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Incêndios no Pantanal serão frequentes nos próximos anos, aponta especialista

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Os incêndios no Pantanal podem se tornar comum nos próximos por conta das mudanças climáticas, agravadas pelos efeitos do El Niño. Atualmente, três grandes incêndios estão destruindo o bioma com um total de 64,6 mil hectares queimados, pelo menos.

a cientista política e diretora executiva do Instituto Centro de Vida (ICV), Alice Thuault, destaca a possibilidade das mudanças climáticas interferirem no regime de chuvas no Pantanal. Para a especialista, são pessimistas as previsões para o bioma.

“A perspectiva mundial está pessismista. Ontem (quarta-feira) saiu uma pesquisa falando que estamos com o outubro mais quente dos últimos 125 anos. Está muito claro que as previsões pessimistas estão se confirmando e se instalando uma emergência climática. Isso faz pensar que, sim, vamos enfrentar cada vez mais períodos de incêndio, uma falta de água e uma necessidade de adaptação”, pontua.

Thuault, aponta que, em apenas oito dias deste mês de novembro, o Pantanal mato-grossense registrou mais focos de calor do que todo o mês de outubro – foram 892 focos de calor neste mês contra 845 em outubro.

“Isso já mostra uma situação incomum para novembro. Éramos para estar em um período de muita chuva. Se você olhar o Pantanal como um todo, ele está sendo muito atingido. Se ela não chegar com intensidade (a chuva), isso será preocupante”, avalia.

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Um dos incêndios atinge o Parque Estadual Encontro das Águas, entre Barão de Melgaço e Poconé, desde o início de outubro. O fogo também destrói o Parque Nacional do Pantanal Mato-grossense e a Reserva Particular de Patrimônio Natural (RPPN) Fazenda Estância Dorochê, esta última a área mais recente atingida pelos incêndios.

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Análises do ICV apontam que a situação mais critica é na reserva da Fazenda Estância Dorochê, onde cerca de 70% da unidade já foi desutrída pelas chamas em pouco dias de fogo.

O monitoramento feito pelo ICV aponta que os incêndios no Parque Nacional do Pantanal Mato-grossense e no Parque Estadual Encontro das Águas já destruiram 16% e 22%, respectivamente, das unidades de proteção. As análises do instituto se dão a partir de dados de satélites espaciais que monitoram focos de calor e também a extensão da área queimada.

“A situação está bem crítica nesses lugares, que deveriam ter planos de emergência para controle do fogo. Está fazendo falta”, avalia Alice Thuault.

ICV

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Queimadas pantanal ICV

Comparação com incêncios do Pantanal de 2020

A dimensão dos incêndios que atingem o Pantanal mato-grossense nas três unidades de conservação lembram a tragédia que o bioma sofreu em 2020. Uma pesquisa da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) estimou que 26% da vegetação do Pantanal foi devastada nos incêndios e mais de 10 milhões de animais morreram naquele ano. A situação preocupa porque o bioma ainda estava se recuperando dessas queimadas.

ICV

Alice Thuault

 Alice Thuault, diretora do ICV, aponta que incêndios devem ser constantes no Pantanal

Para Alice, ainda não dá para comparar as queimadas deste ano com as de 2020. A diretora do ICV lembra que, em setembro daquele ano, foram mais de 6 mil focos de calor. Em 2023, foram pouco mais de 250.

“Se olharmos os dados de focos de calor de 2020 e de 2023, não chegamos a um mesmo patamar. Houve uma anomalia [do clima] naquele ano”, lembra.

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A diretora do ICV pontua que é difícil prever se os incêndios podem chegar ao mesmo nível de destruição de 2020.

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“O impacto das mundanças climáticas pertubam os calendários das chuvas e nos deixa em uma situação de incerteza. Então, só estamos vendo [os efeitos do aquecimento globlal] quando está acontecendo. Precisamos nos adaptar a essas incertezas e mudanças no padrão de chuvas”, avalia.

Impactos do El Niño

Segundo a diretora do ICV, a perspectiva de chuvas, que poderiam controlar os incêndios no Pantanal, não são boas. Isso por que está em atuação o fenômeno do El Niño, que aquece as águas do oceano Pacífico e altera o regime de chuvas no país. No centro-oeste e norte, ele traz um forte período de estiagem. Já no sul, tempestades volumosas.

“O fenômeno do El Niño vai se prolongar até o primeiro trimestre de 2024, então provavelmente teremos menos precipitações”.

Alice aponta que os incêndios, somadas à redução das chuvas, impactam severamente na vida animal, na sequência alimentar e até nas comunidades humanas.

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“A redução da água diminui os canais de comunicação e a possibilidade de barcos passarem em alguns lugares, que ficarão isolados. Tem impactos na sequência alimentar de alguns grupos. É meio dramático ver que não existe um plano de adaptação”, destaca.

Ela explica que a prevenção é importante para controlar o incêndio antes que ele se torne incontrolável. A diretora do ICV cita, como algumas das medidas que podem ser tomadas, o fortalecimento de brigadas locais e do investimento de pesquisas em universidades da região.

 

Com ALLAN PEREIRA/MJ

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CLIMA

Temperatura despenca 22°C em Cuiabá entre quarta e sexta-feira;entenda

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queda de temperatura

Previsão do INMET aponta mudança drástica de 36°C para mínima de 14°C; alerta atrelado ao clima seco exige atenção com a saúde

A temperatura em Cuiabá sofre uma queda abrupta de 22°C entre a tarde de quarta-feira (1º) e as primeiras horas de quinta (2) e sexta-feira (3). A previsão pontual para a capital mato-grossense indica que os termômetros despencam da máxima de 36°C para uma mínima atípica de 14°C. O alerta associado ao Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) estima esse declínio térmico sem chuva significativa, estabelecendo uma condição de frio incomum na rotina da cidade.

A mudança climática rápida ocorre sob índices de umidade relativa do ar próximos a 30%. A combinação de declínio térmico acentuado, tempo seco e possível fumaça em áreas urbanas eleva o grau de alerta para crianças, idosos, trabalhadores expostos ao ar livre e pacientes com doenças respiratórias.

Diferença extrema: de 36°C para 14°C em dois dias

O principal dado da previsão é o contraste térmico de 22°C na janela de 48 horas. Na quarta-feira (1º), a capital enfrenta limite superior de 36°C. Entre a madrugada de quinta (2) e a manhã de sexta-feira (3), o padrão inverte completamente, atingindo o piso de 14°C.

Além do choque entre os extremos da semana, as temperaturas máximas também sofrem impacto diário. A marca mais alta prevista para a sexta-feira (3) alcança apenas 20°C. O alerta vinculado ao INMET estima declínio geral de 3°C a 5°C na média diária de Cuiabá, mantendo o panorama de frio durante toda a extensão da sexta.

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Amplitude térmica chega a 20°C na quinta-feira

A transição para o frio atinge sua maior variação diária na quinta-feira (2). A previsão para o dia indica a maior amplitude térmica da série: os números sobem da mínima de 14°C nas primeiras horas para a máxima de 34°C no decorrer da tarde.

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A oscilação de 20°C no mesmo dia submete a população a alterações ambientais expressivas em poucas horas, exigindo hidratação constante e adaptação no uso de roupas ao longo dos turnos.

Recuperação e tendência para o fim de semana

Os pontos mais críticos de frio incidem nas manhãs de quinta e sexta-feira. A partir de sábado (4), no entanto, os dados apontam recuperação. A mínima sobe para 16°C, e a máxima atinge 27°C (diferença diária de 11°C).

No domingo (5), o aquecimento avança com temperatura base de 18°C e máxima de 32°C. A segunda-feira (6) consolida o retorno ao clima quente, estabilizando as marcas em 17°C de mínima e 32°C de máxima.

Alerta foca na saúde diante da estabilidade geo-hidrológica

O alerta atrelado ao INMET emite grau de leve risco à saúde para os dias 2 e 3 de julho. O quadro de ar seco no centro-sul do estado, somado à ausência de chuvas expressivas, eleva a suspensão de poeira. A recomendação documentada requer uso de roupa de frio nas manhãs atípicas, ingestão frequente de líquidos e limitação da exposição prolongada ao tempo aberto.

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Conforme boletim de terça-feira (30) do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), o estado de Mato Grosso não integra as zonas de monitoramento para desastres geo-hidrológicos — riscos concentrados atualmente no Amazonas, Paraná e Santa Catarina. Sem indicativos de temporais, inundações ou deslizamentos para a região metropolitana, as medidas ativas restringem-se aos parâmetros meteorológicos e de saúde pública.

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