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Escândalo de desvio trás conexões entre ALMT, SEDEC e a Metamat

Operação mira desvio de R$ 22 milhões e expõe elo entre Metamat, servidor da ALMT e Sedec

Polícia Civil de MT deflagra Operação Poço Sem Fundo investigando desvio de R$ 22 milhões em contratos de poços artesianos na Metamat. Esquema envolve Juliano Boraczynski (ALMT) e servidores da Sedec, com fraudes desde 2020 e impacto na estatal em extinção.

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Operação Poço Sem Fundo Metamat
Investigação da Operação Poço Sem Fundo revela esquema de corrupção em contratos de poços artesianos na Metamat, com implicações para ALMT e Sedec em Mato Grosso

Investigação sobre fraudes em contratos para perfuração de poços artesianos em Mato Grosso aponta para esquema com participação de Juliano Jorge Boraczynski, recém-nomeado para cargo na Mesa Diretora da Assembleia Legislativa, e servidores da Secretaria de Desenvolvimento Econômico – pasta que deve absorver a Metamat, também epicentro do escândalo.

Um rombo de R$ 22 milhões em dinheiro que deveria levar água a comunidades rurais de Mato Grosso. Esse é o saldo amargo de um esquema que agora coloca a Companhia Mato-Grossense de Mineração (Metamat) no centro de um escândalo. E aqui vai uma ironia daquelas: a Metamat já estava com os dias contados para ser extinta e suas funções absorvidas justamente pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec), onde, pasmem, servidores também estão sendo investigados no mesmo rolo.

A Operação “Poço Sem Fundo”, deflagrada nesta quinta-feira (8 de maio de 2025) pela Polícia Civil, não para por aí. Ela atinge em cheio Juliano Jorge Boraczynski, que até novembro de 2024 era o chefão da Metamat e, vejam só, desde o dia 2 de abril deste ano ocupa o cargo de Consultor Adjunto de Regularização Fundiária na Secretaria Parlamentar da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT). Essa nomeação fresquinha foi publicada no Diário Oficial da ALMT em 28 de abril, através do Ato Nº 1743/2025, assinado pelo presidente da Casa, Deputado Max Russi, e pelo 1º Secretário, Deputado Dr. João. Agora, Boraczynski é um dos alvos da investigação que apura uma teia criminosa montada desde 2020 para fraudar contratos de poços artesianos – um esquema que começou a ruir com o pente-fino da Controladoria Geral do Estado (CGE) e uma denúncia do próprio Palácio Paiaguás.

Trabalho na ALMT

Em 14 de abril de 2025, o Presidente da ALMT, Max Russi, exonerou Boraczynski, e, no mesmo ato, o nomeou para o cargo de Consultor Adjunto de Regularização Fundiária na Secretaria Parlamentar da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT).

Boraczynski, tem um salário mensal de mais de R$ 12.000,00.

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A redação entrou em contato com a assessoria de Max Russi, perguntando se Juliano Jorge Boraczynski seria afastado, mas até o momento não houve resposta.

Entenda o caso

A manhã desta quinta-feira (8) mal tinha começado e a Operação “Poço Sem Fundo” já estava sacudindo Mato Grosso. A Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor) da Polícia Civil foi para cima de um esquema pra lá de articulado, que teria desviado a bolada de R$ 22 milhões. Essa grana, que era para matar a sede de muita gente no campo com poços artesianos, teria ido parar em outros bolsos. Como eu disse, a coisa toda começou com uma denúncia do Governo do Estado, após a Controladoria Geral do Estado (CGE) farejar irregularidades nos contratos da Metamat.

Uma operação de peso e os primeiros bloqueios

E não foi uma operação pequena, viu? Para dar o bote, 120 policiais civis foram mobilizados para cumprir uma montanha de 226 ordens judiciais de uma vez só em Cuiabá, Várzea Grande e Tangará da Serra. Dessas, 30 eram mandados de busca e apreensão. A Justiça também não brincou em serviço: mandou sequestrar 49 imóveis e 79 outros bens da galera investigada, além de bloquear as contas bancárias deles e das empresas que teriam entrado no rolo. O valor bloqueado? Exatamente os R$ 22 milhões do prejuízo.

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A investigação aponta que essa suposta associação criminosa estava entrincheirada na Metamat, desviando recursos de contratos firmados entre 2020 e 2023. O plano original era nobre: abastecer comunidades rurais. As empresas contratadas deveriam furar os poços e fazer a água chegar, mas as auditorias da CGE descobriram que o buraco era mais embaixo – literalmente e no sentido figurado.

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Poços que viraram miragem e água desviada do seu curso

A lista de esquisitices é grande. Tinha poço pago que ninguém nunca viu no local indicado. Outros, até foram perfurados, mas sem qualquer estrutura decente para armazenar a água. A situação era tão crítica que, em alguns casos, os próprios moradores tinham que se virar com gambiarras para conseguir um pouco d’água. E o mais revoltante: poços foram parar em tudo quanto é lugar, menos onde deveriam. Acharam construções em fazendas particulares, pastagens, plantações, áreas de garimpo e até dentro de uma granja. Alguns brotaram em plena cidade, um desvio completo da missão de atender quem estava isolado no campo.

Os nomes na berlinda: da Metamat à ALMT

A investigação colocou um pessoal de peso na mira. O caso de Juliano Jorge Boraczynski é emblemático: exonerado da presidência da Metamat em 22 de novembro de 2024, foi nomeado para o cargo de Consultor Adjunto de Regularização Fundiária (símbolo DSL-II) na Secretaria Parlamentar da Mesa Diretora da ALMT, com vigência a partir de 2 de abril de 2025. Antes dessa nova função, ele era Assessor Parlamentar (símbolo APG-8) na Presidência da Mesa Diretora. Sua nomeação mais recente (Ato Nº 1743/2025, publicado no Diário Oficial Eletrônico da ALMT nº 1802 de 28 de abril de 2025) foi fundamentada no Regimento Interno da Casa e na Resolução Administrativa nº 34/2023, e assinada pelos deputados Max Russi (Presidente) e Dr. João (1º Secretário). Com um salário atual de R$ 10,4 mil na ALMT, ele é irmão do falecido ex-deputado estadual Romoaldo Júnior.

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Outros nomes que vieram à tona incluem:

  • Wagner Ramos: Ex-deputado estadual (2006-2010), com passagem anterior como repórter e tendo sido suplente na Assembleia em 2003. Atualmente, era diretor-administrativo da Metamat. Foi afastado pela Justiça.
  • Francisco Holanildo Silva Lima: Diretor-técnico da Metamat e ex-superintendente regional da Funasa em Mato Grosso. Também levou um cartão vermelho da Justiça e foi afastado.
  • Gonçalo Ferreira de Almeida, o “Pente Fino”: Conhecido em Várzea Grande, já foi presidente da Câmara de Vereadores por lá e também teve seu tempo como servidor na Metamat.

No total, são 24 investigados: 16 são ou foram servidores públicos (incluindo gente da Metamat e, como já mencionado, da Sedec) e 8 são empresários. Seis empresas também estão na mira, mas os nomes delas ainda não foram revelados.

A conta dos crimes e as duras medidas da Justiça

Essa turma toda vai ter que se explicar sobre uma penca de crimes: fraude na execução de contratos públicos, desvio de recursos públicos e formação de associação criminosa. O nome da operação, “Poço Sem Fundo”, caiu como uma luva, né? Descreve bem o sumiço contínuo de dinheiro público.

O Núcleo de Inquéritos Policiais da Comarca de Cuiabá foi firme nas decisões:

  • Suspendeu imediatamente qualquer pagamento do Estado de Mato Grosso às empresas investigadas.
  • Proibiu essa turma de fechar novos contratos com o Poder Público Estadual.
  • Autorizou a quebra do sigilo dos dados de celulares e computadores dos investigados.
  • Afastou de suas funções servidores da Metamat e também da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec) que estariam envolvidos.
  • Determinou que os investigados não podem ter contato entre si nem chegar perto dos prédios da Metamat.
  • E, para arrematar, mandou recolher os passaportes dos investigados.
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O “modus operandi” da gatunagem

Mas como é que o esquema funcionava na prática? As auditorias da CGE mostraram o caminho das pedras, ou melhor, da lama:

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  • Poços fantasmas: Obras que foram pagas, mas que, cadê? Não existiam nos locais declarados.
  • Serviço incompleto: Poços até eram perfurados, mas sem condições adequadas de armazenar e distribuir a água.
  • Finalidade desviada: Poços construídos em propriedades particulares, como fazendas e áreas de garimpo, sem qualquer benefício para as comunidades rurais que realmente precisavam.
  • Pagamentos suspeitos: Liberação de recursos até para poços que estavam secos ou que simplesmente não produziam água.

Como já adiantamos no início, a Metamat, coitada, já estava em processo de extinção desde 2024 por decisão do Governo Estadual, e esse esquema todo só piorou o cenário. Suas atribuições devem ser agora absorvidas pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec) – o que torna toda a situação ainda mais cabeluda, com a Sedec investigada e ao mesmo tempo “herdeira” da Metamat.

Impacto que vai além do dinheiro: a sede de justiça

O estrago causado por essa roubalheira toda vai muito além do rombo financeiro. Políticas públicas essenciais, pensadas para levar água a quem mais precisa em áreas rurais do estado, foram simplesmente sabotadas. Os contratos, que deveriam levar dignidade, acabaram, ao que tudo indica, servindo para engordar contas bancárias de maneira ilícita.

Com o sequestro de 49 imóveis e 79 bens móveis, além do bloqueio das contas bancárias, a Justiça tenta agora recuperar o montante que teria sido desviado, algo em torno dos R$ 22 milhões.

Um duro golpe na corrupção e um recado claro

A Operação “Poço Sem Fundo” já se inscreve como uma das maiores ações de combate à corrupção em Mato Grosso nos últimos anos. Foi preciso mobilizar um grande efetivo policial para começar a desarticular um esquema que, pelo visto, operava confortavelmente dentro de uma companhia estatal e com tentáculos em outras esferas do poder. O caso reforça a importância vital dos mecanismos de controle interno, como as auditorias da CGE, que foram o estopim para que as autoridades policiais conseguissem reunir as provas necessárias para deflagrar a operação.

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Este episódio ilustra a complexidade dos esquemas de corrupção infiltrados em órgãos públicos, com ramificações que envolvem servidores em diferentes níveis hierárquicos, gente com trânsito em outros poderes, como a Assembleia Legislativa, e empresários do setor privado. As investigações seguem, e é bem possível que novos nomes apareçam e que se entenda ainda melhor a extensão desse esquema criminoso que prejudicou tanto o estado quanto a população que contava com a chegada da água.

O outro lado

A redação entrou em contato com a assessoria de Max Russi, perguntando se Juliano Jorge Boraczynski seria afastado, mas até o momento não houve resposta. Qualquer nota enviada será incluída aqui.

A assessoria da ALMT informou que a exoneração de Juliano já foi solicitada, conforme documento abaixo:

 

Abaixo, o Ato de exoneração:

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Quer se informar sobre meio ambiente em MT? Ouça o Pod Lupa na mata:

 

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ALMT

Câmara de Cuiabá repudia fala de Valdir Barranco e defende direito de intervir em temas nacionais

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Presidente Paula Calil (PL) critica postura do deputado petista, que questionou conhecimento técnico de vereadores sobre indicação ao STF.

A Câmara Municipal de Cuiabá divulgou nota para rebater declarações do deputado estadual Valdir Barranco (PT), proferidas na Assembleia Legislativa de Mato Grosso. Sob a presidência de Paula Calil (PL), o Legislativo municipal manifesta indignação contra a postura do parlamentar, que tentou desqualificar a atuação dos vereadores em pautas de repercussão nacional e direcionadas ao governo federal.

O embate expõe uma disputa sobre os limites de atuação parlamentar municipal. A reação ocorre após Barranco insinuar que os vereadores carecem de conhecimento técnico para opinar sobre temas externos, a exemplo da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).

Autonomia e prerrogativas

O documento oficial destaca que o município atua como ente federativo autônomo, amparado pelo artigo 18 da Constituição Federal. O texto argumenta que o mandato de um vereador incorpora a função de representação política e de manifestação institucional sobre assuntos que afetam a coletividade, extrapolando a produção legislativa estritamente local.

“A tentativa de reduzir ou ridicularizar essa atuação não será tolerada”, informa a nota. A Casa legislativa ressalta que o direito à manifestação encontra amparo nos princípios fundamentais da República e que o Regimento Interno assegura a apresentação de moções e requerimentos como instrumentos de expressão política. Desqualificar as opiniões dos vereadores alegando falta de eficácia jurídica direta configura, na visão da presidência, um desrespeito ao princípio democrático.

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Cobrança por respeito

A presidência da Câmara classifica o discurso de Barranco como incompatível com o decoro parlamentar. A manifestação cita que a Constituição do Estado de Mato Grosso veda práticas que atentem contra a independência e a harmonia entre as esferas de governo.

O Legislativo encerra o texto exigindo responsabilidade no trato público. A orientação institucional aponta que as divergências políticas precisam permanecer restritas ao debate qualificado, com a rejeição de ataques que atinjam a dignidade dos mandatos locais. O documento não registra posicionamento de Valdir Barranco sobre a reação dos vereadores.

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Leia a íntegra da nota:

A Câmara Municipal de Cuiabá, por intermédio de sua presidente Paula Calil (PL), vem a público manifestar profunda indignação diante das declarações, durante um pronunciamento na Assembleia Legislativa, feitas pelo deputado estadual Valdir Barranco (PT) de forma desrespeitosa e incompatível com o decoro parlamentar esperado. Em sua fala, Barranco, em tom ‘inflamado’, tentou desqualificar a atuação institucional deste Poder Legislativo, especialmente no que se refere às manifestações dirigidas a temas de interesse nacional e ao governo federal.

A postura adotada por tal parlamentar, ao insinuar ausência de conhecimento técnico por parte dos vereadores da capital, quando da então indicação presidencial do advogado-geral da União, Jorge Messias, a uma vaga no Supremo Tribunal Federal, não apenas afronta a honra dos agentes políticos legitimamente eleitos, como também revela desconhecimento acerca das bases constitucionais que regem a atuação do Poder Legislativo municipal.

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Nos termos da Constituição Federal, o município é um ente federativo autônomo (Art. 18 da CF/88), dotado de capacidade política, administrativa e normativa. A atuação parlamentar não se restringe à produção legislativa estritamente local, sendo também inerente ao mandato a função de representação política, de fiscalização e de manifestação institucional sobre temas de interesse da coletividade, inclusive aqueles de repercussão nacional.

O direito à manifestação política e institucional encontra amparo, ainda, nos princípios fundamentais da República (art. 1º, incisos II e V), que asseguram a cidadania e o pluralismo político como pilares do Estado Democrático de Direito. Nesse contexto, qualquer tentativa de cercear ou desqualificar o posicionamento de representantes legitimamente eleitos configura grave afronta a esses fundamentos.

No âmbito estadual, a Constituição do Estado de Mato Grosso igualmente reconhece a autonomia municipal e a harmonia entre os poderes, vedando práticas que atentem contra a independência e o respeito institucional entre as esferas de governo.

Ademais, o Regimento Interno da Câmara Municipal de Cuiabá assegura aos vereadores o pleno exercício de suas prerrogativas parlamentares, incluindo a apresentação de moções, requerimentos e demais manifestações formais, instrumentos legítimos de expressão política e de posicionamento institucional do Poder Legislativo municipal.

Essas manifestações não se confundem com atos administrativos vinculantes, mas constituem expressão legítima da vontade política de representantes eleitos, refletindo demandas, opiniões e interesses da população cuiabana. Desqualificá-las sob o argumento de ausência de eficácia jurídica direta revela não apenas simplificação indevida do papel do Parlamento, mas também desrespeito ao princípio democrático.

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A Câmara Municipal de Cuiabá reafirma que seus vereadores exercem mandato conferido pelo voto popular, com legitimidade para se manifestar sobre quaisquer temas de interesse público, independentemente da esfera federativa envolvida. A tentativa de reduzir ou ridicularizar essa atuação não será tolerada.

Por fim, este Poder Legislativo exige respeito institucional e responsabilidade no discurso público, reiterando que divergências políticas devem ser tratadas no campo do debate qualificado, jamais por meio de ataques que desmereçam a dignidade do mandato parlamentar e, por consequência, da própria população representada.

 

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