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Dark Horse

PF avalia, mas não formaliza, inclusão de Flávio Bolsonaro em difusão prateada da Interpol no caso Dark Horse

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A Polícia Federal analisa a possibilidade de solicitar a inclusão do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na difusão prateada (Silver Notice) da Interpol para rastrear recursos ligados ao financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Até o momento, no entanto, não há pedido formal confirmado em fontes oficiais.

A discussão ganhou força após o ministro do STF André Mendonça autorizar, em 23 de julho de 2026, a abertura de inquérito pela PF para apurar o destino de cerca de R$ 61 milhões repassados pelo ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, sob a justificativa de financiar a produção. A decisão seguiu parecer favorável da Procuradoria-Geral da República e está conectada às investigações da Operação Compliance Zero, também sob relatoria de Mendonça.

Reportagens publicadas nesta quinta-feira (30) por O Globo, Correio Braziliense e Gazeta do Povo, citando investigadores, informam que a PF avalia a medida caso os mecanismos tradicionais de cooperação internacional se mostrem insuficientes. As mesmas reportagens registram explicitamente que ainda não existe pedido formal para incluir o senador na lista. O objetivo seria localizar eventuais ativos no exterior e verificar se os valores tiveram a destinação declarada ou se houve desvio de finalidade.

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A difusão prateada é ferramenta relativamente recente da Interpol, lançada em 2025 e ainda em fase de implementação. Diferente da difusão vermelha (focada em pessoas procuradas), ela visa a localização e o monitoramento de bens, contas e fluxos financeiros associados a investigações criminais, permitindo cooperação entre países-membros.

Antes da autorização do inquérito, o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) enviou ofício à Polícia Federal e ao Escritório Central Nacional da Interpol no Brasil, em final de maio/início de junho de 2026. No documento, o parlamentar solicitou cooperação penal internacional e análise da possibilidade de emissão de Silver Notice ou instrumento equivalente para preservação e identificação de ativos relacionados ao financiamento do Dark Horse. O ofício cita Flávio Bolsonaro, Vorcaro, a produtora e estruturas financeiras nos Estados Unidos e em outros países. Trata-se de iniciativa parlamentar, não de ato da PF.

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Em notas anteriores, Flávio Bolsonaro classificou como “falsa a insinuação” de irregularidades e afirmou que os aportes “foram direcionados a um fundo específico da produção, com estrutura jurídica própria e fiscalização nos Estados Unidos”. A defesa do senador também criticou a divulgação de informações sobre eventuais medidas cautelares ou de cooperação internacional sem base em documentos oficiais.

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Até esta data, não foram localizados comunicados oficiais da Polícia Federal, decisões públicas do STF autorizando especificamente a difusão prateada em relação a Flávio Bolsonaro, nem registros da Interpol confirmando pedido ou emissão da medida. Qualquer formalização dependeria de solicitação da PF, autorização judicial (no caso de autoridades com foro privilegiado) e trâmites de cooperação internacional.

A investigação segue em curso. O inquérito autorizado por Mendonça busca esclarecer a origem, o fluxo e o destino dos recursos enviados sob a justificativa de financiar a produção cinematográfica.

 

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BRASIL

Paraguai convoca embaixador brasileiro após fala de Lula sobre a Guerra da Tríplice Aliança

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O governo do Paraguai convocou na quinta-feira (30) o embaixador do Brasil em Assunção, José Antonio Marcondes de Carvalho, para uma reunião hoje, sexta-feira (31). O encontro, que contará com a presença do vice-presidente Pedro Alliana e do chanceler Rubén Ramírez Lezcano, servirá para a entrega de uma nota oficial em reação a declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a Guerra da Tríplice Aliança (1864-1870).

A crise diplomática teve origem em um discurso proferido por Lula no dia 24 de julho, durante visita à empresa de defesa Avibras Aeroco, em Jacareí (SP). Ao defender maiores investimentos na indústria de defesa e o preparo das Forças Armadas diante de ameaças internacionais, o presidente brasileiro afirmou:

“A gente gosta de paz, mas a gente não pode se esquecer que um belo dia o Paraguai resolveu invadir o Brasil. Invadiu Corumbá, ao mesmo tempo invadiu o Uruguai, invadiu a Argentina. E aquela guerra que parecia que era nada durou cinco anos.”

Lula relacionou o episódio histórico à necessidade de o Brasil manter capacidade de dissuasão, citando as extensas fronteiras do país, recursos estratégicos e a existência de “loucos pelo mundo querendo fazer guerra”.

A declaração gerou forte reação no Paraguai, onde o conflito — conhecido localmente como Guerra da Tríplice Aliança — é tratado como um trauma nacional. Estimativas paraguaias apontam perdas demográficas extremamente elevadas, com parte significativa da população masculina adulta dizimada. Na quarta-feira (29), a Cámara de Diputados aprovou por unanimidade a Declaración N° 1836. O documento repudiou as falas de Lula por “distorsionar y minimizar la dimensión histórica” da guerra e por atribuir ao Paraguai a origem do conflito. A resolução reafirma a memória histórica como patrimônio irrenunciável da identidade, soberania e dignidade paraguaias e exorta o Executivo a buscar a restituição de troféus de guerra, entre eles o Cañón Cristiano.

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Em coletiva de imprensa nesta quinta-feira, o chanceler Rubén Ramírez Lezcano declarou que o governo compartilha o sentimento da cidadania sobre o episódio sensível. “A dignidade do Paraguai não é negociável”, afirmou. Segundo o ministro, o tema foi tratado no mais alto nível desde o início. Ele reiterou, no entanto, que o Brasil permanece um aliado estratégico.

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Há informações conflitantes sobre um possível telefonema entre Lula e o presidente Santiago Peña. O lado paraguaio afirmou que a conversa ocorreu; fontes do governo brasileiro negaram o contato.

A convocação do embaixador é um gesto diplomático clássico de protesto formal, sem ruptura de relações. O governo paraguaio enfatizou que a defesa da memória histórica é compatível com a cooperação bilateral, desde que baseada em respeito mútuo e reconhecimento dos fatos que marcaram a história comum dos dois povos.

A Guerra da Tríplice Aliança opôs o Paraguai à aliança formada por Brasil, Argentina e Uruguai. No Paraguai, a narrativa oficial e a memória coletiva enfatizam o caráter devastador do conflito e rejeitam interpretações que atribuam unilateralmente a iniciativa da guerra ao país. No Brasil, a historiografia tradicionalmente registra a invasão paraguaia a Corumbá e a outros territórios como o estopim do enfrentamento.

Até o momento, não há indícios oficiais de que a reação paraguaia esteja vinculada a agendas externas. As declarações públicas do governo de Santiago Peña e do Congresso centraram-se exclusivamente na defesa da dignidade nacional e na sensibilidade histórica do tema.

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