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Nutrição animal

Brasil faz primeiras entregas de DDGS e farinha de vísceras de aves à China

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DDGS Brasil China exportação
Primeiras cargas de DDGS brasileiro chegaram ao porto de Nansha, em Guangzhou, no sul da China, em abril de 2026

Navio com 62 mil toneladas de coproduto do etanol de milho atracou em Guangzhou; contêiner de subproduto da avicultura foi enviado na mesma semana

Um navio com cerca de 62 mil toneladas de DDGS (grãos secos de destilaria com solúveis), coproduto do etanol de milho, atracou no porto de Nansha, em Guangzhou, no sul da China, em abril de 2026. Na mesma semana, o primeiro contêiner de farinha de vísceras de aves seguiu para a China. As duas operações, anunciadas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) em 6 de abril, são os primeiros embarques comerciais desses insumos de nutrição animal ao mercado chinês.

As entregas resultam de negociações sanitárias que levaram três anos. O mercado chinês para farinha de vísceras de aves, insumo proteico obtido do processamento de subprodutos da avicultura, foi aberto em abril de 2023, após demanda da Associação Brasileira de Reciclagem Animal (Abra). Para o DDGS, o processo foi mais longo: o protocolo sanitário bilateral só foi assinado em maio de 2025, e as primeiras cinco plantas de etanol de milho receberam habilitação em novembro do mesmo ano, quatro em Mato Grosso e uma em Mato Grosso do Sul. No total, 13 estabelecimentos foram autorizados a vender DDG à China, após inspeções de boas práticas de fabricação, rastreabilidade e controles exigidos por Pequim.

O primeiro embarque físico partiu do porto de Imbituba, em Santa Catarina, em 14 de fevereiro de 2026, operado pela Inpasa, maior produtora privada de etanol de milho do país. A carga somou cerca de 62 mil toneladas. A FS, concorrente no setor, posicionou no porto de Santos uma remessa inicial de 3 mil toneladas de HPDDG, versão com maior teor proteico do grão de destilaria. As duas empresas concentram a logística dos primeiros envios ao mercado chinês.

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Peso chinês no agro brasileiro

A China comprou US$ 55,3 bilhões em produtos agropecuários do Brasil em 2025, segundo dados do MAPA, o equivalente a 32,7% de tudo o que o setor exportou naquele ano. Em 2024, o valor tinha sido de US$ 49,6 bilhões. O DDGS e a farinha de vísceras acrescentam mais dois itens a uma pauta que já é fortemente concentrada nesse comprador.

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A Inpasa projeta que a China absorva até metade das compras brasileiras de DDG já em 2026. No ano passado, sem a demanda chinesa, o Brasil vendeu 879.358 toneladas de DDG/DDGS a 25 países, aumento de quase 10% sobre as 791 mil toneladas de 2024. Com a entrada da China, a meta da indústria é exportar 1,5 milhão de toneladas neste ano. Se a projeção da Inpasa se confirmar, a China passaria de zero a maior comprador individual do produto em menos de 12 meses. A empresa já tem contratos para enviar mais de 250 mil toneladas de DDGS ao país.

A FS estima crescimento de 180% nas exportações de HPDDG entre as safras 2024/25 e 2025/26, com nova duplicação prevista para 2026/27. Parte desse volume tem como destino declarado o mercado chinês.

Economia circular sem salvaguardas públicas

O MAPA apresenta as entregas como resultado da cooperação entre governo e setor produtivo e destaca o conceito de economia circular: coprodutos do etanol de milho e resíduos da avicultura convertidos em ração para rebanhos chineses. O sorgo, habilitado para exportação à China em novembro de 2025 com dez unidades autorizadas, é outro caso. A China importa mais de 80% do sorgo comercializado no mundo, em negócios acima de US$ 2,6 bilhões ao ano. O Brasil produziu mais de 4 milhões de toneladas do grão em 2024, das quais exportou 178,4 mil.

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Os protocolos sanitários não mencionam cláusulas ambientais (limites de emissão, proteção de biomas, bem-estar animal) nem exigências trabalhistas ou de uso do solo nas regiões produtoras.

Resta saber se os volumes contratados se mantêm e se novos estabelecimentos serão habilitados. O governo não informou prazos para revisar os protocolos ou incluir critérios socioambientais nas negociações com Pequim.

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Alta de insumos, frete e diesel com guerra aperta margem e preocupa safra 2026/27

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Isan Rezende

“O produtor rural brasileiro define agora, entre maio e agosto, o custo da safra 2026/27 — cujo plantio começa a partir de setembro no Centro-Oeste — com uma conta mais pesada e fora do seu controle. A ureia subiu mais de US$ 50 por tonelada, o diesel segue pressionado e o frete internacional acumula altas de até 20%. Isso aumenta o custo por hectare e exige mais dinheiro para plantar”. A avaliação é de Isan Rezende, presidente do Instituto do Agronegócio (IA), ao analisar os efeitos da escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã sobre o agronegócio brasileiro.

Segundo ele, o encarecimento não começou agora, mas se intensificou nas últimas semanas e pesa diretamente nas decisões do produtor. Em lavouras de soja e milho, o aumento dos insumos pode elevar o custo total entre 8% e 15%, dependendo do nível de investimento. “O produtor já vinha apertado. Agora, o custo sobe de novo e o preço de venda continua incerto”, afirma.

O avanço dos custos está ligado à tensão no Oriente Médio. O fechamento do Estreito de Ormuz levou o petróleo a superar US$ 111 o barril, mantendo o diesel em alta. Ao mesmo tempo, fertilizantes nitrogenados, que o Brasil importa em grande volume, ficaram mais caros e instáveis.

Além do custo, há risco de perda de mercado. “O Irã comprou cerca de 9 milhões de toneladas de milho brasileiro em 2025. Se esse volume diminui, sobra produto aqui dentro e o preço cai”, diz Rezende.

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Na logística, o impacto já aparece nos números. O frete marítimo para a Ásia subiu entre 10% e 20%, com aumento do seguro e cobrança de prêmio de risco. Na prática, isso reduz o valor pago ao produtor. “Quando o custo de levar o produto sobe, alguém paga essa conta — e parte dela volta para quem está produzindo”, afirma.

O efeito mais forte deve aparecer nos próximos meses, quando o produtor for comprar fertilizantes e fechar custos da nova safra. Se os preços continuarem elevados, será necessário mais capital para plantar a mesma área.

Para Rezende, há medidas que podem reduzir esse impacto. “O governo pode ampliar o crédito rural com juros menores, reforçar o seguro rural e alongar dívidas em regiões mais pressionadas. Um aumento de alguns bilhões na equalização de juros já ajudaria a reduzir o custo financeiro da safra”, afirma.

Ele também aponta que o Brasil começa a dar passos para diminuir a dependência externa de insumos, mas ainda de forma insuficiente. “A retomada da produção de nitrogenados com a reativação da unidade de Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados de Araucária, no Paraná, ajuda, mas ainda não resolve o problema. O país continua dependente do mercado internacional, especialmente do Oriente Médio. Sem ampliar essa capacidade e melhorar a logística, o produtor segue exposto a choques externos”, conclui.

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Fonte: Pensar Agro

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