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Saúde global

Brasil entra na lista de 21 países com alta de novas infecções por HIV

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novas infecções por HIV

Mesmo relatório que registra a alta traz a certificação do país por barrar a transmissão do HIV de mãe para filho

O Brasil aparece entre os 21 países onde o número de novas infecções por HIV cresceu mais de 20% entre 2010 e 2025, conforme o relatório especial do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (UNAIDS) publicado em 27 de julho de 2026 para a 26ª Conferência Internacional de Aids. O mesmo documento registra que a Organização Pan-Americana da Saúde certificou o país em dezembro de 2025 pela eliminação da transmissão vertical do HIV, aquela que passa da mãe para o bebê, e que duas das três metas globais de diagnóstico e tratamento já foram atingidas. Os dois registros convivem em um ano no qual o financiamento internacional para a resposta ao HIV nos países de renda baixa e média caiu 18%.

A tabela que classifica os países pela trajetória da epidemia divide o mundo em dois grupos. De um lado, sete reduziram as novas infecções em pelo menos 78% desde 2010 e caminham para a meta de 90% até 2030: Benin, Essuatíni, Quênia, Lesoto, Nepal, Ruanda e Zimbábue. De outro, 21 registram alta superior a 20% no mesmo período, e o Brasil está nesse grupo, ao lado de Paraguai, Peru, Costa Rica e Venezuela.

O recorte considera apenas países com estimativas publicadas em 2010 e em 2025 e com pelo menos 200 novas infecções em cada um dos dois anos. Na média global, o número caiu 42% desde 2010, para 1,2 milhão em 2025. A América Latina foi na direção oposta, com alta de 25% no período, a segunda maior entre as regiões, atrás do Oriente Médio e Norte da África, com 78%.

O outro Brasil

Os resultados brasileiros aparecem mais adiante, em box próprio. Com cerca de 1 milhão de pessoas vivendo com HIV, o país cumpriu duas das três metas conhecidas como 95-95-95, que preveem, até 2030, diagnosticar 95% de quem vive com o vírus, colocar 95% dos diagnosticados em tratamento e levar 95% dos tratados à supressão da carga viral. As cumpridas são a primeira e a terceira.

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A certificação de dezembro de 2025 fez do Brasil o primeiro país com mais de 100 milhões de habitantes a eliminar a transmissão vertical do vírus, aquela que ocorre da mãe para o bebê na gestação, no parto ou na amamentação.

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O Programa Brasil Saudável, lançado em 2024, reúne 14 ministérios em torno da eliminação de 14 doenças socialmente determinadas até 2030, entre elas HIV, tuberculose, hanseníase, malária e hepatites virais. Na prevenção, o número de pessoas que usaram a profilaxia pré-exposição (PrEP), medicamento tomado por quem não tem o vírus para evitar a infecção, ao menos uma vez no ano subiu de 165 mil para 233 mil entre 2024 e 2025, alta de 41%.

Em 30 de junho de 2026, cerca de 230 mil pessoas usavam PrEP no país, o equivalente a 5,2 usuários para cada novo diagnóstico de HIV. A meta do Ministério da Saúde é de três usuários por diagnóstico. Os dados subnacionais revelam disparidades relevantes de acesso entre os estados.

A PrEP encolheu no resto do mundo

Um número da edição de junho não se repete na de julho: em 62 países, o total de pessoas que receberam PrEP ao menos uma vez no ano caiu 38% entre 2024 e 2025, com base em informações iniciais. A relação desses países não foi publicada.

Na edição de julho, o agregado deu lugar a casos individuais. Em Camarões, Nigéria e Zâmbia, o número de usuários de profilaxia caiu mais da metade em um ano. Na África do Sul, que concentra o maior contingente em PrEP no mundo, houve corte no financiamento internacional e a queda ficou em 8%. Etiópia e Uganda ampliaram o acesso com recursos domésticos e outras fontes.

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Em 2024, a prevenção representava 11% de todo o financiamento do HIV nos países de renda baixa e média, e 66% desse montante vinha do exterior. Na África subsaariana, a dependência de recursos externos nos programas de prevenção chegava a 83%.

O lenacapavir tem preço definido para uns

Até o fim de junho de 2026, mais de 51 mil pessoas haviam recebido o lenacapavir, injeção de prevenção aplicada duas vezes por ano, em nove países da África subsaariana. A maioria eram mulheres com mais de 25 anos atendidas em clínicas e hospitais públicos. Em março, eram mais de 6 mil pessoas em cinco países.

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Um esforço conduzido por CHAI, Fundação Gates, Fundo Global, Unitaid e governo dos Estados Unidos derrubou o preço do medicamento para 40 dólares por pessoa ao ano nos países de renda mais baixa, a partir de 2027. Para os países de renda média e alta, o documento afirma não haver clareza sobre os valores.

Os dados de compra de antirretrovirais reunidos pela UNAIDS mostram que o valor dos esquemas de segunda linha sobe de forma acentuada conforme o nível de renda, e o relatório aponta esse padrão como risco específico para as economias de renda média que estão saindo do financiamento externo.

Estimativa de novas infecções por HIV revisada em seis semanas

O intervalo entre as duas edições do levantamento mudou o retrato da América Latina. Em 12 de junho, a estimativa preliminar indicava alta de 13% nas novas infecções desde 2010. Em 27 de julho, o número subiu para 25%.

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Outros valores também foram ajustados. O total de pessoas vivendo com HIV passou de 40,9 milhões para 41 milhões, a estimativa de infecções por transmissão vertical passou de 94 mil para 93 mil e a redução global acumulada desde 2010 recuou de 43% para 42%.

Os dados desagregados por país passam a ficar disponíveis na plataforma aidsinfo da UNAIDS a partir de hoje (28). A versão consolidada do levantamento, o Global AIDS Update, está prevista para novembro de 2026.

 

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Sony encerra discos em 2028 e gera boicote de jogadores de PlayStation

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fim da mídia física

Decisão de manter apenas formato digital a partir de janeiro de 2028 motiva o PSBlackout global e aciona debate em órgãos de defesa do consumidor no Brasil

A Sony encerrará a produção de discos para novos jogos de PlayStation em janeiro de 2028, motivando boicotes globais de jogadores que temem perder a propriedade sobre os títulos.

O movimento encabeçado por parte da comunidade levanta um debate sobre o conceito de propriedade no ambiente digital, os impactos na cadeia econômica ligada ao mercado de usados e as vulnerabilidades de usuários com acesso precário à internet. No Brasil, o embate transbordou das redes sociais para a esfera institucional, chegando a mobilizar órgãos como o Procon-SP, a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) e o Congresso Nacional.

A decisão oficial, comunicada via blog oficial da Sony Interactive Entertainment no dia 1º de julho de 2026, estipula que a produção de mídias físicas será interrompida para todos os novos lançamentos. Após essa data, os jogos estarão disponíveis apenas na PlayStation Store ou por meio de códigos vendidos em varejistas. A empresa fez a ressalva de que o anúncio não afeta jogos já lançados ou previstos em disco antes de 2028.

Em sua comunicação oficial, a corporação justificou a medida como uma resposta a uma mudança estrutural de mercado, afirmando que ocorre “as consumer preferences and the broader entertainment industry continue to shift away from physical discs to digital”. A Sony descreveu a transição como uma “natural direction” para se adaptar a um cenário onde a preferência por downloads digitais já representa cerca de 80% das vendas de software full-game da empresa, segundo dados de um ano fiscal recente.

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A confirmação de que “physical game disc production for all new games releasing on PlayStation consoles will be discontinued starting January 2028” gerou reação imediata dos consumidores, organizados por meio de petições e convocações de greves.

O apagão econômico e de jogabilidade

A mobilização mais drástica registrada até 28 de julho de 2026 é o #PSBlackout. Convocado em 26 de julho pelo grupo de preservação de jogos e defesa do consumidor Does It Play?, o movimento é estruturado como um “apagão econômico e de jogabilidade”.

A orientação do coletivo é para que, entre o domingo, 23 de agosto de 2026, às 19h (hora local), e o domingo seguinte, 30 de agosto, no mesmo horário, os proprietários de PlayStation executem uma “huelga de desconexión de siete días”. As regras estipulam que os usuários desliguem os consoles, não façam login em contas PlayStation, não realizem sessões de jogo em PS4 ou PS5 e suspendam qualquer compra de conteúdo na plataforma.

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O coletivo afirma que o apagão é uma “dose da própria medicina” aplicada à corporação, desenhado estrategicamente para afetar métricas de usuários ativos e vendas digitais monitoradas pela Sony, tentando minimizar prejuízos aos desenvolvedores de jogos.

Antes desse movimento contínuo de sete dias, jogadores brasileiros já haviam organizado uma “greve digital” pontual em 25 de julho. A ação pedia que os usuários não ligassem os aparelhos durante todo o sábado, focando em impactar o tráfego de rede no dia de maior uso. Além disso, houve registro de cancelamentos em massa de assinaturas do serviço PlayStation Plus e boicotes direcionados a lançamentos digitais específicos, como o jogo Denshattack! para PS5.

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A ilusão da propriedade digital e a reação dos fãs

A base das críticas dos jogadores reside na percepção de perda de direitos. A petição intitulada “Don’t Kill the Disc”, hospedada na plataforma Change.org, ultrapassou rapidamente a marca de 100 mil assinaturas, com registros posteriores de veículos apontando números superiores a 346 mil apoiadores.

O texto da petição defende que um disco físico representa um “jogo real” que permite ao consumidor o direito de emprestar, revender, presentear ou repassar a terceiros. Em oposição, os ativistas argumentam que caixas vazias contendo apenas códigos de download representam meras licenças digitais revogáveis. O temor central, alimentado por casos prévios na indústria de entretenimento, é o risco de remoção de conteúdos comprados em cenários de desligamento de servidores ou alteração unilateral de contratos de licenciamento.

Grupos de preservação histórica, como o próprio Does It Play?, alertam que a dependência total do ecossistema digital agrava o desaparecimento de jogos clássicos, citando fechamentos anteriores de lojas virtuais de consoles mais antigos, como o PS3 e o PS Vita.

Repercussão no Brasil: Senacon, Procon e o Congresso

A transição para um modelo 100% digital encontra obstáculos específicos na realidade socioeconômica brasileira. Análises jurídicas recentes destacam que consumidores em regiões com internet precária, bem como aqueles que dependem da economia do mercado de usados, são os mais vulneráveis à medida.

Do ponto de vista legal, o fim da mídia física expõe a estrutura de licenciamento que já vigora no Brasil. Jogos eletrônicos são classificados como softwares (Lei 9.609/98 e o novo Marco Legal dos Jogos Eletrônicos, Lei 14.852/24), cujo uso se dá por contrato de licença. A extinção do disco, portanto, evidencia a dependência do consumidor em relação aos servidores das plataformas.

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Diante do anúncio da Sony, houve uma representação formal à Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), de autoria da deputada federal Erika Hilton, além de uma manifestação técnica por parte do Procon-SP. Em paralelo, a discussão chegou ao legislativo por meio do Projeto de Lei (PL) 3.612/2026. A proposta discute regras para o desligamento de serviços, exigindo possibilidades de funcionamento offline, liberação de servidores comunitários ou reembolso aos consumidores, além de cobrar maior transparência sobre a dependência de conexão de internet no momento da venda.

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Até o dia 28 de julho de 2026, a Sony não recuou formalmente de sua política para 2028 e manteve silêncio diante dos boicotes organizados, ancorando-se publicamente na transição do comportamento de consumo para o formato digital.

Glossário — Entenda os termos técnicos:

  • PlayStation Store / PS Store: Loja virtual oficial da Sony onde os jogos e expansões são comprados e baixados em formato digital.
  • PSN (PlayStation Network): Rede online que conecta os consoles da Sony à internet, permitindo jogos multiplayer, compras e autenticação de licenças digitais.
  • PlayStation Plus (PS Plus): Serviço de assinatura paga da Sony que oferece acesso a jogos multiplayer online e um catálogo rotativo de títulos para download.
  • Live-service (Jogos como serviço): Modelo de negócio em que um jogo recebe atualizações contínuas e monetização a longo prazo, exigindo conexão constante com os servidores da empresa.
  • Senacon: Secretaria Nacional do Consumidor, órgão do Ministério da Justiça do Brasil responsável por planejar e executar a política nacional de defesa do consumidor.

 

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