos contratos, salvo casos indispensáveis. As secretarias têm cinco dias úteis para apresentar planos de redução de gastos, e passam a ter prioridade na destinação de recursos as áreas de saúde, educação, assistência social, folha de pagamento, limpeza urbana e abastecimento de água.

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O alcance da medida é administrativo. De acordo com o procurador-geral do município, Maurício Magalhães, a decretação da calamidade financeira não produz de forma automática os efeitos da Lei de Responsabilidade Fiscal, que dependem de reconhecimento pelos órgãos competentes. O que o reconhecimento administrativo permite, de imediato, é a adoção das medidas de contenção e a reorganização das despesas.

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O quadro não é inteiramente novo. Ao longo de 2025, a Secretaria de Gestão Fazendária havia registrado alertas internos sobre o risco de desequilíbrio nas contas, e o bloqueio decorre de parcelas vencidas e não quitadas no período. Os avisos apontavam a necessidade de um plano de contenção de gastos, resposta que agora se formaliza nos dois decretos. Ainda assim, a maior parte dos passivos que pressionam o caixa foi constituída antes da atual administração.

As secretarias municipais têm cinco dias úteis para entregar os planos de corte, e o DAE, 60 dias para o plano de recuperação. A situação de calamidade vale por 180 dias, prorrogáveis caso os indicadores não melhorem. O pedido de intervenção estadual no DAE, encaminhado pelo Tribunal de Contas, segue em análise no governo de Mato Grosso.

 

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