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Instagram: perfis fake curtindo stories? O que pode ser e como resolver

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Viu algum fake erótico curtindo seus stories no Instagram? Você não está sozinho nessa. Diversos usuários espalhados por todo o mundo têm relatado esse fenômeno desde pelo menos final de novembro de 2022. Há quem acredite que isso acontece quando alguém visualiza os seus posts utilizando alguma ferramenta externa ao Instagram – como um site para ver stories anonimamente, por exemplo -, mas testes feitos pelo TechTudo comprovaram que esse não é o caso. Especialistas apontam para outro caminho: para eles, é possível que se trate de bots para promover golpes ou páginas maliciosas na internet.

O TechTudo conversou com Flávia Braz de Castro, advogada com foco em Direito Digital e que trabalha na área de Regulação e Novas Tecnologias do escritório Lima Feigelson, para entender o que são esses bots e o que os usuários podem fazer para se proteger deles. Nas próximas linhas, veja o que você precisa saber sobre contas fake eróticas curtindo seus stories no Instagram.

Fakes eróticos curtindo stories no Instagram: o que é? Como resolver? — Foto: TechTudo

Fakes eróticos curtindo stories no Instagram: o que é? Como resolver? — Foto: TechTudo

O que aconteceu? Por que tem fake erótico curtindo meus stories?

No final de novembro de 2022, alguns usuários começaram a abrir fóruns no Reddit para tentar entender por que havia fakes pornográficos curtindo seus stories do Instagram. “É apenas eu que recentemente tem recebido likes de bots eróticos nos stories? São tipo um ou dois bots por story. Antes eles apenas visualizavam, mas agora estão curtindo também”, publicou um usuário em inglês. Em resposta, várias pessoas responderam, e algumas afirmaram que isso acontece quando alguém visualiza os seus posts com alguma ferramenta externa ao Instagram.

TechTudo fez testes para entender se de fato é isso o que estava acontecendo, e confirmou que os bots pornográficos curtindo os seus stories não são pessoas visualizando seus posts anonimamente. Em nossos testes, utilizamos três sites diferentes com essa mesma finalidade, e em nenhuma das situações essa suspeita se confirmou. Mas o que são, então, esses perfis eróticos curtindo stories no Instagram?

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Até o momento, ainda não há algum estudo específico sobre esse fenômeno, mas especialistas apontam algumas possíveis causas, inclusive falso engajamento e aplicação de golpes. “Essas contas ‘fakes’, em geral, são robôs programados para realizar tarefas automatizadas, como seguir perfis, comentar ou curtir stories. Nesse contexto, normalmente são utilizados para simular seguidores, manipular engajamento ou aplicar golpes”, disse a advogada Flávia Braz de Castro.

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Essa segunda teoria é compatível com o comportamento percebido pela estudante Fernanda Nunes, de 24 anos, que relatou ter experienciado esse tipo de interação no Instagram. “A similaridade entre os perfis [bots] geralmente é a interação nos Stories, seja [com] a visualização, curtida ou participação em enquetes. Também são perfis mais dezoito e as solicitações de mensagens são perfis de loja “merchan”, que não sei se realmente existem”, contou à reportagem.

Porém, por enquanto, ainda não há uma confirmação sobre o que de fato são esses bots eróticos – até porque, por ora, o Instagram não liberou estudos nem fez alguma declaração específica sobre o assunto.

pessoa instagram celular logo — Foto: Getty Images

pessoa instagram celular logo — Foto: Getty Images

Como impedir que esses bots curtam meus stories?

A estudante Fernanda relatou ao TechTudo que, de uns tempos para cá, percebeu aumento nas interações desse tipo de conta com os seus posts. A solução que ela encontrou foi de fechar o seu perfil. “Eu decidi fechar o meu Instagram porque a frequência [dos bots] aumentou bastante. No início, era apenas um perfil ou outro, mas [recentemente] andava sendo três a quatro vezes ao dia, e isso já estava me incomodando e irritando bastante”, disse à reportagem.

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Para acabar com esse incômodo, há quem, mais do que apenas fechar a conta, também bloqueie os perfis fake, mas essa solução pode não dar tão certo, já que diariamente são criados novas contas de comportamento similar. O que, então, fazer para impedir que esses bots interajam com você? Segundo especialistas e também o próprio Instagram, há algumas ações que você pode adotar.

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A primeira indicação é denunciar as contas. Isso é útil para que a própria plataforma identifique os bots e exclua-os. Para isso, quando um perfil curtir um story seu, toque sobre ele para abri-lo. Com a conta aberta, vá nos três pontinhos, no topo direito da tela, e selecione a opção “Denunciar”. Toque sobre “O conteúdo é inadequado” e depois vá em “Denunciar” de novo. Agora, você precisará explicar o porquê da denúncia. Para isso, o Instagram sugere a opção “Está fingindo ser outra pessoa”.

É possível também deixar o seu perfil do Instagram privado – e, como mostramos, para a estudante Fernanda, essa foi a melhor solução encontrada. Mas, no caso de pessoas públicas e que dependem de visibilidade na rede social para fins de trabalho, essa pode não ser uma possibilidade. Nesse sentido, o ideal é seguir as recomendações da plataforma, bloqueando e restringindo eventuais perfis bots que visualizem os seus stories.

O que o Instagram diz sobre o caso?

O TechTudo procurou o Instagram para entender o que a plataforma sabe e está fazendo para evitar esse tipo de contas. Em resposta, a rede social enviou a seguinte nota:

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“Para a Meta, é muito importante que as interações no Instagram e no Facebook sejam genuínas e, por isso, trabalhamos arduamente para manter a comunidade livre de comportamentos inautênticos. Dedicamos recursos significativos para combater perfis que promovam este tipo de comportamento em nossas plataformas e, quando detectados, consideramos todas as opções aplicáveis, incluindo a suspensão e remoção das contas. Também encorajamos as pessoas a denunciarem quaisquer contas ou atividades suspeitas no Instagram por meio das nossas ferramentas de denúncia.”

Por Maya Abreu e Letícia Merotto

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82% dos brasileiros veem benefício em religião na escola pública, aponta pesquisa

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religião na escola pública

Levantamento do Datafolha para a UFF ouviu 1.500 pessoas e mostra que o apoio ao Estado laico acompanha o sentido que o entrevistado dá à palavra laicidade.

82% dos brasileiros acham benéfico que as escolas públicas ensinem as crianças a rezar, a orar e a acreditar em Deus. O apoio à religião na escola pública consta do survey nacional da pesquisa “Religião, Política e Valores dos Brasileiros: Entre Extremismos e Mediações”, coordenada por Christina Vital da Cunha, da Universidade Federal Fluminense, e Doriam Borges, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, com execução do Instituto Datafolha. Foram 1.500 entrevistas domiciliares em municípios com mais de 20 mil habitantes de todas as regiões do país, realizadas em julho e agosto de 2024, com margem de erro de 3,0 pontos percentuais.

O que a lei permite de religião na escola pública

A Constituição prevê religião na escola pública, em moldura estreita. O artigo 210, parágrafo 1º, estabelece que “o ensino religioso, de matrícula facultativa, constituirá disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental”.

Em 27 de setembro de 2017, o Supremo Tribunal Federal julgou improcedente a Ação Direta de Inconstitucionalidade 4439 e assentou que esse ensino pode ter conteúdo confessional, desde que preservadas a matrícula facultativa e a igualdade de acesso e tratamento a todas as confissões religiosas. A decisão foi do Tribunal Pleno, e o acórdão saiu em 21 de junho de 2018.

O artigo 19, inciso I, fixa o outro lado da moldura. Ele veda à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios “estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público”.

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O sumário apresenta o resultado dos 82% como percentual dos que acham benéfico que as escolas públicas ensinem as crianças a rezar, a orar e a acreditar em Deus. Não há, nessa formulação, menção a disciplina, a ensino fundamental ou a matrícula facultativa.

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A fé como critério, e o limite do púlpito

Os 82% não aparecem sozinhos, 74% dos brasileiros acham que acreditar em Deus torna as pessoas melhores, e 81% consideram importante que candidatos a cargos políticos acreditem em Deus.

Os três indicadores saem de um país de maioria religiosa em que, mesmo entre os autodeclarados sem religião, permanecem fortes as referências católicas, evangélicas, afro-religiosas e de tradições espiritualistas orientais ou xamânicas.

No mesmo bloco de perguntas, 83,5% dos brasileiros dizem confiar mais em Deus do que na ciência. E 93% consideram a ciência importante para o desenvolvimento da humanidade.

O questionário levou em média 30 minutos e cobriu experiência e identidade religiosa, valores sociais e morais, percepções sobre democracia e autoritarismo, questões de gênero, sexualidade, raça e violência, e atitudes políticas com posicionamento no espectro esquerda-direita. O trabalho é apresentado pela coordenação como o primeiro levantamento nacional sobre religião, política e valores a incorporar a orientação sexual entre as variáveis de análise.

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Outro item do levantamento mede o limite dessa aceitação. 74% dos brasileiros discordam que “líderes religiosos devem tentar influenciar a forma como as pessoas votam nas eleições”. Na pesquisa, esse item foi tratado como rejeição ao abuso de autoridade religiosa, entendido como o uso da projeção e da autoridade espiritual de um líder para influenciar politicamente seus seguidores.

Os dois percentuais convivem no mesmo questionário. Um mede a importância atribuída à fé de quem se candidata. O outro mede a rejeição a que líderes religiosos orientem o voto dos fiéis.

Laicidade: entendimento e apoio caminham juntos

Entre quem define laicidade como “garantia de direitos iguais para todas as religiões”, 86,3% são favoráveis ao Estado laico. Entre quem a define como “não misturar religião e política”, o apoio é de 58,6%, e 40% se declaram contra.

A distância entre os dois grupos é de 27,7 pontos percentuais, diferença calculada a partir dos dois percentuais de apoio registrados no levantamento.

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Quem adota a segunda definição não é minoria dispersa. Evangélicos pentecostais e católicos estão entre os que mais associam laicidade à ideia de que não pode misturar religião e política, com 69,7% e 71%, respectivamente.

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O que a pesquisa conclui

Para a coordenação da pesquisa, quem vê o Estado laico como garantia ativa de direitos tende a apoiar sua manutenção, enquanto quem associa laicidade a uma separação mais rígida se divide mais, o que pode refletir narrativas religiosas que denunciam a laicidade como tentativa de excluir a religião da vida pública.

Nas conclusões, o sumário afirma que a sociedade brasileira, em sua maioria, aceita a separação entre religião e Estado como princípio organizador da democracia, e que o peso da tradição religiosa cristã, sobretudo pentecostal e católica, introduz tensões nessa aceitação.

Em outra passagem, o documento distingue duas coisas. De um lado, a religião como força social produtora de sentidos de vida, que não trata como problema a ser combatido. De outro, formas de obscurantismo presentes em alguns coletivos político-religiosos, que descreve como ameaças reais a direitos garantidos por lei e ao avanço de direitos de minorias políticas.

 

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