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Bastidores 2026

A miragem dos números: por que a pesquisa esconde a força do segundo voto

Análise aprofundada da pesquisa RealTime Big Data revela como a metodologia de cálculo distorce a força de Mauro Mendes e Janaína Riva para o Senado, enquanto 86% de indecisão espontânea mostram que a liderança de Wellington Fagundes para o governo é frágil.

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a diferença entre a "média" apresentada e o potencial real de votos de Mauro e Janaína
Análise aprofundada da pesquisa RealTime Big Data revela como a metodologia de cálculo distorce a força de Mauro Mendes e Janaína Riva para o Senado

Levantamento mostra Wellington Fagundes gigante e Mauro Mendes favorito, mas metodologia de “média” distorce cenário do Senado e 86% de indecisos na espontânea revelam que a eleição ainda nem começou.

Quem olha apressadamente para os gráficos coloridos da nova pesquisa RealTime Big Data, divulgada nesta semana, pode ter a sensação de que a eleição de 2026 em Mato Grosso já tem donos. O senador Wellington Fagundes (PL) ostenta uma liderança aparentemente confortável para o governo, variando entre 43% e 44% no cenário estimulado. Porém, ao passar olhos atentos sobre a metodologia e cruzar os dados internos do relatório, o que se vê é uma estrutura de “base de barro”. A solidez dos números derrete diante de um dado brutal: 86% dos eleitores mato-grossenses não sabem citar, espontaneamente, um único nome para governar o estado.

Essa discrepância gigantesca entre o cenário estimulado (quando se mostra a lista de candidatos) e o espontâneo (quando o eleitor fala o que vem à cabeça) sugere que estamos diante de um clássico “recall de marca”, e não de intenção de voto consolidada.

Para entender melhor: é como ir ao supermercado. Se ninguém te mostra as opções, você não sabe o que comprar (espontânea). Mas se te mostram uma lista limitada onde o atual governador, Mauro Mendes (União), não está — pois não pode ser reeleito —, você aponta para a marca mais conhecida da prateleira, que hoje é Wellington Fagundes.

A prova de que o voto do senador do PL ainda é um “voo de galinha” está na queda vertiginosa: ele sai de quase 44% na estimulada para esquálidos 8% na espontânea. Ou seja, a cada 10 eleitores que dizem votar nele quando provocados, menos de 2 se lembram dele sozinhos. O jogo, portanto, está completamente aberto.

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A “matemática criativa” do Senado: como diminuir gigantes

Se no governo a dúvida mora na indecisão, na disputa pelo Senado a polêmica está na calculadora. A metodologia escolhida pela RealTime Big Data para apresentar os dados do Senado criou uma distorção visual que prejudica a leitura da força real dos candidatos, especialmente do governador Mauro Mendes e da deputada Janaína Riva (MDB).

Em 2026, o eleitor de Mato Grosso terá dois votos para o Senado. O padrão ouro dos institutos de pesquisa sérios é somar as intenções de voto (1ª opção + 2ª opção) para mostrar o “teto” de cada político. A RealTime, contudo, optou por fazer uma média simples no seu gráfico consolidado.

Vamos a um exemplo didático: Imagine que você pode escolher dois sabores de pizza.

  • 39 pessoas escolhem “Calabresa” como primeira opção.

  • 28 pessoas escolhem “Calabresa” como segunda opção.

  • No total, 67 pessoas vão comer Calabresa. Essa é a realidade da urna.

O que a pesquisa fez? Somou 39 com 28, dividiu por dois e disse que a preferência por Calabresa é de apenas 34%.

Essa “engenharia” achata o desempenho de Mauro Mendes. Os dados brutos mostram que ele tem 39% no primeiro voto e 28% no segundo. O potencial real dele é de dominar quase 70% do eleitorado. Mas o gráfico divulgado o coloca com 34%, visualmente muito abaixo de sua aprovação de governo, que roça os 70%.

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O caso Janaína Riva: a força oculta do segundo voto

Quem mais sofre com essa metodologia de “média” é a deputada Janaína Riva. Ela é o fenômeno do “voto casado”. Enquanto 15% a escolhem como primeira opção, esse número salta para 22% na segunda opção. O eleitor pensa: “Vou votar no Mauro Mendes e… na Janaína”.

Somando o potencial real, Janaína estaria na cabeça de 37% dos eleitores, colada nos líderes. No entanto, o gráfico de média a derruba para 19%, fazendo parecer que ela é uma candidata mediana, quando na verdade ela disputa cabeça a cabeça a segunda vaga com qualquer adversário.

Entenda a “pegadinha” dos gráficos

Para não ser enganado por números parciais, o leitor precisa saber como funciona a eleição de duas vagas (Senado 2026):

  1. O Voto não é excludente: você não escolhe ou o candidato A ou o candidato B. Você vota nos dois.

  2. A soma é o que vale: Se um candidato tem 40% de votos como “Opção 1” e 30% como “Opção 2”, ele terá, na prática, votos de 70% do eleitorado.

  3. O erro da média: Ao fazer uma média entre os dois votos (como fez a RealTime), o instituto esconde que candidatos muito populares (como Mauro Mendes) ou muito fortes como “segunda opção” (como Janaína Riva) teriam votações massivas. O gráfico fica “bonito”, mas a realidade é distorcida.

O teto de vidro e a rejeição fatal

Outro dado que merece análise profunda é o índice de rejeição. Na política, rejeição acima de 30% acende o sinal amarelo; acima de 40%, é sinal de inviabilidade técnica.

O senador Jayme Campos (União), embora apareça competitivo para o governo com 16% (tecnicamente empatado com o vice Otaviano Pivetta, que oscila entre 17% e 18%), carrega um fardo pesado: 45% dos eleitores afirmam que não votariam nele de jeito nenhum.

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Isso funciona como um “teto de chumbo”. Por mais conhecido que Jayme seja, quase metade da população bloqueia seu crescimento. Já Otaviano Pivetta enfrenta o problema oposto: a falta de tração. Mesmo com a máquina do estado na mão, ele ainda não herdou o capital político de Mauro Mendes. Estar estacionado abaixo dos 20% a esta altura mostra que a transferência de votos não é automática.

A manipulação sutil: Ao colocar o gráfico de rejeição (que acumula percentuais de vários candidatos e pode ultrapassar 100% na soma total) com o mesmo peso visual da intenção de voto, o instituto cria uma barreira psicológica. O dado de 45% é tecnicamente correto dentro dessa metodologia, mas ele é “inflado” pela natureza da pergunta. Comparar a rejeição de um político veterano (conhecido por 100% do estado) com a de novatos é injusto estatisticamente se não houver ponderação pelo grau de conhecimento.

O “imposto sobre o recall” (o preço da fama)

Jayme Campos sofre do fenômeno do “recall total”. Como ex-governador e senador há décadas, praticamente todo eleitor mato-grossense sabe quem ele é.

  • A lógica: Você só pode rejeitar quem você conhece.

  • A distorção: Candidatos menos conhecidos têm rejeição baixa simplesmente porque o eleitor os ignora.

A pesquisa não pondera a “rejeição relativa” (rejeição dividida pelo conhecimento). Ao apresentar o número bruto (45%), o instituto penaliza Jayme por ser famoso. Isso não é uma mentira, mas é uma verdade seletiva que serve à narrativa de que ele está “acabado”.

A incongruência “governo vs. senado”

Se Jayme tem 16% para Governador (cargo executivo, mais difícil), por que ele teria apenas 9% para o Senado (cargo que ele já ocupa e onde a reeleição costuma ser inercial)?

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Essa queda brusca de capital político dentro da mesma pesquisa, com as mesmas pessoas, é estatisticamente estranha. Sugere que a lista de nomes apresentada ou a ordem das perguntas pode ter induzido o eleitor a descartá-lo no cenário do Senado.

A metodologia parece desenhada para criar um contraste fatal: mostra-se um Jayme com um “teto de vidro” intransponível (45% de rejeição) e um “base de barro” no Senado (apenas 9%), sugerindo aos caciques partidários que sua candidatura majoritária é inviável. É uma pesquisa que, intencionalmente ou não, fornece munição para seus adversários internos e externos pedirem sua aposentadoria.

A velocidade da luz: 1.200 entrevistas em 48 horas

Por fim, a auditoria dos dados revela uma fragilidade operacional. O instituto afirma ter realizado 1.200 entrevistas em apenas dois dias (26 e 27 de novembro).

Quem conhece a geografia de Mato Grosso sabe o desafio logístico que isso representa. Para cumprir essa meta em 48 horas, é necessário um uso massivo de disparos telefônicos automatizados (robôs) ou uma concentração de chamadas em centros urbanos, onde o sinal é melhor.

Isso gera o risco de “invisibilidade rural”. As opiniões dos rincões do estado, das zonas rurais e das pequenas cidades com telefonia precária podem estar sub-representadas. E é justamente nesses locais que o voto costuma ser diferente da capital. Portanto, os números atuais devem ser lidos como uma fotografia borrada de um momento, e não como o filme definitivo de 2026.

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EXCLUSIVO:Mato Grosso prende 13,8% mais em um ano e estoura a capacidade das prisões

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encarceramento em Mato Grosso

A população prisional cresce 13,8% em um ano, a quarta maior alta do país, e as vagas encolhem enquanto os homicídios recuam

A população prisional de Mato Grosso cresceu 13,8% em um único ano, a quarta maior alta do país, e passou a superar a capacidade das unidades. O estado passou de 19.606 para 22.636 pessoas encarceradas entre 2024 e 2025, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O salto ocorreu no mesmo período em que os homicídios caíram mais de 20% no estado.

Encarceramento em Mato Grosso sobe 13,8%

A taxa de encarceramento de Mato Grosso subiu de 511,1 para 581,4 presos por 100 mil habitantes entre 2024 e 2025. O aumento ficou atrás apenas dos registrados por Bahia, Piauí e Rio Grande do Sul, entre as unidades da federação com dados comparáveis, e foi mais que o dobro do avanço nacional.

No conjunto do país, a taxa passou de 427,9 para 452,0 presos por 100 mil habitantes, alta de 5,6%. O Brasil chegou a 960.976 pessoas no sistema penitenciário em 2025, ante 905.843 no ano anterior. Com a taxa de 581,4, Mato Grosso encarcera cerca de 29% mais pessoas, em proporção à população, do que a média brasileira, e terminou o período com a nona maior taxa entre os estados.

O número de presos apenas no sistema penitenciário, sem contar a custódia policial, saiu de 19.548 para 22.557 em doze meses, um acréscimo de mais de três mil pessoas. A parcela sob custódia das polícias, bem menor, subiu de 58 para 79, na contramão do país, onde esse grupo recuou de 3.751 para 3.692 pessoas. Somadas as duas, o estado encarcerava 22.636 pessoas ao fim de 2025, quase todo o acréscimo concentrado nas unidades penitenciárias.

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Menos vagas, mais presos

Enquanto prendia mais, o estado perdeu vagas. O sistema penitenciário mato-grossense tinha 22.204 vagas em 2024 e passou a 21.178 em 2025, uma redução de mais de mil lugares. A combinação de mais presos com menos vagas inverteu a relação entre lotação e capacidade.

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Em 2024, havia folga: a razão entre presos e vagas era de 0,9, com mais lugares do que detentos e nenhum déficit registrado. Em 2025, o indicador chegou a 1,1, e o sistema acumulou um déficit de 1.379 vagas. O número significa que, ao fim do ano, o estado tinha mais presos do que lugares oficialmente disponíveis nas unidades penais, o oposto do que ocorria doze meses antes.

Mesmo com a piora, a superlotação de Mato Grosso ainda é menor que a média nacional, onde há 1,4 preso para cada vaga. A diferença está na direção: no país, essa razão ficou estável entre 2024 e 2025, enquanto no estado subiu de 0,9 para 1,1.

Mais de um terço sem condenação definitiva

Parte do crescimento vem de presos ainda sem condenação. Os provisórios de Mato Grosso passaram de 7.108 para 8.550 entre 2024 e 2025, e sua participação no total subiu de 36,3% para 37,8%. Mais de um terço da população prisional do estado aguarda julgamento.

O peso desse grupo pressiona diretamente as vagas, já que cada pessoa detida sem condenação ocupa um lugar no sistema enquanto espera a decisão da Justiça. O número de provisórios cresceu cerca de 20% no período, ritmo superior ao do conjunto da população prisional.

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A proporção coloca Mato Grosso na quinta posição do país em fatia de presos provisórios, atrás de Bahia, Piauí, Minas Gerais e Pernambuco. O índice está bem acima da média nacional, de 25,7%. Os condenados seguem maioria, com 14.086 pessoas, mas perderam participação relativa, ao caírem de 63,7% para 62,2% do total. O grupo sem julgamento definitivo cresceu mais rápido que o de sentenciados no período.

Mortes atrás das grades recuam

Na contramão da lotação, os óbitos registrados no sistema prisional caíram. As mortes por causas naturais ou de saúde passaram de 15 para 9 entre 2024 e 2025, e as de origem criminal, de 12 para 6. As duas categorias medidas pelo levantamento recuaram no período, mesmo com o aumento do número de presos.

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Prende mais, mata menos

O aumento do encarceramento coincidiu com a forte queda dos homicídios no estado. No mesmo intervalo, a taxa de homicídios dolosos de Mato Grosso caiu 22,1%, a quarta maior redução do país. Os dois movimentos, em sentidos opostos, alimentam a discussão sobre a relação entre prender e conter a violência.

O debate tem dois lados conhecidos. De um, a ideia de que retirar mais pessoas de circulação reduz a prática de crimes. De outro, a constatação de que a queda de homicídios costuma responder a uma combinação de fatores, e que ampliar o encarceramento tem custo elevado sem resultado assegurado sobre a violência. Os números de 2025 alimentam a controvérsia, sem encerrá-la.

Os dados do anuário não permitem estabelecer relação de causa entre um fenômeno e outro. Eles registram que o encarceramento cresceu e que os homicídios caíram no mesmo período, sem demonstrar que um explica o outro. A variação das mortes violentas depende de múltiplos fatores, e o recorte do levantamento não isola a contribuição do encarceramento.

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Os dados de 2025 do sistema prisional foram compilados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. A continuidade da alta das prisões e a evolução do déficit de vagas dirão se a superlotação registrada em 2025 se aprofunda nos próximos anos.

 

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