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Tragédia no asfalto

Sangue e negligência: MPF investiga os 'pontos da morte' na BR-163 e busca respostas

MPF abre inquérito civil para investigar as causas do alto número de acidentes e mortes na BR-163 em Mato Grosso, cobrando soluções para os ‘pontos da morte’

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investigação federal apura o alto número de acidentes e mortes na BR-163 em Mato Grosso.
investigação federal apura o alto número de acidentes e mortes na BR-163 em Mato Grosso.Foto: reprodução internet

A rodovia continua matando em Mato Grosso. Com base em dados de acidentes de 2024 e 2025, uma investigação federal agora busca forçar soluções e apontar culpados.

O Ministério Público Federal (MPF) iniciou uma grande investigação na BR-163 em Mato Grosso. A estrada é muito importante para o agronegócio do estado. O MPF abriu um inquérito civil para analisar os trechos mais perigosos. Esses locais são conhecidos como “pontos da morte”. A ação busca forçar a criação de soluções para parar as tragédias que acontecem com frequência no local.

Um cenário de desastre

A decisão do MPF se baseia em números muito ruins. Dados oficiais de 2024 mostram o tamanho do problema. Em apenas um trecho da rodovia, cuidado pela empresa Via Brasil, ocorreram 1.304 acidentes. Nesses acidentes, 65 pessoas morreram.

Mas o perigo se espalha. No trecho da cidade de Peixoto de Azevedo, os acidentes subiram 5% em 2024. Ali, outras 12 pessoas perderam a vida.

Evolução temporal das mortes na BR-163 em MT e MS durante 2024-2025

Por que tantas mortes acontecem?

As causas dos acidentes graves costumam ser as mesmas. Veja os principais motivos:

  • Falta de atenção do motorista: Muitos demoram para reagir ou não reagem. Isso acontece por sono, distração ou uso de álcool.
  • Alta velocidade: A imprudência é um grande fator. Em 2024, a polícia aplicou 72,7 mil multas por excesso de velocidade na rodovia.
  • Ultrapassagens perigosas: Manobras em locais proibidos causam muitas batidas. Em algumas operações da polícia, foram registradas 175 ultrapassagens irregulares.
  • Álcool e direção: A mistura continua sendo um problema sério, com dezenas de motoristas flagrados bêbados ao volante.
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2025: a tragédia continua

O ano de 2025 não começou melhor. No trecho entre Cuiabá e Sinop, os três primeiros meses já somam 279 acidentes e 17 mortes. Isso dá uma média de mais de três pessoas feridas por dia.

Esses números têm rostos e histórias. Como a de Davi Arthur dos Santos Amaral, um menino de 14 anos. Ele morreu em fevereiro ao tentar atravessar a rodovia empurrando sua bicicleta. No mesmo mês, Celso Adriano Padilha, de 40 anos, morreu quando seu carro foi esmagado entre duas carretas. O motorista de um dos caminhões disse que não conseguiu frear a tempo.

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A obra que não sai do papel

Um dos maiores problemas é a falta de duplicação da estrada. A obra está muito atrasada. Em Mato Grosso do Sul, por exemplo, menos de 20% do prometido foi entregue.

Onde a obra foi feita, o resultado é claro. No trecho que foi duplicado entre Diamantino e Nova Mutum, o número de mortes caiu 82% em 2024. Isso prova que as mortes poderiam ser evitadas com uma estrada melhor. Enquanto a solução não vem, pessoas continuam morrendo. A retirada de radares em 2024, por exemplo, causou mais atropelamentos.

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O que esperar da investigação?

A investigação do MPF será rigorosa. O órgão pode chamar os responsáveis para dar explicações. Pode exigir acordos para resolver os problemas ou até mesmo processar os culpados na Justiça.

Existe uma promessa de investimento de R$ 12 bilhões para obras na rodovia. Mas, por enquanto, a realidade é outra. A BR-163 é a sexta estrada mais perigosa do Brasil. A questão que todos fazem é simples: quantas pessoas mais precisam morrer para que as soluções finalmente saiam do papel?

 

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DESTAQUE

Dino manda PF apurar R$ 55,4 milhões em emendas Pix apontados pelo TCU

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O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinou nesta sexta-feira (7) que a Polícia Federal apure as irregularidades levantadas pelo Tribunal de Contas da União na execução das chamadas emendas Pix. O relatório do órgão de controle aponta R$ 55,4 milhões em possíveis danos ao erário entre 2020 e 2024.

Recebido pelo ministro em 31 de julho, o documento foi remetido ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, “a fim de que verifique a existência de indícios de crimes, e, se for o caso, proceda à juntada aos procedimentos já instaurados e/ou à abertura de novos”. Dino determinou ainda que a análise priorize as “hipóteses de danos ao Erário já apontados pela Egrégia Corte de Contas”.

Emendas Pix é o apelido dado às transferências especiais, modalidade que dificultava identificar tanto o parlamentar autor da destinação quanto quem recebia o dinheiro na ponta. Foi essa opacidade que levou o Supremo, uma vez provocado, a fiscalizar o mecanismo e a cobrar os critérios de rastreabilidade e transparência fixados na Constituição para a aplicação de recursos públicos. Dino relata a ação sobre o tema.

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Os números do relatório

A auditoria examinou cem transferências especiais destinadas a 74 entes federados, num total de R$ 198.109.222,97 em recursos fiscalizados. Desse volume, mais de R$ 26,3 milhões aparecem como prejuízo decorrente do comprometimento da transparência e da rastreabilidade.

Outros R$ 14,9 milhões foram para o pagamento de despesas “sem comprovação jurídica/fiscal idônea, estranhas à finalidade da transferência especial” ou “sem comprovação da quantidade ou do objeto realizado”. Um terceiro grupo, de R$ 14,1 milhões, reúne casos de “inexecução total ou parcial do objeto” e “superfaturamento de preços”.

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Para Dino, os achados “demonstram a persistência de um estado de inconstitucionalidade, o qual justifica a necessidade de adoção de novas medidas para a conformação da execução das ‘emendas individuais’ aos parâmetros constitucionais de transparência e rastreabilidade”.

 

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